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Após a tomada de decisão sobre o que estudar e em que contexto levar a cabo a investigação aqui apresentada, a nova questão que se impôs estava relacionada com o critério e metodologia de recolha de dados para subsequente tratamento e análise. Assim, a escolha dos questionários utilizados neste trabalho foi feita após pesquisa e leitura de alguns documentos sobre instrumentos de recolha de dados relacionados com as duas variáveis que este estudo se propôs avaliar: o clima e a liderança.

Inicialmente, foram equacionados vários instrumentos sempre tendo em vista, por um lado, a preocupação de que estivessem devidamente validados, para que os dados recolhidos pudessem garantir a fiabilidade e a validade do trabalho a realizar, e, por outro, a necessidade de garantir que estivessem adequados ao estudo da organização escolar, em Portugal, um contexto que reconhecidamente apresenta características muito particulares. Refira-se que, na pesquisa realizada foram surgindo muitos estudos sobre clima e sobre liderança, no entanto, muitos deles centravam-se em áreas como o desporto, as organizações empresariais e militares, sendo que muitas das pesquisas feitas em contexto escolar, foram feitas em outros países, nos quais a realidade escolar é, provavelmente, muito diferente do contexto português. Assim, a escolha foi orientada com a preocupação de que o instrumento estivesse enquadrado no contexto nacional, para que as questões propostas fossem cabalmente entendidas pelos respondentes e não fossem uma transposição para português de questões que nada têm a ver com a realidade da escola portuguesa.

Após o pedido de autorização aos Diretores/as das Escolas/Agrupamentos participantes (cf. Anexo 1), estes deram conhecimento do mesmo aos docentes do Conselho Pedagógico da Escola/Agrupamento que dirigem, e, após aprovação da aplicação dos inquéritos por este órgão, os mesmos foram enviados por via eletrónica para todos os docentes, através da plataforma Googledocs. A opção pelo uso da via eletrónica justificou-se não só por esta permitir uma redução de custos e uma maior facilidade de resposta, como por ter a vantagem de garantir que todas as questões seriam respondidas pelos inquiridos.

O questionário aplicado (cf. Anexo 2) contava, no seu inicio, com uma nota introdutória que continha as informações práticas sobre o período e a forma de resposta, os objetivos da investigação com a qual os docentes estavam a colaborar e a garantia de anonimato dos respondentes, para que não houvesse qualquer constrangimento que condicionasse as suas respostas. Acrescente-se que este instrumento foi construído tendo em visto a natureza do estudo a realizar, por isso, era totalmente constituído por questões fechadas, com estruturas diferentes, e compunha-se de três partes distintas: a primeira, com questões relativas aos dados sociodemográficos, a segunda sobre a perceção dos docentes quanto ao exercício da liderança pelos diretores da sua escola/agrupamento e a terceira sobre a forma como os professores percecionavam o clima organizacional na escola onde estavam a exercer a sua atividade profissional.

Assim, na primeira parte, que tinha por objetivo recolher os dados para caraterizar a amostra deste estudo, encontra-se um conjunto de nove questões sobre características pessoais e profissionais dos respondentes, nomeadamente, sexo, idade, habilitações académicas, categoria profissional, ciclo de ensino, tempo de serviço, anos de serviço na escola, tipologia da escola e cargos exercidos, no passado e presentemente. Por seu turno, as duas partes subsequentes, através das quais se pretendia obter informação para tratar as questões da liderança e do clima em contexto escolar, são resultado da aplicação de dois questionários

criados por outros investigadores, os quais já haviam sido previamente testados e usados em contexto nacional e que, por isso, oferecem garantias de segurança na sua aplicação.

No que à “Liderança” diz respeito, foi feita uma análise cuidada de alguns instrumentos, podendo aqui destacar-se a Principal Instructional Management Rating Scale, o Multifactor

Leadership Questionnaire (MLQ) e o questionário desenvolvido pelo cipriota Petros Pashiardis

(2001). Quanto ao primeiro questionário, da autoria de Hallinger e Heck (1996), este apresentava-se como um instrumento testado e validado, no entanto, estava centrado exclusivamente na avaliação dos efeitos das lideranças instrucionais. No que concerne ao MLQ, desenvolvido por Bass (1985), este era um questionário amplamente aplicado em estudos sobre liderança e com fortes garantias de fiabilidade, mas, para além de apenas estar acessível mediante pagamento de uma licença, este apresentava outras desvantagens, tais como o facto de não estar diretamente relacionado com o contexto escolar e estar enquadrado na realidade sociocultural dos Estados Unidos.

