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Com o objetivo de analisar os perfis dos atores institucionais, sobretudo, como eles estão inseridos na dinâmica da economia criativa, o primeiro bloco de perguntas buscou caracterizá-los, com base em suas atividades fins. Nesse sentido, a pesquisa preocupou-se em verificar a existência de programas e projetos com foco em economia criativa e como o artesanato, e mais especificamente, o bordado, e a moda estão envolvidos nesses projetos.

O Governo Federal foi representado através da Secretaria de Economia Criativa. A SEC é a estrutura de governo que propõe, conduz e subsidia a elaboração, implementação e avaliação de planos e políticas públicas para o desenvolvimento da economia criativa brasileira. Os seus programas e projetos são elaborados em uma perspectiva mais ampla, capaz de fomentar o desenvolvimento da economia criativa como um todo.

Para representar o Governo Estadual, foram entrevistados funcionários da Central de Artesanato do Ceará (CEART). A CEART é constituída como uma Coordenação da Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social (STDS), do Governo do Estado do Ceará, e

representa a coordenação estadual do PAB. Atua através de capacitações, com foco no processo produtivo de criação e na gestão de negócio, e através da comercialização de produtos artesanais por meio de lojas fixas e móveis, espalhadas nas áreas de maior concentração turística no Estado do Ceará. Segundo os entrevistados, o bordado é uma das técnicas em que a CEART mais investe, principalmente, por ser uma técnica disseminada em várias regiões do estado, com um nível de produção maior do que o verificado em outras técnicas artesanais típicas, com potencial de mercado, porém, com baixo nível de estrutura de comercialização.

O Governo Municipal está representado, nesta pesquisa, pela Prefeitura Municipal de Fortaleza e, mais especificamente, pela Coordenação de Projetos e Desenvolvimento Econômico e pela Célula de Artesanato, ambas as estruturas fazem parte da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) da prefeitura municipal. O governo trabalha as atividades

dos diversos setores criativos através de “células”, estrutura semelhante à gerência. Para o setor

artesanal, há uma célula específica, a célula de Artesanato, a qual atua no desenvolvimento de ações voltadas para a capacitação e, sobretudo, para o escoamento da produção artesanal e de trabalhos manuais do município. Já a Coordenação de Projetos é uma estrutura administrativa voltada para o desenvolvimento da economia criativa. Seu papel é planejar e organizar as ações do governo municipal nesse sentido. O governo tem desenvolvido uma agenda estratégica de economia criativa, principalmente, por acreditar que esta representa um “novo modelo de desenvolvimento econômico mundial”. Lista como principais benefícios para o investimento público, nos setores criativos, a geração de emprego e renda e o desenvolvimento local; como principais desafios, a organização dos setores criativos e a criação de um marco regulatório; e como principais dificuldades, a limitação de recursos e o alto nível de informalidade nesses setores.

Outro ator importante para a pesquisa, por fazer parte das estruturas institucionais que influenciam os sistemas de negócio, segundo Whitley (1999), é a instituição bancária, representada, neste estudo, pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB). No BNB, a Gerência de Política de Financiamentos, estrutura integrante do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (ETENE), é a responsável pela elaboração de programas de políticas de financiamento para diversos setores, inclusive o cultural. O foco do banco é fomentar o desenvolvimento regional da Região Nordeste e Norte de Minas Gerais, onde atua, através da disponibilização de linhas de crédito distribuídas nos setores com maior representatividade na região, além disso, tem como diferencial, o acompanhamento técnico e gerencial dos recursos concedidos.

A Universidade é representada pelo Curso de Graduação em Design Moda, da Universidade Federal do Ceará. Antes denominado Estilismo e Moda, o curso passou por alterações, nos últimos anos, adaptando sua estrutura física e disciplinar para desenvolver capacidades que fossem além da criação, incorporando, nesse processo, elementos de gestão e mercado. Busca desenvolver o potencial criativo dos alunos através de disciplinas de Projeto de Produto. O uso do artesanato é incentivado, principalmente, através das disciplinas de criação de produtos e Slow Fashion.

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado Ceará (SEBRAE/CE) integra a estrutura do SEBRAE Nacional, uma instituição privada que tem o objetivo de promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável das micro e pequenas empresas. No âmbito dos setores compreendidos nesse estudo, o SEBRAE/CE mantém estruturas voltadas para o atendimento das demandas da indústria da moda, artesanato, além de uma coordenação específica para a economia criativa.

O Serviço Nacional da Indústria (SENAI) atua na formação de mão-de-obra qualificada para a indústria. Dentre as unidades do SENAI/CE, foi escolhida a Unidade do bairro Parangaba, em Fortaleza-CE, que recebe o nome de Centro de Formação Profissional Ana Amélia Bezerra de Menezes, com área de atuação dedicada ao setor têxtil e vestuário. O tema Economia Criativa tem sido discutido pelo SENAI/CE através das disciplinas transversais, onde o conceito é debatido sob a perspectiva das áreas de design e tecnologia e inovação. As ações voltadas para a indústria da moda trazem o conceito de sustentabilidade e reforçam o desenvolvimento da moda com identidade brasileira, estimulando o uso do artesanato nessa indústria.

O SindConfecções/CE representa a indústria de confecções, especificamente moda feminina, no estado do Ceará. Sua atuação é orientada para o desenvolvimento do setor de confecções através da realização de cursos, workshops, missões empresariais, rodadas de negócios e feiras. A economia criativa e o uso do artesanato na moda fazem parte da pauta das reuniões bimestrais com os associados.

As empresas entrevistadas atuam no setor têxtil e de confecção e mantém uma estreita aproximação com grupos de artesanato cearense, principalmente, os que desenvolvem bordados. A Empresa 1, atualmente, oferece uma diversificada composição de produtos que engloba desde os enxovais para noivas à moda infantil, tudo com muito bordado. Segundo a proprietária da empresa, a estrutura física é composta por uma loja comercial e a fábrica, mas todos os bordados são feitos diretamente nas comunidades nas quais a empresa mantém parceria com grupos de artesanato. A Empresa 2 atua na moda conceitual, de passarela, especificamente

feminina, e tem um “ateliê-loja”, onde atende o sob medida e o prêt-a-porter, que são as peças

prontas disponíveis para os clientes na loja. Assim como a Empresa 1, mantém parcerias com grupos de bordadeiras no interior do estado e região metropolitana de Fortaleza. Segundo o proprietário da marca, seu público é formado por mulheres que buscam se vestir com exclusividade e sofisticação.

As bordadeiras entrevistadas nessa pesquisa são integrantes de associações de artesanato que trabalham com o bordado, algumas exclusivamente e outras não. São grupos dos municípios cearenses de Itapagé (Associação das Bordadeiras Artesanais de Itapagé-ABAI), Maranguape (Associação Produtiva Artesanal de Maranguape-APAM e Associação dos Artesãos de Maranguape-ARTMAP) e Quixeramobim (Grupo Mãos de Fada). Os grupos compartilham algumas características: tem mão-de-obra predominantemente feminina, enfrentam uma diminuição na produção do bordado devido à falta de mão-de-obra, bordam à mão e à máquina, já participaram de feiras nacionais e internacionais, mantém parceria com instituições como SEBRAE/CE e CEART.