ANALYSIS & DISCUSSION
HOW TO OVERCOME BARRIERS TO CLIMATE ADAPTATION?
Avaliou-se o efeito de fármacos antiangiogênicos no modelo de angiogênese inflamatória em córnea de coelho, utilizando-se o método automático para quantificar a resposta neovascular. Foram selecionadas drogas com atividade antiangiogênica demonstrada em estudos prévios: talidomida (D’AMATO et al., 1994; JOUSSEN; GERMANN; KIRCHHOF, 1999), ácido acetilsalicílico (YOSHIDA et al.,
2003a) e celecoxib (MARFERRER et al., 2000; LEAHY et al., 2002); ou pertencentes a classes de fármacos com ação antiangiogênica já estabelecida por estudos envolvendo outros membros: prednisona (CONRAD et al., 1994; BENEZRA et al., 1997; EDELMAN; CASTRO; WEN, 1999) e etoricoxib (RIENDEAU et al., 2001).
Assim sendo, delineou-se um ensaio que utilizou 32 coelhos distribuídos aleatoriamente em seis grupos de tratamento:
• Grupo controle: constituído por 6 coelhos que receberam amido de milho;
• Grupo prednisona: composto por 5 coelhos, tratados com prednisona (Meticorten®, Schering-Plough S/A, Rio de Janeiro – RJ), 2 mg/kg de peso corporal por dia;
• Grupo talidomida: formado por 5 coelhos, tratados com talidomida (FUNED – Fundação Ezequiel Dias, Belo Horizonte – MG), 200 mg/kg de peso por dia;
• Grupo AAS: constituído por 6 coelhos, tratados com ácido acetilsalicílico (AAS) (Aspirina®, Bayer S.A., São Paulo – SP), 100 mg/kg de peso por dia;
• Grupo etoricoxib: composto por 5 coelhos, tratados com etoricoxib (Arcoxia™, Merck Sharp & Dohme Farmacêutica Ltda., Campinas – SP), 20 mg/kg de peso por dia;
• Grupo celecoxib: constituído por 5 coelhos, tratados com celecoxib (Celebra®, Pharmacia Brasil Ltda., Jandira – SP), 70 mg/kg de peso por dia.
Todos os coelhos foram submetidos a uma cauterização pontual com NaOH 1M na periferia superior da córnea direita, de acordo com o procedimento descrito no Item 3.1. O dia da cauterização foi considerado o dia zero do experimento, que se estendeu até o 21o dia.
Os fármacos foram administrados por via oral, acondicionados em cápsulas gelatinosas No 2, opacas (Figura 47). Assim, aqueles que não estavam na forma de pó, foram triturados até adquirirem essa consistência. A quantidade colocada em cada cápsula foi pesada numa balança analítica de alta precisão e calculada de acordo com o peso do animal e a dose fixada para cada fármaco. Os animais do grupo controle receberam cápsulas contendo amido de milho. Os coelhos foram pesados no dia que antecedeu o procedimento cirúrgico e no 7o, 14o e 21o dia do experimento. Dessa forma, as doses administradas puderam ser ajustadas nos dias 7 e 14, de acordo com os pesos verificados nesses dias.
A administração das cápsulas por via oral envolveu o uso de uma cânula construída especificamente para esse fim. Trata-se de uma cânula metálica,
atraumática, curva em sua extremidade distal, com 9 mm de diâmetro e 9,5 cm de comprimento, dotada de um êmbolo que, ao ser acionado, expulsa a cápsula colocada na sua extremidade curva (Figura 47). Assim, após a imobilização do coelho, a cânula contendo a cápsula na sua extremidade curva era introduzida na cavidade oral até alcançar a base da língua. Nesse instante, o êmbolo era acionado, expulsando a cápsula na faringe, que era imediatamente deglutida pelo animal (Figura 48).
FIGURA 47 – Cânula metálica, própria para a administração de cápsulas a coelhos, dotada de um
dispositivo para expulsar a cápsula na faringe.
FIGURA 48 – Administração das cápsulas aos coelhos. Após a imobilização do animal, a cânula
contendo a cápsula é introduzida na cavidade oral até alcançar a base da língua, momento em que o êmbolo é acionado, expulsando a cápsula na faringe, que é então imediatamente deglutida.
O tratamento teve início no dia 0, antes da realização do procedimento cirúrgico, estendendo-se até o 20o dia do experimento. As drogas foram administradas diariamente, em dose única, às 8 horas da manhã. Realizaram-se avaliações nos dia 3, 6, 9, 12, 15, 18 e 21, após a cauterização, ocasiões em que foram obtidas, de forma padronizada, as imagens da córnea contendo a região de angiogênese, conforme o procedimento descrito no Item 3.3, nas quais a resposta neovascular foi quantificada (Figura 49).
FIGURA 49 – Delineamento do ensaio que avaliou o efeito de fármacos antiangiogênicos
(prednisona, talidomida, AAS, etoricoxib e celecoxib) no modelo de angiogênese inflamatória em córnea de coelho. AN: área de neovascularização; CT: comprimento vascular total; NV: número de vasos sangüíneos; TASM: taxa média de angiogênese superficial.
As imagens foram analisadas pelo método automático que quantificou a resposta angiogênica de acordo com as seguintes variáveis: área de neovascularização (AN), comprimento vascular total (CT) e número de vasos
sangüíneos (NV). Os valores de AN, CT e NV, referentes aos grupos experimentais
prednisona, talidomida, AAS, etoricoxib e celecoxib, foram então comparados com os correspondentes do grupo controle.
Deve ser salientado que houve o mascaramento do pesquisador que realizou o procedimento de cauterização, a aquisição e o processamento das imagens em relação à distribuição dos coelhos nos diversos grupos.
Tomando-se como base a variável AN e conforme a Equação (3.33),
para o período entre 3 e 12 dias, para o intervalo entre o 12o e o 21o dia, assim como para o período compreendido entre o 3o e o 21o dia. Assim, a TASM referente a cada
um dos grupos experimentais foi comparada com a análoga do grupo controle. Além disso, num mesmo grupo, a TASM relativa ao intervalo de 3 a 12 dias foi comparada
com a do período de 12 a 21 dias.
A variável AN relativa aos grupos experimentais foi expressa em função de
AN do grupo controle, definindo assim a intensidade do efeito antiangiogênico
referente a um dado fármaco F no dia d, IEA(Fd), que é dada, em termos
percentuais, pela equação:
100 ) ( ) ( - ) ( . C A F A C A ) F ( IEA d N d N d N d = , (3.35)
onde AN(Cd) e AN(Fd) são as médias de AN no dia d no grupo controle e no grupo
relativo ao fármaco F, respectivamente. Definiu-se como intensidade média do efeito antiangiogênico (IEA média) a média aritmética dos valores da IEA referentes aos dias 3, 6, 9, 12, 15, 18 e 21, e como intensidade final do efeito antiangiogênico (IEA final) a IEA verificada no 21o dia, IEA(F21). Os valores da IEA(Fd) referentes aos 5
fármacos estudados foram então comparados entre si.
Por fim, investigou-se a influência das drogas avaliadas, nas doses testadas, em relação ao peso corporal, mediante o cálculo da variação de peso. Assim, se PIni é o peso verificado no dia que antecedeu a cauterização e PFim o peso
medido no 21o dia do experimento, então a variação de peso (VP), em termos percentuais, é dada pelo quociente:
100 - . P P P VP Fim Ini Fim = . (3.36) Os valores de VP referentes aos seis grupos foram então comparados entre si.