A escolha acabou por recair no questionário de Pashiardis (2001), que para além de estar contextualizado no âmbito escolar, foi usado num estudo feito em Portugal por Pashiardis, Costa, Neto-Mendes e Ventura (2005), com o título “The perceptions of the principal versus

the perceptions of the teachers – A case study from Portugal”. Refira-se que esta versão foi

posteriormente adaptada por Bexiga (2009) no âmbito da sua Tese de Doutoramento “Lideranças nas Organizações Escolares - Estudos de caso sobre o desempenho dos

Presidentes dos Agrupamentos de Escolas” e, foi a adaptação feita por este autor a escolhida

para aplicar nesta investigação. Assim, após análise cuidada deste instrumento, da verificação da sua validade e fiabilidade, e tomando em linha de conta o facto de estar totalmente enquadrado na realidade que se pretendia estudar na investigação aqui apresentada, pediu-se por via telefónica autorização ao autor da versão para aplicar o inquérito. Refira-se que o inquérito da autoria de Pashiardis, aplicado no estudo realizado em Portugal, oferece um elevado grau de confiança, visto apresentar um α de Cronbach de .94, um indicador de alta fiabilidade, acrescente-se ainda que para garantir a validade do instrumento, os autores referem na apresentação deste estudo que “um painel de oito experts foi reunido para examinar itens do questionário” (Pashiardis et al., 2005, p. 591). Quanto à adaptação feita por Bexiga (2009) e aqui usada, importa destacar que para validar o instrumento, o investigador procedeu primeiramente a um estudo piloto, tendo aplicado o inquérito a docentes de Agrupamentos que não iriam participar no estudo e com formação em Administração e Gestão Escolar, e posteriormente realizou um pré-teste que incluiu a distribuição do inquérito a seis docentes que também não faziam parte da amostra, e, não tendo suscitado quaisquer dúvidas, Bexiga considerou que o instrumento reuniu as condições para ser aplicado. Neste questionário pedia-se aos participantes que respondessem a 51 itens fechados, opinando sobre as afirmações apresentadas e utilizando uma escala de Likert, com cinco níveis: 1- nunca, 2 - por vezes, 3 - frequentemente, 4 - sempre e 5 - sem opinião. O inquérito estava estruturado em dez dimensões: clima de escola, liderança e gestão escolar,

desenvolvimento curricular, gestão das pessoas, administração e gestão financeira, gestão dos alunos, desenvolvimento profissional e formação contínua, relação com os pais e com a comunidade, resolução de problemas e tomada de decisões e, por fim, comunicação interna. Quanto à avaliação da variável “Clima Organizacional”, procedeu-se tendo em conta os mesmos critérios que na anterior, pelo que após a análise de alguns instrumentos para medição do clima vivido na organização escolar, a escolha recaiu num inquérito construído e testado em estudo piloto por Costa (2010), elaborado no âmbito da tese de mestrado “Clima

Escolar e Participação Docente - A perceção dos professores de diferentes ciclos de ensino”.

Cabe ainda aqui destacar que, com vista a validar este instrumento de recolha de dados, a sua autora procedeu a um estudo piloto, tendo analisado a consistência interna de cada uma das subescalas, construídas para medir cada uma das dimensões, tendo concluído que os valores do α de Cronbach indicavam uma boa consistência interna (Costa, 2010). Deste modo, e porque o inquérito nos oferecia um bom grau de confiança, foi pedida a autorização para uso deste instrumento à sua autora, via correio eletrónico. Este instrumento, adaptado ao contexto nacional, propõe-se avaliar a perceção dos professores sobre ao clima que se vive dentro da organização escolar onde lecionam, tendo em conta as dimensões: relação entre os professores da escola, relação entre o agrupamento e a comunidade e a imagem dos professores relativamente aos alunos e ao órgão de gestão. O inquérito é constituído por 51 itens e pretende-se que os participantes utilizem uma escala de Likert, com 5 níveis - correspondendo o nível 1 ao “Discordo totalmente” e o nível 5 ao “Concordo totalmente” - para expressarem a sua perceção sobre a questão em análise.

2.5. Caracterização da amostra e procedimento de constituição