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Handelsstatistikken, hvorledes den utarbeides i Sverige

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17. Handelsstatistikken, hvorledes den utarbeides i Sverige

Em tempos modernos, no auge do desenvolvimento da sociedade burguesa e do modo de produção capitalista, onde “[...] o sistema subsumido totalmente ao capital” e a barbárie capitalista “omnilateral e polifacética” impera (NETTO, 2010, p. 31), a vida em sociedade é predominante e peremptoriamente regida pela lógica do capital e as relações e inter-relações sociais se apresentam em sua quase totalidade coisificadas e reificadas.

Numa analogia ao filme Tempos Modernos, de Charles Chaplin, podemos juntamente com ele fazer uma crítica feroz ao processo acelerado de “modernização” e da industrialização/robótica na sociedade globalizada, mostrando como o operário, ou ser social, é constantemente engolido e subjugado pelo capitalismo, tornando-se apêndice das máquinas (NALLE JUNIOR, 2009).

Essas reflexões introdutórias não tem o objetivo de apresentar uma pesquisa rigorosa, mas sim demonstrar como o nosso cotidiano está constantemente sendo bombardeado por acontecimentos que de uma forma ou outra afetam o nosso viver, mesmo não sendo necessariamente percebido por nós.

Para exemplificar estas colocações, nos apropriamos de algumas manchetes corriqueiras da atualidade para apontar o estágio atual da Humanidade e alguns dos principais problemas, em nível mundial, que tem afetado, direta ou indiretamente, o cotidiano mundial75.

Estas referências nos trazem um exemplo concreto de que fatos corriqueiros do cotidiano simples de algumas pessoas, lugares ou circunstâncias, às vezes sem a menor importância para muitos/as, podem repercutir em várias vidas, nas mais extremas localidades do mundo.

Para uma averiguação desse assunto, sugerimos a projeção cinematográfica

Babel. O filme foi lançado no Brasil em 2007, numa produção de Alejandro González

Inárritu. A história gira em torno de um Rifle que atravessa o mundo, desencadeando uma série de acontecimentos significativos para muitas vidas, pessoas, culturas e países diferentes: Marrocos, Estados Unidos, Japão e México.

Outro exemplo é o filme Crash: no limite, lançado em 2005 e dirigido por Paul Haggis, que apresenta também uma série de situações em cadeia, geradas pelo preconceito e pela discriminação étnico-sociais e que traz trágicas consequências na vida de muitas pessoas que, aparentemente, não estavam ligadas entre si.

Mas, para sair do universo cinematográfico e entrar no mundo real, tão bem analisado pelo Prof. Dr. José Paulo Netto, no texto Uma face contemporânea da

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Estas manchetes e acontecimentos referem-se ao momento-presente e em relação à construção dessa dissertação, ou seja, acontecimentos relativos aos anos de 2011 e 2012, principalmente as manchetes da primeira metade do ano de 2012 quando este item foi escrito. Nossa intenção é demonstrar que o cotidiano é muito mais que o dia-a-dia. A escolha dessas manchetes não implica numa intencionalidade, poderíamos aqui colocar qualquer manchete de qualquer tempo-presente. Nossa inspiração tem com referência as análises de Lefebvre (1991) quando debruçou sobre manchetes e periódicos do dia 16 de junho de um ano do início do século XX para explicar sua teoria. Não foi nossa intenção fazer a mesma coisa que Lefebvre, mas sim, demonstrar que fatos corriqueiros podem alterar a vida de pessoas que aparentemente nada tem haver com determinados acontecimentos.

barbárie (NETTO, 2010), e nos textos de vários autores conhecidos mundialmente e

que foram compilados no livro OCCUPY: movimentos de protesto que tomaram as

ruas, publicado pela editora Boitempo (HARVEY, 2012), trazem de cara uma

pequena amostra do que vem acontecendo na sociedade, nos dias atuais e, sem sombra de dúvida, refletem, de alguma forma ou de outra, na vida da população mundial. Dois anos se passaram e a efervescência da Primavera Árabe ainda continua a borbulhar.

Em entrevista a Caros Amigos (2012, p. 20-22), Leila Paulani, professora de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo (USP) faz uma análise de conjuntura da crise atual. Mesmo com o seu posicionamento pessimista/reformista, selecionamos alguns trechos que nos parecem ser relevantes: Leila aponta que as crises atuais estão relacionadas à “[...] transformação na forma como o capitalismo está se desenvolvendo, aquilo que alguns economistas chamam de financeirização76do processo capitalista” (NAGOYA, 2012, p. 20).

