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2. THE THEORY OF DELIBERATIVE DEMOCRACY

2.2 TWO BRANCHES OF DELIBERATIVE DEMOCRACY

2.2.1 Habermas (the European view)

Como refere Savater (2005 a, 2005 b), ninguém chega a tornar- se humano se está só: tornamo-nos humanos uns aos outros. É preciso acreditar que é possível alcançar uma vida melhor. Mas não qualquer vida: é preciso ser uma vida humana, com boas relações com outros seres humanos. Caso contrário, pode até ser vida, mas não chegará a ser boa nem humana. É preciso haver união entre liberdade e responsabilidade, pois uma não existe sem a outra.

Catalano, et al. (2002), na sua obra Positive Youth Develo- pment in the United States, identificam alguns factores cuja promoção se pretende: bonding (ligação), resiliência, auto- determinação, auto-eficácia, identidade positiva, expectati- vas positivas no futuro, reconhecimento de comportamentos positivos, oportunidades para um envolvimento pró-social e normas sociais.

Nestas perspectivas, os indivíduos passam a diferenciar- se pelo modo como convivem, como se auto-regulam, criam e mantêm relações sociais: como acolhem o humano e são humanos (Caride Gomez, 2009; Jares, 1996; 2006; 2008; Savater, 2005 a, 2005 b). Pode referir-se que a inteligência

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CONSTRUIR A PAZ: VISõES INTERDISCIPLINARES E

INTERNACIONAIS SOBRE CONHECImENTOS E PRáTICAS

intrapessoal e interpessoal de Gardner correspondem à in- teligência emocional de Goleman. (Gardner, 1983; Goleman, 2003; Galinha, 2010 a). Deste modo, o controlo e a formação de um sentimento ou afecto positivo e as práticas participa- das podem determinar a forma como o(s) sujeito (s) percep- ciona(m) e avalia(m) os acontecimentos que ocorrem na(s) sua(s) vida(s) promovendo o aumento da qualidade de vida percebida e do sentimento de bem-estar de acordo com a OmS e, a par do exposto, a diminuição do conflito, da violência, dos comportamentos disruptivos e da vulnerabilidade (Antono- vsky, 1979; Seligman, 2008).

O Modelo Rogeriano, aplicado com notável êxito à Psicolo- gia, com as três condições propiciadoras (empatia, aceitação incondicional e congruência) traz à comunidade científica inúmeras possibilidades de reflexão para as ciências do huma- no (Rogers, 1985). Também, mais recentemente, a American Psychology Association aponta para a importância do estudo de variáveis positivas que se inserem na esfera do bem-estar psicológico tais como a esperança, sensibilidade estética, a co- municação humana, a perseverança, o perdão, a originalidade, a espiritualidade, o talento e a sabedoria, entre outras, ou mes- mo a nível social, para o estudo das virtudes dos cidadãos e das instituições: a responsabilidade, o altruísmo, a comunicação institucional, a gratidão, a tolerância e o trabalho ético.

Historicamente, a Psicologia debruçava-se, sobretudo, na investigação sobre as patologias, negligenciando os aspectos saudáveis dos seres humanos. Contudo, a origem formal da Psicologia da Saúde, em 1973, quando nos EUA foi criada, no seio da American Psychological Association, a Task Force on Health Research da APA (Epp, 1990) foi um marco histórico com a publicação, logo em 1974, do relatório A New Perspec- tive on the Health of Canadians, o Livro Branco para a Saúde, por Marc Lalond (Ministro de Saúde e de Bem-estar do Cana- dá), donde destacamos a célebre frase “pretendemos que os canadianos vivam uma vida feliz, plena, longa e livre de doen- ças” (Lalonde, 1974, p.5). Espelhando as mesmas preocupa- ções, a pedido do governo dos EUA, em 1977, foi divulgado um estudo sobre a saúde da nação, Healthy People: the Surgeon General´s Report on Health Promotion and Desease Preven- tion, conhecido por relatório 1979 de Richmond. Criada em 1978, a Divisão 38 – Psicologia da Saúde da American Psy- chological Association, a partir de 1982, publica o Journal of Health Psychology. Na Dinamarca, em Copenhaga, o Regional Office for Europe da OMS, publica, em 1984, pela European Federation of Professional Psychologists Association, um arti- go sobre a contribuição da Psicologia para a Saúde.

