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Krav til permanent opphold påvirker deltakerne

In document En mulighet for kvalifisering (sider 95-99)

Na análise das entrevistas, ficou evidenciado que, de modo geral, os participantes iniciaram suas carreiras em empresas e nelas pretendiam continuar evoluindo, até atingir cargos mais promissores. Esse objetivo, entretanto, foi se modificando, em virtude das constantes transformações no cenário organizacional e no mercado de trabalho.

O mundo corporativo é percebido como capaz de exercer constante pressão sobre o profissional, cujo emprego e sucesso dependem do atendimento às suas exigências. Nesse contexto, o reconhecimento é a manutenção do emprego e não somente a recompensa financeira. Além disso, o mundo corporativo nem sempre é transparente, apesar de possibilitar a capacitação profissional dentro da empresa, de propiciar status e prestígio e, também, de promover boas condições financeiras. Todavia, como o grau de exigência para se alcançar determinados resultados é muito grande, há um clima de competição entre colegas, não sendo sempre leal e honesto. A administração do tempo é outro problema, pois o trabalho é oscilante, de modo geral, e aumenta exageradamente, sem prévio planejamento. Nem sempre é possível programar férias, mesmo marcadas com muita antecedência.

[...] o reconhecimento não vem em remuneração, ele vem primeiro em permanência no próprio emprego, já que a competitividade é alta; então só de estar empregado é um reconhecimento muito claro. É uma pressão diária. (DEPOENTE 8).

Na iniciativa privada, você depara com um nível de competição de exigência de resultados a qualquer preço. [...] As desvantagens que eu vivi são, principalmente, ligadas às questões de estresse e conflitos muito grandes. Questão de competitividade, deslealdade que tornam o mercado, digamos assim, que às vezes não dá satisfação para trabalhar em certos processos. (DEPOENTE 19).

Às vezes tinha semana que eu trabalhava 14 a 16 horas por dia [...]; (a dificuldade) era ter essa instabilidade de jornada. (DEPOENTE 17).

Ganhei cinco stents e duas pontes porque eu sempre fui totalmente comprometido com o que eu fazia. Na história da companhia, nesses 30 anos, nenhum outro colega no mundo teve a mesma performance que eu, porque nesses trinta anos eu fui o único que sempre cumpriu sua cota. (DEPOENTE 30).

As seguintes palavras, ditas pelos entrevistados, descrevem os problemas inerentes ao contexto organizacional: competitividade, pressão por resultados, mercado predador que descarta o profissional com facilidade, ambiente tumultuado, ausência de comunicação entre setores, incerteza, inexistência de plano de carreira, falta de autonomia, avaliação de desempenho tendenciosa, duplicidade de critérios, pouca valorização, injustiça, estresse, conflito, deslealdade, insatisfação, carga horária pesada e oscilante, impactos negativos na vida familiar, desgaste de saúde, metas exigentes, entre outros fatores.

A forma de lidar com essas situações exige uma grande performance do profissional que é obrigado a se adaptar para não perder o emprego. Assim, ele precisa ter “jogo de cintura”, que se traduz em bom relacionamento pessoal com colegas e em facilidade para lidar com divergências.

[…] dentro do mundo empresarial, o jogo de cintura, a capacidade de se relacionar e de conciliar divergências, é absolutamente exigido. (DEPOENTE 22).

Pontos negativos: você não tem a menor estabilidade, você tem que estar sempre no topo e isso é uma coisa ruim; você tem que se adequar às necessidades do mercado [...] (DEPOENTE 46).

O mundo corporativo é extremamente dinâmico. Você vai se acostumando a trabalhar com a adrenalina bem alta mesmo. Passa a ser sua rotina adrenalina alta. Pressão, tensão; [...] uma facilidade também é o relacionamento com pessoas, que eu gosto muito; [...], mas com viagens constantes. Cada hora você está num lugar diferente, conhece pessoas diferentes. Isso é gostoso, é motivante, mas chega um ponto que você não aguenta mais, né? (DEPOENTE 29).

É preciso desenvolver várias capacidades para estar nesse ambiente empresarial, como trabalhar sob pressão e lidar com a pouca estabilidade do mercado, adequando-se às suas necessidades e procurando se destacar enquanto profissional. E para se destacar, é necessário ter iniciativa, confiança, dinamismo, facilidade para o trabalho sob pressão, conhecimento técnico, proatividade, visão de negócio, empatia, entre outras competências.

Dessa forma, muitos são os motivos que levam os entrevistados a se direcionarem para a área acadêmica, além de outros, tais como as mudanças no setor educacional, nas estruturas das corporações e nas atuais relações de trabalho. Os pesquisados, de modo geral, dizem-se influenciados pelo contexto de maior oferta de empregos no meio acadêmico, causado pelo crescimento do número de faculdades e pela menor oferta de empregos, e de sobrecarga de trabalho no mundo corporativo e a docência representa uma possibilidade de emprego relativamente mais segura e de renda adicional, no caso de uma transição parcial.

Uma grande parte dos entrevistados (48%) cita, ainda, a maior flexibilidade de horários de trabalho na atividade acadêmica e, principalmente, a possibilidade de melhor qualidade de vida e de usufruir do status de ser professor como fatores que contribuíram para a decisão de transitar de área. Há também, entre os entrevistados, relatos de gratificação intrínseca no que se refere ao trabalho docente, refletindo desejos antigos, vocação para atuar na docência, enfim, outros motivos para a transição:

[...] desde muito cedo eu comecei a mexer com pesquisa na área acadêmica e eu adoro sala de aula, adoro pesquisa acadêmica, adoro extensão universitária, gosto do mundo acadêmico, por satisfação pessoal mesmo. (DEPOENTE 3).

Eu não busco apenas salário, eu busco satisfação e é na docência que eu encontro isso. (DEPOENTE 27).

E o que acontece é que eu sempre gostei de ensinar, tenho facilidade. Eu me sinto bem ensinando, é um prazer pessoal. Sinto-me bem em saber que uma pessoa chega com um nível „‟x‟‟ de conhecimento e sai de uma obra minha, de um período meu, com esse conhecimento duplicado, triplicado, seja lá o que for. (DEPOENTE 16).

Eu me sinto totalmente acadêmica; claro que conheço a experiência que eu tenho no mundo empresarial, mas já nasci para o mundo acadêmico. Eu acho que essa concepção minha já foi para o mundo acadêmico, o empresarial veio agregar mesmo conhecimento, que hoje estou utilizando e fazendo jus a tudo que passei no mundo empresarial. (DEPOENTE 28).

[...] a vida acadêmica me realiza muito, do ponto de vista pessoal e profissional e a consultoria realiza mais o ponto de vista financeiro. (DEPOENTE 36).

Na verdade, eu saí da carreira empresarial para a carreira acadêmica em função da aposentadoria. Por várias vezes eu tive a oportunidade de entrar em contato com a carreira acadêmica, dando mini-cursos e dando palestras; enfim tive uma série de contatos com o mundo acadêmico ao longo da minha carreira empresarial na área de Recursos Humanos. Aposentei e quis continuar fazendo um trabalho eu achei que seria uma passagem interessante: ir para o mundo acadêmico, levar a experiência e tentar conciliar teórico com prático. (DEPOENTE 22).

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