7 PSYKOSOSIALT MILJØ OG ORGANISASJONSMESSIGE UTFORDRINGER
7.2 Delegasjon av arbeid og ansvar
7.2.3 Hvilke egenskaper kjennetegner en god leder?
Buscou-se nesta pesquisa, por meio da intervenção procedida na formação inicial de professores – licenciandos em Ciências Biológicas, que também atuarão no ensino de Ciências – proporcionar-lhes a apropriação de conteúdos insertos na área da toxicologia, psicofarmacologia e em direito e legislação correlata, incluindo saberes experienciais com vistas à sua capacitação para o trato com o tema “drogas” na necessária prevenção educacional.
Por um ângulo que se verifica, tratou-se mesmo de incomodar a formação dos licenciandos através de duas etapas, a primeira na construção de um programa de ensino e em seguida na averiguação de sua viabilidade, conveniência e oportunidade medindo-se as alterações referidas com vistas a descortinar as eventuais repercussões na formação do público final constituído pelos alunos do ensino médio e fundamental.
Assim, avaliar o programa de ensino e a metodologia utilizada verificando o quanto estas ferramentas são eficazes para capacitar os licenciandos em Ciências Biológicas, preparando-os como futuros professores de Ciências e Biologia faz parte destes objetivos.
Com a capacitação, como objetivo específico da intervenção, almeja-se que os graduandos, seja nos estágios de docência ou no futuro próximo, estejam aptos para a
elucidação dos problemas atrelados aos temas da toxicologia e da psicofarmacologia, inclusive sob o aspecto legal, os quais não têm sido abordados ou se têm, de forma muito superficial.
Nestes problemas estão incluídas as questões polêmicas com as quais os professores (e os futuros, porque se cuida da formação inicial) se deparam por surgirem no ambiente in situ, durante o processo de ensino e aprendizagem da matéria.
Deve ser ressaltado que a análise imparcial de tudo quanto ocorreu durante as situações pesquisadas, inerentes ao tema e à capacitação, visou produzir conhecimentos no campo da formação de professores de Biologia e Ciências, não se descartando eventuais falhas no trabalho educativo desenvolvido como meio de pesquisa.
No cerne, verificou-se em palavras mais simples, aquilo que se mostrou funcional ou não funcional em formação de professores dentro do campo delimitado da toxicologia e da psicofarmacologia.
A prevenção do uso abusivo de substâncias psicoativas no campo educacional através de um instrumento revestido dos contornos da adequação didática, assim considerado após avaliações procedidas durante a formação inicial de professores de Ciências e Biologia, constitui o objetivo fundamental desta pesquisa.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
É pertinente uma discussão inicial: porque a escolha de estudantes do último ano de Biologia como alvo da presente pesquisa? A justificativa não é complexa e será mais detalhada na explicitação da metodologia.
Porém, é inequívoco que se considera a natureza ampla, complexa e necessária que se imagina para um programa educativo de prevenção do uso, (abuso) de substâncias psicoativas (SPA) e que faz parte dos planos de ensino de Biologia e de Ciências.
Observa-se que o programa construído e já mencionado, integrante do primeiro apêndice, poderia ser trabalhado, com eventuais adaptações, com os concluintes dos cursos de Psicologia e Química.
A apreciação transita pelo plano das perspectivas da formação de professores que parece ter tomado um novo rumo quando a sociedade passou a buscar caminhos para a redemocratização do país, fator de interesse para este estudo tendo em vista que parte dele se embasa numa lei que data de 1976, fruto de uma profunda inspiração norte-americana e de uma fase mais rígida de nosso ordenamento político.
As dificuldades enfrentadas ainda que se considerem estas mudanças de rota, levam a encontrar outros problemas especialmente referentes aos baixos salários e as más condições para o exercício profissional, não sendo muito raro ver-se atribuir este aspecto à influência capitalista e ao direcionamento dos investimentos ofertados à área da educação em quinhões flagrantemente desproporcionais à expansão e, portanto às necessidades da rede de ensino, aludindo-se neste ponto à rede pública.
