20% 40% 60% 80% % 69% 12% 19%
Graduação Especial. Mestrado
Gráfico 13: Desenvolvimento profissional
Além da graduação, três dos professores (12%) fizeram cursos de especialização (com carga mínima de 360 horas) e cinco (19%) possuem Mestrado.
Esses dados são relevantes, na medida em que apontam tendência de educação continuada por parte dos professores, como também verificamos na fala de P21:
Pretendo fazer mestrado na minha área porque são muitas as questões que me afligem resultantes do exercício da docência nesses anos todos. (P21)
Com base nos dados que foram fornecidos em resposta à questão sobre a participação dos professores em atividades de formação continuada, chegamos ao seguinte gráfico:
73% 27%
Já participou de atividades de formação continuada Nunca participou de atividades de formação continuada
Gráfico 14: Formação continuada
Grande parte dos professores (73%) já participou de alguma atividade de formação continuada (cursos, encontros, seminários, eventos, entre outros) relacionada ao ensino de
inglês. Dentre as atividades citadas estão: cursos de inglês em escolas de idiomas, Interaction
Teachers20, encontros na Oficina Pedagógica da cidade, encontros no ERIC21 da Unesp, Cursos oferecidos pelo Departamento de Língua Inglesa da Unesp, Curso de Extensão Cultural oferecido pela PUC-São Paulo, GEL22, JELI23, Spring Conference24, InPLA25, LABCI26.
Os PCNs (BRASIL, 1998, 2000) apontam que a mais necessária e importante das competências a serem desenvolvidas pelo professor de LE é a administração da própria formação contínua, que mais do que simplesmente fazer cursos, significa estabelecer seu programa pessoal de formação contínua, que inclui participação em projetos educacionais da escola, leituras, reflexão sobre as próprias práticas, trabalho em equipe, auto-avaliação, entre outros.
Consideramos, assim, que seria pertinente incluir uma questão em nosso questionário pela qual pudéssemos obter dados sobre o envolvimento dos professores de inglês em atividades de formação continuada, tais como cursos e encontros oferecidos pelas secretarias de educação, eventos destinados a professores de língua inglesa, seminários, entre outros.
Vale ressaltar que dentre os comentários feitos à pesquisadora pelos professores nos momentos da entrega dos questionários, se fez constante a queixa dos mesmos em relação à
20 Interaction Teachers faz parte de um projeto lançado no estado de São Paulo pelo Programa Unificado de Formação Continuada dos Professores de Língua Inglesa. Trata-se de um curso de aperfeiçoamento lingüístico oferecido pela Secretaria de Estado da Educação por meio da Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (CENP) e da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE/GIP). Segundo da CENP, o Programa Unificado tem como objetivo implantar novas ações direcionadas à melhoria do ensino e da aprendizagem de Língua Inglesa, sendo que uma das principais ações está voltada à formação continuada do professor. Os professores de Língua Inglesa da rede pública podem optar pelo curso mais adequado ao aprimoramento de suas habilidades lingüísticas. O curso de inglês é oferecido por meio do software multimídia interativo ELLIS, tem duração de 240 horas e pode ser dividido em três módulos: básico, intermediário e avançado.
21 ERIC (English Resource and Information Centre) era um centro de auto-acesso e de multimeios para aprendizagem de inglês da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP da cidade lócus da pesquisa, atualmente desativado. Vários professores citaram esse centro e nos disseram que sentem falta dos encontros promovidos por ele, nos quais tinham a oportunidade de se encontrar com outros professores de escolas públicas, professores da Unesp e alunos do curso de Letras.
22 O Grupo de Estudos Lingüísticos do Estado de São Paulo (GEL) é uma associação de estudos da linguagem, a qual promove seminários anuais, no interior do estado, com a intenção de compartilhar informação científica e promover o progresso da pesquisa lingüística.
23 Jornada de Ensino da Língua Inglesa – evento promovido anualmente pela APLIESP (Associação dos Professores de Língua Inglesa do Estado de São Paulo).
24 Evento anual promovido pela APLIESP.
25 InPLA (Intercâmbio de Pesquisas em Lingüística Aplicada) é um evento promovido pelo Programa de Estudos Pós-Graduados em Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem (LAEL) da PUC-SP.
