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Em todos os finais de mês, acontece uma festa de aniversário para as crianças. Todas as crianças preparam-se para esta comemoração, é anunciada uma grande apresentação, um tecladista fará um recital em homenagem às crianças aniversariantes. A festa está formada, bolo, brigadeiros, bexigas e refrigerantes. As crianças brincam felizes, a professora coloca música, todas dançam juntas, M. está bastante envolvido, corre muito de um lado para o outro. Chegou o tecladista, foi uma surpresa, um rapaz de 16 anos cego, que toca muito bem o teclado. M. comeu muito bolo e as crianças brincaram e riram muito com ele, que não disse uma palavra, mas parecia feliz.

Vigotsky postula que o professor deve ser um mediador entre o sujeito que aprende e o conhecimento. “Mediar consiste nas ações de um agente intermediário em uma relação” (VIGOTSKY, 1987, p. 96).

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VIII

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Analisando os estudos de Vigotsky a respeito da criança com deficiência, nota-se a contribuição positiva com respeito às experiências educacionais concretas, que podem, sem sombra de dúvida, ser adicionadas para desenvolver a autonomia das pessoas em questão. Seu trabalho vem dar luz e incrementar estratégias de aprendizagem a fim de se obter sucesso neste caminho da inclusão que assusta a tantos.

Vigotsky fala da ação mediada que permite avanços no que diz respeito a suplantar a sombra da deficiência no aspecto social, principalmente no ambiente de aprendizado, onde as crianças passariam a ser notadas por suas habilidades e não por suas limitações.

Ficou bem claro nesta observação que a professora estava envolvida com a proposta de educação inclusiva, o mais importante, o fato de desejar conhecer o outro, compartilhar as diferenças e conviver muito bem com elas, apesar de suas próprias limitações; entender que existem outras possibilidades e estas adicionadas ao cuidar e dedicar-se em seu trabalho, podem abrir outros horizontes às suas expectativas

Percebe-se claramente o que ainda é necessário desenvolver para alcançar um nível estável na proposta de uma educação que trabalha com a diversidade e aprende com ela

No caso da criança observada, parece que conseguiu transmitir satisfação em estar no convívio com seus colegas e a professora e, embora encontre problemas com as emoções e sentimentos, ficou nítido seu prazer em estar ali, mesmo porque para ele era uma experiência nova, pois no ano anterior não lhe havia sido permitido

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participar de atividades, como parque, passeios, lanche e danças. A autonomia oferecida por sua professora foi benéfica para desenvolver responsabilidade, solidariedade e acima de tudo, permitir que pudesse aprender a brincar, motivo principal de sua alegria, simplesmente, porque é criança.

Encontrar a professora R., perceber sua aflição em cuidar de seus alunos, a transparente confissão „não sei o que fazer com M., não sei o que é o autismo!‟, sua disponibilidade, são possibilidades de esperança de que há profissionais dispostos a participar ativamente desta proposta de inclusão, ou melhor, entendem que varias mudanças devem ocorrer, e que a participação deles é indispensável.

Em uma unidade escolar composta por crianças com variadas necessidades, é necessário o apoio de uma equipe comprometida com este trabalho. Percebe-se este entrave claramente, como os problemas que M. enfrenta com a funcionária do refeitório, a falta de habilidade em chamar à sua atenção, até mesmo porque ela desconhece as reais necessidades da criança. Ou, por exemplo, na „hora da história‟, a falta de um „professor mediador‟, para naquele momento desenvolver as habilidades de M., demonstra a fragilidade da assistência pedagógica vigente.

Seria necessária uma preparação prévia a toda equipe escolar, antes do início das aulas, norteando todos os participantes de um projeto, anteriormente elaborado, trazendo-lhes segurança em receber a todas as crianças, com deficiência ou não, onde as „surpresas‟ para os professores de sala não ocorressem, ao receber crianças com limitações que eles próprios desconhecem.

Os estudos encontrados que tratam de mudanças de concepções em relação à inclusão (GAMBARO, 2002; PEREIRA, 2002; ORTIZ, 2003; ROSA, 2003) se referem às mudanças de conceitos observadas após a realização de trabalhos de

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intervenção com professores, incluindo cursos de capacitação para a inclusão, programas e reuniões para orientação, discussão e acompanhamento do professor.

A verdadeira educação, segundo Vigotsky, consiste em despertar na criança aquilo que já possui dentro de si, ajudando-a a evoluir e a orientar o seu desenvolvimento e uma determinada direção, “não uma direção de mão única, mas que contemple possibilidades de construção, desconstrução e reconstrução tal como ocorre na arte, mas sempre em interação social” (VIGOTSKY, 2003, p.201).

Percebe-se que algumas atitudes estão trazendo novas perspectivas de crescimento quanto à proposta de inclusão. Em uma das visitas à escola, a coordenadora pedagógica pediu à pesquisadora que lesse um documento, referente a uma lista de pedidos de materiais para trabalhar com crianças com deficiência. Foi uma leitura interessante, embora com dificuldade para identificar naquela lista o que realmente seria apropriado para as crianças, pois a maioria dos materiais era totalmente desconhecida dos professores. Apesar de precisarem de muitos materiais, as professoras não escolheram nada, também porque tinham o prazo de dois dias para entregar os pedidos. Neste caso, seria extremamente importante que houvesse um esclarecimento à direção, aos professores e a todos os funcionários da escola, para que soubessem acima de tudo manejar estes instrumentos para melhor aproveitá-los.

Já no final dessas considerações, cabe concluir que uma proposta de educação totalmente envolvida com a inclusão pode parecer um sonho distante, por parte de todos os envolvidos neste caminho ainda incerto; porém, existe a possibilidade deste sonho deixar de ser utópico, quando o processo de ensino aprendizagem obtiver efeitos consistentes, como um trabalho de reconhecimento dos materiais necessários para as crianças com deficiência, onde além de serem

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úteis, trariam novas possibilidades para o trabalho dos professores e funcionários da unidade escolar; alcançando uma prática pedagógica que visualize a proposta „inclusão‟, tornando-se compromissada com o desenvolvimento de todas as crianças, onde mecanismos reais sejam efetivamente explorados, satisfazendo as necessidades de cada um e beneficiando todo grupo, em interação.

Ferreira e Guimarães (2003) dizem ser necessário deixar de pensar a educação sob uma perspectiva simplista e reducionista, passando a compreendê-la sob uma ótica em que o acesso e a permanência na escola ocorram dentro de condições viáveis e satisfatórias para a educação e formação de todo e qualquer aluno, constituindo-se então em um direito espontâneo e natural, uma responsabilidade da sociedade, do estado e de todo cidadão.

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ANEXO I

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