3.2 GUDS SKAPERGJERNING
3.2.1 Guds person
Especificamente, com relação à Educação Infantil, Shores e Grace (2001, p. 43) consideram que existem diferentes tipos de portfólios:
Portfólio particular: conjunto de registros ao longo da vida, contendo informações sobre a vida pessoal e/ou profissional, podendo ter um caráter particular e confidencial.
Portfólio de aprendizagem: acervo de anotações, amostras de trabalhos, rascunhos, atividades e entrevistas, utilizados com maior frequência por professores e alunos.
Portfólio demonstrativo: contém fotografias, gravações e cópias selecionadas de relato das crianças, evidenciando avanços importantes ou problemas persistentes, para discussões e análises com pais ou responsáveis, além de outros membros da comunidade escolar ou ainda professores da série seguinte.
Denielson e Abrutyn (1997, apud SEIFFERT, 2001) distinguem, também, três tipos de portfólios:
Portfólio de trabalho: consiste num arquivo de trabalhos que auxilia a diagnosticar as necessidades da criança, contribuindo para reorientação do ensino. Este portfólio documenta o processo de aprendizagem em relação aos objetivos esperados, uma vez que apresenta todas as atividades, juntamente com comentários apreciativos sobre as aprendizagens.
Portfólio de apresentação: contém as melhores produções e é muito utilizado por profissionais que querem demonstrar todo o seu percurso. Assim, podem ser inclusas atividades, como apresentações em eventos, artigos produzidos, entre outros produtos considerados relevantes.
Portfólio de avaliação: documenta o processo de aprendizagem da criança, contando com comentários sobre o que foi trabalhado, estabelecendo correlação com os objetivos propostos. Para elaborar este tipo de portfólio:
Danielson e Abrutyn (1997, apud SEIFFERT, 2001) descrevem as seguintes ações:
(b) explicitação sobre o uso das informações contidas no portfólio;
(c) estabelecimento de tarefas avaliativas em relação aos objetivos curriculares;
(d) definição dos critérios de avaliação; (e) determinação do avaliador;
(f) tomada de decisões;
(g) implementação de mudanças necessárias no processo de ensino e aprendizagem. (RAIZER, 2007, p. 60)
Apesar de essa categorização ser importante, considero que podemos elaborar um portfólio de aprendizagem, mas também com um caráter demonstrativo. Assim, concordo com Tierney (apud DEPRESBITERIS e TAVARES, 2009, p. 157), que considera que não existe uma única maneira de elaborar tal instrumento. Mais importantes do que a classificação, talvez sejam algumas características que sempre deverão estar presentes, tais como:
Identificação da criança;
Relação das atividades a serem realizadas; Registro temporal;
Critérios de escolha; Reflexão do aluno;
Comentários do professor;
Entrevistas e (ou) reflexões que caracterizem um processo de avaliação. Arrisco a complementar essa lista de diretrizes, ressaltando a necessidade de o portfólio contemplar o estabelecimento de metas e desafios, dando um sentido à avaliação como tomada de decisão. A criança deve sentir-se responsável por seu processo de aprendizagem, e o professor, a partir deste instrumento, poderá analisar particularidades, singularidades e peculiaridades de cada um de seus alunos. O portfólio, dessa maneira, atende às necessidades das crianças, dos educadores e dos pais, envolvendo-os nesse processo complexo e, ao mesmo tempo, cativante, da aprendizagem das crianças da Educação Infantil.
produções que não sofreram nenhuma intervenção do professor, como desenhos, produções escritas, relatos orais e as secundárias são caracterizadas por interpretações de educadores acerca do desempenho da criança.
De qualquer maneira, todos os itens elegidos, sejam pelos educadores, sejam pelas crianças, devem apresentar informações sobre o crescimento e o desenvolvimento do educando.
Como itens mais comuns há amostras das atividades escolares, como desenhos e trabalhos escritos. Porém é possível desenvolver portfólios que retratem o desenvolvimento da oralidade, do comportamento leitor ou ainda da socialização das crianças pequenas.
O fato é que, quanto mais variados forem os registros, mais utilidade o portfólio terá. Possolli e Gubert (2014, p. 355) apontam que o professor, em parceria com a equipe pedagógica, deve assumir a responsabilidade de criar “um conjunto de procedimentos para cada tipo de material a ser integrado ao portfólio, a fim de que se realize um registro eficaz, em consonância com o fim a que se destina” o portfólio.