26A LABCI (Latin American British Cultural Institutes) é uma associação latina do Instituto Cultural Britânico Americano que apóia o ensino da língua inglesa e divulga programas culturais nos países latino-americanos, incluindo uma conferência a cada dois anos, que reúne educadores da América Latina e conferencistas da Europa e dos Estados Unidos.
falta de cursos de aperfeiçoamento ou de atividades de reciclagem27, compreendidas por nós, como atividades de formação continuada. Vários professores disseram que nos últimos anos, a única atividade desse tipo oferecida pela Secretaria de Estado da Educação foi o Interaction
Teachers. Porém, podemos conferir pelas falas de duas professoras, que por ser um curso não-
presencial, cujo foco é somente o aprimoramento lingüístico, não proporcionou aos professores momentos de discussão, questionamentos, nos quais eles pudessem falar sobre suas dificuldades, buscando sugestões para superá-las:
Eu sinto muita falta de oportunidades nas quais eu pudesse compartilhar minhas experiências com outros professores. A gente fica muito abandonada aqui na escola, sabe como é? Nós não temos ninguém com quem discutir nossos problemas, tirar nossas dúvidas ou até mesmo ajudar a gente encontrar soluções... E são problemas que todo professor tem: de como viabilizar algumas atividades de acordo com a realidade dos nossos alunos, esclarecer pontos que não ficaram claros quanto aos objetivos propostos para a nossa disciplina, coisas assim. [...] Aí o que acontece é que alguns professores param no tempo, não se reciclam. O Interaction Teachers não acrescentou nada pra mim. Você faz lá um monte de exercícios, confere se tá certo, e daí? Não é disso que a gente precisa. É diferente do que participar de uma JELI, do GEL, de uma LABCI, onde você vai encontrar profissionais da sua área, discutindo assuntos relevantes pra nossa área. Eu freqüento esses eventos sempre que posso. Acho que isso dá um incentivo, sabe, um novo ânimo, nos ajuda também a rever nossa prática, o que tá bom, o que a gente tem que mudar. Não adianta o governo vir com essa Proposta se não preparar a gente pra usá-la. Fica tudo muito teórico, difícil de entender direito o que é pra gente fazer, o que eles querem [...]. (P9 – entrevista)
Os últimos cursos (on-line) não nos acrescentaram nada. (P21)
Entendemos que um dos propósitos das atividades de formação continuada oferecidas pelas Secretarias do Estado aos professores deveria ser o de capacitá-los a colocar em prática as orientações metodológicas contidas nos documentos de políticas públicas educacionais. No caso da nova Proposta Curricular do Estado de São Paulo, foi-nos revelado nesta pesquisa que os professores ora dizem não se sentir preparados para trabalhar com os conteúdos nela contidos, ora afirmam ser a proposta inviável devido à distância que separa o que é sugerido no documento, da realidade enfrentada por eles28.
27 Preservamos aqui os termos utilizados pelos professores.
Se em tal proposta defende-se a necessidade de uma mudança de postura do educador, que visa a formação do aluno crítico e autônomo faz-se necessário que haja uma política diferenciada de formação continuada, que respalde a prática daquele que está na sala de aula, para que sua atuação garanta o alcance dos ideais propostos.
Considerando que toda prática docente é intencional e exige do educador uma postura crítica e reflexiva, parece ser imprescindível que o professor em exercício disponha de um programa de formação continuada que seja capaz de funcionar não apenas como oportunidade de atualização de conhecimentos, mas também como oportunidade de reflexão, a fim de que ele possa analisar se sua prática pedagógica está respondendo aos objetivos propostos para sua disciplina.
Coincidindo com Esteve (1999), defendemos que um bom programa de formação continuada dos professores deve garantir uma compreensão adequada dos objetivos e das reformas curriculares, evitando a desinformação e a insegurança dos professores perante as mudanças que se projetam.
Da mesma forma, concordamos com Lapo e Bueno (2000) que há pouco reconhecimento e pouca valorização em relação aos professores que possuem pós-graduação na carreira do magistério público, pois, possuir um título de mestre, por exemplo, implica receber a mesma promoção que é dada àquele professor que, num período de dez anos teve no máximo vinte faltas, mesmo que não tenha realizado nenhum curso de aperfeiçoamento ou especialização.