A partir de 1998, assumindo a presidência da American Psychological Association, Seligman inicia o movimento de- nominado Psicologia Positiva, que visa oferecer uma nova abordagem às potencialidades e virtudes humanas, apreciati- va, estudando as condições e processos que contribuem para a prosperidade dos indivíduos e comunidades (Paludo et al., 2007). Seligman (1991; 2008) concentra-se na identificação das forças pessoais típicas de cada personalidade e de que for- ma conhecê-las pode significar o caminho para melhores inte- racções: reforça a necessidade de se fazer o enfoque na saúde mental e não na doença mental, uma forma também de conhe- cer como as pessoas saudáveis optimizam os seus recursos e de ajudar e treinar com novas estratégias pessoas que expe- rienciam a fragilidade e a crise, numa ligação ao empower- ment psicológico e comunitário. De acordo com Seligman e Csikszentmihalyi (2000, cit in Haydée Cuadra et al., 2003) a Psicologia está a abrir uma viragem notória no seu campo de estudo e intervenção, abraçando novos rumos e debruçando- se mais do que nunca sobre aspectos positivos como o bem-

-estar subjectivo, a qualidade de vida, a alegria, a esperança, o optimismo aprendido e a felicidade podendo assim observar- se os benefícios que estes assumem para a vida saudável dos sujeitos e dos grupos (Galinha, 2010a).

Como afirma Sigerist (1941), ser saudável é ser bem equili- brado, numa unicidade pós-cartesiana (Damásio, 1995; Lopes,

et al., 2010; Galinha, 2010 b), bem ajustado ao meio físico e social estando em controlo total nos recursos mentais e físicos, é adaptar-se às mudanças do meio (não excedendo os limites ditos normais), é contribuir para o bem-estar da sociedade de acordo com a sua capacidade. A saúde é positiva, é uma atitu- de jovial perante a vida e de aceitação das responsabilidades que a vida sugere. Entendemos conceptualmente o bem-es- tar subjectivo como sinónimo de estado de equilíbrio interno necessário existência humana, no seu sentido de vida maior. Por isso, somos defensores de uma educação com um especial relevo na compreensão e na optimização do bem-estar intra e interpessoal, da participação, autonomia, tolerância e interde- pendência na tríade razão, emoção, acção.

A abordagem conceptual de bem-estar subjectivo resulta da avaliação que o indivíduo realiza sobre as suas capacidades, as condições ambientais e a sua qualidade de vida, a partir de critérios pessoais combinados com os valores e as expectativas que vigoram na sociedade. O seu indicador mais conhecido é a satisfação com a vida, havendo três elementos centrais ao conceito de bem-estar subjectivo: 1) Pertence ao âmbito da ex- periência privada; 2) A sua avaliação pode ser feita em termos globais e em termos de aspectos seleccionados da vida (domí- nios), tais como o trabalho, a família, as amizades, a saúde fí- sica e mental e a espiritualidade; 3) Inclui medidas cognitivas e emocionais actuantes de forma dinâmica e contextualizada. De entre as primeiras, a mais conhecida é a satisfação (global com a vida e referenciada a domínios seleccionados) e entre as segundas, as medidas de estados emocionais (positivos e negativos).

Peterson et al. (2004) desenvolveram um sistema de classifi- cação para os aspectos positivos, enfatizando as forças e o ca- rácter denominado Values in Action (VIA) – Classification of Strengths and Virtues. Nesse manual as forças foram divididas em características emocionais, cognitivas, relacionais e cívicas e em seis grupos de virtudes: sabedoria, coragem, humanida- de, justiça, temperamento e transcendência.

Para Seligman (2008), assim, especificamente, a Felicidade Autêntica procura compreender uma emoção positiva, que construa força e virtude e forneça caminhos de orientação: de- riva da identificação e cultivo das forças mais fundamentais de cada um de nós e da sua utilização diária no trabalho, no amor, na educação, entre outros. Dentro deste âmbito, dos Princí- pios da Psicologia Positiva, Seligman (2008) aborda a emoção positiva e a forma como esta pode ser aumentada. Como tal, é apresentado um quadro de três tipos diferentes de emoção positiva: passado, presente e futuro. Existem vinte e quatro forças oblíquas que podem estar mais ou menos presentes nas nossas vidas – denominadas forças de assinatura. Se o percur- so da nossa vida emocional não passa por momentos cheios de luz, então devemos aceitar o facto de estarmos num clima emocional frio, e avançar no sentido da resolução através de acções que tragam todos os sentimentos positivos. A educa- ção, o clima, raça e género influenciam as nossas emoções. Os pessimistas tendem a possuir uma forma negativa de construir as suas frustrações e problemas. Pensam automaticamente que a causa é permanente, penetrante e pessoal. Os optimis- tas tendem a revelar uma força que lhes permite interpretar as suas contrariedades como ultrapassáveis, específicas de um único problema e resultantes de circunstâncias temporá-