[...] Desde as décadas de 1970 a1980, a riqueza financeira cresceu em uma velocidade muito rápida e começou a determinar uma série de transformações, sendo a principal delas a ascensão do neoliberalismo. [...] Um crescimento ainda mais rápido da riqueza financeira. (LEILA apud NAGOYA, 2012, p. 20).

Leila destaca que dos anos de 1980 para cá, mundialmente falando, acompanhamos constantes crises financeiras: “[...] não se fica três ou quatro anos sem enfrentar uma. [...] Não teremos mais paz econômica, vamos viver experimentando crises de tempos em tempos”. Também aponta que a crise de 2008 nos Estados Unidos, trouxe consequências para o Brasil, pois o crescimento econômico que vinha despontando, caiu vertiginosamente - de 5% a 6%, caiu para 0,3% ao ano, porém, para ela, o Brasil tem hoje uma “[...] situação relativamente confortável, do ponto de vista financeiro” (idem, p. 20-21).

Outro ponto a ser enfatizado é em relação à China que, para ela, “[...] é uma grande incógnita, porque depende dela mesma e dos dirigentes chineses” que vem aproveitando da situação de crise e investindo especulativamente em diversos

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Para Leila Paulani (apud NAGOYA, 2012, p. 20) a financeirização “produz uma regime onde a renda produzida é muito baixa, porem, é um sistema rentista, que depende da geração de produtos e de renda para poder extrair o lucro, então é uma contradição muito complicada”.

países do mundo. É sabido que a força-de-trabalho na China é explorada ao máximo (idem, ibidem).

Ao se referir ao Brasil, aponta para um crescimento na área das políticas compensatórias, de crédito e de regulação dos juros, o que tem aumentado o poderia econômico da “classe C” e do consumo.

É notório que as políticas de combate a pobreza no Brasil, controvérsias à parte, tem sido analisadas como populistas, de “assistencialização economicista”77, apesar de alguns avanços. Para finalizar, Leila acredita que “[...] a tendência é que, de tempos em tempos, o mundo passe por crises” (idem, ibidem).

Com relação as questões ecológicas que, de certa maneira, afetam diretamente a vida do planeta, Sandra Quinteiro, economista do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul – PACS e representante da Rede Jubileu Sul Américas, faz uma análise sobre os resultados da RIO+20, grande evento realizado na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, de 15 a 22 de junho de 2012.

Sandra destaca que a “Cúpula dos Povos”, conferência que reuniu cerca de 200 delegações dos mais diversos países para discutir as questões ambientais não apresentou resultados satisfatórios: “[...] o documento foi tão rebaixado que, de fato, o que sai daqui fortalecido não é o multilateralismo, mas o poder corporativo” (SÁ; JÚNIA, 2012, p. 36), e concluiu que:

[...] a Cúpula dos Povos foi anticapitalista. É urgente e necessária a criação de uma novo modelo, minha gente. Não dá, o capitalismo está nos matando, está colocando a vida sob o júdice do lucro. O lucro está acima da vida e de qualquer racionalidade. As áreas que estão preservadas, que estão nas mãos hoje das populações tradicionais do sul, estão sendo mercantilizadas por mecanismos como o mercado do carbono. A Cúpula conseguiu se manifestar contra tudo isso, é uma grande vitória política num momento de muito dissenso e desarticulação. Em um momento também de muita captura corporativa, de grandes ONGs, parte de alguns movimentos que estão no campo e nas florestas ainda um pouco seduzidos pela ideia do pagamento de serviços ambientais e outras coisas mais, mas eu acredito que com a Cúpula isso vai mudar. (idem, ibidem).

O processo de industrialização, mercantilização, globalização e do capitalismo monopolista e financeiro, sobretudo, no que diz respeito à

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Não nos cabe aqui defender ou refutar qualquer classificação ou análise das políticas públicas brasileiras na área da Assistência Social, como nas demais áreas, apenas estão apontando alguns resultados críticos que já aparecem no cenário acadêmico. Em nossa opinião, há verdades e mitos nessa questão, porém, não é a temática a ser estudada nessa dissertação.

competitividade, à imediaticidade78 à lucratividade na e da vida social, são características constitutivas do individualismo exacerbado e violento e da reificação da vida humana.

Lembrando Heller:

[...] temos que imaginar uma sociedade em que todos os homens, com maiores ou menores convicções morais e só com um common sense, podem lograr uma vida digna de homens sobre a base da liberdade, da fraternidade e da igualdade social. [...] Que é realmente a revolução se não a transformação profunda da vida dos homens? (HELLER, 1982b, p. 120- 121)79.

