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4. KORT OVERSIKT OVER DRIFTS- OG YRKESSTRUKTUREN I JORDBRUKET

4.1. Hele landet

Sim. Eu sabia fazer gráfico, mas adquiri conhecimentos das variedades dos gráficos e suas interpretações.

Maria diz que tomou conhecimento das “variedades dos gráficos”, como se ela estivesse falando de diversos tipos de representações gráficas. No entanto, até aquele momento, os professores haviam explorado nas oficinas dois tipos de representações que o Tabletop oferece: o gráfico de freqüência e o gráfico de dupla entrada. Mas talvez, a possibilidade de utilizar essas duas representações para construir diferentes gráficos de um mesmo conjunto de dados é que deve ter feito com que ela tivesse a impressão de ter visto uma variedade de gráficos. Ao comentarmos sobre sua resposta Maria revelou:

Maria: gráfico eu sempre fiz... quer dizer, fui secretária de escola,

já trabalhei muito com gráfico entende? Mas assim... trabalhei com 4a série também ensinando a fazer gráfico... então, aqueles

gráficos simples né!

Pesq: de barra? Maria: é de barra.

Esse foi o único momento da entrevista que Maria comentou especificamente a respeito dos conhecimentos matemáticos envolvidos nessa pesquisa. A maior parte da entrevista ficou voltada para o uso do computador,

pois era o fator que despertava maior interesse e curiosidade para Maria nesse momento inicial como pode ser visto a seguir.

b) P er s pect iva da T ecnologia

Uma das coisas que mais chamava a atenção de Maria e a deixava entusiasmada para participar desse trabalho era o uso do computador. A essa ferramenta ela referia-se sempre de forma positiva, deixando claro que aprender a usar o computador e utilizá-lo na sala de aula era uma forma de “atualização” no ensino. Ela usava o termo atualização porque estava sendo introduzido o uso do computador em uma escola pública, o que pra ela era pouco comum. Logo quando comentamos a primeira pergunta do roteiro, Maria usou esse termo:

Maria:...é que nas escolas estaduais, eu só conheço uma que tem

sala de informática, as outras nenhuma tem, quer dizer, não está tendo atualização nas escolas estaduais e nas particulares deve estar acontecendo isso...

Percebemos nessa fala o quanto ela está considerando importante a escola possuir uma sala de informática. Como o projeto que estava sendo desenvolvido nessa escola e era financiado pela FAPESP, ela passou a ter uma sala de informática com 11 computadores, que nesse primeiro momento estavam sendo utilizados pelos professores durante as oficinas semanais. Maria considerava isso um privilégio e tinha consciência que poucas escolas estaduais possuíam essas condições. Ao mesmo tempo, Maria reconheceu que utilizar essa tecnologia seria de certa forma um desafio para muitos professores da escola. Ela mesma, em vários momentos da entrevista revelou sentimentos de medo e de desafio ao mesmo tempo:

Maria: e está tendo também assim... rejeição por parte de alguns

Pesq: não... durante os encontros a gente não está sentindo... Maria: porque tem gente, como eu, que tem medo do

computador... (risos)... só que eu vou com tudo!

Em um outro momento:

Pesq: você acha que está mudando alguma coisa em seu

currículo?

Maria: por enquanto não porque eu estou apavorada! (risos)...

mas vai mudar, lógico! Eu me inscrevi mais por causa do curso... eu queria, eu tenho vontade de fazer um curso de computação entende? Mas eu não tinha peito!

Pode-se perceber com essa fala que embora Maria já estivesse participando das oficinas semanais na escola, cerca de uns dois meses aproximadamente, para ela o computador ainda era algo novo que ela estava familiarizando-se. Foram declarações desse tipo que fizeram com que eu definisse que nossos primeiros encontros individuais seriam dedicados à familiarização com a máquina, desde operações básicas como ligar e desligar o computador até o uso do Tabletop. Senti que era preciso investir nesse sentido, pois se ela não perdesse o “medo da máquina” ela ficaria presa a entraves com o software que ao invés de ajudar no ensino e na aprendizagem de coleta e organização de dados, estariam atrapalhando. A seguir apresento dois fragmentos da entrevista em que Maria declara como se sente por não saber utilizar o computador, com receio de que isso prejudique seu desempenho no decorrer da pesquisa:

Maria: (...) eu dou aula pra um angolano... (risos)... ah, que

humilhação! (...) o irmãozinho estava na casa dele ontem, não sabe nem ler nem escrever e estava lá no computador! Ah! (risos)... eu que sei ler e escrever tenho medo disso aí! (risos)

(...) não sei não... eu estou com medo de não fazer jus! De não está a altura disso aí! Se eu não tiver você fala tá!

(...) eu estou apavorada!!!

Embora Maria apresentasse esses sentimentos em relação ao uso do computador, ela o via de forma positiva e reconhecia que seu uso traria bons resultados, tanto para os professores como para os alunos. Nas suas respostas escritas e nos comentários orais ela falava sobre os benefícios que as oficinas já estavam proporcionando aos professores. Maria referia-se a uma maior integração entre eles depois do uso dos computadores nas oficinas. Quando perguntei a respeito dessa integração ela disse:

Maria: é que as professoras são muito separadas uma das outras,

muito individualistas, então trabalhar em grupo, em dupla...

Além dessa integração dos professores, pode-se perceber, que Maria considerava que a entrada da tecnologia na escola poderia trazer grandes benefícios tanto para os professores como para os alunos de uma forma geral. Essa visão positiva do uso da tecnologia na escola pode ser vista em alguns trechos das suas respostas escritas também: