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Har siktede rett til å få dokumenter i saken oversatt skriftlig?

In document TOLK OG OVERSETTELSE I STRAFFESAKER (sider 83-86)

10. Skriftlig oversettelse

10.2. Har siktede rett til å få dokumenter i saken oversatt skriftlig?

Foi um operário Americano, que num rápido processo de mobilidade social ascendente se viria a tornar engenheiro, Frederick Winslow Taylor (1856-1915), quem primeiro teorizou sobre as organizações modernas, neste caso, as empresas capitalistas.

Na sua obra principal “The principles of scientific management” que data de 1911, este autor propõe que se organize racionalmente o trabalho a partir de princípios cientificamente elaborados.

Nesta sua proposta da “organização científica do trabalho” dizia-nos que este deveria obedecer a alguns princípios fundamentais tais como: uma divisão vertical do trabalho, com uma nítida separação entre a concepção e a execução do mesmo, em que à direcção caberia coordenar e determinar as condições de trabalho, que deveriam ser racionalizadas até a eficiência óptima, para que só coubesse aos operários a sua execução.

A direcção deveria proceder a uma escolha científica dos executantes segundo a máxima “The right man on the right place”, definindo exactamente as tarefas de cada um dos subordinados.

Dever-se-ia assim procurar a única melhor maneira de proceder (o célebre princípio de “the one best way”) para que não existissem “desperdícios” e para que se conseguisse obter o máximo de produtividade possível.

A preocupação obsessiva com o estudo e a selecção científica do trabalho, com o aperfeiçoamento total dos tempos e movimentos exigidos para um máximo de eficácia com o menor esforço possível, a divisão das tarefas a um processo máximo de simplificação e especialização, a progressiva estandardização da divisão do trabalho; tudo deveria ser aperfeiçoado ao pormenor com o objectivo de uma máxima racionalização do processo produtivo em direcção a uma eficácia máxima, que geraria uma crescente produtividade que defendia Taylor seria do interesse tanto dos conceptores como dos executores, promovendo uma visão unitária da empresa e a eliminação dos conflitos nas organizações modernas capitalistas.

A visão do trabalhador em Taylor é a de um actor social que se orienta por uma racionalidade absoluta característica do “homo oeconomicus” e por uma visão mecanicista do mundo social, onde se tratava simplesmente de adaptar o homem à máquina.

Henry Fayol insere-se neste movimento de reflexão sobre as organizações, embora se tivesse preocupado mais com as questões da administração/direcção das organizações empresariais.

Na sua obra de referencia publicada em 1916, “Administration Industrielle et

Generale”, elege como foco de análise privilegiado as componentes estruturais e

funcionais essenciais para o funcionamento das empresas.

Para este autor existem seis unidades estruturais com funções específicas: - Funções técnicas (produção, fabrico, transformação);

- Funções comerciais (compras, vendas, permutas): - Funções financeiras (procura e gestão de capitais); - Funções de segurança (protecção de pessoas e bens);

- Funções de contabilidade (inventários, balanços, estatísticas); e por fim as

- Funções administrativas (previsão, organização, direcção, coordenação e controlo). Fayol atribui uma especial importância às funções administrativas das empresas defendendo que qualquer administrador deveria conhecer, dominar e aplicar de forma racional as cinco funções de administração que delineou.

- Planeamento, organização, comando, coordenação e controlo. Como refere Ferreira

“O sentido analítico de Henry Fayol relativamente aos princípios gerais de administração centrou- se na necessidade de descobrir leis de caracter geral que possibilitassem aplicar, com a maior racionalidade e flexibilidade possíveis as diferentes funções da administração. Tratou-se de dar a conhecer um conjunto de princípios básicos que deveriam corporizar-se num conjunto de orientações e ensinamentos identificados com a coordenação, a integração e o controlo do comportamento humano no seio das organizações” (Ferreira et all, 1999:16).

Numa rápida análise da escola primária facilmente poderíamos encontrar algumas características defendidas pelos seguidores da abordagem da organização científica do trabalho.

Aspectos como a estandardização dos espaços e dos tempos escolares, das pedagogias, dos critérios de avaliação universalmente admitidos, o toque de entrada e saída, de que alguns autores assinalam a analogia com o toque da fábrica Taylorista, a especialização e a fragmentação dos saberes, são aspectos, cujas semelhanças com o que propuseram os teóricos seguidores das abordagens das organizações não se pode descurar.

