• No results found

Existem semelhanças e diferenças conceituais entre redes sociais, mídias sociais e sites de rede social, distinguidas por Boyd & Ellison (2007). Assim, eles distinguem os sites de redes

sociais como ferramentas que permitem o estabelecimento de perfis individuais que representam os indivíduos, suas conexões e a possibilidade de navegar por essas conexões de forma pública ou privada. O site de rede social é, portanto, o suporte que proporciona aos indivíduos "traduzir" e complexificar suas próprias redes sociais.

Mas tratando-se de redes sociais, entende-se também que são, na verdade, metáforas para o estudo dos agrupamentos sociais. Uma rede é, portanto, uma forma de representar um grupo, onde os agentes que nela atuam representam as pessoas, instituições e suas conexões nas relações entre esses agentes (Recuero, 2009). As redes sociais fazem parte da ação de sociabilidade humana e assim, seu estudo está focado nas ações sociais dos indivíduos e na estrutura da sociedade. As redes sociais na internet apresentam diferenças das redes sociais off-line.

Sabe-se que uma pessoa ao construir uma representação de si mesma numa rede social na internet e estabelecer conexões com outras pessoas, não está apenas simbolizando os grupos sociais aos quais pertence, mas igualmente amplificando-os e tornando-os mais densos (Recuero, 2009). Isso porque os sites de redes sociais permitem que as conexões fiquem permanentemente abertas, recebendo e enviando informações. Essas conexões, suportadas pelas plataformas tecnológicas digitais, são também canais de informação por onde um indivíduo ou instituição pode receber e propagar informações de forma mais ampla e mais permanente.

Evidentemente que a apropriação e interação das pessoas nos sites de redes sociais criou mais laços entre os atores e com isso reduziu as distâncias sociais para quatro graus de separação, segundo pesquisa de Backstrom et al. (2012), atualizando os seis graus propostos anteriormente por Stanley Milgram (1967), no experimento “Small-world”24, promovendo um alcance ainda maior para circulação de informações. Assim, estes canais passaram a ser bastante dependentes das ações e interações das pessoas, os quais coletivamente proporcionam que determinadas informações tenham mais visibilidade do que outras, atuando como filtros e câmaras de eco (Recuero, 2014).

Por tal característica amplificadora cria-se a denominação mais específica de mídia social, ou seja, é um ambiente de ampliação das falas individuais, de grupos ou organizações, as quais refletem pensamentos e opiniões através das apropriações que fazem dos conteúdos

24

O experimento Small-world realizado por Stanley Milgram em 1967, junto com outros pesquisadores, examinou o tamanho médio do caminho de ligação entre as pessoas nas redes sociais nos Estados Unidos. A pesquisa foi inovadora pois sugere que a sociedade humana compõe um mundo pequeno quando interligado em redes do tipo “short path-lengths”. Tais experimentos são associados com a frase “seis graus de separação, apesar do próprio milgram não usar este termo para seus resultados.

disponíveis nos suportes de comunicação digital. Tais conteúdos são produtos gerados das atividades cotidianas nas comunidades, vidas privadas, das informações divulgadas nas mídias, etc. Ou seja, toda uma gama variada de dados vai compor e circular nos sites de redes sociais por seu grande potencial como meio de comunicação.

Por toda essa capacidade acumulativa de dados, guardados e disponíveis em qualquer tempo, Hansen, Shneiderman e Smith (2011, p.3-4) destacam que a mídia social é uma plataforma de interação social que torna e permite mais visíveis as conexões sociais e permitem que sejam observadas de forma mais direta por pesquisadores. Boyd (2010) aponta características para o que chama de "públicos em rede", conceito bastante semelhante ao de mídia social. Neste conceito, a pesquisadora compreende que os públicos foram reestruturados pela tecnologia, compreendendo também o espaço tecnológico de propriedades estruturais, que advém do próprio suporte tecnológico dos sites de redes sociais que contem dinâmicas próprias, resultado da apropriação das plataformas pelos atores.

Os componentes estruturais, segundo Recuero (2014) dizem respeito à permanência das informações, pois quando publicadas ficam arquivadas num banco de dados. Enfatiza também a buscabilidade, uma decorrência direta da permanência: as informações publicadas podem ser recuperadas em qualquer tempo. Outra característica importante é escalabilidade, na qual, o suporte tecnológico permite que uma dada informação seja escalável em termos de espalhamento na rede, e finalmente, a replicabilidade, elemento que permite as informações publicadas por um ator serem facilmente reproduzidas pelos outros atores.

Outras características destacadas por Recuero (2014) nesta dinâmica de mídias sociais são a presença de "audiências invisíveis", que é uma decorrência direta da complexificação das redes sociais pela apropriação dessas ferramentas digitais. Esta constitui-se com a presença de audiências mais amplas do que aquelas imaginadas pelo emissor da informação. Além disso, tem dois contextos bastante novos só permitidos com as ferramentas online, que compreendem o descolamento da informação de seu contexto original, quer seja intencionalmente ou não; e o transbordar das fronteiras entre o público e o privado.

Entretanto, apesar de todo o avanço tecnológico, os instrumentos de análise de redes sociais tradicionais para compreender fenômenos característicos das redes sociais na internet ainda são comumente usados e não é exatamente uma novidade tal escolha. Muitos trabalhos já exploraram as propriedades destes grupos a partir das métricas de análise de redes sociais. Garton, Haythorntwaite & Wellmann (2006), por exemplo,

apresentaram elementos que permitem o estudo dos sites de redes sociais a partir dessas análises. Os autores indicam que, nas relações estruturais dentro das redes estão aquelas de comunicação básica, ou talvez melhor dizendo clássica, mas enfatizam também como a mediação do computador modifica fortemente o contexto da análise.