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In document – Jeg har møtt mye arroganse (sider 39-42)

Entendemos por metodologia «(...) “parte lógica que estuda os métodos das diversas ciências, segundo as leis do raciocínio” ou a “arte de dirigir o espírito na investigação (...)” ou ainda “conjunto de regras empregadas no ensino de uma ciência ou arte”». (Costa, et al. cit. Gonçalo, 1998:28). Nesta acepção, metodologia é uma espécie de canal que assegura o significado e o significante.

Segundo o Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, o vocábulo “metodologia” vem do grego “méthodos + lógos”, ou seja é a arte de dirigir o espírito na investigação da verdade. E a lógica objectiva.

O presente estudo de investigação inscreve-se numa metodologia qualitativa. Posicionando o conceito “paradigma qualitativo” numa acepção pragmática, remete-nos para os estudos integrados nas ciências sociais e humanas.

Para os autores Bogdan e Biklen a investigação qualitativa é naturalista, descritiva, processiva, indutiva e assenta no significado. Esta múltipla adjectivação traduz-se numa lógica de pensamento de “modus vivendi”, em que o cosmos é a célula.

Os mesmos autores descrevem estas características

1. (...) a 39fo n te directa de dados é o am biente natural, constituindo o

investigador o instrumento principal. Os investigadores introduzem -se e despendem de grandes quantidades de tem po em escolas, (...) ainda alguns investigadores utilizam equipamento vídeo ou áudio, m uitos lim itam -se a utilizar um bloco de apontamentos e um lápis.(...) Os investigadores qualitativos frequentam os locais de estudo porque se preocupam com o contexto. Entendem que as acções podem ser m elhor com preendidas quando são observadas no seu ambiente de ocorrência. (....)

2. A investigação qualitativa é descritiva. Os dados recolhidos são em forma de palavras ou imagens e não de números. (...) Os dados incluem transcrições de entrevistas, notas de campo, fotografias (...) a palavra escrita assume particular im portância (....) tanto para o registo dos dados como para a dissem inação dos resultados (...) exige que o m undo seja exam inado com a ideia de que nada é trivial, (...)

3. Os investigadores qualitativos interessam-se m ais pelo processo do que (...) pelos resultados ou produtos. (...)

4. Os investigadores qualitativos tendem a analisar os seus dados de forma indutiva. (...) as abstracções são construídas à medida que os dados particulares que foram recolhidos se vão agrupando (...) o processo de análise 39 O sublinhado é nosso.

dos dados é com o um funil (...) o investigador qualitativo planeia utilizar parte do estudo para perceber quais são as questões m ais importantes antes de efectuar a investigação.

5. O significado é de importância vital na abordagem qualitativa. Os investigadores (...) estão interessados no modo como diferentes pessoas dão sentido às suas vidas. (...)» (1997:47 - 51)

Desenvolvendo um pouco mais estas características, poderemos tentar clarificar mais o seu enfoque. A investigação qualitativa é naturalista quando há uma interacção directa entre o investigador e os sujeitos observados/estudados, esta interacção deve ser discreta e natural. O objectivo desta característica é que os actores do “desenho investigativo” sejam tão próximos quanto distantes, isto é, será benéfico criar um ambiente em que o investigador não seja um estranho, no entanto, é um sujeito de fora (que com o tempo poderá ser aceite como um “deles”), que frequenta o local, tira notas, interage. O investigador naturalista é, para Carmo e Ferreira, aquele que é sensível ao contexto, as produções verbais, não verbais e comportamentos só poderão ser entendidos no seu contexto natural. No nosso entender, a “chave” desta característica é a informalidade, ela é que toma possível o desenrolar da acção, sem artificialismos. Este tipo de investigação é, no nosso entender, uma espécie de “namoro” em que os interlocutores vão agindo em conformidade consigo próprios e com os seus pares, numa relação social crescente de empatia e conhecimento.

Os métodos qualitativos também incidem numa visão holística, segundo Carmo e Ferreira quando

«(...)os investigadores têm em conta a “realidade global” . Os indivíduos, os grupos e as situações não são reduzidos a variáveis m as são vistos com o um todo, sendo estudado o passado e o presente dos sujeitos de investigação» (1998:180). Este paradigm a decorre de pressupostos “hum anistas”, ou seja, os sujeitos são estudados enquanto pessoas. É importante conhecer o m odo como vivem, é preciso partilhar da sua vivência e não reduzir «a palavra e os actos a equações científicas» (id. ibid.).

A investigação qualitativa é descritiva, para os autores Merriam, Ludke e André (1988), quando o resultado final resulta numa descrição abundante de situações inerentes ao objecto de estudo. As sucessivas explicações resultantes das observações das aulas, tomam possível não só descrever os contextos como numa fase posterior, interpretar os significados.

Nós, enquanto investigadores, usamos uma diversidade de instrumentos de levantamento de dados (questionários exploratórios para professoras e alunos,

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entrevistas a professoras e a alunos, mini-entrevistas-acção a alunos, planificações, actas, entre outros), porque pretendemos obter o conhecimento e validar o nosso projecto fazendo a consequente triangulação de dados40. Porém, não almejámos produzir qualquer síntese generalizadora de foro científico, o nosso estudo restringiu-se a um dado momento e a um determinado contexto. Propusemo-nos investigar práticas, comparar processos, conhecer opiniões de alunos e professores acerca de diferentes conceitos quer educacionais quer teóricos. Obtivemos dados através duma observação dentro da sala de aula acompanhando todos os passos dados pelos nossos alvos de estudo. Esta observação feita de forma sistemática permitiu-nos acompanhar o processo estudando as interacções entre as professoras e os alunos.