Vejamos o que nos diz a este respeito Alvin Toffler na sua obra “A Terceira Vaga” sobre a educação em “massa” que o autor caracterizou no que denomina de “Segunda

Vaga”;

“Estruturada segundo o modelo da fábrica, a educação em massa ensinava escrita, leitura e aritmética básicas, um pouco de História e outras matérias. Este era o curriculum “descoberto”. Mas sobre ele encontrava-se um curriculum “invisível” ou “encoberto” muito mais fundamental. Consistia - e ainda consiste em muitas Nações industriais - em três cursos: - um de pontualidade, outro de obediência, e outro de trabalho de rotina, repetitivo. O trabalho fabril requeria trabalhadores que chegassem a tempo, especialmente gente para as linhas de montagem. Requeria trabalhadores que aceitassem ordens sem as questionar, uma hierarquia gestora. E requeria homens e mulheres preparados para mourejarem em máquinas ou em escritórios, a desempenhar operações brutalmente repetitivas” (Toffler, 1984:33).

Para este autor a família nuclear e a escola faziam parte de um único sistema integrado para a preparação de jovens para desempenharem papéis na sociedade industrial.

Mas se existem traços típicos dos modelos organizacionais defendidos por Taylor para as organizações da esfera económica, as organizações escolares terão certamente traços que a distinguem dos acima referidos.

Neste sentido se pronuncia Margarida Brandão quando assinala que;

“De facto, a escola de interesse público e a organização de fins lucrativos diferem entre si pela origem dos seus orçamentos (uma depende das políticas educativas, outra das vendas) e pela forma de orientação e controlo (uma serve a política do estado em função do grau de centralização, outra, o cliente e o mercado)”. (Brandão:1999)

Também neste sentido se pronuncia João Formosinho, para quem a escola de interesse público se caracteriza do ponto de vista sociológico pela sua dimensão societária, pela sua dimensão escola projecto de sociedade; do ponto de vista jurídico- administrativo caracteriza-se por estar sujeita a controlo público e à tutela do Estado. A escola de interesse público não sendo uma organização de clientela, não depende para sobreviver da sua eficácia (Formosinho in Brandão:22).

Para este mesmo autor na escola de interesse público a educação é, além de formal, sistemática e sequencial, geralmente certificada por um título ou grau, realizada num processo de contacto pessoal directo e prolongado entre educadores e educandos e está sujeita a controlo público.

Para Duru-Bella e Van Zanten (1999) para quem a adequação à análise do estabelecimento escolar dos quadros conceptuais construídos para apreender estruturas tais como as organizações burocráticas, ou as “instituições totalitárias”, é problemática, a escola aparece como uma organização original em que:

- A relação professor-aluno constitui a unidade de base, o nível classe, ou a fortiori do estabelecimento, só existe através de um trabalho de construção específica; - Os constrangimentos de tempo são muito fortes, dominados pelo ritmo cíclico do

ano escolar, que torna difícil a acumulação de uma experiência colectiva.

- A estrutura hierárquica é desconectada da actividade “técnica” (a administração não exerce supervisão directa sobre o trabalho pedagógico dos professores); a actividade “técnica” é ela mesma desconectada dos seus efeitos (os professores não têm muita informação sobre a qualidade da sua “produção”, portanto da sua própria eficácia).

Estes autores citando Derouet (1988) chamam a atenção para algumas consequências da especificidade das organizações escolares;

“Puisque ni les contraintes hiérarchiques ni les arguments tecniques ne peuvent emporter les décisions, la construction d’un “contrat social” entre les acteurs s’impose. Il faut définir de qu’on considérera, localement, comme l’intérêt collectif, et se mettre d’accord sur ce qu’il est possible de faire ensemble, avec les moyens dont on dispose. La réalisation, laborieuse, de cet accorde suppose un compromis entre des visions différentes de l’école. Pour les uns, elle est avant tout un service public, et la justice est définie par la conformité à l’intérêt général; d’autres valorisent plus les relations maîtres-élèves et l’individualisation de l’enseignement; d’autres enfin soulignent que l’école est soumise, comme l’ensemble de la société, à des exigences de performance et d’efficacité. Pour que l’établissement puisse fonctionner, il faut pour un temps suspendre les affrontements entre ces conceptions, et en ce sens, l’établissement apparaît comme un “montage composite entre des registres d’actions qui se référent à des principes de légitimité différents et souvent antagonistes” (Derouet

citado por Duru-Bela e Zanten,1999:113).

A Organização Científica do Trabalho com a sua ênfase na “única melhor maneira” viria a ser duramente criticada uma vez que trouxe consigo uma visão demasiado redutora do comportamento humano nas organizações.

A concepção maquinal do homo sapiens quase reduzida à unidimensionalidade do homo oeconomicus viria a cair em descrença com as “disfunções” que se vieram a passar nas fábricas, algumas das quais bastantes bem retractadas em Tempos Modernos por Charlie Chaplin.

A escola das “relações humanas” nos anos 30 a partir da experiência de Hawthorne, vem pôr em relevo a importância do “factor humano” nas organizações.

1.2. A descoberta da importância do “informal” para a compreensão das

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