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Hva betyr et godt læringsmiljø?

Del II Vurderinger og tiltak

4.5 Læringsmiljø

4.5.1 Hva betyr et godt læringsmiljø?

A observação participante tem como característica a dificuldade no acesso ao campo da pesquisa (Mayring, 2002: 82), e neste estudo anteviam-se dificuldades acrescidas. A CPCJ35, apesar de mostrar-se disponível desde o princípio, apresentou algumas reticências e colocou-nos questões sobre o anonimato, o contacto com as famílias e até o período de presença da investigadora naquele contexto. Como salvaguarda, quer dos técnicos quer da própria comissão, foram delineadas algumas estratégias de contacto investigadora - famílias, já que não podia arriscar-se um primeiro contacto que corresse menos bem, e que pusesse em causa o trabalho da CPCJ com essa família. Além disso ficaram definidas desde o início tarefas que levariam a investigadora a participar no trabalho diário da CPCJ, representando assim uma mais-valia para a própria comissão. O objectivo não era se não participar das situações sociais, criar relacionamento com os observados, recolhendo dados enquanto participava das situações da vida quotidiana de uma CPCJ (Mayring, 2002). Como definiu Costa (1990: 132),

[O investigador] “Observa os locais, os objectos e os símbolos, observa as pessoas, as actividades, os comportamentos, as interacções verbais, as maneiras de fazer, de estar e de dizer, observa as situações, os ritmos, os acontecimentos. Participa, duma maneira ou doutra, no quotidiano desses contextos e dessas pessoas.”

Assim, definiu-se que depois de selecionados os 60 processos que constituiriam a amostra, a investigadora daria a conhecer a cada membro da comissão restrita os processos escolhidos da freguesia com que esse técnico trabalhava. Antes de cada contacto presencial do membro da comissão com essa família, a investigadora era informada da hora e local, para que pudesse estar presente, apresentar o estudo e solicitar a sua participação no mesmo. Presencialmente nenhuma família recusou, mas aquando da marcação da entrevista, quase sempre telefonicamente, algumas recuaram e negaram a sua participação. Confirmou-se que o “recrutamento de participantes para entrevistas sobre áreas sensíveis como os maus tratos a crianças é um processo delicado e grande consumidor de tempo.” (Lee, 1993 apud Dale, 2004: 139).

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Antes ainda da entrada no terreno, a investigadora requereu uma entrevista com o presidente da CNPCJR, para apresentar o estudo e pedir autorização para o realizar. No entanto, no dia da entrevista fomos informados que ao abrigo do artigo 89º da LPCJP era à CPCJ que competia “autorizar a consulta dos processos por instituições credenciadas no domínio científico” (LPCJP, 2007: 151), pelo que foi cancelada a entrevista e marcada uma outra directamente com a presidente da CPCJ em causa.

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A dificuldade em gerir a presença da investigadora em todos os momentos de interacção com a família foi desde logo notória, uma vez que na CPCJ tudo acontece ao mesmo tempo, famílias entram e saem enquanto outras são ouvidas no gabinete ao lado. As visitas domiciliárias sucedem-se, além do facto da investigadora estar presente na CPCJ somente quatro horas diárias, deixando inevitavelmente para trás alguns atendimentos a que podia ter assistido ou algumas visitas domiciliárias que podia ter acompanhado. Constatámos, assim, o que Costa (1990: 133) já referia: “as situações vão-se sucedendo, quase sempre com escasso controlo por parte do investigador; estão sempre a surgir possibilidades de observação inesperadas, não programáveis (…), está permanentemente à mão, e à vista, uma realidade social complexa, em toda a sua espessura e diversidade” (Costa, 1990: 133). Ainda assim, consideramos que os 18 meses de permanência na CPCJ nos deu a possibilidade de observar intensa e profundamente os meandros do trabalho da comissão, dos técnicos e das instituições parceiras, assim como das famílias e crianças que são a sua principal razão de existir.

O “tornar-se nativo” que lick ( 5:144) advoga foi para nós fundamental, mas conseguido com extremo cuidado e até dificuldade. A perigosidade da investigadora embrenhar-se tanto na instituição estudada, que podia acabar por ser facilmente confundida como membro da mesma era demasiada, sobretudo por dois motivos: por esbater a distância necessária do investigador em relação ao objecto de estudo, e por poder pôr em risco a relação com os entrevistados (que algumas vezes nos viam como confidentes das suas queixas relativas ao trabalho da CPCJ36). Sendo a CPCJ um lugar de vivências tensas e intensas, a investigadora viveu situações de risco, como que fazendo parte do corpo daquela instituição. Lembramos o caso em que numa situação de emergência que se previa difícil e demorada, um grupo de familiares da criança que iria ser retirada da família, manteve-se à porta da comissão por um longo período, tendo até de ter sido chamadas as autoridades como forma de proteger os elementos da comissão presentes nas instalações. A investigadora, grávida na altura, foi aconselhada a deixar as instalações o mais depressa possível, ficando ciente de que quando estamos no terreno, sujeitamo-nos aos mesmos riscos que a população estudada enfrenta (neste caso, os técnicos da CPCJ).

Claro que na pesquisa de terreno a presença do investigador não deixa de ser notada, mais não seja pela dimensão, habitualmente pequena, da unidade social estudada, mas mais interferiria se o investigador ficasse parado, somente a observar, sem nada dizer (Costa, 1990: 135). Esta presença introduziu necessariamente novas relações sociais no

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Embora soubessem que tudo o que diziam na entrevista iria ser conhecido, mas com a óbvia protecção da sua identidade. “Ninguém vai saber quem disse o quê”, era sempre a resposta da investigadora.

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contexto estudado, pelo que foi importante “tê-la em consideração, controlá-la e objectivá-la” (idem), resultando numa presença habitual e natural, ao ponto dos técnicos da CPCJ já não acharem estranho, facilitando ainda mais a recolha contínua dos dados.

- “O que é giro é que nós estamos aqui à vontade sem estar sempre a pensar que ela [a investigadora] pode estar a escrever o que nós vamos dizendo” (Estela, psicóloga, comissão restrita)

[Diário de campo, 26 de Janeiro de 2009]

Esta presença prolongou-se para além do espaço da CPCJ, estendendo-se às conferências, formações, no concelho com outra CPCJ e fora dele, aos jantares de Natal, às festas de Natal organizadas pelo Tribunal de Família e Menores, envolvendo dois Lares de Infância e Juventude do mesmo concelho… todos estes foram espaços ricos de observação, pelo que ao longo do texto temos referências de outros actores institucionais que não necessariamente só da CPCJ principal.

“A investigação é uma actividade contínua e feita em toda a parte. esde o almoço de Natal na comissão (que incluiu a alargada e a restrita), ao convívio de uma 5ª feira à noite com o tribunal e duas instituições de acolhimento, todos são momentos de recolha rica de informações e de observação dos vários actores destes cenários.”

[Diário de campo, 18 de Dezembro de 2009]

“O tecido social reorganizou-se de tal forma que a certa altura contava já com a presença [da investigadora] de forma regular e duradoura” (Costa, 1990: 138). As respostas obtinham-se do “fluxo da conversa informal e da observação directa, participante e continuada” (idem).

Esta presença de 18 meses foi, portanto, fundamental uma vez que nos permitiu aliar a observação das práticas e representações dos actores sociais – técnicos da CPCJ – “à verbalização do que eles achavam que devia ser a vida social, como esperavam que ela fosse e como a viam efectivamente” (Costa, 1990: 142).