Ao mesmo tempo, com o aumento considerável do número de profissionais do magistério e da população escolar ocorreu a instalação indiscriminada de cursos voltados para as licenciaturas em instituições privadas e faculdades isoladas, mencionando-se também a permissão para o exercício profissional do magistério para um público laico e assim não habilitado.
Estes fatores conduziram a uma desvalorização sem igual do magistério, que ficou descaracterizado como profissão, acarretando inexoravelmente uma queda significativa, em cascata, da qualidade de ensino.
O tratamento dado aos conteúdos, que muito interessam à pesquisa ora implementada, também contribuiu para o crescimento da desvalorização do profissional
professor porque foi deveras fragmentado, suprimindo ao seu poder o controle de sua prática pedagógica, como conseqüência de que este mecanismo priva o docente de uma das suas mais importantes ferramentas de trabalho, que se integra no trinômio saber (conteúdo), saber fazer (método) e técnica.
Estas afirmações são respaldadas em obras múltiplas, bem como no dia-a-dia acadêmico e nas inúmeras reuniões técnicas, sejam na área jurídica ou da educação.
Para D’Ambrósio (2003), já na década de 1980, instalou-se certa lógica de empresa produtiva imbricada no sistema educativo, resultante de um processo de taylorização referindo-se certamente ao processo de gerenciamento científico enunciado por Taylor, consistente no desenvolvimento do sistema de massa na educação e na produção. Para o autor, a adoção desse sistema na educação implica em que ela seja concebida tal qual uma fábrica de automóveis, verberando:
[...] “gerenciamento científico" introduzida no sistema de produção industrial por F.W. Taylor no início do século tem um paralelo muito importante na educação. Ao se introduzir o sistema de massa em educação, o aluno é tratado como um automóvel que deverá sair pronto no final da esteira de montagem, e esse é o objetivo do processo; ele vai sendo conduzido e, em cada estação, que em educação quer dizer em cada série, são montadas certas partes, isto é, motor, carroceria, rodas, que correspondem na educação a conteúdos programados; para isso o montador foi treinado para fazer aquilo no tempo determinado, isto é, seguindo métodos preestabelecidos. O análogo ao taylorismo em educação é a primazia do currículo, com seus componentes objetivos, conteúdos e métodos. Ora, assim como na linha de montagem deve-se ao final de cada estação fazer um controle, saber se o motor foi efetivamente colocado e está funcionando, no fim de cada série se faz um exame. No final da esteira de montagem o carro deve sair andando, isto é, outro exame para saber se ele funciona de acordo com as especificidades do mercado comprador. Veja a respeito, inclusive para o paralelo com o taylorismo, o importante livro, recentemente publicado, de Ole Skovsmose. Uma educação nesse modelo não merece ser chamada como tal. Nada mais é que um treinamento de indivíduos para executar tarefas específicas. Os objetivos são intelectualmente muito pobres. Indivíduos passando por isso talvez saiam capacitados como mão-de-obra para execução de trabalhos de rotina. (p. 67).
Experimentou-se o advento de um sistema de ensino com semblante burocratizado e com um desenvolvimento do trabalho pedagógico fragmentado, obtendo-se como resultante um estilo escolar autoritário.
As mudanças nos cursos de formação de professores, à época, seriam algo insuficientes para alterar as práticas dos docentes e talvez produzissem deformações neste profissional levando a um fracasso no seu trabalho.
docentes como forma enfática de condução ao aprimoramento da qualidade de ensino se constituem em sede de fundadas críticas, pela razão própria de que desse modelo adviriam profissionais deformados. Em apoio a essa afirmação encontra-se o posicionamento de Arroyo (1985, p.12), para quem a desqualificação do professor se constitui em apenas um dos aspectos da desqualificação da própria escola.
Por isso, o nó górdio do tema aqui desenvolvido leva em consideração mais o sentido de educar do que o de ensinar, priorizando a modernização de conteúdos e métodos, segundo o que se encontra na realidade social atual e no que os jovens nela vivenciam, fato que não se torna muito facilitado especialmente porque coloca o professor no exercício de um papel sócio-político.
Nesse contexto visa-se a qualificação dos futuros docentes, porque se trata de intervir na formação inicial e, sem dúvida, mesmo de docentes, razão pela qual o processo toma relevo de capacitação.
