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Hva mener deltakerne kan forbedres?

In document En mulighet for kvalifisering (sider 100-104)

Uma grande parte (42%) fez uma transição parcial de carreira, mantendo vínculos de trabalho no mundo acadêmico e no corporativo, pelos seguintes motivos: complementaridade das áreas; baixa remuneração da área acadêmica, que acarreta na necessidade de trabalhos extras; e, principalmente, valorização do saber prático-acadêmico, que denota a importância do “capital informacional/cultural”:

Eu vejo hoje que isso se mistura, que se mesclou de uma forma que eu não me vejo mais trabalhando com um só apenas. Só faria isso se o mercado me exigisse, para falar a verdade. Não me vejo hoje aposentando as aulas, eu acho que isso seria prejudicial para o meu lado profissional e vice-versa. (DEPOENTE 16).

Nessa transição eu já vinha pensando há alguns anos dentro da organização. Eu ainda tenho trabalhos no mundo empresarial e ainda não quero fazer essa passagem totalmente para não perder esse contato, porque eu acho que são mundos diferentes e que um alimenta o outro. Eu acho que eu me torno uma pessoa, um profissional da docência muito melhor, à medida que eu transito no mundo empresarial; então isso é importante. (DEPOENTE 22).

[...] mas quando eu comecei a graduação com 8 horas/aula no primeiro semestre e gostei muito, começou meu grande dilema: „e, agora, a consultoria? ‟ Na época, eu trabalhava muito fora da cidade, e no semestre seguinte recebi 24 horas semanais de aulas; então, foi um grande drama e eu tive que parar e pensar: você quer fazer um ou você quer fazer o outro? E são excludentes? E eu decidi que na minha vida não seriam excludentes, que eu iria fazer as duas coisas ao mesmo tempo. (GRUPO FOCAL 2).

[...] eu não consigo ficar só dedicado à academia: além de ir ao mundo do conhecimento e das ideias, tenho que ter um senso de utilidade e praticidade e esse senso eu adquiro no mercado. (DEPOENTE 4).

Vou permanecer na atividade docente, vou aumentar o peso e a credibilidade e a confiança no meu nome, nas minhas atividades, nos projetos, cada vez mais me capacitando, aumentando a minha experiência e, com isso, também sendo um ótimo consultor, um ótimo orientador no mercado, porque uma área potencializa a outra. (DEPOENTE 14).

Conviver nesses dois mundos diferentes, eu estou achando interessante porque me dá mais elasticidade. Eu acho que eu ganho em plasticidade, profissional mesmo, porque eu não perdi a embocadura empresarial e estou conseguindo ter a minha embocadura acadêmica; e somando essas duas coisas eu acho que eu tenho um “plus”, isso me agrega valor. Eu vejo, hoje, que isso agrega em termos profissionais, tanto para um lado quanto para o outro. (DEPOENTE 22).

A sala de aula é um aprendizado muito grande, no qual você aprende, o pessoal traz muita informação para você, muita coisa nova. Então, eu acho que para a empresa foi muito produtivo, pois eu via o que era positivo ou não, o que podia ser aplicado ou não, e, ao mesmo tempo, a parte acadêmica ganhava muito, pois tinha uma professora atualizada com o que acontecia no mercado. (DEPOENTE 46).

Muitos entrevistados se queixam do baixo reconhecimento da profissão e um deles relata que, se a remuneração do docente fosse melhor, teria feito a transição total:

Hoje eu sou do mundo acadêmico. Eu só tenho essa consultoria porque eu preciso complementar minha renda. Eu dou muito poucas aulas, uma remuneração muito pequena. Não dá pra sobreviver só com o acadêmico. Mas vai chegar um dia em que vou ficar só no mundo acadêmico, não quero mexer nem com consultoria. (DEPOENTE 29).

Contudo, a maior parte não planejou, ao menos explicitamente, essa transição e, em virtude de algumas coincidências, foi migrando, gradativamente, para a docência:

Eu acredito que tenho sido muito mais intuitivo e experiencial. Quando eu comecei a fazer pesquisa, não tinha nem uma dimensão do que isso era exatamente. E posteriormente surgiu a ideia de me tornar professor. (DEPOENTE 3).

