4.3 Klasseromsaktivitetene
4.3.1 Hva handlet timen om?
É factual que as avaliações externas aos sistemas públicos de ensino têm exercido impacto nas formas de organização da escola, tornando-se uma constante na rotina escolar. No entanto, seu papel auxiliar nas ações com vistas à melhoria da aprendizagem parece não estar bem claro, ainda mais quando o simples alcance do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – IDEB é suficiente para qualificar ou desqualificar uma escola.
Atingir bons resultados nas avaliações externas, de certo modo indica que os alunos estão aprendendo o básico, mas quando nem o básico é alcançado, é necessário tomar alguma atitude, investir no processo, planejar e reorientar as ações para que a aprendizagem ocorra, pois este é o objetivo primordial da escola.
Ademais, estudantes com sérias dificuldades de alfabetização, participantes de avaliações externas, parecem passar despercebidos por um sistema que, embora monitore e divulgue os resultados, pouco atribui significância ao que eles revelam, já que os estudantes continuam a serem promovidos às séries seguintes, mesmo apresentando desempenho insuficiente nestas avaliações externas de Língua Portuguesa (foco desse estudo).
A pesquisa realizada teve como ponto de partida as avaliações externas aplicadas pelo INEP (ANA e Prova Brasil). Os dados apontaram que havia crianças que não sabiam ler e escrever, já que não conseguiram solucionar os itens básicos da ANA e mais ainda, os alunos também concluíam o 5º ano apresentando dificuldades, o que motivou a pesquisadora a investigar uma escola que se enquadrava nesta situação específica e, descobrir o que se fazia diante dessas constatações. Assim, o foco foram turmas de quarto ano de uma escola que tinha resultados insatisfatórios na ANA, ou seja, no 3˚ ano e permanecia com resultados fracos na Prova Brasil, ou seja, no 5˚ ano. Tivemos por objetivo verificar o que acontecia no quarto ano para que os resultados não fossem alterados.
Os documentos do Inep afirmam que a função das avaliações externas é diagnosticar a qualidade do ensino. Por ser diagnóstica, tem a “função de investigar a qualidade do desempenho dos estudantes, tendo em vista proceder a uma intervenção para melhoria dos resultados [...]” (LUCKESI, 2011, p. 62). No entanto, as professoras-regentes entrevistadas desconheciam essa avaliação, tampouco a avaliação serviu para nortear o trabalhado pedagógico a ser desenvolvido com aqueles alunos, visto que seus resultados não foram divulgados em tempo hábil pelo Inep. Portanto, não se apresentou como útil para o público avaliado.
O objetivo principal da pesquisa, que consistiu em investigar as ações de avaliação e estratégias de intervenção desenvolvidas pela escola e professoras com crianças de 4º ano do E.F. não alfabetizadas, apresentaram resultados inconsistentes quanto às estratégias desenvolvidas tanto pela escola como pelas professoras de LP de turmas de 4º ano.
As principais dificuldades de aprendizagem de alunos não alfabetizados no 4º ano do E.F. foram detectadas por meio de uma avaliação diagnóstica aplicada pela pesquisadora. Os resultados dessas atividades revelaram ainda que os alunos, em fase de conclusão do 4º ano, se aprovados, chegarão ao 5º ano com sérias dificuldades de alfabetização e, se reprovados, continuarão no 4º ano com as mesmas dificuldades. Ao passo que apenas um plano de ação eficiente os permitirá avançar, desenvolvendo as habilidades da leitura e da escrita necessárias para que prossigam com seus estudos escolares.
Destarte, reconhecemos que a escola observada desenvolveu estratégias de intervenção, no entanto, no caso do Projeto Mais Educação teve um curto período de atuação, o que impossibilitou que fossem detectadas melhorias significativas, de acordo com uma das entrevistadas. Já as aulas de reforço, destinada ao aluno EC2 de 4º ano, embora tenham sido consideradas pela professora-regente como favorável, pois percebeu melhoras na aprendizagem do aluno, não foi suficiente para alfabetizá-lo, visto que a avaliação diagnóstica constatou que o mesmo continuou a apresentar dificuldades básicas de leitura e escrita.
As práticas de ensino desenvolvidas pelas professoras regentes e apoio apresentaram algumas lacunas pedagógicas, explicitadas em cada uma das categorias de análises realizadas. Em resumo, não foi identificado, na maioria das didáticas observadas, o uso de atividades em salas de aula diferenciadas, e de fato compatíveis com a aprendizagem de alunos em processo de alfabetização. Há ainda o fato de que professoras de 4º ano não tenham a função de alfabetizar crianças, que em princípio, já deveriam ter ultrapassado essa etapa. As professoras demonstraram, em alguns momentos, não possuírem formação para tal, seja pela falta de conhecimento do processo de alfabetização, seja pela falta de experiência, ou ainda pela organização do currículo, materializada em conteúdos a serem ensinados.
O descompasso encontrado nas observações das aulas das professoras-apoio quanto ao desenvolvimento de atividades que fossem ao encontro das dificuldades discentes, permitiu-nos inferir que não existe um planejamento estruturado para tal, pois, não foi possível observar uma didática de intervenção para o público com dificuldade de alfabetização em nenhuma das atividades por elas propostas nas salas de aula.
Por fim, acreditamos que esta pesquisa possa contribuir para que se valorize o planejamento de ações voltadas para as crianças não alfabetizadas em séries avançadas. Ter
alunos analfabetos em turmas de séries avançadas acarretou, de acordo com as investigações realizadas, um conjunto de fatores prejudiciais ao andamento do sistema escolar. Foram vivenciadas situações de constrangimento aos alunos com dificuldades, sobrecarga de trabalho docente e impossibilidade de desenvolver novos conhecimentos sejam por parte dos alunos ou dos professores.
Em suma, pudemos constatar nessa pesquisa, que de modo geral:
a) Alunos analfabetos são excluídos das atividades de sala de aula. Mesmo as professoras tentando adaptar as atividades às suas necessidades, constatamos situações em que esses alunos deixaram de realizar atividades propostas;
b) As professoras-regentes ficam sobrecarregadas. Isso porque, como vimos, duas das professoras usavam o seu tempo de planejamento para atender os alunos com dificuldades e precisavam elaborar atividades extras, embora isso se faça necessário em turmas heterogêneas, nesse caso, tinha a função de complementar o que faltava.
c) Os alunos são impedidos de avançar. Faltando-lhes conhecimentos básicos de leitura e escrita, os outros conteúdos dependentes destes são seriamente prejudicados.
Em síntese, a pesquisa procurou discutir e mostrar por meio de um trabalho realizado em campo, a questão do analfabetismo dentro da escola, a fim de contribuir para que isso não mais seja permitido, que os alunos não continuem a avançar as séries sem os conhecimentos básicos e necessários para sua prospecção acadêmica. Não permitir avançar não nos remete à ideia de reprovação ou expulsão do aluno, mas sim na proposição de mudanças nas formas de organização do ensino, no investimento em um planejamento eficiente e no monitoramento de aprendizagem que de fato contribua.
Acreditamos que a escola pesquisada necessite de um redesenho das estratégias propostas para a alfabetização e ainda, que a escola desenvolva um ambiente de colaboração e de cooperação entre professores, coordenadores, famílias e alunos. Estar na escola por quatro anos de estudo não garantiu que esses alunos se alfabetizassem. O problema precisará ser solucionado, pois é direito do aluno aprender e é dever da escola ensinar.
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