O quadro que se apresenta, não inclui problemas somente de natureza política, econômica, social e cultural, como também de caráter ético-moral. Estas palavras de Heller em outros momentos e contexto histórico parecem ecoar significativamente nos dias atuais.

Apesar do pessimismo de alguns, do fatalismo de outros, ou mesmo de algumas ações particulares contra exploração e reificação da vida humana, ainda assim, torna-se necessário e tão somente uma revolução radical, conforme os apontamentos hellerianos, no sentido de ter uma vida verdadeiramente humana e, quiçá, podermos finalmente alterar este quadro caótico.

Também gostaríamos de destacar os últimos acontecimentos na Síria, região característica dos regimes totalitários, extremistas e fundamentalistas. Protestos pós-democráticos iniciados em março de 2011, tem gerado uma onda de violência e morte naquela região, sob o comando do presidente Bashar Al-Assad. O número de vítimas tem passado da casa dos 3.800, sendo, na maioria, civis. Estes nos parecem remeter aos dias vividos por Heller nos anos de 1940 a 1970 na Hungria.

A crise econômica europeia, desde 2011, também tem gerado um clima de descontentamento geral naquele continente e, por sua vez, vem repercutindo mundo afora, deixando um rasto de trinta milhões de pessoas no limite entre a “classe

média” e a pobreza. Uma situação contraditória para uma região que historicamente se afirma como “o primeiro mundo” em todos os sentidos.

78 Entende-se por imediaticidade ao agir humano enquanto resposta ativa e imediata aos acontecimentos do cotidiano, ou seja, “o padrão de comportamento próprio da cotidianidade é a relação direta entre pensamento e ação; a conduta específica da cotidianidade é a conduta imediata, sem a qual os automatismos e o espontaneísmo necessário à reprodução do indivíduo enquanto tal seriam inviáveis”. (NETTO; CARVALHO, 2010, p. 67). Grifos do autor.

Da Índia e da África é corriqueiro recebermos notícias sobre a situação de penúria e miséria, onde a vida humana, muitas vezes, é reduzida à condições desumanas. Por outro lado, deparamo-nos com a situação social antagônica de Dubai, um exemplo típico dos extremos entre a riqueza excessiva e a miséria relativa.

Ainda na África, para escapar da miséria subumana, “jovens ugandenses”80 são recrutados pelos Estados Unidos como reforço do aparato de guerra. Os negros, para não morrerem de fome no seu país, se dispõem a trocarem de lugar com os “combatentes patriotas americanos” que historicamente alimentaram o mercado de Hollywood, já que estes não mais valoram o sentimento de “amor à pátria”. Lembra- nos bem o filme O jardineiro fiel81.

O movimento Occupy, uma verdadeira reação que eclodiu, simultânea e contagiosamente, sob a forma de movimentos sociais, rebeliões e protestos em 2011, teve suas primeiras manifestações na África e se espalhou rapidamente para a Tunísia, Egito, Líbia, Iêmen, Espanha, Grécia, Londres, Chile, Estados Unidos e Rússia, com algumas expressões no Brasil.

Este movimento foi uma resposta dos/as indignados/as, numa verdadeira amostra de consciência solidária aos acontecimentos que tem estourado em várias partes do mundo desde a aurora do século XXI.

Tais acontecimentos nos parecem reportar aos idos de 1968, na Primavera de

Praga, a qual Heller descreve com profundo sentimento de coletivismo, solidarismo e

patriotismo. É possível reverter os acontecimentos, porém, ao invés de termos uma “massa” politicamente dissensiosa e desorganizada, precisamos de um movimento organizado: “[...] a alma carece de pré-história”82.

Esta vulnerabilidade da condição humana, individual e coletiva, reflete o elevado preço que muitas vezes se paga pelas questões meramente formais e de interesses privados ou em nome das convenções sociais. Assim, “[...] o peso da vida está em toda forma de opressão” (KUNDERA, 2007).

No Paraguai, pelo que indicaram as notícias, a deposição do presidente Fernando Lugo, no dia 22 de junho de 2012, foi um golpe de Estado, comparado ao

80 Matéria veiculada no jornal Le Monde Diplomatique – Brasil, ano 05, nº 06, julho de 2012, tendo como título Soldados africanos para guerras norte-americanas (VICKY, 2012, p. 21-23).

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Filme dirigido por Fernando Meirelles, em 2005, aborda, dentre outras temáticas, as experiências com os primeiros medicamentos contra o vírus da AIDS no Quênia, África.

de Hitler na Alemanha em 1936, que apenas favoreceu os interesses dos grandes latifundiários do país (ZINET; MONCAU, 2012, 10-13). Lembrando Heller, “[...] Não é a bondade humana que transforma a sociedade, mas sim contrainstituições as que transformam os homens e a sociedade”83.

