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5. Model Development
5.3 Historical Freight Rate Analysis
Sem dúvida, Rokeach foi bastante influente no estudo dos valores em psicologia, entretanto, foi por meio de pesquisas transculturais realizadas por Shalon H. Schwartz e seus colaboradores que aconteceu a revitalização do estudo deste construto, tornando-se, atualmente, um dos temas principais em psicologia social. Desde o final dos anos 1980, seu modelo tem sido o principal referente no campo de estudos dos valores humanos.
Schwartz buscava definir uma tipologia dos valores que primava pela universalidade, ou seja, buscava demonstrar sua validade intra e inter-cultural (Schwartz, 2006). Para este autor, é consensual, na literatura, o conceito de valor como uma crença pertencente a fins desejáveis ou à forma de comportamentos, que transcendem situações específicas, que guia as ações humanas e se ordena por sua
63 importância com relação a outros valores (Schwartz, 1992, 2006; Schwartz & Bilsky, 1987, 1990).
Contudo, Schwartz (2006) assume como limitação o fato de que, apesar da utilidade desta definição para diferenciar os valores de outros construtos, a exemplo de necessidades e atitudes, ela não trata do conteúdo substancial e da estrutura dos valores. Afirma, ainda, que a identificação da estrutura das relações entre os valores permite avançar no estudo das associações entre valores, tomados isoladamente, e outras variáveis e, também, com o sistema de todos os valores.
Este autor define os valores como metas desejáveis e transsituacionais, que variam em importância, que servem como princípio na vida de uma pessoa ou de outra entidade social (Schwartz, 2006). Em decorrência desta definição, conjetura que a existência do ser humano se baseia em três tipos motivacionais primordiais: (1) necessidades biológicas do organismo, garantindo a sobrevivência; (2) necessidades de regulação das interações sociais; e (3) necessidades sócio-institucionais de bem-estar e sobrevivência grupal (Mangabeira, 2002).
Schwartz (1994, 2006) propõe uma estrutura composta por dez tipos motivacionais, nos quais todo e qualquer valor humano encontraria sua representação, independente da cultura em que se encontre. A seguir, apresentam-se os tipos motivacionais, com marcadores valorativos (valores específicos) entre parênteses:
1. Autodireção: busca da independência do pensamento e ação, envolvendo escolhas, criatividade e exploração (por exemplo, criatividade, independente, liberdade).
2. Estimulação: busca de excitação, novidades e mudanças na vida (ser atrevido, uma vida excitante, uma vida variada).
64 4. Realização: demonstração de sucesso pessoal e competência de acordo com os padrões sociais (ambicioso, capaz, obter êxito).
5. Poder: busca de status social e prestígio, controle ou domínio sobre as pessoas e recursos (autoridade, poder social, riqueza).
6. Segurança: busca de segurança, harmonia e estabilidade da sociedade, dos relacionamentos e de si mesmo (ordem social, segurança familiar, segurança nacional). 7. Conformidade: restrições das ações, impulsos e inclinações que violam as expectativas e normas sociais (autodisciplina, bons modos, obediência).
8. Tradição: busca do respeito, compromisso e aceitação dos costumes e ideias impostos pela cultura ou religião (devoto, honra aos pais e mais velhos, humilde, respeito pela tradição, vida espiritual).
9. Benevolência: busca e preservação do bem-estar das pessoas com quem se mantem relações de intimidade (ajudando, honesto, não-rancoroso, ter sentido na vida).
10. Universalismo: busca da compreensão, tolerância, aceitação e bem-estar de todos, além da proteção e preservação dos recursos naturais (aberto, amizade, verdadeira, igualdade, justiça social, protetor do meio ambiente, sabedoria, um mundo em paz, um mundo de beleza).
De forma mais resumida e ilustrativa, os dez tipos motivacionais de Schwartz (2006) podem ser vistos na Tabela 2, a seguir.