VOL 2. TRABALHO, SAÚDE

E MEDIAÇÃO AMBIENTAL

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rias ou de outras pessoas. A emoção positiva alarga os nossos recursos intelectuais, físicos e sociais, formando reservas das quais nos podemos socorrer face a uma ameaça ou situação concreta. A nossa estrutura mental torna-se expansiva, tole- rante e criativa, estando aberta a novas ideias e experiências. Está implicada na construção de recursos físicos. Saúde e lon- gevidade são bons indicadores de reservas físicas. Podemos dizer que a emoção positiva protege os indivíduos e permite também suportar melhor a dor. Facilita, de facto, a construção de recursos sociais.

A emoção positiva, quanto ao tempo passado, pode ser au- mentada pela libertação de uma ideologia determinista apresentante (através do perdão, gratidão, etc.) expressa em satisfação, contentamento, realização, orgulho e serenidade. Quanto ao tempo presente, a emoção positiva divide-se em dois factores: prazeres e gratificações – prazeres associados ao gozo de situações momentâneas e pelas emoções senti- das, e as gratificações como mais permanentes e podem ser obtidas na ausência de qualquer emoção positiva sentida tais como alegria, êxtase, calma, gozo, entusiasmo, prazer e flu- xo. Relativamente ao tempo futuro, a emoção positiva pode ser aumentada aprendendo a reconhecer e disputar os pen- samentos pessimistas (optimismo, esperança, fé, e confian- ça). Neste tempo futuro, a emoção do optimismo contempla duas dimensões básicas: a permanência e a penetrabilidade (esperança: causas permanentes e universais para as coisas boas versus desespero: causas permanentes e universais para as coisas más). Mudando a maneira como nos sentimos em relação ao passado, como pensamos sobre o futuro e como vi- vemos o presente. Os pensamentos de pessoas deprimidas são dominados por interpretações negativas do passado, do futuro e das suas capacidades, e aprender a argumentar contra essas interpretações pessimistas alivia muito um estado de depres- são. As pessoas optimistas tiram o melhor partido do sucesso e persistem assim que as coisas boas começam a correr melhor.

Relativamente às vinte e quatro forças de assinatura da teoria de Seligman (Seligman, 2008), na sua globalidade, estas são consideradas valiosas em quase todas as culturas; são valio- sas por direito próprio e não só como meio para atingir ou- tros fins; são maleáveis, as forças e as virtudes servem-nos em momentos maus e bons, os momentos difíceis são uma opor- tunidade para a demonstração e descoberta de muitas forças dentro de nós. Importa referir que a construção de forças e virtudes não está relacionada com a aprendizagem ou treino, mas com a descoberta, a criação e a propriedade. Os vários caminhos para atingir cada uma das seis virtudes designam-se por forças.

Uma força envolve escolhas sobre quando usar e se a deve continuar a construir, mas também se deve ou não adquirir à partida (Seligman, 2008). São as Forças de Assinatura de Sa- bedoria e Conhecimento: 1-Curiosidade, Interesse pelo mun- do; 2-Amor à aprendizagem; 3 – Julgamento, pensamento crítico, abertura mental; 4-Engenho, originalidade, inteligên- cia prática, inteligência de rua; 5- Inteligência social, pessoal e emocional; 6- Perspectiva. São as Forças de Assinatura de Coragem: 7- Valor e bravura; 8- Perseverança, indústria, di- ligência; 9- Integridade, genuinidade, honestidade. Forças de Humanidade: 10 – Bondade e Generosidade; 11- Amar e dei- xar-se amar. Forças de Justiça: 12- Cidadania, dever, traba- lho de equipa, lealdade; 13- Equidade; 14- Liderança. Forças de Temperança: 15- Autocontrolo; 16- Prudência, discrição, cautela; 17- Humanidade e modéstia e, por último, Forças de Transcendência e Espiritualidade: 18- Apreciação da beleza e excelência; 19- Gratidão; 20- Esperança/optimismo/ orienta- ção para o futuro; 21- Espiritualidade, sentido de propósito,

fé, religiosidade; 22- Perdão e misericórdia; 23- Brincadeira e bom humor; 24- Prazer, paixão, entusiasmo.

2. A IMPORTâNCIA DA PERCEPÇÃO