3 Historicising design, designing history
3.2 The heritage from art history
As variáveis de resposta utilizadas foram as referidas no capítulo anterior, isto é, os internamentos diários nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) cujo diagnóstico principal tenha sido EAM. Para o presente capítulo, foram utilizadas como variáveis de resposta o total da população, homens e mulheres de todas as faixas etárias e a população idosa, ou seja com idade igual ou superior a 65 anos (Quadro 3.1).
Código grupo etário escala
HM Todas as idades total diário de internamentos
≥65 superior ou igual a 65 anos total diário de internamentos
Quadro 3. 1 -‐Indicadores de saúde -‐ variáveis de resposta incluídas na modelação Fonte: elaboração própria através da base de dados dos GDH
Outros indicadores de saúde foram também utilizados nos modelos, não como variáveis de resposta, mas como variáveis explicativas. Neste caso, foi incluída na análise informação que, de certo modo, represente a incidência das perturbações respiratórias sazonais. A inclusão deste tipo de informação tem vindo a ser consensual em estudos análogos e pretende ter em consideração alguns aspectos sazonais da saúde que possam ajudar a explicar a variação dos internamentos por EAM (Finelli e Chaves, 2011; Warren-‐Gash et al., 2011).
Assim, foi recolhida a informação sobre o número diário de internamentos por gripe e pneumonia nos hospitais públicos em Portugal Continental para o período de 2003-‐2007 (Quadro 3.2) correspondentes aos códigos 480 e 488 da nona revisão da tabulação internacional das doenças (CID9).
Código Variável Unidade Escala
GRIPE Internamentos por gripe/pneumonia
CID9 480-‐488 Número de internamentos total diário
Quadro 3. 2 -‐ Indicadores de saúde -‐ variáveis explicativas incluídas na modelação Fonte: elaboração própria através da base de dados dos GDH
As variáveis meteorológicas foram registadas na principal estação meteorológica do Distrito, que se assume como representativa desta unidade territorial. Embora se considere desejável ter informação mais detalhada do que a do Distrito, na medida em que uma estação meteorológica pode não traduzir as particularidades locais desse mesmo Distrito,
optou-‐se por se recorrer a esta unidade espacial devido à necessidade de obter informação meteorológica disponível, capaz de representar as condições meteorológicas regionais ou de mesoescala dos locais estudados. Neste caso, optou-‐se por se usar as estações da rede automática do Instituto de Meteorologia, tendo sido usadas no presente estudo as estações meteorológicas de Aeroporto/Pedras Rubras, para o Porto, e de Aeroporto/Gago Coutinho, para Lisboa (Quadro 3.3).
Código Nome Concelho Coordenadas (lat/long) Altitude
08545 Pedras Rubras Porto 41º14N / 8º41W 77 m
08579 Gago Coutinho Lisboa 38º46N / 9º08W 104 m
Quadro 3. 3 -‐ Estações meteorológicas usadas
Fonte: elaboração própria através da base de dados do NOAA/OGIMET
Todos os dados meteorológicos foram cedidos pelo NOAA – National Oceanic and
Atmospheric Administration, e descarregados através de uma plataforma de disponibilização
de dados em regime open source, disponibilizado pelo serviço meteorológico espanhol (OGIMET).
Foi recolhida informação sobre as temperaturas máximas, mínimas e médias do ar, humidade relativa do ar, pressão atmosférica e nebulosidade, tendo algumas destas variáveis sido trabalhadas de forma a criar variáveis secundárias, tais como a amplitude térmica diária, e o grau de arrefecimento do ar. Foi, ainda, calculada a variável dias frios, considerando como os dias em que a temperatura máxima diária é inferior ao percentil 10 do período de referência 1961-‐90 (Mendes, 2008). Para a modelação, foi construída uma variável dummy relativa à presença dos dias frios.
Com base na informação meteorológica obtida foi calculado um índice de conforto
Physiological Equivalent Temperature (Höppe, 1999), com recurso ao software Rayman 1.2
(Matzarakis et al., 2007), disponibilizado pela Universidade de Friburgo, Alemanha.
O Physiological Equivalent Temperature (PET) é um índice de conforto térmico estacionário, que se expressa em graus centígrados, e que foi desenvolvido com base no modelo do balanço energético do corpo humano e da atmosfera (Modelo MEMI). O PET indica a sensação térmica apreendida pelos indivíduos e que está associada ao esforço termoregulatório do corpo humano. Assim, tanto os valores mais elevados como os mais reduzidos de PET indiciam um maior desconforto, na medida em que revelam um esforço termoregulatório acrescido (Quadro 3.4).
O PET foi calculado com os valores da temperatura média, humidade relativa e nebulosidade. Os outros elementos da equação do balanço energético são estimados a partir dos valores padrão para as áreas estudadas (Lisboa e Porto). O PET foi estimado para as características dos indivíduos habitualmente usados e predefinidos pelo programa, neste caso para um indivíduo do sexo masculino, que se encontre de pé em movimento (correspondente a uma produção metabólica de calor equivalente a 80 W/m2) e assumindo
um vestuário de 0.9 clo (as unidades clo expressam o isolamento térmico do vestuário e, regra geral, 1.0 clo corresponde a um pessoa vestida com um fato completo).
PET (ºC) Percepção térmica Esforço termoregulatório
< 4 Muito Frio Esforço extremo
4.1-‐8.0 Frio Esforço elevado
8.1-‐13.0 Fresco Esforço moderado
13.1-‐18.0 Ligeiramente fresco Esforço ligeiro
18.1-‐23.0 Confortável Ausência de esforço
23.1-‐29.0 Ligeiramente quente Esforço ligeiro
29.1-‐35.0 Quente Esforço moderado
35.1-‐41.0 Muito quente Esforço elevado
> 41.0 Extremamente quente Esforço extremo
Quadro 3. 4 -‐ PET e o correspondente esforço termoregulatório Fonte: adaptado de Andrade, 2003 e de Matzarakis et al, 2007
Por fim, foram recolhidos dados sobre a qualidade do ar, através da rede de medição da qualidade do ar da Agência Portuguesa do Ambiente, tendo sido recolhida a informação referente às partículas inaláveis de diâmetro inferior a 10µm (PM10). A razão para a selecção deste poluente está associada ao seu impacto na incidência de doenças cardiovasculares (Schwartz e Morris, 1995). Deste modo, foi recolhida informação sobre a média horária de PM10 e, com base nessa informação, calculada a média diária (Quadro 3.5).
Código Variável Unidade Escala
Amp Amplitude térmica graus centígrados média diária
Arrefecimento Arrefecimento do ar graus centígrados média diária
Dias frios Dias em que a Tmax < P10 (61/90) Variável dummy binária
HR Humidade relativa percentagem média diária
Max Temperatura máxima do ar graus centígrados média diária
Med Temperatura média do ar graus centígrados média diária
Min Temperatura mínima do ar graus centígrados média diária
Oct Nebulosidade Oitavos média diária
P Pressão atmosférica hectopascais média diária
PET Physiological Equivalent Temperature graus centígrados média diária
PM10 Partículas inferiores a 10 µm micrograma/metro cúbico média diária
Quadro 3. 5 -‐ Variáveis ambientais incluídas na modelação. Fonte: elaboração própria através da base de dados do NOAA/OGIMET e Agência do Portuguesa do Ambiente
Diversos estudos têm apontado para a existência de algumas variáveis de aspecto temporal que agem como variáveis explicativas de confundimento e/ou modificadoras, isto é, capazes de provocar enviesamento na relação entre a mortalidade e exposição a factores ambientais, tais como factores de sazonalidade ou de tendência da série (Ballester et al., 1997; Cao et al., 2009). Neste sentido, foram construídas algumas variáveis binárias ou dummy referentes ao
dia da semana e aos dias de feriado. As variáveis dia da semana e feriado identificam os dias
de semana versus dias de fim-‐de-‐semana e os dias de feriado versus restantes dias do ano. Foi ainda considerada como variável referente ao controlo temporal a tendência da série. Neste sentido foi recolhida a informação referida na Quadro 3.6.
Código Variável Unidade Escala
Feriado Feriado Variável dummy binária
FS Fim-‐de-‐semana Variável dummy binária
TEND Dia da série Dia 1-‐1826
Quadro 3. 6 -‐ Variáveis de controlo temporal Fonte: elaboração própria