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A escola Prof. Agostinho Fonseca Neto foi criada pelo Decreto Municipal 2.459/93, para funcionar em dois turnos (manhã e tarde), do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental. Ela está localizada na avenida Fernando Cunha Lima s/no,

conjunto Bela Vista, no bairro do Cristo Redentor e se situa numa região de subúrbio de classe trabalhadora da cidade de João Pessoa-PB, com alta incidência de problemas econômicos e sociais.

Fisicamente, a escola possui boa estrutura, instalada em um imóvel recém ampliado e reformado; conta com seis salas de aula, uma biblioteca, laboratório de informática, salas onde funcionam a direção e a secretaria, sala de professores, refeitório, cozinha, dispensa, almoxarifado, sanitários, sendo dois masculinos e dois femininos, incluindo um adaptado para alunos com deficiência motora e, ainda, dois sanitários para funcionários. A escola tem, também, na área externa, o recreio coberto e a horta. Apesar da reforma recente, está prevista a construção de mais duas salas abertas para o Programa Mais Educação, em parceria com o Governo Federal, que visa ampliar o tempo e o espaço escolar dos alunos e alunas.

A escola conta, no seu quadro de especialistas, com catorze professores, cujo perfil está apresentado na tabela 1, seguinte.

TABELA 1– PERFIL DO CORPO DOCENTE DA ESCOLA PROF. AGOSTINHO FONSECA NETO PERFIL DO CORPO DOCENTE

TOTAL 15 FORMAÇÃO ENSINO MÉDIO 09 ENSINO SUPERIOR 06 ESPECIALIZAÇÃO 00 MESTRADO/DOUTORADO 00

SEXO MASCULINOFEMININO 1401

SITUAÇÃO

FUNCIONAL CONCURSADOSERVIÇO PRESTADO 1104

FONTE: Dados da pesquisa, 2010.

Esta tabela nos mostra que a maioria dos docentes é do sexo feminino, sem formação de nível superior e não concursadas. Além do corpo docente,

enfatizamos a presença de uma psicóloga e uma orientadora educacional e de outros profissionais de apoio ao ensino-aprendizagem, conforme apresentado na tabela 2, abaixo.

TABELA 2– QUADRO FUNCIONAL ESCOLA PROF. AGOSTINHO FONSECA NETO QUADRO FUNCIONAL Diretora Geral 01 Diretoras Adjuntas 02 Psicólogo 01 Orientador Educacional 01 Secretários 01 Auxiliar de secretaria 03 Agente administrativo 02 Monitor de informática 01 Auxiliar de biblioteca 01 Supervisor de merenda 01 Inspetor de alunos 02 Jardineiro 01 Auxiliar de serviços 07 Vigilantes 04

FONTE: Dados da pesquisa, 2010.

Com este quadro funcional (tabela 2), a escola oferece turmas do ensino da Educação Infantil e Ensino Fundamental I, nos turnos matutino e vespertino e atende, à noite, a alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) com o programa de aceleração da aprendizagem.

Segundo informações coletadas com a diretora, a escola tem capacidade para atender a até quatrocentos alunos mas, devido à demora na recente reforma das instalações físicas e prediais, houve crescimento nas transferências e cancelamento de matrículas de alunos. No ano letivo de 2009, a escola tinha trezentos e quarenta e quatro (344) alunos matriculados e frequentando as aulas, distribuídos em doze turmas, conforme indicado na tabela 4, abaixo, de cujo total, cem (100) são participantes (cinquenta em cada turno: manhã e tarde) do Programa Mais Educação, funcionando no turno oposto ao horário da aula.

TABELA 3– PERFIL DO CORPO DISCENTE DA ESCOLA PROF. AGOSTINHO FONSECA NETO PERFIL DO CORPO DISCENTE

TURMA FAIXA-ETÁRIA SEXO TOTAL

M F

PRÉ-ESCOLAR I 4 a 5 anos 12 14 26

PRÉ-ESCOLAR II 5 a 6 anos 29 13 42

PRIMEIRO ANO 6 a 7 anos 20 21 41

SEGUNDO ANO 7 a 9 anos 30 25 55

TERCEIRO ANO 8 a 10 anos 20 28 48

QUARTO ANO 10 a 11 anos 18 19 37

QUINTO ANO 11 a 13 anos 07 11 18

ACELERA 07 07 14

EJA (CICLO I) 12 11 23

EJA (CICLO II) 6 16 22

ACELARAÇÃO DA

APRENDIZAGEM 8 10 18

TOTAL 344

FONTE: Dados da pesquisa, 2010.

Pelos dados da tabela 3, verificamos que um pouco mais da metade dos alunos do ensino infantil e fundamental I é do sexo masculino (51%) e tem idade média (ponderada) de 7,7 anos, motivo pelo qual orientamos este estudo para crianças na faixa etária dos sete aos nove anos. As turmas variam entre 7 (quinto ano) a 28 (terceiro anos) alunos revelando-se pequenas e permitindo práticas pedagógicas e acompanhamento individualizados do aluno pelo professor, subsídios interessantes para uma pedagogia da compreensão que reconhece as idiossincrasias dos alunos e possibilita aos professores ensiná-los de maneira que eles possam aprender melhor (GARDNER, 2001). A grande maioria de seus trezentos e quarenta e quatro (344) aprendentes é formada por crianças produto de uniões matrimoniais desfeitas o que, segundo a assistente social da escola, gera um grande índice de “crianças terceirizadas”, isto é, órfãs ou criadas distantes dos pais e das mães, em geral por avós, padrastos e madrastas, ou até por vizinhos, geralmente em lares com grande incidência de violência e abuso de alcóol e outras substâncias químicas.