E ainda destacam que:
Um portfólio considerado como significativo deve apresentar indícios que indiquem como cada aluno atingiu os objetivos pré-definidos para cada idade/série no projeto pedagógico da instituição, ou seja, deve fornecer subsídios sobre o aprendizado de forma que possibilite verificar os avanços. As amostras que estão inseridas no portfólio representam a vertente principal do trabalho, pois desenhos, (...) e outras citações produzidas pelos alunos demonstram a criatividade e o desenvolvimento cognitivo alcançado, revelando, assim, o progresso do educando ou adolescente. (POSSOLLI e GUBERT, 2014, p. 355)
Crockett (1998, apud ALVARENGA e ARAÚJO, 2006, p. 140) sugere que, para que o portfólio cumpra seus objetivos, é preciso que o professor:
Aprenda sobre portfólio e perceba o que representa para os estudantes elaborá-lo; Compreenda que existem objetivos e/ou competências a serem atingidos e que podem ser
modificados ao longo do caminho;
Decida os tipos de evidências que podem ser usadas pelos alunos como prova ou evidência do aprendizado;
Prepare os materiais a serem utilizados e auxilie com informações e leituras adicionais para que compreendam e elaborem adequadamente as tarefas propostas. Além disso, esclarecer quais evidências básicas são importantes e quais processos e procedimentos são necessários para documentar as realizações;
Encoraje os estudantes a refletirem sobre suas habilidades, dificuldades, interesses e experiências, estimulando a criatividade;
Seja um facilitador e saiba que construir um portfólio não é tarefa fácil. Requer perseverança e paciência;
Ajude o aluno a refinar suas tarefas e refletir sobre elas e ainda ensine como criar portfólios especiais para projetos específicos;
Auxilie os estudantes a entenderem o caminho que precisam percorrer para atingir os propósitos definidos;
Crie oportunidades para estudantes desenvolverem e compartilharem seus portfólios com colegas, amigos, pais e comunidade por meio de atividades e informações verbais e não- verbais.
Esses são, sem dúvida nenhuma, aspectos fundamentais que devem ser considerados na elaboração e na implementação do portfólio como instrumento de avaliação. Tais aspectos devem ser amplamente analisados e discutidos, levando a uma reflexão de todos os educadores envolvidos. Não há como definir receitas a serem seguidas. O professor, assim como a criança que vivencia um processo de construção do conhecimento, necessita refletir sobre a organização de portfólios, podendo repensar e replanejar a partir dos possíveis “erros ou acertos”, realizando, em parceria com a equipe pedagógica, tantos ajustes quantos se fizerem necessários.
Crockett destaca alguns indicadores gerais que também podem ser utilizados pela equipe pedagógica, mostrando que quem elabora portfólios precisa atentar-se a:
Organização;
Documentação e demonstração do conhecimento do aluno sobre o conteúdo desenvolvido;
Presença de reflexões sobre os temas;
Evidências que demonstrem como o progresso aconteceu. (...)
(CROCKETT, 1998 apud ALVARENGA e ARAÚJO, 2006, p. 140)
Gronlund (1998, apud ALVARENGA e ARAÚJO, 2006, p. 143) cita quatro passos importantes para que o processo de elaboração do portfólio realmente seja eficaz. São eles:
Determinar os objetivos, as competências e habilidades a serem desenvolvidas e avaliadas;
Coletar os trabalhos com intenção e propósito;
Determinar como os trabalhos serão organizados e onde serão arquivados; Selecionar e avaliar os trabalhos.
envolvimento de familiares, por exemplo, parte do sujeito principal: a própria criança, conferindo total sentido ao processo de avaliação e aprendizagem.
Portfólios, se bem elaborados, corroboram com a prática do registro como instrumento metodológico, destacados por Madalena Freire (1996) e Zabalza (1994), pois o registro implica um planejamento, a observação e a reflexão. O processo de tomada de consciência das situações vivenciadas, que ocorre a partir do registro, demanda a percepção dos próprios atos, a análise do que já passou, a compreensão dos significados que nos fazem compreender as decisões tomadas, a introdução de mudanças e, consequentemente, um novo ciclo de atuação profissional.