5.2 Materielle hjelpemidler
5.2.2 Guidebøker
Ao final das apresentações, abrimos espaço para que os alunos-ouvintes pudessem fazer perguntas aos alunos-apresentadores sobre o tema e sobre como eles aprenderam a produzir o seminário. Esse momento de interação foi bastante produtivo, pois os alunos-
ouvintes tiveram a oportunidade, sob nossa mediação, de aprender mais sobre o tema de cada seminário e como produzir o gênero. Os alunos-ouvintes tiveram dificuldade de realizar perguntas, sendo necessária a elaboração de perguntas orais pela professora e uma maior mediação neste processo; desta forma produzindo apenas uma discussão e não um debate, como foi proposto, com a participação de apenas quatro alunos-ouvintes.
QUADRO 27 – Transcrição de parte das falas dos alunos (fedback entre alunos-ouvintes e alunos-participantes com a intermediação da professora)
Professora: - [...] O tipo de relacionamento com os pais pode levar o filho ao uso de drogas? A1: - Pode levar, porque um filho, uma pessoa da família não pode estar sentindo bem em casa e quer “aliviar” de algum jeito, quer acabar com seus problemas e algumas coisas mais. Professora: - E como a família pode ajudar a recuperar o filho que tenha chegado numa condição de uso de drogas?
A1: - Ela pode ajudar tentando internar essa pessoa, levando ela para casa de recuperação, ou fazer alguma coisa do tipo, “tipo” conversando, e dando mais apoio para essa pessoa.
Professora: - E como a família pode ajudar o filho a não entrar “nesse mundo”? A2: - Apanhando.
A3: - Dando mais auxílio a ela, deixando ela bem.
Professora: - Como que o filho ou uma filha pode pedir ajuda para seus pais? Se a pessoa estiver sendo assediada – não sei quem foi lá na visita da casa de recuperação, mas lembram que eles falaram de assédio? Quando fala a palavra assédio, a gente só pensa em assédio sexual?!
Alunos-ouvintes: - É.
Professora: - Existe assédio moral, o que é assédio moral? E a pessoa for falando “fulano vamos usar drogas”, significa oferecer, ameaçar, convidar pessoas a usar drogas. Não é? Então, como o filho pode evitar, pode pedir ajuda para os seus pais, para você não entrar no mundo das drogas?
A1: - Diálogo, com “base na conversa”, não ir muito “pela cabeça dos outros” e escutar mais seus pais e familiares.
Professora: - Mais alguma pergunta ou comentário? Pode falar.
A 4: - Queria saber como faço para ajudar uma pessoa da minha família que usa drogas, sem expor.
Professora: - Pergunta muito boa! É, por exemplo, você sabe que um primo “seu” usa drogas e você quer ajudar. Mas como você vai ajudar ele sem “contar” para os pais deles ou sem falar para a família toda? Como que vocês fariam?
A 2: - Dando mais auxílio a ele, não tem que falar para “todo mundo” que está internado, falar que viajou.
Professora: - Como seria esse auxílio? Conversando? Conversando com seu primo? Como poderia conversar com o seu primo, por exemplo? Como podemos orientar alguém da nossa família?
A4: - E se “a gente falar” assim “não usa drogas e tal” isso ele disse assim “ah e essa pessoa da nossa família usa. E aí”?
Professora: - Vocês entenderam? Você vai conversar com seu primo, por exemplo, que ele usa drogas, mas ele “pega e fala assim”: mas meu pai usa, por exemplo, “né”? Como que a gente pode orientar essa pessoa? Difícil essas perguntas “né”? Gente, mas são muito boas! Esse é o propósito! Quer que eu responda para vocês se precisar de alguma ajuda? Cada pessoa faz as suas escolhas. Você acha que seu pai e sua mãe estão bem assim? Estão felizes porque usam droga? Ele vai responder assim “não, não, ele me bate, ele não conversa comigo e tal”, e ele vai enumerando. E você vai dizer “você vai seguir esse exemplo? a escolha é sua!” Gente, o caminho das drogas é um buraco sem fundo. Infelizmente muitas pessoas que entram nesse mundo vivem pouco tempo. Por quê? O porquê, a causa isso é do efeito das drogas. Ou por que causa efeito no corpo e ela morre ela vai definhando.
Fonte: Arquivo pessoal da autora
Na tentativa de produzir uma situação real de uso formal da fala, apresentamos o seminário final aos colegas de outras turmas da escola, a fim de que eles aprendessem mais sobre o tema exposto e os alunos participantes da pesquisa, que estavam na condição de especialistas e protagonistas do processo de ensino-aprendizagem, pudessem também socializar a aprendizagem do gênero seminário com um público maior. Este foi um momento muito rico, uma vez que houve a socialização do tema, discussão e interação entre os colegas da mesma turma e com colegas de outras turmas, que não tiveram a mesma oportunidade de aprendizagem do gênero.
Constatamos, também, que esse foi um grande desafio para os alunos participantes da pesquisa, pois eles exigiram mais de si mesmos e tiveram uma plateia diferente da que estavam acostumados. Essa realidade exigiu que eles conhecessem mais sobre o tema, monitorassem mais o estilo e o registro linguístico no momento de apresentação do seminário
e tivessem boa interação com seus colegas de grupo. Percebemos que todos os alunos se sentiram à vontade, tanto durante a apresentação quanto durante o momento em que comparamos as diferenças entre o seminário diagnóstico e o seminário final. Todo esse processo nos mostrou, com clareza, o que foi aprendido.
Concluímos, então, que os alunos, ao longo de todo o percurso de trabalho, venceram diferentes dificuldades, conseguindo, ao final, dominar o gênero seminário; além disso, a ideia da apresentação do seminário para outro público foi muito boa. Se a apresentação tivesse se restringido à sala de aula da turma que se envolveu com as atividades, como comumente acontece, talvez os resultados não tivessem sido tão positivos.
Após este momento, agradecemos a participação dos alunos-ouvintes e dos professores presentes e nos despedimos. No mesmo dia, como foram seis aulas consecutivas, fizemos o fedback da apresentação junto com os alunos, de modo a levá-los a perceberem os pontos positivos e negativos de cada apresentação.