4 En konstruktivistisk og sosiokulturell tilnærming til veiledningsfeltet
4.1 En konstruktivistisk tilnærming til veiledning
4.1.3 Historisk og kulturell utvikling og kulturelle redskaper
Fonte: Jornal O Dia. Teresina, 10 nov. 2013, p. 01.
A matéria, além de, como era de se esperar, falar de onde o literato estava internado até o momento de sua morte, ainda destaca a opinião de críticos e professores, como é o caso de Cineas Santos e da professora universitária e cronista, Jasmine Malta. Trazer o discurso e posicionamento de críticos, estudiosos e professores é uma estratégia para legitimar as informações do periódico. O jornal salienta que
Segundo o professor Cinéas Santos, O. G. Rego de Carvalho se inscreve na galeria dos maiores nomes da literatura brasileira contemporânea. Ele cita a obra Ulisses Ente o Amor e a Morte. “É o mais belo livro sobre a adolescência que se escreveu neste país. Perdemos um cidadão, mas sua obra permanecerá”, disse Cinéas.
A cronista Jasmine Malta lembra que O. G. Rego marcou uma geração e foi responsável por mudanças significativas na estrutura narrativa. “É uma perda para o Piauí e para a literatura nacional”, ressalta.107
107
O escritor, que se envolveu em polêmicas, sobretudo no que se refere à própria
noção de “literatura piauiense”, tornou-se uma espécie de símbolo da produção literária
local, que teria projetado o estado do Piauí para dimensões nacionais e internacionais. Em decorrência disso, virou, talvez, um cânone, algo sobre o qual ele, inclusive, ajudou a refletir. O cânone é, dessa maneira, mais um dos aspectos que constituem o campo literário.
Com a morte do escritor, ocorrida no dia 09 de novembro de 2013, a sua relação direta com o fazer literário, obviamente, foi retomada. Foi o momento, para além das homenagens, de apropriações da figura do escritor como representante de uma dimensão cultural do estado. As mensagens várias, divulgadas sobretudo nos meios de comunicação impressa, televisiva e digital, enfatizaram o papel do escritor no processo de “elevação” do nome do estado por meio de sua escrita. O escritor configurou-se como um ícone da literatura, sobremaneira do romance. Os portais buscavam atualizar as informações sobre seu falecimento e a indicação do local do velório e sepultamento:
Faleceu na manhã de hoje (9) o escritor Orlando Geraldo Rego de Carvalho, aos 83 anos, no Hospital São Paulo em Teresina. O. G. Rego, como era conhecido, estava internado há oito dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e morreu com falência múltipla dos órgãos.
O velório do escritor O. G. Rego de Carvalho acontecerá na tarde deste sábado (9), na Pax União da avenida Miguel Rosa. A informação inicial é de que o corpo do autor oeirense seja sepultado ainda hoje, por volta das 17h, no cemitério Jardins da Ressurreição.108
Os portais de notícias fizeram questão de noticiar o acontecido, sempre enfatizando a importância do escritor no universo literário. No Portal Cidade Verde há destaque para a reprodução da nota do Governo do Estado do Piauí, que dizia que
O Governo do Estado manifesta profundo pesar pelo falecimento do escritor Orlando Geraldo Rego de Carvalho (O. G. Rego de Carvalho), ocorrido neste sábado, dia 9 de novembro.
Cidadão exemplar, o escritor nascido em Oeiras, honrou o Piauí com sua produção literária, reconhecida nacionalmente. Entre seus livros mais conhecidos estão Rio Subterrâneo e Ulisses Entre o Amor e A Morte. Em nome dos piauienses, o governador Wilson Martins se solidariza com a
108
Escritor O. G. Rego de Carvalho morre aos 83 anos em Teresina. Disponível em: <http://cidadeverde.com/escritor-o-g-rego-de-carvalho-morre-aos-83-anos-em-teresina-148052>. Acesso em: 09 nov. 2013.
família enlutada, a Academia Piauiense de Letras e a todos os piauienses, que têm em O. G. Rego o exemplo de um grande escritor.109
A ideia de sua projeção para além dos limites e fronteiras geográficas é destacada
na fala do professor de literatura, Luiz Romero. Para ele, “A língua brasileira e a língua
portuguesa perderam um dos maiores nomes da renovação da literatura contemporânea e a
literatura piauiense perde seu maior ficcionista”110. No mesmo ensejo, o professor e crítico literário, Cineas Santos, também se pronunciou, afirmando que “O. G. Rego de Carvalho é uma das figuras mais representativas da moderna ficção brasileira, bastaria o livro ‘Ulisses Entre o Amor e a Morte’ para justificar a sua presença luminosa entre nós. Perdemos um cidadão, mas sua obra com certeza permanecerá”111.