65 Tabela 2. Tipos motivacionais de Schwartz (1994, 2006)
Tipo motivacional Valores Fontes
Autodireção Criatividade; Curiosidade; Liberdade Organismo; Interação Estimulação Ousadia; Vida variada; Vida excitante Organismo
Hedonismo Prazer; Apreciar a vida Organismo
Realização Bem sucedido; Capaz; Ambicioso Interação; Grupo Poder Poder social; Autoridade; Riqueza Interação; Grupo Segurança Segurança nacional; Ordem social; Limpo Organismo; Interação; Grupo Conformidade Bons modos; Obediente; Honra os pais e os mais velhos Interação
Tradição Humilde; Devoto Grupo
Benevolência Prestativo; Honesto; Não rancoroso Organismo; Interação; Grupo Universalismo Tolerância; Justiça social; Igualdade; Proteção do meio ambiente Grupo; Organismo
Para esta teoria, há inter-relações estreitas entre os tipos motivacionais (hipótese da estrutura). Adicionalmente, Schwartz (1992) afirma que, ao agir tomando um dos valores como meta, as consequências práticas, psicológicas ou sociais podem ser compatíveis ou até conflitantes com algum outro valor que se encalce. Este modelo de organização e dinâmica entre os tipos motivacionais foi proposto por Schwartz no final dos anos 1980 (Schwartz & Bilsky, 1987), podendo ser observado na Figura 3.
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Figura 3. Estrutura bidimensional dos tipos motivacionais (adaptado de Schwartz, 2006)
Nesta figura, é sugerido o padrão de conflitos e compatibilidade, em que os tipos conflitantes estão em direções opostas, tomando como referência o centro do círculo, enquanto os compatíveis estão em posições adjacentes. Por exemplo, os seguintes pares são considerados como tendo compatibilidade: poder / realização; realização / hedonismo; hedonismo / estimulação; estimulação / autodireção; autodireção/ universalismo; universalismo / benevolência; benevolência / conformidade;
67 conformidade / tradição; tradição / segurança; segurança / poder e segurança / conformidade.
Esta estrutura, adicionalmente, apresenta bipolaridade de dimensões. Assim, uma dimensão, localizada no eixo horizontal, seria formada pela oposição entre abertura à mudança (compatibilidade entre os tipos motivacionais autodireção e estimulação), que enfatiza a independência e o favorecimento da mudança, e a conservação (tradição, conformidade e segurança), em que é focada a estabilidade pessoal, a submissão e a manutenção das tradições. A segunda dimensão, na vertical, é composta pela oposição de autotranscedência (universalismo e benevolência), que enfatiza a superação dos próprios interesses, em função do bem-estar dos outros, e a autopromoção (poder e realização), que focaliza a busca de poder e sucesso.
A teoria dos valores de Schwartz e seus colaboradores, ainda hoje, é a que possui maior repercussão no mundo acadêmico. É usada na realização de muitas pesquisas em Psicologia Social. Entretanto, recebe algumas críticas por parte de diversos autores (Gouveia, 1998; Molpeceres, 1994; Waege, Billiet, & Pleysier, 2000). Tais críticas são baseadas, principalmente, na falta de uma base teórica subjacente à origem dos valores propostos por ele, além da técnica estatística empregada por Schwartz. Gouveia (2003) também acentua que a ideia de conflitos dos valores não é compatível com a concepção do desejável, evidenciando ambiguidade de um modelo de ser humano adotado por este autor.
Neste sentido, procurando contar com um modelo teórico axiomatizado que tivesse em conta contribuições prévias, mas pudesse ser maximamente parcimonioso, Gouveia e seus colaboradores propuseram a Teoria funcionalista dos valores humanos (Gouveia, 1998, 2003; Gouveia et al., 2008, 2011). Como previamente foi comentada, a ênfase desta dissertação é em relação a esta teoria, tendo em vista que ela tem sido o marco de
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referências de muitos estudos empíricos relacionados com comportamentos sociais (Aquino, 2009; Cavalcanti, 2009; Coelho, 2009; Coelho Junior, 2001; Diniz, 2009; Medeiros, 2008; Pimentel, 2004; Santos, 2008; Vasconcelos, 2004). Tais aspectos justificaram considerá-la como a teoria de valores foco da presente dissertação. Neste sentido, demanda-se considerá-la mais detidamente a seguir.