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Araújo (2013), que buscou sintetizar fatos históricos, publicações de grande relevância e alguns nomes que são marcos para a Arquivologia, podem ser assim brevemente descritas:

Quadro 2: Correntes Arquivísticas e seus objetos de estudo na Arquivologia CORRENTES

ARQUIVÍSTICAS

PRINCÍPIOS Pensamento

Funcionalista

Percebiam o arquivo como um organismo vivo, dinâmico e ativo. Queriam obter novos métodos de organização sem considerar com isso que o arquivo fosse estanque; as atividades de avaliação

dos documentos passou a ser mais criteriosa, assim como os métodos para guarda permanente e eliminação, sendo mais considerado o teor informacional do que um acúmulo de massa de documentos. Os valores primários e secundários de Schellenberg e a gestão documental tem papel importantíssimo neste momento da Arquivologia e até os dias atuais.

Destaques Hillary Jenkinson (1922); Eugenio Casanova (1928); Phillip Brooks (1940) e T. R. Schellenberg (1956).

Pensamento Crítico

Criada a partir da crítica à corrente que antecedeu e ao paradigma patrimonialista, esse pensamento começou a expor questionamentos que rompiam com o positivismo que imperava na Arquivologia. Os arquivos deveriam ser observados, de acordo com essa corrente, como objeto de poder, pois detinham informações importantes e por isso o contexto do documento não poderia ser descartado; questionava-se também a postura/prática dos arquivistas, que estes tivessem mais autonomia sobre suas ações no ambiente de trabalho, pois estas refletiam em grande importância e não apenas questões meramente técnicas. Destacam-se os trabalhos de Montgomery (1995), Harris (2007) e Caswell (2010).

Destaques Bautier (1961); Terry Cook (1994); García Gutiérrez (2008); Cita- se também a UNESCO e sua participação nas discussões sobre políticas de informação.

Perspectiva dos Sujeitos

Como o próprio nome diz, nesta corrente foi defendido o estudo de usuários no ambiente dos arquivos. Aqui os pesquisadores defendiam que os arquivos, seus documentos, métodos e técnicas de representar e recuperar a informação deveria ser baseada nas necessidades e uso dos usuários, que este sujeito deveria ser o fundamento para o desenvolvimento das atividades do arquivo de maneira geral.

Destaques Taylor (1984); Dearstyne (1987); Cox (1992); Dowler (1988;1992); Pugh (1992); Wilson (1995); Delsalle (2000); Silva (2011).

Estudos sobre Representação

Estudos realizados considerando a complexidade de se representar as informações dos Arquivos em seus mais diversos suportes, incluindo os documentos em meio digital e os respectivos meios que subsidiassem a recuperação. A partir deste momento foram sendo criadas normas de padronização arquivística com intuito de facilitar o desenvolvimento de tais atividades.

Destaques Manual dos Holandeses: Müller, Feith e Fruin (1898); Manual de Táscon (1960); Manual de Tanodi (1961); T. R. Schellenberg (1961, 1973); Duranti (1989); Dollar (1992); Eastwood (1995).9

9 Nos estudos sobre representação não poderíamos deixar de mencionar três grandes contribuições: a questão dos manuais que se basearam na AACR2 (Anglo-American Cataloguing Rules), que resultou nas Rules for Archival Description, criada no Canadá pelas Associações de Arquivistas tanto do Canadá quanto de Quebec. Nos Estados Unidos a adaptação do MARC (Machine Readable Cataloguing) para uso em Arquivos, o MARC ACM (Archival and Manuscripts Control) e na Inglaterra cita-se o Manual of Archival Description, sob a orientação de Michael Cook. (ARAÚJO, 2013).

Perspectiva Contemporânea

Tem-se neste item as atuais correntes arquivísticas. A de origem francesa, italiana e espanhola chamada de tradicional; a records

management ou gestão documental americana e por fim a arquivística integrada, que é canadense. A corrente tradicional

trata dos arquivos históricos, e a questão complexa da eliminação de documentos considerados importantes; a corrente americana

(records management) defende que pode se fazer um trabalho

de gestão junto aos documentos desde sua fase primeira, ganhado tempo e eficácia no desenvolvimento das atividades no arquivo. Já a corrente arquivística canadense, denominada

integrada, reúne aspectos tanto do pensamento crítico quanto da

perspectiva dos sujeitos, considerando as políticas de informação e o acesso dos usuários. Mas o princípio de proveniência impera nesta corrente.