Os professores preferiram destacar a produção do escritor como sendo de alcance além das fronteiras locais e regionais. Sua morte parece ter, em certa medida, contribuído
para a aceitação de que não se trataria de um escritor “piauiense”, encerrado em seu estado.
O escritor seria a projeção da Literatura e não de uma Literatura. São questões de fronteira que são apresentadas, mesmo que não tenha sido essa a intenção dos comentaristas e críticos. Os limites espaciais e geográficos são retomados para criar a amplitude da projeção do literato:
A prefeitura de Oeiras, a 300 quilômetros de Teresina, decretou luto pela morte do escritor Orlando Geraldo Rego de Carvalho, popularmente conhecido como O. G. Rego de Carvalho. O escritor é natural do município e morreu neste sábado (9) de falência múltipla dos órgãos. Ele estava há oito dias internado em um hospital particular da capital.
Lukano Araújo Costa, prefeito de Oeiras, disse ao G1 que o falecimento do romancista é uma perda muito grande para a cidade e para a literatura piauiense. Segundo o gestor, o escritor será homenageado no Festival de Cultura do munícipio que acontecerá nos dias 14 a 16 de novembro. “Em seus livros, ele (O. G. Rego) representou muito bem a cidade de Oeiras. Por isso o festival de Cultura está mantido, pois organizamos um bate papo literário no qual o escritor piauiense será homenageado. O. G. Rego foi um grande incentivador da leitura e esta também será uma
109 Escritor O. G. Rego de Carvalho morre aos 83 anos em Teresina. Disponível em:
<http://cidadeverde.com/escritor-o-g-rego-de-carvalho-morre-aos-83-anos-em-teresina-148052>. Acesso em: 09 nov. 2013.
110 ROMERO, Luiz. In: Escritor O. G. Rego de Carvalho morre aos 83 anos em Teresina. Disponível em:
<http://cidadeverde.com/escritor-o-g-rego-de-carvalho-morre-aos-83-anos-em-teresina-148052>. Acesso em: 09 nov. 2013.
111 SANTOS, Cineas. In: Escritor O. G. Rego de Carvalho morre aos 83 anos em Teresina. Disponível
em: <http://cidadeverde.com/escritor-o-g-rego-de-carvalho-morre-aos-83-anos-em-teresina-148052>. Acesso em: 09 nov. 2013.
forma de agradecê-lo pelo legado cultural que deixa a nós piauienses”, disse o prefeito.112
Conhecido, também, por colocar a sua cidade natal como fonte de inspiração e espaço em sua narrativa, o escritor se tornou um filho ilustre da antiga capital piauiense. O escritor, que narrou as cidades de Oeiras, de Teresina e de Timon, no Maranhão, transitou entre essas cidades por meio de seus personagens. Tais espaços foram foco de memórias e compuseram traços que contribuíram para que alguns críticos afirmassem que seus livros fossem autobiográficos.
A notícia da morte do escritor trouxe à tona as suas relações com sua cidade natal. Cidade contemplada em seus livros, mas que teria ficado no passado de sua infância.
O promotor Carlos Rubem Campos Reis também lamentou a morte do conterrâneo e falou sobre o documentário que ele havia produzido sobre a vida de O. G. Rego, filme que recebeu o nome de "A Viagem Incompleta".
“O. G. Rego escreveu sobre Oeiras como nenhum escritor. Ele deixou de lado o orgulho e voltou a visitar o município mesmo após dizer que não retornaria para Oeiras, após ter ficado órfão. O retorno aconteceu quando se casou e sua esposa decidiu conhecer sua cidade natal. Entretanto, mesmo distante ele nunca excluiu Oeiras de suas obras. Tudo isso foi retratado em nosso documentário e por isso estamos tristes com sua morte”, afirmou o promotor.113
O documentário tinha o título final de “O. G. A Viagem Incompleta”114, que foi
escrito, fotografado e dirigido pelo cineasta Douglas Machado. Uma produção da Trinca Filmes Ltda, em parceria com o Instituto Dom Barreto, ambos localizados em Teresina, Piauí. Carlos Rubem Campos Reis colaborou na articulação junto a entidades governamentais do estado e da cidade de Oeiras, para angariar patrocínio. Ele foi
112 Prefeitura de Oeiras decreta luto pela morte de O. G. Rego de Carvalho. Disponível em:
<http://g1.globo.com/pi/piaui/noticia/2013/11/prefeitura-de-oeiras-decreta-luto-pela-morte-de-o-g-rego-de- carvalho.html>. Acesso em: 09 nov. 2013.
113 Prefeitura de Oeiras decreta luto pela morte de O. G. Rego de Carvalho. Disponível em:
<http://g1.globo.com/pi/piaui/noticia/2013/11/prefeitura-de-oeiras-decreta-luto-pela-morte-de-o-g-rego-de- carvalho.html>. Acesso em: 09 nov. 2013.
114 Na ficha técnica do documentário consta: Um filme de Douglas Machado. Produção da Trinca Filmes.
Ideia original e argumento de Marcílio Rangel. Diretora de produção, Gardênia Cury. Produtor associado, Carlos Rubem Campos Reis. Edição, Elionardo Braga e Douglas Machado. Animação de Fotografia, Jean Marcelo. Assistente de câmera (1ª fase), Cássia Moura. Trilha sonora, Sérgio Matos. Os Patrocinadores foram: Governo do Estado do Piauí, Prefeitura de Oeiras, FUNDAC, Tv Assembleia. Apoio Cultural: Fundação Nogueira Tapeti, Oficina da Palavra.
responsável, em parte, pela busca de imagens que constam no documentário. O que seria
mais um mecanismo de “exibição do autor” acabou se tornando mais um capítulo nas
polêmicas nas quais o escritor se envolveu, pois sua esposa, não gostando do resultado final, não teria autorizado o lançamento oficial, nem mesmo a circulação do filme. O filme fez, de certa forma, sua viagem incompleta, pois o público não teve, e não tem, acesso a ele. Criou-se, então, certo imaginário sobre o Documentário como sendo o filme proibido, uma espécie de biografia não autorizada. A viagem incompleta, assim, configura-se no distanciamento entre o autor e o indivíduo, mesmo que haja essa fetichezação, no seio dos
leitores e até críticos, em relação ao privado, ao “eu” do indivíduo. Por esse ângulo, a não
divulgação ou circulação oficial do documentário acabou por contribuir para o processo de exibição do autor, visto que os silenciamentos também atuam na construção da memória. Seria, talvez, o não-dito, ao qual faz menção Michel Pollak115.
As notícias não se restringiram aos noticiários locais. Pedro Salgueiro, que é
defensor da “literatura cearense” e que escreve na seção Colunas, do Jornal O Povo online, de Fortaleza, dedicou texto sobre o falecimento de O. G. Rego de Carvalho. O colunista, de maneira sutil, não quis dar destaque para a morte em si. Isso pode ser observado no título de seu texto, que traz apenas o nome do literato. Ele não fala em morte, que lhe parece soar
muito brutal, pouco poética, pouco literária. Ele prefere o termo “desaparecer”, para se referir à morte daqueles que ele mesmo vai chamar de “monstros sagrados”, nos quais ele
enquadra o literato. Por esse viés, ele assevera que
Os últimos “monstros sagrados” da literatura parece que desaparecerão quando se forem Lygia Fagundes Telles, Ferreira Gullar, Rubem Fonseca, Dalton Trevisan, Manoel de Barros, Thiago de Mello, Raduan Nassar (reparem que todos já com idades avançadas), e, o mais preocupante, quase nenhum grande nome foi se estabelecendo numa geração intermediária, talvez Ana Miranda, Márcio de Souza e poucos outros sejam exceções de escritores mais reconhecidos nacionalmente. Mas grandes escritores foram surgindo em cada recanto do país, com obras sólidas, talentos comprovados, que (infelizmente) não se tornaram (e quem se importa com isso?) nomes “nacionais” – ou se tornaram por algum tempo –, como o grande romancista Gilvan Lemos em Pernambuco, o poeta José Chagas no Maranhão, os poetas Francisco Carvalho, José Alcides Pinto e Artur Eduardo Benevides no Ceará, o contista Sérgio Faraco no Rio Grande do Sul, o prosador Salim Miguel em Santa Catarina, o romancista Francisco C. Dantas em Sergipe, o ótimo poeta H. Dobal no Piauí.
