2 Metodologiske tilnærminger
4.4 Hva slags kvoteringsregime er kommuneloven?
onde, também se verifica a apropriação de modos de fazer presentes na arte. Reconhece-se a proximidade entre a arte conceptual e o design conceptual. Este pode ser entendido como uma abordagem de fronteira. A sua pertinência prende-se, igualmente, com o reconhecimento que design pode também, ser um meio cultural representativo.
os seus métodos e processos de concepção seguindo um contexto e uma posição ideológica. Estes são projectos de investigação que, apesar de não ultrapassarem o contexto académico, demonstram um grande potencial para fornecer maior sustentação teórica para a prática de design conceptual. Mais do que reflectir pela prática intuitiva ou pela pós-racionalização, é a forte componente ideológica e a profundidade teórica que caracterizam esta nova linha que parte do conceito de design conceptual. The Home Project demonstraram na sua entrevista também dispor da mesma postura, ao iniciarem projectos de base investigativa assentes nas características do conceito de design conceptual.
Uma terceira linha é, ainda, passível de ser discutida e encontra-se descrita nas entrevistas dos Pedrita e de Gonçalo Campos. Reconhecemos profissionais que pretendem incluir na sua actividade projectual um maior nível de experimentação e de pesquisa, sem no entanto se restringirem ou focarem nessa acção. Reforçando a experimentação em projectos pessoais, recorrem a modos de fazer presentes na abordagem em estudo e são capazes de adoptar um objectivo idêntico, mas apesar disso não se pretendem incluir neste registo.
Observamos como o legado ideológico e o desenvolvimento de novas práticas livres de constrangimentos metodológicos abriram caminho para o design (durante a ultima década), afastando as definições fechadas e as práticas únicas, isto é, caracterizando-se por um pluralismo de atitudes que no entanto, apresentam uma direcção comum – a orientação conceptual. Alcançamos assim, a definição de novas linhas de actuação dentro da abordagem conceptual que se desenvolveram em finais de 90 à primeira década do séc. XXI e encontramos o conceito de design conceptual activo.
8.3.1 Questão 1
Será o design conceptual uma abordagem, uma linha de pensamento e de criação partilhada por alguns designers ou constitui-se já como uma área com expressão significativa na teoria e na prática de design de produto?
The Home Project disseram em entrevista, o termo “design conceptual” é insuficiente para traduzir toda a complexidade que compõe esta prática. O design conceptual é uma abordagem essencialmente liberta de regras ou constrangimentos processuais de modo a que, normalmente, não responde a limitações convencionais de projecto. Categorizar tal prática, seria restringir o seu sentido e englobar exemplos que são particularmente transversais a diversas áreas e podem não se situar totalmente na experiência conceptual. Inserir a prática conceptual numa categoria da teoria de design, é reconhecer a sua amplitude e a sua influência no paradigma actual.
Pretendemos enfatizar, que se trata de uma abordagem, uma linha de criação e pensamento traduzida em diversas posturas e práticas processuais, observável em vários designers e em inúmeros projectos.
8.3.2 Questão 2
Será o design conceptual, um epifenómeno destinado a ser consumido por elites culturais?
Ao contrário da arte conceptual, o design conceptual não está dispensado de cumprir, minimamente, uma função prática. No entanto, é justamente a sua “usabilidade”, para além do preenchimento da dimensão simbólica, que acaba por realizar o seu objectivo cultural, mas exige sempre uma predisposição intelectual para ser compreendido e aceite. Por isso, acaba por ser “consumido” por elites culturais.
8.3.3 Questão 3
Quais são as motivações profundas, as necessidades sentidas, a ideologia dos designers cuja actividade profissional se integra no registo do design conceptual?
Pode-se afirmar que em design conceptual é transversal a vontade de distanciamento da prática convencional de design e uma ênfase em outros conceitos. Esta elaboração está ligada ao relevo que estes designers colocam na interacção entre utilizador e objecto que assenta na ideia (conceito). Não é possível descrever em pormenor e exaustivamente motivações, ideologias ou necessidades que informam a abordagem em design conceptual, porque decorrem de idiossincrasias individuais. Esta informação é uma indução da abordagem empírica desenvolvida no nosso estudo.
8.3.4 Questão 4
Existe uma metodologia de projecto específica para operar em design conceptual ou trata-se da apropriação de abordagens artísticas, coladas ao modo de fazer em arte?
A relação próxima entre arte e design é reconhecível, estes dois modos de operar, radicam de um processo criativo. O design conceptual surge, primeiramente como a apropriação em design de um modo de fazer artístico. Essa influência foi crescendo nos últimos vinte anos. Contudo, arte conceptual e design conceptual divergem porque o design conceptual consegue realizar mais que a função simbólica. Assim, o preenchimento de funções práticas liberta o design conceptual da arte, independentemente de assimilar (ou não) a lógica industrial.
O nosso estudo foi orientado pela seguinte hipótese de trabalho: É possível reconhecer especificidades próprias no processo de concepção de designers de registo conceptual.
Observamos a existência de um processo de concepção que caracteriza e distingue a abordagem conceptual de outras abordagens em design. Este não é um processo fechado sujeito a uma metodologia (clássica) e às regras que orientam os modos de operar na Indústria. Como vimos, os processos de design conceptual são idiossincráticos, adaptado às características pessoais e ao posicionamento ideológico de cada designer.
O processo de concepção em design conceptual radica num conceito, em narrativas ou experiências motivadoras do projecto. A conclusão ou resultado final é um convite, um desafio, um incentivo à reflexão. A flexibilidade processual que observámos, implica o alheamento de constrangimentos exteriores ao projecto. Deste modo, o compromisso social assume uma natureza muito diferente da que significa noutros conceitos de design.
Para o desenvolvimento do conceito motivador, a razão de ser do projecto, encontram-se inputs surpreendentes, essencialmente ligados ao raciocínio não lógico (pensamento divergente), directamente implicado com as memórias, com as experiências e com os afectos dos autores, esperando despertar as memórias e os afectos dos potenciais utilizadores. Este modo de operar, abre espaço para o estabelecimento de analogias e associações livres, sem outras restrições para além daquelas que são internas ao próprio processo de concepção. Todavia, o design conceptual é uma reflexão sobre problemáticas da actualidade com as quais o autor se encontra implicado, pelo que contribuem para a “vontade de formar” um novo conceito.
As restrições de mercado, de produção, bem como os constrangimentos relacionados com o uso são negligenciados (até certo ponto), ou melhor, não estão no cerne das preocupações dos designers conceptuais. Tal não significa, paradoxalmente, que o output seja desprovido de ligações interessantes à
realidade produtiva e às relações de uso.
No desenvolvimento processual, encontra-se firme um modo de raciocínio indutivo e contra-indutivo de natureza intuitiva ou emocional. A essência do processo de concepção em design conceptual envolve por vezes uma linearidade pouco racional e mesmo intuitiva ou casual. No seu afastamento a abordagens clássicas de projecto, a via que procurámos descrever é passível de ser compreendida através de outra chave interpretativa.
No desenvolvimento do processo de concepção identifica-se raciocínios do tipo indutivo e contra-indutivo. A intuição, a casualidade, a experimentação e a analogia são os procedimentos que regulam o pensamento. O pensamento convergente surge quando é necessário avaliar e validar os resultados obtidos no processo de concepção, tal como acontece em outros modos de operar em design (no entanto, em design conceptual a margem de tolerância é muitíssimo mais dilatada). Nesta fase, fazem parte, métodos de trabalho a que se recorre no desenvolvimento técnico do projecto como o desenho de representação, as maquetes e os modelos.
As estratégias de concretização formal apresentadas no estudo, englobam alguns dos procedimentos para a realização material do objecto que implica uma posterior comunicação do conceito. As estratégias de representação estão relacionadas com o carácter simbólico do objecto. As estratégias de construção incluem métodos de construção material, vindos da arte conceptual, que são passíveis de incorporar significado e conteúdo simbólico. As estratégias de interacção implicam uma relação activa entre objecto e utilizador, em que é na acção imposta que se refere o seu significado.
Estas estratégias não são exclusivas da abordagem conceptual em design: derivam, na sua maioria, da expressão artística conceptual e são utilizadas com o objectivo de atingir o nível de simbólico.
do público causando surpresa, quando o significado é descoberto, isto é, quando desaparece a sensação de ambiguidade. E deste jogo de decifração que se consegue estabelecer a vinculação entre o objecto e o sujeito que o experiencia. O acesso à descrição do processo de concepção contextualiza conceptualmente o projecto. Tal significa que sem poder aceder às narrativas que sustentam o conceito e “explicam o objecto” a vinculação de que falámos antes, pode não acontecer.
A recolha de testemunhos de designers conceptuais, conjugada com a análise de alguns dos seus projectos mais significantes, mostra a pertinência de uma construção teórica de suporte a uma prática que escapa às regras e aos princípios previamente estabelecidos. No entanto, este modo de operar não é incompatível com o pensamento teórico.
É possível finalmente concluir com o estudo presente que o design conceptual apresenta-se como uma das mais originais abordagens à actividade projectual com reforço na expressão idiossincrática do pensamento criativo e do processo de concepção.
Elaborámos as seguintes orientações para a continuação do estudo, base de suporte à prática conceptual em design:
. Alargamento da análise a um maior número de projectos, para reconhecer outras estratégias de concretização formal/procedimentos na concretização formal. Observando e validando criticamente o recurso a estratégias diversas de concretização formal;
. Potenciar a relação com a arte conceptual e construir um diálogo que se in- clua no processo de design actual e futuro;
. Mapear o processo de concepção em design conceptual, tendo acesso o mais alargado possível, à ideação e desenvolvimento de um projecto;
. Avaliar o reconhecimento do design conceptual como categoria com expres- são e desenvolvimento na teoria de design.
Não foi possível realizar entrevistas a designers holandeses. Em estudos fu- turos será necessário tentar recolher esses testemunhos, para extrair dados novos e confirmar outros que conseguimos recolher e interpretar no nosso estudo.
Com base nestas recomendações, esperamos ter a oportunidade de dar con- tinuidade ao presente estudo, contribuindo para reforçar a reflexão teórica de sustentação ao projecto de design conceptual.