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HAEOULUS OG RAGGOVIDDA

In document Regjeringens hydrogenstrategi (sider 43-47)

Para Marteleto (2000, 2006), as redes sociais configuram as seguintes dimensões essenciais:

1. A dimensão propriamente social e comunicacional, que permite traçar os elos, as interações e as motivações dos atores em função do convívio (concreto ou virtual) e dos interesses e dos objetivos compartilhados.

2. A dimensão linguística e discursiva, na qual se observam os diferentes recursos cognitivos e informacionais que os atores acionam no compartilhamento de questões e em suas soluções.

3. A dimensão de produção de sentidos, que se visualiza quando os elementos interativos, comunicacionais, informacionais e cognitivos clareiam uma zona de encaminhamento das ações individuais e coletivas.

Assim, tomado como ferramenta de análise, a aplicabilidade do constructo de redes sociais se torna ainda maior, se pensado através dos questionamentos teóricos sobre fluxos de informação e conhecimento, na questão da gestão do conhecimento, do progressivo aumento do uso das tecnologias de informação e comunicação, dentre outros (Cogo e Dutra Brignol, 2011; Rocha & Alves, 2010), e com a extensibilidade à aquisição, ao processamento, ao armazenamento e à distribuição da informação nos meios eletrônicos (Gouveia, 2012).

Para Mercklé (2004 Cit. In. Marteleto 2010)

conceitos clássicos e tradicionais das Ciências Sociais, como sociabilidade, capital social, poder, autonomia e coesão social forneceriam os referenciais básicos para a compreensão da estrutura e do funcionamento das redes, conjugados com as medidas e com os conceitos próprios da análise de redes sociais. Dentre eles: densidade e conexividade, redes completas e redes pessoais, e redes densas e abertas.

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Dessa forma, as redes sociais podem se configurar de diferentes formas, dependendo dos aspectos envolvidos nos meios, nos atores que a constituem, no tratamento das informações, nas formas de contato e nos laços entre os sujeitos, etc. E a propósito das reflexões de Mercklé, não se pode perder de vista essas classificações nos aspectos metodológicos das pesquisas sobre redes sociais.

Como bem notou Raquel da Cunha Recuero (2006, p. 42), “tanto a análise de rede social quanto a ciência das redes são baseadas em premissas, desenvolvidas por teóricos referenciados por uma ou por outra abordagem, e de ferramentas de análise desenvolvidas através dos anos”. Isso requereria esclarecer algumas dessas construções conceituais e metodológicas em trabalhos sobre esse tema.

A partir de Mercklé (2004), podemos tomar as primeiras diferenciações de classificação e de constituição, como as redes densas, configuradas por relações de proximidade, como entre familiares e vizinhos; e as redes ampliadas (ou abertas), estendidas às relações de trabalho, relações associativas e participativas (Marteleto, 2010). Essas últimas, em especial, que caracterizam parte das relações na internet, são fundamentais. E tais diferenciações, sob o ponto de vista conceitual, se entrecruzam com outras, como a seguir.

Pesquisas da área tendem a atribuir à discussão a ideia de rede primária e rede secundária, sobretudo na literatura das Ciências Sociais (Stotz, 2009). As redes

primárias são relativas às interações cotidianas entre as pessoas (familiaridade,

parentesco, vizinhança, amizade, etc.) no processo de socialização. Este tipo de rede estabelece processos autônomos, espontâneos e informais de relação. Já as redes

secundárias são estabelecidas na “atuação coletiva de grupos, organizações e

movimentos que defendem interesses comuns e partilham conhecimentos, informações e experiências orientados para determinados fins” (Marteleto, 2010, p. 32).

Nesse sentido, para S. G. d. Abreu (2003, p. 70), “os conceitos de rede primária e de rede secundária assentam, basicamente, no tipo de vínculos relacionais existentes entre os membros da rede social, embora muitos outros aspectos os distingam”. Por isso, as

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redes primárias fazem referência a um conjunto natural de indivíduos em interação, uns com os outros, formando a trama de base da sociedade e o meio de inserção do indivíduo nela. Isso acrescenta dois aspectos determinantes “para a sua conceptualização e distinção, relativamente às redes secundárias: são eles o tipo de afinidades (pessoais) e o nível de estruturação da relação (colocando-as num nível informal)”.