Vale ainda destacar a situação do ensino no Brasil que tem afetado significativa e principalmente a formação educacional e profissional. A Educação tem-se transformado nos últimos tempos num mercado altamente rentável, onde tanto o ensino, quanto a educação estão a serviço do capital.

Nesse sentido, no âmbito do Serviço Social, o conjunto CFESS/CRESS – Conselho Federal de Serviço Social e Conselhos Regionais de Serviço Social -, juntamente com outros sujeitos coletivos, tem se posicionado e lutado contra o ensino mercadológico e notoriamente precarizado, em prol da educação de qualidade.

Dados emitidos pelo CFESS84 revelam que “[...] no Brasil o investimento público direto em educação, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), é de 5% e, desses, apenas 0,7% é investido no ensino superior” e ainda, de acordo “[...] com dados do artigo Mercantilização do ensino superior, educação à distância e Serviço

Social, publicado em 2009, pela professora da Universidade Federal Fluminense

(UFF), Larissa Dahmer, dos 332 cursos de Serviço Social existentes no Brasil, mais de 205 (61,7%) foram autorizados a funcionar entre os anos de 2003 e 2009, sendo 91,7% de natureza privada” (CFESS, 2012).

A situação em relação aos outros cursos é igual ou pior. Ainda, o mais tinhoso descaramento não poderia ser demonstrado nas instituições de ensino instaladas e espalhadas pelo Brasil em shopping centers, comprovando vergonhosamente, que a educação se tornou “artigo de vitrine” e que deve se adequar aos apelos do capital e do mercado.

Concordamos com Netto (2010) ao sinalizar que a “questão social” não sofreu mudanças, mas sim, as formas de sua expressão, em grande medida, se modificaram.

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HELLER, 1982b, p. 163. Grifos do tradutor.

84 Manifesto emitido pelo CFESS em comemoração ao Dia do/a Assistente Social e lançamento da campanha Serviço Social de olhos abertos para a educação: ensino público de qualidade é direito de

todos/as. Disponível em: http://www.cfess.org.br/arquivos/cfessmanifesta_diadoAS2012-site.pdf, Brasília, 15/05/2012.

Ainda, a forma de organização dos/as manifestantes, também implica novos formatos. Hoje o mundo é virtual, cibernético, o mundo do “silício – zeros e uns”. Estudos nessa área, tem demonstrado uma nova realidade e novas formas de organização dos movimentos sociais e das redes de movimento social85.

Esta pequena amostragem já demonstra a complexidade do nosso cotidiano e de qual realidade estamos referindo. Segundo Heller, pensamento e ação devem caminhar juntos na vida cotidiana.

[...] A transformação da vida cotidiana (quer dizer: das formas de vida) e de todas as instituições que reproduzem e fixam esta forma de vida só pode ter lugar inferior na guia de uma objetivação tal, que ofereça em si mesma uma nova forma de vida, mas não a que já existe, sim a utopia, o dever-ser. Por isso, que estamos insatisfeitos com a forma de vida dada, todos os que a querem transformar, hão de recorrer à filosofia como ideia reguladora de seu pensamento e de ação. Conscientemente, a necessidade da filosofia é em si mesma radical: pré-supondo que não consideremos o dado como uma necessidade, como um dado insuperável, mas que nos pré-dispomos a transformar. (HELLER, 1982b, p. 186).

Nessa ótica, a filosofia para Heller era concebida com uma filosofia radical e que deveria direcionar para uma determinada forma de vida e de sociedade. Um direcionamento para a formulação de uma teoria da e para a práxis social. A filosofia, para Heller, nada mais é do que uma vida reflexiva ou de uma reflexão da

vida cotidiana – uma Lebensphifosophic.

À primeira vista, quando nos detemos nesta fala de Heller, pensamos numa tal filosofia salvacionista, que espelhasse um humanismo cristão ou uma utopia aos moldes de Thomas Morus ou Campanella, por exemplo. Heller não se referia à filosofia clássica, mas sim, a uma filosofia de vida, tendo em vista que a sua própria filosofia foi construída sobre matrizes revolucionárias.

Heller - fazendo uso da liberdade em seu mais alto grau - optou por matrizes teóricas que expressassem esse movimento, essa dialética, essa historiografia, essa

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Para maiores detalhes sobre este assunto, destacamos as pesquisas e estudos encabeçados pela Profª. Drª. Ilse Scherer-Warren, pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina, assim como e outros/as pesquisadores/as desta temática. Recomendamos a leitura de: SCHERER- WARREN, Ilse; KRISCHKE, Paulo J. (org.). Uma Revolução no Cotidiano? Os novos movimentos sociais na América Latina. São Paulo: Brasiliense, 1987; SHERER-WARREN, Ilse. Redes de movimentos sociais. São Paulo: Loyola, 1993; ROSSIAUD, Jean; SHERER-WARREN, Ilse. A democratização inacabável: as memórias do futuro. Petrópolis: Vozes, 2000; SHERER-WARREN, Ilse; FERRERIA, José Maria Carvalho (org.). Transformações sociais e dilemas da globalização: um diálogo Brasil/Portugal. São Paulo: Cortez, 2002; SHERER-WARREN, Ilse; LÜCHMANN, Lígia Helena Hahn (org.). Movimentos sociais e participação: abordagens e experiências no /Brasil e na América Latina. Florianópolis: UFSC, 2011; GOHN, Maria da Glória. Movimentos Sociais e redes de mobilizações civis no Brasil contemporâneo. Petrópolis: Vozes, 2010.

totalidade, enfim, uma matriz que apresentava em si uma práxis revolucionária, que possibilitasse desenvolver a riqueza humana ou, em outras palavras, em desenvolver todas as “[...] faculdades materiais, psíquicas e espirituais adequadas ao gênero humano”86.

Não podemos deixar de esclarecer que a filosofia helleriana espelha uma filosofia, no sentido platônico, do “[...] uso do saber em proveito do homem” (ABBAGNANO, 2007, p. 514). Neste caso, primeiramente busca-se adquirir um determinado conhecimento que fosse ao mesmo tempo válido e o mais amplo possível.

A utilização desse conhecimento em favor dos seres vivos é que implicava na alteração da(s) situação(ões) que não contribua(iam) para o enriquecimento da “riqueza humano” ou da “essência humana”: “[...] toda filosofia oferece uma forma de vida; toda filosofia é a crítica de uma forma de vida e, ao mesmo tempo, sugestão de

uma outra forma de vida”87.

Esta pequena amostra, permite visualizarmos algumas situações do cotidiano atual no qual estamos inseridos. Enquanto tudo isso acontece, perguntamos: o que fazemos?

Buscando responder e finalizar estas exposições de forma bem cotidiana, nos apropriamos das palavras do músico e compositor brasileiro José Geraldo Juste (Zé Geraldo), para responder e resumir esta questão:

Enquanto esses comandantes loucos ficam por aí/ Queimando pestanas organizando suas batalhas/ Os guerrilheiros nas alcovas preparando na surdina suas Mortalhas/ A cada conflito mais escombros/ Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça/ Dando milho aos pombos / Entra ano, sai ano, cada vez fica mais difícil/ O pão, o arroz, o feijão, o aluguel/ Uma nova corrida do ouro/ O homem comprando da sociedade o seu papel/ Quando mais alto o cargo maior o rombo/ Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça/ Dando milho aos pombos.[...].

Diante de uma sociedade que parece uma “torre de babel” a ruir e desabar, a única coisa que os sujeitos sociais pensam, na maioria das vezes, é salvarem a si mesmo. Este individualismo exacerbado tem alimentado a mente de muitos/as, que não conseguem enxergar ou encontrar um projeto coletivo e revolucionário,

86 HELLER, 1983a, p.174. Grifos da autora. 87 HELLER, 1983a, p. 31. Grifos da autora.

consistente e coerente, que inspire para uma nova sociabilidade. Isto não quer dizer que estes não existem.

Nesse sentido, busca-se o sucesso individual, o bem-estar e a realização pessoal, onde o outro é visto como concorrente - rival ou inimigo. Estampa-se nas feições o horror ao fracasso.

Esta postura de indiferença às coisas mais comuns da vida cotidiana ou do indivíduo, faz com que os escândalos sociais e políticos, a grande quantidade de crimes e a violência em suas diversas expressões, as desumanidades, a sobrevivência, as expressões da questão social, enfim, a barbárie, se justifiquem ou caiam no relativismo e na sua naturalização, ou até mesmo num determinismo. Nas palavras de Viviane Mosé: “[...] talvez este seja o sinal para destruir aquilo que não temos coragem de transformar”88.

Nessa Babel do “salve-se quem puder!”, um número considerável de pessoas prefere estar alheios/as, ou deixa-se submeter aos “reflexos condicionadores”, ou seja, aos interesses e fetiche do capital e, por conseguinte, se alienam e estranham

de-si-mesmo.

Portanto, para que possamos pensar a problemática da reificação do ser

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