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Del III Utvikling av forsvarssektoren

12.3 Helhetlig innretning av

A urinanálise é um exame complementar de extrema importância no diagnóstico de CAD, pois fornece uma ampla variedade de informações em simultâneo, incluindo, a presença de glicosúria e cetonúria. A cetonúria permite diagnosticar CD ou CAD, que deve ser diferenciada por outros meios de diagnóstico (Feldman & Nelson, 2004).

A utilização de testes semiquantitativos era um dos métodos tradicionais de diagnóstico para deteção de corpos cetónicos, observando-se esta prática tanto em Medicina Humana, como em Medicina Veterinária (Laffel, 1999; Feldman & Nelson, 2004). No entanto, publicações recentes têm realçado a importância da avaliação dos corpos cetónicos, através da utilização de soro ou plasma nas tiras destinadas à urianálise (medição da cetonémia), ou por outros métodos considerados mais precisos (DiTommaso et al., 2009; Zeugswetter & Pagitz, 2009). A utilização de plasma sanguíneo nas tiras de urina torna-se particularmente importante em animais com oligúria por IR, ou naqueles cuja bexiga não é palpável ao exame físico, ou ainda em situações de emergência clínica, em que é imprescindível um rápido diagnóstico (Boag, 2012). Em condições normais, existe um rácio relativamente estável entre o AcAc e o BHB (1:1). Com o agravamento da CAD, nomeadamente da hipóxia tecidual e da acidose metabólica, o rácio BHB:AcAc pode variar entre 3:1 a 20:1 (Li, Lee, MacGillivray, Schaefer & Siegel, 1980; Laffel, 1999). No entanto, é importante salientar que as tiras de urina baseiam-

se numa reação do nitroprussiato, que deteta unicamente o AcAc, mas não o BHB que, na presença de hipoperfusão e choque, é produzido em maiores quantidades, comparativamente ao AcAc (Goldstein et al., 2004; Boag, 2012). Apesar da maioria dos estudos se referir ao BHB, como o corpo cetónico em maior concentração na CAD, um estudo recente sugere que o AcAc em canídeos com CAD pode estar em maior concentração que o BHB (Durocher, 2008). Contudo, não é comum desenvolver-se CAD sem aumento do AcAc, uma vez que, à medida que a CAD se estabelece, o BHB é metabolizado a AcAc, e a concentração de cetonúria detetada pelas tiras de urina começa substancialmente a ser superior (Nelson & Couto, 2009; Boag, 2012). Esta alteração explica o paradoxo clínico presente quando, numa fase inicial, as tiras de urina não revelam a presença de cetonúria, mas após o 2º ou 3º dia de tratamento, se confirma a positividade da cetonúria, independentemente das melhorias clínicas. Por este motivo, na abordagem inicial, a dose de insulina a administrar deverá depender, essencialmente, dos valores de glicémia (Shaer, 2010). Portanto, uma hipercetonémia grave pode ser subestimada ou, até mesmo, não detetada, se apenas for medida a concentração de AcAc sérica, através das tiras de urina (Weingart, Lotz & Kohn, 2012). Além disso, as tiras de urina recorrem a um diagnóstico visual qualitativo e subjetivo, sujeito a erros de interpretação (Foreback, 1997). É ainda importante referir que, recorrendo à utilização de uma amostra de urina, os resultados deste teste podem também ser falseados, na presença de outros fármacos na urina, quando a tira foi exposta ao ar durante um longo período de tempo, entre outros exemplos (Csako, 1987; Feldman & Nelson, 2004).

Por todas as limitações já referidas, atualmente, tanto em Medicina Humana, como em Medicina Veterinária, são aconselhados os métodos de doseamento de BHB sanguíneo, preferencialmente através da utilização de um aparelho portátil, facilitando um rápido diagnóstico, bem como a monitorização da CAD. No entanto, a grande desvantagem é o facto de este equipamento não estar ainda disponível em todos os estabelecimentos clínicos e o envio de uma amostra para análise laboratorial não permitir um rápido diagnóstico (Duarte et al., 2002; Di Tomasso et al., 2009; Aroch, Shechter-Polak & Segev, 2012; Weingart, Lotz & Kohn, 2012; Zeugswetter & Rebuzzi, 2012). Em Medicina Humana, a medição sérica de BHB evidenciou benefícios em termos de redução do tempo de internamento, de custos associados ao tratamento da CAD e uma resolução da cetose mais precoce (Klocker, Phelan, Twigg & Craig). Contudo, é de salientar que o diagnóstico de CAD não se define pelo resultado de um único exame complementar (Duarte et al., 2002; Di Tomasso et al., 2009).

Outro parâmetro a considerar na urinanálise é a avaliação da densidade urinária (DU), bem como do sedimento. Geralmente, a DU encontrada num indivíduo com CAD revela valores iguais ou superiores a 1.030 (Mazzaferro & Ford, 2012). Na presença de azotémia, a DU é normalmente usada para avaliar se a origem da azotémia é renal ou pré-renal. Uma DU inferior a 1020 pode sugerir doença renal primária ou presença de doença concomitante que favoreça a diabetes insípida nefrogénica secundária, como no hiperadrenocorticismo (HAC).

Porém, a medição da DU apresenta algumas limitações em animais com CAD. Por exemplo, quando se recorre ao refratómetro, a presença de glicosúria pode aumentar o valor da DU Para glicosúria de 2% ou 4+ na tira de urina, a DU aumenta em cerca de 0,008 a 0,010. Além disso, independentemente da função renal intrínseca, devido à presença de diurese osmótica, há uma tendência para hipo- ou isostenúria (Feldman & Nelson, 2004; Boag, 2012).

A presença de proteinúria pode estar relacionada com a infeção do trato urinário (ITU) ou com alteração glomerular, pelo que a avaliação do rácio proteína:creatinina urinária (UPC) ajuda a determinar a sua importância (Feldman & Nelson, 2004).

Por último, considerando a frequência elevada de ITU em pacientes diabéticos, é recomendável a realização de uma urocultura (Feldman & Nelson, 2004; Boag, 2012). Bruskiewicz e seus colaboradores (1997) observaram que 4 de 24 felídeos com CAD, apresentaram crescimento bacteriano na amostra de urina recolhida por cistocentese. Num estudo realizado em 127 cães com CAD, Hume e seus colaboradores (2006) verificaram que, perante a avaliação microscópica do sedimento urinário, a maioria dos canídeos com CAD apresentavam menos de 5 leucócitos/campo e 20% dos cães que realizaram urocultura revelaram crescimento de bactérias aeróbias. Neste contexto, a Escherichia coli foi a bactéria mais frequentemente encontrada (em 38% dos cães com resultado da urocultura positiva). Face à reduzida frequência de crescimento bacteriano, Hess (2009) sugere que estes valores sejam o resultado da imunossupressão característica da DM e da diminuição da capacidade de mobilização de leucócitos para o local da infeção.