Já as redes secundárias, ainda segundo Abreu (2003, p. 71), com base nos estudos de Guédon (1984), se estabelecem por um conjunto de pessoas reunidas por uma mesma função, num quadro,

reportando organizações e instituições, ou seja, os membros da nossa rede com os quais estabelecemos relações num contexto formal e com objectivos funcionais. As instituições sociais poderão ser percepcionadas como redes sociais quando tratamos a sociedade sob a forma de uma análise de rede, pois são fundadas em relações entre unidades sociais (indivíduos ou grupos). Este tipo de rede social terá como objectivo essencial a resposta a exigências de natureza funcional, isto é, o fornecimento de serviços.

Assim, para Guédon (1984 Cit. In. Abreu 2003, 71), as redes secundárias podem ainda ser classificadas por formais ou informais, consoante o seu nível de estruturação, objetivos a cumprir e relações estabelecidas no seu seio. As redes secundárias formais têm

âmbito estruturado e de existência oficial, destinados a cumprir funções ou a fornecer serviços. Podemos, assim, considerar aqui todas as instituições ou as relações estabelecidas no seu enquadramento. Estas relações são relativamente estáveis e estruturadas, segundo normas precisas ditadas pelo papel e função atribuída ao indivíduo, não dependendo, para tal, do indivíduo em si.

Já as redes secundárias informais,

caracterizam-se pela inexistência do carácter oficial e estruturado e pela inexistência de uma divisão rígida de papéis, embora assumam um papel essencialmente funcional com vista a responder a uma procura ou a fornecer determinados serviços. Poderemos enquadrar nesta definição as redes primárias organizadas para o cumprimento de uma necessidade específica e funcional que visam a partilha de recursos e a criação de uma rede de apoio

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colectiva (temos o exemplo de uma associação de bairro destinada a reivindicar uma determinada necessidade). Outro aspecto de distinção relativamente às formais prende-se com o facto de terem uma menor durabilidade e de funcionarem com base numa clientela mais restrita, estando, por isso, talvez mais adaptadas às necessidades dos indivíduos pois têm uma maior proximidade dos mesmos (Guédon, 1984 Cit. In. Abreu 2003, 71).

Outra caracterização, baseada na análise das redes sociais, nesse caso quanto ao objeto de estudo, classifica as redes em dois grandes grupos: as redes inteiras (whole networks) e as redes personalizadas (personal networks)11 (Marteleto, 2010; Mercklé, 2004; Raquel da Cunha Recuero, 2004; Raquel da Cunha Recuero, 2006). Importante modo de abordagem metodológica, essa classificação está de acordo com estudos como o de Degenne and Forsé (1999); Watts (2004); Wellman et al. (2003). Segundo essa classificação, o primeiro foco da análise estaria na relação estrutural da rede com o grupo social. Isto é:

de acordo com esta visão, as redes pessoais são assinaturas de identidade social - o padrão de relações entre os indivíduos está mapeando as preferências e características de alguém, o centro da rede. O segundo foco estaria no papel social de um indivíduo, que poderia ser compreendido não apenas através dos grupos (redes) aos quais ele pertence, mas, igualmente, através das posições que ele ocupa nessas redes. A diferença entre os dois focos está no corpus da análise escolhida pelo pesquisador: a rede inteira foca em um grupo determinado, a rede personalizada, em um indivíduo (Recuero, 2004, p. 2).

Ou seja, o foco nas redes personalizadas, caracterizariam abordagens de estudo em redes sobre cada participante, ou como um conjunto de nós definidos a partir do ponto de vista da pessoa que está no centro. Já as redes inteiras seriam estudos de um grupo a partir do próprio grupo. Assim, “a rede inteira constitui-se naquela abordagem centrada em uma rede e suas relações, enquanto a ego é centrada em um indivíduo e suas relações. A diferença está na coleta dos dados que será realizada pelo pesquisador” (Recuero, 2006, p. 43).

Além disso,

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Para ir além dos atributos individuais e considerar as relações entre os atores sociais, a análise das redes sociais busca focar-se em novas "unidades de análise" tais como: relações (caracterizadas por conteúdo, direção e força), laços sociais (que conectam pares de atores através de uma ou mais relações), multiplexidade (quanto mais relações um laço social possui, maior a sua multiplexidade) e composição do laço social (derivada dos atributos individuais dos atores envolvidos). O estudo de redes sociais procura também levar para a sociedade os elementos principais estudados em uma rede, tais como densidade da rede, clusterização etc. (Recuero, 2004, p. 3).