115 POLLAK, Michel. Memória, esquecimento, silêncio. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, vol. 2, n. 3,
E foi nesse pobre estado do Piauí, vizinho e cúmplice em tantas mazelas sociais, tão parecido em tudo com o nosso Ceará, que encontrei – no meu período de formação literária no início dos anos 1980 – um dos maiores escritores brasileiros: O. G. Rego de Carvalho. Ele até publicou por boas casas editoriais, residiu no Rio de Janeiro, mas depois voltou à sua Teresina querida (sua segunda cidade, pois era natural da histórica Oeiras), onde exerceu o magistério e foi funcionário do Banco do Brasil até se aposentar. Depois disso, pouco se ouviu falar dele fora do Piauí, alguns até achavam que há muito tivesse morrido.116
Nos percursos e estratégias de exibição do autor, o seu isolamento teria povoado o imaginário e a especulação sobre sua morte, o que, de certa forma, também fomentava o interesse por sua obra. As especulações também funcionam na manutenção da memória,
pois enquanto não há confirmação de algo, o objeto de especulação sempre “está vivo” na
memória dos que pensam sobre tal objeto, no caso, a morte do escritor. Em suas memórias, Salgueiro afirma:
Estive, por ser admirador de sua importante obra literária, procurando por ele, queria conhecê-lo: inicialmente o escritor, editor e produtor cultural Cineas Santos me desestimulou falando de sua séria doença mental (estava em crise na época), depois Magalhães da Costa reafirmou a opinião de Cineas, e mais recentemente pedi notícias dele ao poeta Chico Miguel de Moura, que me falou de seu afastamento do convívio dos amigos. E foi com surpresa (e tristeza) que no último mês de novembro, precisamente no dia 9, cheguei a Teresina para um compromisso familiar e me deparei com a notícia de seu falecimento.
Em sua homenagem peguei a edição de sua Ficção Reunida (editada por Cineas Santos no selo Corisco), que guardo ao lado das edições antigas dos seus Ulisses entre o amor e a morte, Rio Subterrâneo, Somos todos inocentes e Como e por que me fiz escritor (nunca encontrei seu Amarga solidão), e a reli de uma assentada, livro a livro, saboreando sua prosa singular, perdendo-me pelas ruas antigas de Oeiras, em passeios pelas ribanceiras do Parnaíba depois de uma enchente, em camarinhas escuras que escondiam loucos: loucos que eram mais que seus personagens, eram seus parentes e, numa projeção, eram todos ele mesmo.
Orlando Geraldo Rego de Carvalho tornou-se, portanto, na vida real um personagem dele mesmo, de sua rica literatura; e sua obra – tenho certeza – não desaparecerá com o passar do tempo e o suceder dos modismos literários.117
116 SALGUEIRO, Pedro. O. G. Rego de Carvalho. Disponível em:
<http://www.opovo.com.br/app/colunas/pedrosalgueiro/2013/12/04/noticiaspedrosalgueiro,3171851/o-g- rego-de-carvalho.shtml>. Acesso em: 04 dez. 2013.
117 SALGUEIRO, Pedro. O. G. Rego de Carvalho. Disponível em:
<http://www.opovo.com.br/app/colunas/pedrosalgueiro/2013/12/04/noticiaspedrosalgueiro,3171851/o-g- rego-de-carvalho.shtml>. Acesso em: 04 dez. 2013.
A morte do escritor se constituiu como um momento de homenagens, o que geralmente acontece. Para além das homenagens, sua morte se tornou espaço no qual sua vida e obra são revisitadas, reinventadas. Os problemas mentais do escritor são relembrados por Salgueiro como uma das coisas marcantes em seu “contato” com ele. Em sua leitura, a dimensão autobiográfica, mesmo que como projeção, norteia a narrativa do literato. Pode-se considerar, então, que os textos e comentários sobre sua morte compõem o leque das diferentes maneiras de exibição do autor.
O portal de notícias, Sinal Verde Caxias, também informou sobre a morte do literato, estampando a manchete Morre escritor O. G. Rego de Carvalho. No ensejo, a página fez um tópico, intitulado de Biografia do Escritor. Como o nome sugere, apresentou-se um resumo biográfico, mencionando desde o nascimento e suas principais obras e ações.
