System Review
9.1. Experimental Setup
9.3.1. Hand Eye Calibration
3.3.1 Coleta de dados
3.3.1.1. Realização das filmagens
As situações de sala de aula a serem filmadas e a viabilidade de realização da análise das mesmas por meio do Protocolo de Pragmática (ANEXOS B e C) foram estabelecidas a partir da realização de um Estudo Piloto.
Primeiramente a pesquisadora solicitou à professora participante do Estudo Piloto, que indicasse atividades que incluem entre seus objetivos promover o desenvolvimento da linguagem oral dos alunos, ou seja, situações em que se espera que ocorram episódios de comunicação efetiva entre a professora e seus alunos e os horários em que ocorriam. Foram então realizadas duas filmagens da interação
da díade professora-aluno com TEA e posterior análise, por meio do referido instrumento. Inicialmente foi elucidado à professora que a realização das filmagens estava relacionada com o aluno com TEA, mas não foi informado que seriam observados, especificamente, episódios de interação e comunicação, para minimizar na medida do possível, eventuais efeitos dessa informação no comportamento da professora em relação ao aluno. As situações filmadas restringiram-se a atividades dentro da sala de aula, não sendo registradas, portanto, atividades em aulas de Educação física, horários de lanche ou as demais atividades extra-classe. Após o término das filmagens a pesquisadora esclareceu esses objetivos à professora que concordou com o uso das informações na pesquisa. A partir disso, foi observada a viabilidade da utilização do mesmo para avaliar o perfil comunicativo dos alunos com TEA durante a interação professor-aluno, em salas de ensino regular.
Após a realização do Estudo Piloto, foi realizado o mesmo procedimento com cada uma das 14 professoras participantes desta pesquisa. As filmagens foram realizadas pela própria pesquisadora, que não interagiu diretamente com os alunos ou com o professor, limitando-se a filmar as atividades em silêncio.
Embora seja indicado que uma amostra de 30 minutos de interação e a análise de 15 minutos da mesma seja suficiente para realizar análise do perfil comunicativo de crianças com TEA por meio do instrumento proposto (FERNANDES, 2002), foram realizadas duas filmagens devido à possibilidade de não ocorrerem situações passíveis de análise, da interação entre a professora e o aluno com TEA durante a realização de uma única filmagem.
Dessa forma, cada díade professora-aluno foi filmada duas vezes, no primeiro semestre do ano letivo, com intervalo de uma semana para cada filmagem. As atividades realizadas em sala que foram filmadas eram iguais na primeira e na segunda filmagem de cada díade, sendo que os 15 minutos iniciais de cada filmagem se constituíram em sessões fictícias de gravação, metodologicamente designados período de habituação para aluno e professora para dessensibilização quanto à presença da filmadora e do observador em sala de aula, durante as atividades escolares cotidianas e como recomenda Fernandes (2002) para a aplicação do protocolo de pragmática, foram analisados os 15 minutos finais de cada filmagem.
3.3.2. Registro e análise de dados
De acordo com Fernandes (2000), foram consideradas e registradas as ações comunicativas iniciadas pela criança e por seu interlocutor, a professora. Não são consideradas as respostas da criança à professora ou da professora à criança.
O procedimento específico para análise das filmagens constou dos seguintes passos (FERNANDES, 2000):
- Assistir cada filmagem inteira uma vez, observando a comunicação de ambos os interlocutores, quem toma mais iniciativas de comunicação, qual o foco de interesse mais nítido;
- Assistir novamente a filmagem, registrando e analisando os atos comunicativos de ambos os interlocutores no protocolo (ANEXO B);
- Assistir a filmagem uma outra vez para rever a análise realizada.
Foram transcritos para a ficha-síntese do perfil comunicativo (ANEXO C) os dados referentes à criança e ao professor da seguinte forma:
1. Número total de atos comunicativos expressos pela criança e pelo professor;
2. Número de atos comunicativos expressos por minutos pelos participantes; 3. Percentual de espaço comunicativo ocupado por cada participante (calculado em relação ao número total de atos comunicativos registrados);
4. Registro do número total de vezes em que cada função comunicativa foi expressa por um determinado meio comunicativo;
5. Cálculo do percentual de utilização de cada meio comunicativo em relação a cada função comunicativa;
6. Registro do número total de vezes em que cada meio comunicativo foi utilizado pelos participantes;
7. Cálculo do percentual de utilização de cada meio comunicativo em relação ao número total de atos comunicativos expressos pelos participantes.
Índice de concordância
Na verificação do índice de concordância dos dados referentes ao perfil comunicativo dos alunos, foi utilizado um procedimento empregado em outros estudos que fizeram uso do protocolo de pragmática para análise do perfil
comunicativo de indivíduos com TEA (por exemplo: MOLINI-ALVEJONAS, 2004; MISQUIATTI, 2006). Assim os aspectos do perfil comunicativo dos alunos foram analisados pela própria pesquisadora e 10% desses dados foram também avaliados por dois juízes com formação e experiência na área e no uso do instrumento de análise. Das 28 sessões de filmagem três foram selecionadas aleatoriamente, para a análise de cada juiz.
Para cada item do perfil comunicativo foi realizado o cálculo de concordância [100 - (n maior/ n menor)] x 100, obtendo o percentual (%) entre cada item. Esse procedimento foi repetido em todos os itens analisados e foi obtida a média de concordância. Na análise do perfil funcional da comunicação a concordância entre os juízes e a pesquisadora foi de 98,68% (APÊNDICE F).
Análise estatística dos dados
Os dados numérico-estatísticos foram apresentados por meio de médias, variações e desvios-padrão. Utilizaram-se também os seguintes testes estatísticos não paramétricos: para as comparações foram utilizados o Teste de Wilcoxon, o Teste de Friedman, o Teste de Mann-Whitney, a Prova de Fisher e a Prova de Kruskal-Wallis (SIEGEL, 1981). Na verificação das Correlações utilizou-se o Coeficiente de Spearman (SIEGEL, 1981). Em todos os testes estatísticos foi utilizada a medida descritiva P, adotando-se o nível crítico de significância de 5% (p