Na informática, os clusters são grupos de nós muito conectados. Mas quando se fala em redes sociais, eles são usados para classificar grupos sociais coesos e unidos a outros grupos através de laços individuais de seus membros (Recuero, 2004).

A partir do que mostra Raquel da Cunha Recuero (2004), pode-se se notar a extensão de diferenciações analíticas. E as duas últimas fazem lembrar as diferenciações, tomadas das propostas por Mercklé (2004), com as quais iniciamos esse subcapítulo. Isto é, aqueles conceitos próprios da análise de redes sociais, anteriormente descritos. Cabe, portanto, citá-los: eles seriam a densidade e a conexividade da rede, que traduzem o nível de interação entre seus atores.

A densidade, partindo da ideia de clusterização, trata da proporção de elos dos nós, e permite que se observe o quão coeso e conecto aquele nó se apresenta. Já a conexividade permite observar o quanto um grafo é conexo. Esse conceito transmite a ideia do quanto é possível a passagem de um vértice a outro, por meio das ligações existentes do garfo (Santos, 2013). Isso referenciaria o que, para Borgatti, Mehra, Brass, and Labianca (2009 Cit. In. Santos 2013) descreve outra importante contribuição para o campo de estudo das redes sociais. Qual seja, a influência dos laços fortes (relações mais próximas, como as de parentescos) e laços fracos (pessoas conhecidas), que retomam as noções de redes primárias e secundárias.

É assim que esses e outros conceitos fundamentais para o estudo de redes, assim como a conexividade e densidade, buscam, em vez dos efeitos independentes gerados pelos atributos dos indivíduos12, a perspectiva de que as redes permitem investigar o

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comportamento social baseado em modelos de interação entre atores sociais. Os laços na rede, compõe uma efetiva conexão entre os atores que estão envolvidos nas interações, sendo resultado da sedimentação das relações estabelecidas entre agentes e podem representar também os fluxos de informações de uma rede. Usualmente os estruturalistas têm associado “nós” com indivíduos, mas eles podem igualmente representar grupos, corporações, agregados domésticos ou outras coletividades. Os laços são utilizados para representar fluxos de recursos, relações simétricas de amizade, transferências ou relações estruturais entre os nós (Wellman et al., 2003 Cit. In. Santos 2013).

Além das já citadas classificações, Raquel da Cunha Recuero (2006, p. 44) ainda lembra outra divisão utilizada por diversos teóricos, baseada em Wasserman and Faust (1994), distinguindo as redes de filiação e as redes de atores. Esta divisão se baseia, por sua vez, em outra: nas redes de dois modos (também chamadas redes bipartidas). Ao contrário da maioria dos estudos, onde é medido apenas um tipo de variável,

nas redes de filiação existe apenas um conjunto de atores, “mas são redes de dois modos porque é estudado um conjunto de eventos aos quais um determinado ator pertence”. As redes dois modos são assim chamadas porque são medidas duas variáveis: além dos atores-indivíduos são observados também os eventos. “Cada um desses eventos é, ainda, um elemento de conexão de um conjunto de atores. As redes de filiação seriam, assim, constituídas de dois tipos de nós: os atores e os grupos. Esses nós se relacionariam por conexões de pertencimento” (Watts, 2004 Cit. In. Recuero 2006, 45).

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Figura 4: Rede de dois modos onde os nós pretos significam eventos e os brancos atores.

Fonte: Watts (2004 apud Recuero 2006, 45).

Para Watts (2004 Cit. In. Recuero 2006, 45), a rede de filiação é uma estrutura de grupo que não parte de laços sociais entre seus membros, mas que permite que as pessoas interajam e que estes laços sejam construídos.

Apesar de Watts considerar a rede de filiação como uma classe de redes sociais, para ele, essas redes surgem em relações não-sociais que podem ser socialmente interessantes. A relação que define uma rede de filiação é a relação de pertencimento, descolado de qualquer tipo de interação. Para ele, no entanto, essas redes permitiriam a inferência de laços sociais, uma vez que, quanto maior o número de contextos divididos pelos indivíduos, maior a possibilidade de que eles tenham algum tipo de relação social.

Desse modo, a rede de filiação consiste num tipo diferenciado, “uma vez que, normalmente, são estudadas redes de um modo e não de dois. Além disso, as redes de filiação constituem-se em uma forma de observar a rede e de coletar dados entre os grupos” (Watts, 2004, p. 45 Cit. In. Recuero 2006).

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