Administrativamente, a escola se funda no princípio da gestão democrática e participativa, com ênfase na integração escola-comunidade, com autonomia para gerenciar seus recursos humanos, pedagógicos e financeiros, sobre a égide do desenvolvimento social da escola pública, gratuita e de qualidade para todos. Segundo seu Projeto Político Pedagógico (PPP), a escola Prof. Agostinho

Fonseca Neto prima pela gestão democrática, como um processo de construção colaborativa e participativa do conhecimento, onde todos assumem e compartilham responsabilidades, distribuem poder e, sobretudo, oportunizam a todos direitos e deveres de participação e aprendizagem. Seu PPP reconhece, assim, a força do coletivo, de suas várias e distintas inteligências como propósito para uma educação de qualidade coadunando-se com os ideais da pedagogia da compreensão quando foca na autonomia, ao invés da interdependência e na igualdade entre aprendentes, ao invés da unidade de grupo (GARDNER, 2008, 2001). Deste modo, o projeto pedagógico da escola acolhe a diversidade, reconhece os indivíduos como diferentes e utiliza seus vários pontos de vista e opiniões para a afirmação de práticas e valores democráticos.

Por estar instalada em uma área desfavorecida da cidade de João Pessoa, PB, a escola assume, em seu PPP, um discurso que privilegia a dimensão política e ideológica da educação com vistas a “formar cidadãos” ressaltando, com isso, as inteligências pessoais dos aprendentes, suas competências e habilidades específicas que lhes permitem se descubrir e transformar, de maneira ética e respeitosa, sua realidade, fazendo do mundo (e do contexto em que vivem) um lugar melhor (GARDNER, 2008, 2000).

Outrossim, em seu PPP a comunidade escolar reconhece o fracasso do modelo de educação tradicional, em que todos os alunos seguem o mesmo currículo, da mesma maneira. Em busca de alternativas para resolver seus problemas pedagógicos, a comunidade organizou o trabalho escolar segundo os princípios da Escola da Ponte17, em Vila das Aves, Portugal. No contexto da Escola da Ponte, o foco da educação está na formação social dos aprendentes em interação com o meio envolvente cadunando-se com as abordagens socioconstrutivistas-interacionistas, fundamentadas nas idéias de Piaget e Vygotsky. Seu projeto pedagógico considera cada ser humano como único, sendo a experiência de escolarização e o trajeto de desenvolvimento dos aprendentes, também únicos. Além do mais, o aluno, como ser em permanente desenvolvimento, deve ter valorizada a construção da sua identidade pessoal, assentada nos valores de iniciativa, criatividade e responsabilidade, ponto em que os preceitos da Escola da Ponte, incorporados à proposta pedagógica da escola, se coadunam com a

pedagogia da compreensão de Gardner (2001), que valoriza e respeita os “múltiplos eus” e às múltiplas formas de conhecer dos aprendentes.

Nesta configuração, a comunidade escolar funda suas práticas pedagógicas na promoção das necessidades e capacidades individuais e específicas de cada aprendente, respeitando o meio cultural envolvente, de maneira que elas devam ser atendidas singularmente, já que suas características intelectuais únicas implicam em formas próprias de apreensão da realidade; assim, a escola vê, em todos os alunos, necessidades educativas especiais, manifestando-se em formas de aprendizagens sociais e cognitivas diversas e percebidas nos vários projetos desenvolvidos pela escola, como o Mergulhando na Leitura e Emergindo Escritores, com ênfase na leitura e na produção de textos; o Educanvisa, o “Educanvisa”, em parceria com o Programa Saúde da Família com vistas a desenvolver ações educativas relacionadas à saúde; a Horta Comunitária, promovendo o contato de alunos com espécies vegetais, com a natureza, visando à promoção de uma alimentação e uma vida saudável e o próprio projeto Edulivre.

Seguindo os preceitos da Escola da Ponte, a organização do trabalho escolar do Agostinho Fonseca Neto gravita em torno do aprendente. Em conformidade com esta estrutura de trabalho, os alunos formam grupos heterogêneos, não estando classificados por turmas nem por anos de escolaridade; também não há lugares fixos nem salas de aulas; tampouco há um professor encarregado de um grupo de aprendentes. Desta maneira, todos os alunos trabalham com todos os professores e em todos os ambientes da escola, os quais são denominados espaços de aprendizagem. Atualmente, são quatro os espaços de aprendizagem: o Espaço da História, da Geografia e das Artes; o Espaço da Matemática, das Ciências e das Artes e o Espaço das Linguagens e das Artes; o Espaço da Informática Educativa, com uma sala equipada com computadores interligados em rede, na qual os aprendentes desenvolvem atividades pedagógicas utilizando as TIC com a orientação da professora de informática. Além desses espaços existem uma horta comunitária e um espaço coberto para atividades físicas e artísticas, onde também são desenvolvidas atividades pedagógicas. Percebemos, assim, como as inteligências múltiplas, mesmo de maneira não institucionalizada, servem como pontos de entrada para o trabalho em sala de aula; nos diversos espaços de aprendizagem a música, a arte e o uso do corpo, são incorporados regularmente como alternativas para a aprendizagem e compreensão dos temas

escolares tradicionais, requerendo o domínio de uma série de habilidades, sistemas simbólicos e conceitos e potencializando, então, uma gama de inteligências (GARDNER, 2005, 1994).