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Un homme, ça s'empêche »

3.3 La politique de l'environnement vue comme une émancipation possible

3.3.1 Un homme, ça s'empêche »

Não podemos nos limitar a questionar as políticas voltadas para agricultura familiar, mas, devemos também questionar a forma como são coletadas as informações usadas para formular e implementar essas políticas. Devemos repensar os instrumentos convencionais utilizados para avaliar e monitorar as mudanças que ocorrem nos agroecossistemas familiares.

Também não podemos esquecer que, pelo fato de estarmos trabalhando com um grupo de pessoas, neste caso, de agricultores, estes têm necessidades de informação e expectativas diferentes entre si, têm pontos de vista diferentes em relação à realidade local. A identificação e a variedade de indicadores sofrerão influência do número de pessoas que estão participando e dos diferentes grupos que compõem a amostra focal (situação social, gênero, idade, condição econômica).

Um ponto importante que deve ser levado em consideração é que os indicadores raramente permitem uma avaliação completa do agroecossistema quando usados de maneira independente. Eles devem ser analisados em conjunto, permitindo assim que ocorra avaliação ampla, integral e

principalmente holística dos fluxos de atividades que representam um fenômeno em particular, que estimula uma decisão ou ação específica, mas com influência sobre o todo.

Por isso devemos tomar cuidado com a metodologia e os critérios escolhidos para fazer a seleção dos indicadores, pois não devemos ter um número excessivo de indicadores, e sim selecionar aqueles que realmente sejam capazes de captar o atual estágio de sustentabilidade, de acordo com a situação que está sendo avaliada. Como afirmam Marzall e Almeida (1999), o objetivo não é caracterizar um sistema, mas, avaliar a sua sustentabilidade.

Os indicadores podem ser simples ou compostos. Os indicadores simples normalmente são autoexplicativos, descrevem imediatamente um determinado aspecto da realidade ou apresentam uma relação entre situações ou ações. Indicadores compostos, por sua vez, apresentam de forma sintética um conjunto de aspectos da realidade (KAYANO e CALDAS, 2002). No caso do uso de indicadores compostos, eles simplificam a análise de sistemas mais complexos, e por isso são importantes para o diagnóstico dos níveis de sustentabilidade. Eles têm se mostrado uma importante ferramenta de comunicação, mas devem ser o mais transparente possível e equipado com informação bem delineada em relação a sua metodologia de construção e fonte de informações e dados.

Mas, independentemente de ser indicador simples ou composto, o método pode desenvolver-se com todo o seu potencial sempre e quando a equipe, que o aplique, trabalhe verdadeiramente de forma participativa, o que exige, acima de tudo, uma postura dialógica, que respeite e valorize a opinião dos agricultores (DEPONTI et al, 2002).

Entretanto, como os diferentes atores podem ter pontos de vista diferentes em relação à realidade local, as informações trazidas por um indicador podem ser subjetivas, trazendo apenas uma visão parcial da situação e necessitando de uma adequação contextual. O sentido trazido por um indicador depende das representações sociais e determinam, em última análise, modelos de interpretação da realidade social. A avaliação de uma dada realidade, e a consequente determinação dos rumos a ser tomados, deve

considerar a reação das pessoas frente a essa situação. Para tal, o significado de cada indicador deve ser extremamente claro (MARZALL e ALMEIDA, 1999).

A subjetividade pode vir, também, mediante informações qualitativas, que descrevem as percepções das pessoas acerca de processos, dos êxitos ou problemas enfrentados. A informação qualitativa é uma informação não numérica, que contextualiza as situações; já a informação quantitativa é numérica, está relacionada com os elementos que compõem a situação e que podem ser contados.

Para Franco & Struck (2000, grifos dos autores), um indicador qualitativo não é necessariamente melhor que um quantitativo, e um indicador quantitativo pode fornecer informação qualitativa. Os indicadores quantitativos podem ser averiguados objetivamente por parâmetros mensuráveis. Os indicadores qualitativos expressam opiniões e experiências que se baseiam em comportamentos, normas e valores; contribuem para aprofundar a informação sobre as percepções, as necessidades, os recursos e as limitações de uma população; estudam os processos de maneira mais efetiva, explicando o “como” e, mediante uma amostragem mais ampla, verificam as informações obtidas com os métodos quantitativos.

Se os métodos qualitativos e quantitativos tiverem sido desenhados com o mesmo propósito, têm de ser aplicados de maneira sequencial para ter a possibilidade de melhorar os resultados; e, quando utilizados de maneira conjunta, permitem conhecer uma situação de maneira global e mais completa, podendo revelar outro ângulo da situação que não tinha sido levado em conta até então, mas que influencia de forma contundente a sustentabilidade. E, consideram-se bons indicadores, independente do tipo (simples, composto, qualitativo, quantitativo), quando possuem um equilíbrio entre precisão e capacidade de resposta.

A seguir, fazemos um apanhado geral, trabalhando as características consideradas importantes para os indicadores de sustentabilidade, com base em Franco e Struck et al (op. cit.), Kayano e Caldas (2002) e Masera et al (1999, tradução nossa), que são:

- o indicador tem de medir o que supostamente lhe corresponde medir, tem que caracterizar bem as mudanças e refletir o atributo de sustentabilidade que se quer avaliar, mostrando os efeitos casuais;

- os dados coletados e sistematizados devem ser de qualidade e confiáveis, baseados em informações locais, diretas ou indiretas;

- o indicador deve permitir uma interpretação fácil e direta, sem ambiguidades, ou seja, ser fácil de compreender, registrar e interpretar por todos os usuários; - o indicador tem que ser sensível quanto à situação observada, deve ser relevante ao problema definido e expressar diferentes níveis de mudanças (esperadas ou não);

- o indicador tem de ser coerente quanto aos objetivos a serem alcançados, ou seja, deve ter uma relação lógica, estreita e clara com o objetivo de análise; - o indicador deve ser fácil de medir e tem de chegar às mesmas conclusões, independentemente de quem o utilize e/ou o momento em que se usa; ou seja, os métodos para coletar a informação especificada pelo indicador devem ser fáceis, confiáveis e reaplicáveis a outros lugares com condições similares; - o indicador tem que ser preciso em relação aos critérios de medida (quantidade, qualidade, tempo de duração, grupo estudado e localização) e deve fornecer medidas resumidas ou integradas no espaço/tempo;

- o indicador tem de produzir resultados equivalentes ao tempo e ao dinheiro investidos para a sua utilização e ter baixo custo;

- os indicadores devem ser interessantes para os usuários.

Por fim, vale lembrar que, na prática, nem sempre o indicador de maior validade é o mais confiável; nem sempre o mais confiável é o mais inteligível; nem sempre o mais claro é o mais sensível; e, enfim, nem sempre o indicador que reúne todas estas qualidades é passível de ser obtido na escala espacial e periodicidade requerida (JANNUZZI, 2001).