Destaques T. R. Schellenberg (1973), Ducharme e Rousseau (1980); Rousseau e Couture (1982; 1998).

Fonte: Elaborado pela autora com base no texto de Araújo (2013).

Analisando estas correntes de pensamento, percebe-se a mudança na observação do objeto de estudo da Arquivologia, a medida que está evolui enquanto disciplina/campo do conhecimento. Há uma preocupação primeira com os critérios de guarda e o acúmulo de documentos, seguido do questionamento de o que e como guardar, perpassando sobre para quem e porque, e finalmente como representar a informação para recuperá-la, independentemente do suporte e para qualquer um que necessite das informações dispostas no Arquivo e em seus documentos.

Sobre as correntes que se apresentam na atualidade Silva (2013, p. 35, grifo nosso) assevera que “[...] a tradição clássica está embrionariamente ligada às unidades administrativas, essas estruturas que atualmente parecem fazer parte do cotidiano da Arquivologia.”

Zammataro (2013, p. 358, grifo nosso) explica sobre a Arquivologia tradicional ou clássica:

Os princípios da teoria arquivística clássica [...] derivou das experiências pessoais de arquivistas no final do século XIX. Esses autores trabalhavam como custodiadores de arquivos institucionais de governos, onde os documentos eram criados pelo Estado e para servir ao Estado. Esses princípios foram articulados, primeiramente, no manual holandês de 1898 e influenciaram posteriormente, autores como Hillary Jenkinson, além de Eugenio Casanova e Theodore

Schellenberg.

complementa sobre o método de organização documental desta: “[...]centraliza-se na administração, no documento em si, então, não percebia o teor informacional que aquele documento poderia oferecer servindo em grande parte para a pesquisa através da ligação com a História.”

Como contraponto, tem-se a corrente arquivística pós-moderna ou pós- custodial, defendida e disseminada pelo canadense Terry Cook (FONSECA, 2005), como sendo:

[...] a disciplina em uma perspectiva científica e redimensionada no campo da Ciência da Informação e, de modo distinto à Arquivologia Clássica, define como o seu objeto a informação arquivística. Considera todo o processo de criação dos documentos, bem como o local em que foi criado e todos os sujeitos envolvidos em sua criação. Nesse novo paradigma os documentos de arquivo tornam-se dinâmicos em detrimento de uma visão estática sobre estes. (ZAMMATARO, 2013, p. 360).

Não podemos, contudo, dizer que estamos sobre a égide de determinada corrente, pois todas elas contribuíram e ainda o fazem para todo o ser arquivístico, mas considerando o Arquivo público no qual desenvolvemos a pesquisa, a corrente americana nos prestou grande colaboração com suas ideias e representantes, cita- se a teoria das três idades e T. R. Schellenberg.

Assim como os paradigmas informacionais (CAPURRO, 2003), as correntes arquivísticas em muito contribuíram para uma maior amplitude no campo de visão do que poderia e deveria ser estudado na Arquivologia. Todos esses aspectos de guarda, representação, descrição, técnicas, normalizações, manuais, instrumentos de auxílio para descrição de documentos, acesso e uso dos documentos pelos usuários formam a Arquivologia e não apenas correntes que tratam dela. É preciso compreender o momento histórico de cada uma delas para assim compreender que determinado aspecto não foi deixado em segundo plano, mas naquele instante era o mais latente a ser observado e estudado.

Consideramos como demasiado importante para a área cada ponto, cada discussão, cada publicação de manuais e normas, desde que estes considerem o arquivo como sendo “cada vez mais caracterizado como um sistema de informação, e o objeto de estudo da Arquivologia, como a informação arquivística.” (ARAÚJO, 2013, p. 78).