6 UNDERSØKELSE 1: KVANTITATIV EFFEKT AV MORSMÅLET
6.2 Hele GB-korpuset
De acordo com os conceitos descritos no Capítulo 2, o presente estudo utilizou como base metodológica a análise da atividade, método da Ergonomia da Atividade, para a compreensão do trabalho dos comissários de bordo. Foram utilizados os instrumentos relacionados à análise da atividade, e incorporados aos conceitos da teoria da atividade.
Para a Ergonomia da Atividade, a atividade não se limita às funções de modo isolado, mas deve considerar os comportamentos e raciocínios na situação real de trabalho. Assim, leva-se em conta a globalidade da situação e não apenas os postos de trabalhos, máquinas e ferramentas. O foco da análise então deixa de ser o trabalhador para ser a atividade contextualizada. Dessa forma, a análise só pode acontecer no próprio ambiente de trabalho, quando a atividade é realizada (MONTMOLLIN, 1998).
Com objetivo de alcançar a compreensão do trabalho de forma global, a Ergonomia da Atividade utiliza como método central a Análise Ergonômica da Atividade (AET). A AET é uma abordagem metodológica estruturada em várias etapas, mantendo a coerência interna, e permite questionar os resultados ao longo da análise. Na AET as hipóteses são construídas, validadas ou refutadas ao longo da investigação. Para a realização deste método, utilizam-se técnicas distintas dependentes das situações analisadas, sendo que as observações globais e sistemáticas são elementos centrais da análise. Outros instrumentos como entrevistas e questionários também podem ser adotados (ABRAHÃO et al, 2009).
Segundo Guérin et al (2001), o processo da análise ergonômica é iniciado pela demanda e se desenvolve ao longo da ação. O autor propõe algumas fases que compõem o método e auxiliam no entendimento do trabalho, que direcionam a ação ergonômica. A primeira fase se refere à análise da demanda, que se reformula no decorrer da análise. Antes de analisar a situação de trabalho, é necessária a análise do funcionamento da empresa. Nesta etapa, são analisados documentos da empresa e desenvolvidas conversas com os diferentes atores, para a construção da hipótese de nível um sobre as dificuldades e sobre as margens de manobras para a transformação. Na fase seguinte são iniciadas as observações abertas para a compreensão dos processos técnicos e as tarefas dos operadores. Durante as observações, devem ser avaliados os constrangimentos, as atividades desenvolvidas e as consequências das atividades para a saúde e produção. É possível então a formulação da hipótese do nível dois. A partir desta hipótese, são planejadas as observações para demonstrar a hipótese formulada. A partir das observações e interações com os operadores, é formulado então o diagnóstico, para a compreensão das dificuldades e direcionamento da transformação. Estas etapas da análise ergonômica estão demonstradas na Figura 23.
Observações globais da atividade (observações abertas)
Figura 23- Etapas da análise ergonômica do trabalho.
Fonte: Adaptada de Guérin et al. (2001).
As fases da análise segundo o modelo não são necessariamente lineares. Durante a análise, pode ser necessária a revisão da etapa anterior frente aos achados na situação de trabalho. Portanto, a avaliação da situação de trabalho durante a sua realização é fator fundamental para a AET (ABRAHÃO et al., 2009).
Para o entendimento do trabalho, as observações globais e sistemáticas são peças fundamentais da AET. Nas observações globais, o objetivo é analisar o contexto geral de trabalho, para a compreensão dos fatores de forma ampla e direcionar as observações sistemáticas. Já as observações sistemáticas se referem à análise de uma situação selecionada que seja relevante para demonstração da hipótese formulada. As observações sistemáticas são realizadas durante a atividade de trabalho, sendo possível observar gestos, posturas, relação com dispositivo técnico, comunicações, entre outros. Assim, nesta etapa considera-se a análise da atividade e as variáveis usuais coletadas são: localização e deslocamentos; exploração visual; comunicações; posturas; ações;
Análise da demanda e do contexto, reformulação da demanda Exploração do funcionamento da empresa e de seus traços
Hipóteses de nível 1: escolha das situações a analisar
Análise do processo técnico e das tarefas
Formulação de um pré-diagnóstico Hipóteses de nível 2 Definição de um plano de observação Observações sistemáticas Tratamento dos dados Validação
Diagnóstico global e local
Interação com os operadores, papel das entrevistas e das verbalizações
verbalizações; instrumentos e outras técnicas; e ambiente físico (ABRAHÃO et al., 2009).
A diferença entre a análise do trabalho e a análise da atividade é destacada por Daniellou (2004). O autor considera a análise da atividade como aquela referente aos comportamentos, condutas, processos cognitivos e interações realizadas pelo trabalhador durante a atividade. É a análise das estratégias, como por exemplo a regulação, usadas pelo trabalhador para reduzir a distância entre o prescrito e o real. Já a análise do trabalho, onde a análise da atividade está inserida, apresenta uma abordagem mais global, e é composta por fatores econômicos, técnicos e sociais. A análise da atividade é um instrumento para a compreensão do comportamento humano, mas não é exclusiva da Ergonomia, ao passo que a análise ergonômica do trabalho (AET) é o instrumento central da ação ergonômica.
Após a análise das observações sistemáticas, é necessária uma avaliação por parte dos trabalhadores envolvidos na análise, referente aos dados obtidos. Esta técnica permite que o trabalhador consiga explicitar todas as ações empreendidas (ABRAHÃO et al, 2009). A compreensão das escolhas do modo operatório se torna possível pela auto-confrontação, ou seja, pela verbalização do trabalhador sobre os aspectos mentais da atividade, que não podem ser observados. Esta etapa é de fundamental importância para a validação dos resultados obtidos na análise (GUÉRIN et al., 2001).