Tenho 28 anos, comecei minha carreira na docência há mais ou menos dois anos e este está sendo o quarto semestre que estou dando aulas. E comecei por um acaso do destino, uma coisa que eu nunca tinha jamais imaginado: „ah, vou ser professor!‟ Tudo ocorreu de repente, devido a um erro no sistema da faculdade. Uma turma estava sem professor no primeiro dia de aula, e um coordenador de lá me conhecia e me ligou assim: Você não quer dar aula aqui? Tem tal e tal disciplina... (grifo nosso) E eu pensei na hora assim: „esse tipo de oportunidade não aparece todo dia‟. Aí, claro, uma profissão tão nobre e tal, não imaginava como seria, mas topei e entrei e fui bem sucedido. (GRUPO FOCAL 2).

Os dados obtidos nesta pesquisa confirmam a tendência de migração de profissionais do mundo corporativo para a atividade docente, não apenas como mudança de emprego ou conjugação de diferentes atividades profissionais, mas também como estratégia de carreira, decorrente da percepção de que os indivíduos terão que estender o seu período de atuação profissional, conforme apregoado por Handy (2003). O mercado de educação vem ampliando suas perspectivas, em virtude da conscientização da sociedade brasileira sobre sua relevância para o desenvolvimento do país. E, neste contexto, a maturidade pessoal e a profissional são reconhecidas e valorizadas, o que nem sempre ocorre no ambiente corporativo:

Eu sempre me imaginei professor, eu acho que é a única profissão em que você envelhece e você fica cada vez mais sábio. E isso é muito bacana. Já nas empresas você envelhece e eles não lhe querem mais. (GRUPO FOCAL 2).

Na verdade eu saí da carreira empresarial para a carreira acadêmica em função da aposentadoria... e aposentando e querendo continuar fazendo um trabalho eu achei que seria uma passagem interessante para o mundo acadêmico levar a experiência e tentar conciliar teórico com prático. (DEPOENTE 22).

Os participantes percebem, assim, o desenvolvimento de suas carreiras, de forma concomitante, tanto no mundo acadêmico como no corporativo. A questão da idade parece influenciar as aspirações futuras, uma vez que os mais maduros revelam maior inclinação para ficar somente com a docência, pois já possuem uma larga trajetória em sua área de competência e, no máximo, pretendem continuar como consultores:

As minhas aspirações de carreira mudaram. Há uma abertura de oportunidades, não é? O mercado acadêmico também é um mercado muito interessante em que você pode ter um nível de satisfação alto com o que você vai fazer, com o rendimento que você vai ter. (DEPOENTE 9).

Eu acho que hoje o grande diferencial do professor é a experiência de mercado; eu inclusive acho que os bons trabalhos eu tenho conseguido realizar justamente porque consigo entender e traduzir a linguagem daqui pra lá e de lá pra cá. Então, eu não gostaria e não faz parte dos meus planos, dedicar-me exclusivamente ao trabalho acadêmico, que eu acho que vai empobrecer minha fala, eu vou perder em competitividade. (DEPOENTE 14).

No que se refere às estratégias de inserção na área docente, os profissionais e gerentes contaram com sua rede de relacionamentos, devido ao fato de que essa é a forma mais comum de se recrutar docentes nas escolas. Isso evidencia a importância do “capital social” nesse tipo de transição, assim como da habilidade para estabelecer novos contatos profissionais na área acadêmica.

E aí eles me deram uma oportunidade, na época eu comecei com a disciplina Gestão de Recursos Humanos e, com o Flávio, Gestão de Pequenas e Médias Empresas. Olha que interessante: todos os dois cursos eram tecnólogos e todos os dois queriam trazer a prática prá dentro da universidade. Essa era a proposta do tecnólogo e foi onde eu comecei, porque a porta estava fechada para o curso de graduação acadêmica. Aí, eu comecei na área da comunicação, da graduação, na área de tecnólogos, na área da administração. Aí, o pessoal da graduação via informações ao meu respeito e começou a me chamar para as entrevistas. (DEPOENTE 2).

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