Estudar os processos facilitou-nos uma maior compreensão das percepções que as professoras tinham dos alunos e perceber as atitudes dos alunos face ao desenvolvimento das diferentes tarefas na sala de aula.

O nosso estudo também assentou numa característica indutiva porque nos

permitiu descobrir, através de raciocínios indutivos, pormenores específicos ligados ao contexto, aos comportamentos verbais e não verbais, às situações que flúem naturalmente e que pela sua especificidade e interesse poderão ser passíveis de novas hipóteses, de novas teorizações e consequentemente categorizações.

Sendo o significado uma característica da investigação qualitativa, também referida por alguns autores por “paradigma interpretativo”, é para (Hébert et al., 2005:39), a atribuição dos «(...) significados que lhe atribuem o actor e aqueles que interagem com ele. (...) Face ao objecto acçâo-significado (meaning-in-action), o investigador postula uma variabilidade das relações entre as formas de comportamentos e os significados que os actores lhes atribuem através das suas interacções sociais». A nossa acção, na qualidade de investigador qualitativo, também privilegiou o significado, preocupamo-nos com diversas facetas do nosso público-alvo, recolhemos dados relativos às suas perspectivas e interpretações através de diversos tipos de entrevista e tivemos o cuidado de facultar sempre os rascunhos das transcrições de aulas, das entrevistas, para que as professoras pudessem confrontar e (in)confirmar os seus

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40 A Triangulação de dados é o uso de uma variedade de fontes ou de m etodologias num m esm o estudo.

Segundo Patton (1990) citado por Carmo e Ferreira (1998:183),«é através da tria n g u la ç ã o , isto é, da combinação de m etodologias no estudo dos mesmos fenómenos ou program as, tal significa, (...) utilizar diferentes m étodos ou dados, incluindo a combinação de abordagens quantitativas e qualitativas.».

registos. Foi importante para nós que o registo escrito final dos diversos protocolos de recolha de dados, tivesse sido alvo de análise por parte das professoras do estudo.

No decorrer da nossa acção, os métodos que seguimos, enquadraram-se, no nosso entender, claramente em todas as situações até agora descritas. Na nossa revisão bibliográfica sobre este capítulo - metodologia - fomos construindo a história da acção por nós desenvolvida como se de um puzzle se tratasse, ligando os conceitos teóricos com os que íamos construindo no “campo”- a sala de aula. Pareceu-nos interessante apresentar no corpo deste trabalho um quadro de Patton (1990) citado por Tuckman, onde se referenciam as temáticas da investigação qualitativa, e onde, na nossa opinião poderemos encontrar o fio condutor do desenho investigativo que traçámos.

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Quadro n° 2 - Temáticas da Investigação Qualitativa (adaptado) 1 .Inquérit

o naturalista

Estudo de situações do mundo real, como elas naturalmente se manifestam (...) é discreto e não é controlador; abertura ao que vier a acontecer - ausência de constrangimento sobre os resultados.

2.Análise indutiva

Penetração nos detalhes e aspectos específicos dos dados para descobrir categorias, dimensões e inter-relações importantes; começa por explorar genuinamente questões abertas, mais do que testar hipóteses derivadas teoricamente (dedutivas).

3.Perspect iva holística

0 fenómeno global em estudo é compreendido como um sistema complexo que é mais do que a soma das partes; centra-se em interdependências complexas, não significativamente reduzidas a poucas variáveis discretas e lineares, bem como relações de causa- efeito.

4.Dados qualitativos

Descrição detalhada e densa; inquérito em profundidade; citações lirectas que apreendem as experiências e as perspectivas pessoais dos ntervenientes.

5.Contacto pessoal e “insight”

0 investigador mantém contacto directo com as pessoas e toma-se iróximo delas, da situação e dos fenómenos em estudo; As experiências lessoais e os insights do investigador são uma parte importante do nquérito e constituem aspectos cruciais para compreender os fenómenos. ó.Sistemas Atenção centrada no processo; assume que a mudança é constante

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dinâmicos e contínua, quer se atente mais no indivíduo ou na cultura integral ou em toda a cultura.

7.0rientaç ão de caso único

Assume que cada caso é especial e único; o primeiro nível do inquérito é ser verdadeiro, respeitando e apresentando os detalhes dos casos individuais em estudo; a análise de casos-cruzados depende da qualidade dos estudos de casos individuais e tem origem neles.

8.A sensi­ bilidade do contexto

As conclusões situam-se num contexto social, histórico e cultural; insegurança em relação às possibilidades ou ao significado das generalizações, no tempo e no espaço.

9.Empatia e

neutralidade

A objectividade completa é impossível; a subjectividade pura enfraquece a credibilidade; a paixão do investigador é a compreensão do mundo em toda a sua complexidade - não demonstrar seja o que for, não defender, não avançar notas pessoais, mas apenas compreender; o investigador inclui a sua experiência pessoal e um insight empático como parte integrante dos dados relevantes, ao mesmo tempo que, assume uma postura neutral e não judicativa em relação a qualquer situação possível.

10.

Flexibilidade do design

Abertura para adaptar o inquérito, à medida que o conhecimento se aprofunda e/ou as situações se alteram; evita ficar encerrada em designs rígidos que eliminam o seu carácter de resposta; persegue novos caminhos de descoberta à medida que estes emergem

Fonte: Patton (1990) citado por Tuckman (2000:509 - 510)

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