Hypolitto (2000, p. 102) discorre sobre capacitação elucidando da seguinte forma:
A capacitação de um educador deve ir muito além de uma ação de treinamento obtida por curso ou orientação técnica por exemplo. A mudança na prática do professor envolve alterações na sua visão de mundo e em seus valores. Portanto, mudar a prática significa alterar o nível de consciência do educador atingindo valores que norteiam a vida do cidadão educador.
Marin (1995, p. 13-20) relata a necessidade de uma revisão dos termos anteriormente mencionados (reciclagem, treinamento, capacitação) tomando-se sob um pensamento crítico, referindo que reciclagem aponta para processos de modificação de objetos e matéria, tornando-se impróprio para utilização no contexto educacional tendo em vista aludir a cursos de duração rápida, descontextualizados e superficiais, sem qualquer vínculo com a complexidade do processo de ensino.
Para a designação treinamento, a autora entende ser igualmente inadequado, especialmente tratando-se de educação continuada delineada como um processo mecânico destinado a apenas modelar comportamentos. Assim, envolve a “repetição mecânica” e a passividade dos participantes.
Adotar-se o termo aperfeiçoamento implica no entendimento de um conjunto de ações capaz de “completar alguém”, tornando-o perfeito, concluindo-o, o que conduz à negação da ação da própria educação e da concepção de que o ser humano é educável.
Atualização corresponde a tornar atuais os saberes dos professores, assim considerados desatualizados em decorrência de suas atividades cotidianas.
Capacitação, por outro lado, condiz com a idéia de formação continuada porque aponta para o sentido de tornar capaz, habilitar, ocorrendo ser, portanto, adequado em razão de que é necessário que os educadores se tornem capazes adquirindo condições de desempenhar os ofícios próprios da docência. Todavia, deve ser repelida a concepção de capacitação como convencimento e persuasão de profissionais da educação, porque “os profissionais da educação não podem, e não devem ser persuadidos ou convencidos de idéias; eles devem conhecê-las, analisá-las, criticá-las, até mesmo aceitá-las, mas mediante o uso da razão (MARIN, 1995, p. 17).
E isto, conservando-se a consciência que atualmente a denominação educador esteja sendo utilizada mais amiúde que professor, quase assumindo uma conotação de menor importância no contexto educacional.
Para Nóvoa (1996, p. 73) a busca do profissional que atua nas Ciências da educação é latente:
Como este deve considerar-se? Um cientista da educação? Um educador? Um historiador sociológico da educação? 1/3 matemático, 1/3 artista e 1/3 historiador? Pedagogo? Professor? Talvez a melhor resposta seja professor. Mas se aparece alguém mais curioso e pergunta “professor de que?” Então tudo recomeça.
Em função do que foi disposto, a adoção do processo ministrado, de intervenção na formação inicial de professores de Ciências e Biologia nos moldes que serão abordados no capítulo da metodologia, conduz o entendimento do termo – capacitação - para uma dimensão ampliada porque há que se considerar o professor como um profissional que em sua formação inicial aufere conhecimentos científicos e, portanto especializados.
Constatando-se, por eventual, ausência ou indigência de acesso às fontes de pesquisas ou de fabricação da ciência, o que se toma como uma redução da importância da educação e de sua esfera apenas ao domínio do conteúdo e não muita experiência didática, o somatório que se obtém é um desempenho docente sofrível e pouco comprometido que, à míngua de conhecimento científico adequado deságua na clara resistência de grande parcela dos professores em se envolverem em empreendimentos inovadores, conforme tem sido constatado em pesquisas encetadas por diversos grupos sediados em programas de pós- graduação.
Nóvoa (1994, p. 37) atrela esse fenômeno também à falta de pesquisas que tomem como supedâneo a própria prática, para ele os saberes da experiência dos docentes que exercem efetivamente a profissão:
Os saberes da experiência nunca foram objeto de um trabalho de elaboração conceitual, o que tem excluído os professores dos locais de produção científica. Os professores têm sido sempre dependentes dos saberes produzidos por outros grupos e em outros espaços sociais, o que torna quimérica toda ilusão de uma afirmação autônoma de sua profissão.
2.1 Breves apontamentos sobre a interdisciplinaridade, transversalidade, concepções