A preparação de citotóxicos injetáveis é de elevada responsabilidade e embora não seja parecido ao que ocorre na indústria, deve reger-se pelas Boas Práticas de Fabrico (8).
Antes de se iniciar a preparação de citotóxicos é efetuada a confirmação telefónica pelos enfermeiros do serviço requerente, que durante a passagem pelos serviços farmacêuticos constatei ser feita pelo Hospital de Dia. Esta confirmação é registada por hora em impresso apropriado e devidamente assinado pelo farmacêutico para o efeito, o que permite avaliar posteriormente o tempo médio de entrega das preparações (tempo este que não deve ultrapassar as 2h) pela determinação em minutos da diferença da hora de receção e confirmação através da assinatura do enfermeiro responsável. O farmacêutico é responsável pela validação da prescrição tendo que confirmar as dosagens e a conformidade do esquema terapêutico, o lote e a validade de medicamentos citotóxicos e de soluções de diluição. Seguidamente são impressos, em duplicado (um deles destina-se a acompanhar a medicação e outro funciona como registo sendo arquivado juntamente com o perfil farmacoterapêutico nos serviços farmacêuticos), os mapas terapêuticos e os rótulos que discriminam detalhadamente a composição da preparação. Esta medicação causa em muitos casos vários vómitos e náuseas. Adiciona se à pré-medicação antiemético consoante a sua tipologia: agudos (se ocorrem nas primeiras 24h de tratamento), antecipatórios (ocorrem previamente a ciclos subsequentes) e tardios (após 24h de administração). Como tal pode se usar antagonistas de recetores da dopamina (metoclopramida) ou antagonistas específicos da serotonina (ondansetrom) em associação com dexametasona. O lorazepam como ansiolítico pode ser importante no tratamento de situações que ocorrem depois de 24h.
77 Relativamente ao espaço físico, as necessidades são idênticas às utilizadas na preparação de medicação parentérica com pequenas diferenças. Destacam se:
- Pressão negativa na sala onde se encontra a câmara de fluxo laminar vertical (<0 mmH2O,
assegurada pela existência de dois filtros HEPA, um destinado a entrada e outro a saída do ar para o exterior);
- E a presença de uma pressão positiva na antecâmara (> 1 mmH2O), garantindo assim que
qualquer partícula de citotóxico que esteja presente na câmara permaneça nela e não passe para fora da câmara;
- Câmara de fluxo de ar laminar vertical (classe IIB) que aumenta a proteção do operador, em relação à de fluxo de ar laminar horizontal (presenta na sala ou sistema modular “misterium” de preparações parentérica e estéreis) que assegura a proteção da bolsa ou preparado estéril; - É importante salientar que para além de ser necessário que a câmara de fluxo de ar laminar vertical seja ligada 30 minutos antes de se iniciar a manipulação, a mesma também deve permanecer ligada 15 a 20 minutos após terminar o trabalho.
Semelhanças:
- Em ambas as salas (de citotóxicos e de nutrição parentérica) a temperatura deve ser inferior a 25ºC para não perturbar a estabilidade das preparações;
A diferença no material de proteção do operador é que este é muito mais resistente sendo exemplo disso as batas impermeáveis de manga comprida com punho e a máscara do tipo bico de pato. Para efetuar corretamente o manuseio das devidas substancias que se manipulam na câmara o operador (farmacêutico) deve ter em conta uma série de cuidados, onde se destacam:
- A porta de vidro frontal da câmara de fluxo de ar laminar deve estar posicionada de forma a proteger convenientemente o operador;
- É necessário proceder-se à desinfeção das superfícies das ampolas/frascos e dos locais de inserção das agulhas com álcool a 70º (passo importante e que se aplica na preparação de bolsas parentéricas) assim como da superfície de preparação antes e depois de se efetuar a preparação de preparações estéreis;
- Evitar a utilização de agulhas sendo estas permutadas por perfuradores de soros e spikes; - Utilização de conexões luer-lock nos sistemas de perfusão;
- Evitar a formação e inalação de aerossóis;
- Usar seringas com capacidade superior ao volume a ser preparado; - Para cada citotóxico diferente deve utilizar-se material diferente; - Evitar pressão positiva nos frascos;
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- Citotóxicos remanescentes que sejam estáveis após a sua abertura, são rotulados com a data de abertura e o prazo de utilização e armazenados de acordo com as indicações do fabricante.
Os resíduos resultantes da manipulação de citotóxicos devem ser incinerados. Estes devem estar devidamente identificados com um rótulo contendo a indicação: “Lixo Citotóxico” (saco de cor vermelha).
Depois de devidamente preparados, os citotóxicos são então transportados para as enfermarias (por assistentes operacionais) em maletas herméticas contendo um termorregulador e com a sinalização de “material citotóxico”. É preciso ter em conta a sinalética implementada para citotóxicos porque em caso de extravasão de um citotóxico irritante pode ocorrer processos inflamatórios na pele ou tecido afetado seguida de necrose tecidular (com citotóxicos vesicantes). Assim temos: citotóxicos vesicantes, irritantes, neutros e não classificados.
Com a maleta segue igualmente o protocolo onde o enfermeiro a quando da sua receção deve registar a hora para posteriormente se proceder à determinação da média de tempo de preparação. Quando chega aos SF este formulário é guardado numa pasta consoante se tratem de: citotóxicos, terapia imuno BCG, metotrexato e mitomicina.
No fim do dia é impresso um “Registo de Preparação de Citotóxicos” onde consta toda esta informação bem como o tempo de laboração de cada preparação e o controlo de qualidade onde é anotado se a preparação se encontrava conforme ou não conforme. O controlo microbiológico é realizado mensalmente através de uma preparação de soro fisiológico e de água própria para injetáveis (em que se simula a manipulação de um citotóxico) de onde é retirada uma amostra que é enviada para o laboratório. Para o controlo do ar da câmara são colocados dois meios de cultura estéreis abertos durante cerca de 4h (que são enviados para o laboratório para avaliação de crescimento microbiano).
Em ANEXO encontram se os protocolos de citotóxicos que preparei pela passagem por esta valência da farmácia hospitalar.
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