Prestar homenagem ao escritor, na ocasião de seu falecimento, é o momento de demonstrar sensibilidade com a perda. Mas é, também, espaço para mais uma linha de escrita e crítica sobre ele e sua obra. Sua biografia parece ser retomada com o sentido de
“definitiva”, visto que a morte seria o marco indiscutível da finitude humana. Nesse ensejo,
o também literato e crítico, Francisco Miguel de Moura destacou que
Orlando Geraldo Rego de Carvalho morreu na madrugada de 9 de novembro deste 2013. O escritor O. G. Rego de Carvalho, como assinava, vai demorar muito. Só não será eterno porque não há eternidade nesta vida. Como escreveu São Francisco de Assis, “é morrendo que se vive para a vida eterna”. O. G. Rego de Carvalho, sem ser poeta no sentido de versejador, deixou-nos a bela poesia de seus romances e contos, cada vez mais sofridos e tão musicais porque vindos do fundo da alma. Nasceu em Oeiras, aos 25 de janeiro de 1930, em família tradicional da antiga capital do Piauí, cuja cidade, nos antanhos, tinha o costume de construir cada casa com um quarto já reservado aos loucos. Porém continua e continuará sendo a cidade também dos músicos e letrados, cidade da inteligência e da tradição, a cuja tradição O. G. Rego pertence.118
Francisco Miguel de Moura recorre às lembranças de seu contato com o escritor, para, talvez, não se restringir às informações genéricas, tais quais feitas pelos jornais. Ele
pretende, de maneira assumida e proposital, “prestar uma homenagem” e, para isso, recorre
às memórias que evoca de seu relacionamento com o escritor. Miguel de Moura assim o
118
MOURA, Francisco Miguel de. O. G. Rego de Carvalho. Letra e Música. Disponível em: <http://poetaelmar.blogspot.com.br/2013/11/o-g-rego-de-carvalho-letra-e-musica.html>. Acesso em: 29 nov. 2013.
faz quase que reconhecendo que “Fazemos apelo aos testemunhos para fortalecer ou
debilitar, mas também para completar, o que sabemos de um evento do qual já estamos
informados de alguma forma”119. Por isso, ele prefira os detalhes da amizade:
E como não é da cidade que vamos tratar, voltemos esta homenagem a nossa amizade, nossa admiração. Conhecia-o de leitura, antes de aqui chegar. Era outubro de 1964. Ele viera do Rio de Janeiro, onde exercia relevante função na Direção Geral do Banco do Brasil. E eu aqui chegava, vindo da Bahia. Alguns dias ou semanas depois houve o nosso encontro, já então colegas, no Banco do Brasil. Restabelecida sua saúde, a qual tinha sido abalada pelo esforço dispendido para terminar “Rio
subterrâneo” – “minha obra prima”, dizia, já pensava escrever o
romance “A maçã partida”. A partir dali, já trabalhando no Banco do Brasil, na Agência de Teresina, onde permanecemos até a aposentadoria, convivemos estes anos todos, na melhor harmonia, não obstante o árduo trabalho daquela empresa. E eu bebia de sua experiência de vida e arte, enfim de sua sábia inteligência, a quem sou grato, muito grato. Tenho orgulho de chamá-lo de meu colega, amigo e mestre.
O. G. Rego de Carvalho nunca interferiu no trabalho que sabia eu estar fazendo na Faculdade Católica de Filosofia do Piauí – a famosa FAFI, ovo e estrela na Universidade que se formava. Depois de pronto o meu “Linguagem e comunicação em O. G. Rego de Carvalho” foi que o mostrei e ele demostrou alegria, satisfação e surpresa. Ambos nos comportamos, também como se previa, com a liberdade dos comunicadores, seja na imprensa, na literatura, na crítica, no romance, na poesia.120
O texto de Miguel de Moura retoma o contato relativamente próximo e íntimo que manteve com o escritor, o que se apresenta como um indício de informação legitimadora que o credencia a falar para além da obra de seu confrade. Para tal, escreve em cores de memória:
Coincidentemente fomos morar de frente um para o outro. Casas construídas sem combinação prévia, cujas habitações ficavam (e ficam, pois ainda estão de pé) à Rua 13 de Maio, zona Centro-Norte. Íamos para o trabalho caminhando... Era costume parar um pouco na Livraria DILERTEC, ou do Nobre, onde batíamos um papo gostoso e descontraído: chegando, entrando, comprando ou apenas lendo e discutindo. As nossas casas foram construídas ao mesmo tempo. E à tardinha ou nos dias santos e feriados nos freqüentávamos para um “papinho” sem compromisso ou para pedir uma sugestão – opinião que,
119
HALBWACHS, Maurice. Memória coletiva. São Paulo: Vértice, 1990, p. 25.
120 MOURA, Francisco Miguel de. O. G. Rego de Carvalho. Letra e Música. Disponível em:
<http://poetaelmar.blogspot.com.br/2013/11/o-g-rego-de-carvalho-letra-e-musica.html>. Acesso em: 29 nov. 2013.
em seu caso, nem sempre valia. Mais valia a de antes, recebida de sua mãezinha. Já no meu caso era diferente, um discípulo sempre é influenciado por seu mestre. O gosto da conversa era ótimo e consolidava