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2 Teori

2.2 Anthony Giddens

Verificamos anteriormente, que um dos enfoques com os quais podemos trabalhar o texto literário nas aulas de E/LE é através da atenção à formação de leitores para desfrutar os textos literários. É importante que esse tipo de texto seja percebido como ferramenta significativa e ao mesmo tempo estimulante para a aquisição de variados aspectos da língua, por meio do desenvolvimento da formação leitora literária.

Ainda que o desenvolvimento da habilidade de leitura apareça como elemento de maior importância para o uso do texto literário nas aulas de espanhol do Núcleo de Línguas Estrangeiras, percebemos em contra partida, que a atenção ao prazer estético não é vista pelos professores e também pelos alunos como um elemento muito relevante, apesar do caráter estético ser a característica maior do texto literário e um dos traços que o diferenciam de outros tipos textuais que também podem ser utilizados para o desenvolvimento da habilidade leitora em língua estrangeira. Alunos e professores parecem não ter atentado para a importância do prazer para a aprendizagem e, ao nosso ver, isso é mais grave tratando-se de atividades que envolvem o uso do texto literário. Parece-nos que na opinião dos sujeitos da pesquisa as atividades precisam cumprir objetivos exclusivamente didáticos.

Pudemos verificar que dos treze alunos do segundo semestre que responderam ao questionário, somente 23% deles acreditam que os textos literários são importantes para despertar prazer estético. Um número bastante reduzido de alunos parece achar importante ler algo em língua estrangeira que além de cumprir suas funções didáticas, cumpra também sua função de geradora de bem-estar.

Já através dos dados dos alunos de quarto semestre, pudemos verificar que estes (dezessete no total) consideram o texto literário um pouco mais relevante para despertar o prazer estético. Observamos que, em termos proporcionais, as respostas dos alunos de quarto semestre divergem um pouco das respostas encontradas nos dados analisados dos alunos de segundo semestre. 41% dos alunos de quarto semestre acham importante o uso do texto literário para despertar prazer estético nas aulas de língua estrangeira. Nos dados obtidos dos alunos de sexto semestre (doze no total), percebemos que somente 33% deles acham o texto literário importante para despertar o prazer estético.

Percebemos que, de fato, os alunos, independente do nível em que estejam, não dão muita importância ao texto literário como um elemento que além de gerador de aprendizado seja também gerador de prazer.

Contudo, temos a concepção de que para o sucesso da renovação do tratamento didático do texto literário nas aulas de língua espanhola é necessário direcionar o foco para a formação do leitor e que este direcionamento inclua a satisfação com a leitura, advinda do gozo com o texto literário.

Segundo Mendoza (2004) o texto literário é um amplo e diversificado expoente do potencial expressivo da língua, e a chave para reconhecer o uso literário da língua está na identificação da finalidade estética.

Para que o leitor possa receber o texto literário de modo afetivo e efetivo, as obras literárias precisam ser apresentadas aos alunos de modo motivador e não como um discurso de difícil compreensão, ou seja, os alunos têm que se sentir destinatários capazes, por sua experiência leitora, de receber e, mais ainda, sentir prazer com a recepção dos textos literários. Isso ocorre, por estes serem obras que, de alguma forma, trazem satisfação pessoal ao leitor pelo seu conteúdo ou pelo seu formato e que, além disso, trazem satisfação por serem textos capazes de ser compreendidos e interpretados por estes alunos leitores.

Diante de uma obra literária que lhe pareça significativa o aluno leitor relaciona e é capaz de organizar seus conhecimentos em resposta aos estímulos do texto. Sendo assim, o processo de recepção culmina em uma aprendizagem eficaz.

As diretrizes para um modelo de tratamento didático do texto literário propostas por nós, atende, portanto, ao reconhecimento da funcionalidade estética, recreativa e formadora da literatura no fortalecimento da habilidade de leitura em língua espanhola e, conseqüentemente, da aquisição dos variados aspectos da referida língua no âmbito funcional e pragmático.

Dessa forma, fica claro que nas diretrizes propostas por nós, a atividade didática centrar-se-á em orientar o professor do Núcleo de Línguas Estrangeiras no incentivo à interação entre o texto e o leitor, e na ativação dos saberes prévios dos alunos leitores para o reconhecimento e para a apreciação estética do discurso literário. Temos em comum com Mendoza (2004), a necessidade de que o professor seja capaz de formar o aluno para desfrutar a recepção do texto literário, construir o significado deste e decidir sobre a adequação de suas interpretações.

O que nos parece essencial é nos preocuparmos com a formação de leitores competentes, já que isso permitirá que os alunos leiam uma diversidade enorme de textos, literários ou não, e que no caso de serem literários possam identificar, reconhecer e avaliar as qualidades estéticas dos mesmos. No caso da literatura de língua estrangeira, o prazer da

leitura vem, também, do reconhecimento, da análise e da identificação dos vínculos entre as culturas da língua materna e da língua-alvo.

É importante salientar que o acesso ao texto literário nessa perspectiva proporciona ao aluno leitor a realização de uma leitura significativa e de caráter lúdico-estético, por meio de um processo interativo que culmina no encontro formativo da língua, propiciado pelos elementos presentes no texto literário.

Adotamos, pois, como uma das ramificações do nosso enfoque, o despertar do prazer estético porque estamos trabalhando com textos literários, especificamente, e não poderíamos pensar em formação leitora em E/LE utilizando como ferramenta esse tipo de texto, desconsiderando a qualidade que o torna diferente e único, que é a possibilidade de comover e emocionar leitores. Não poderíamos, portanto, incidir novamente no erro de tratar o texto literário como os demais textos, esquecendo ou passando por cima dos elementos estéticos com o pretexto de ensinar determinados conteúdos da língua-alvo. Por esta razão, o desenvolvimento do prazer estético é uma das peças-chave das nossas diretrizes para a construção de um modelo de tratamento didático do texto literário para o Núcleo de Línguas Estrangeiras.