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Gruppe 3: Substantiv med jamnare genusfordeling

Conforme notícia publicada no Rio de Janeiro no jornal A Voz do Trabalhador, do dia 20 de julho de 1914, a respeito da inauguração do Grupo Teatral Cultura Social em Pelotas, o programa do Grupo é idêntico aos dos demais estados. Por essa afirmação, é possível apreender que haveria em outros estados grupos teatrais semelhantes. Essa tendência foi salientada por Arêas:

Para muitos militantes a criação de grupos amadores de teatro incentivava a sindicalização de operários e a divulgação da doutrina. A arte é colocada como um instrumento a serviço da propaganda dos ideais, preparando o operariado para a nova sociedade que surgiria após a revolução social (1996, p. 33).

O periódico A Luta, informa no dia 14 de Maio de 1916, que o Grupo Dramático Social de Porto Alegre tem efetuado sugestivos saraus de propaganda. Através desses exemplos é possível perceber que a atuação de grupos teatrais operários estava disseminada naquele momento. Conforme salienta Petersen (2001, p. 70):

[...] existem numerosos indícios provenientes destas pesquisas regionais de que o movimento operário, em várias de suas dimensões, literalmente atravessa as fronteiras estaduais. Assim, congressos, greves, movimentos de solidariedade e causas comuns como denuncias e reivindicações nutriam-se de estímulos provenientes de diferentes pontos do País, jornais e livros de “literatura social” ou doutrinária circulavam entre os Estados. Circunstâncias tais, como perseguições e deportações ou a própria dinâmica da vida daqueles personagens que eram um misto de agitadores-pedagogos-animadores culturais, ou ainda as características profissionais de algumas categorias, determinaram uma intensa mobilidade destes sujeitos através de diferentes locais do País.

Observa-se que o Grupo Teatral Cultura Social, de Pelotas, e o Grupo Dramático Cultura Social, do Rio de Janeiro, estavam em contato direto e tinham produção teatral semelhante.

O Grupo Dramático Cultura Social foi criado no dia 03 de agosto de 1913, no Rio de Janeiro, segundo notícia do jornal A

Voz do Trabalhador, do dia 01 de setembro de 1913, com a finalidade de “difundir por meio de representações teatrais os ideais avançados”. Como amadores do grupo constam J. Diniz, Zenon de Almeida, Pascoal Gravina, Hermojenio Silva, Demetrio Ninhana, Elvira Fernandes, Alberto Martins, Antonio Gonçalves, Plutarco Frurtoz, Delfina Monteiro e José Ribeiro. O contrarregra era Astrojildo Pereira e o ponto Zenon de Almeida. Já o Grupo Teatral Cultura Social foi fundando no ano de 1914, em Pelotas, e também contou com a participação de Zenon de Almeida entre os operários, já citados, na sua inauguração. Pelas notícias encontradas nos periódicos do período, destaco A Voz do Trabalhador, O Rebate e A Luta, percebe-se que esses grupos tinham uma produção semelhante e mantinham estreitas relações. Essa articulação dos gaúchos com o restante do país era comum, conforme destacam Petersen e Schmidt:

Embora Rio de Janeiro e São Paulo tenham sido os centro hegemônicos do movimento operário brasileiro, a importância do Rio Grande do Sul não foi menor e suas associações e militantes mantiveram muitos contatos com os companheiros do centro do país, participando, às vezes de modo fundamental, para a definição dos rumos da luta operária nacional (2004, p. 218).

Sendo assim, é possível constatar a existência de uma união entre os anarquistas de diversas regiões do país. Tendo o Rio de Janeiro acolhido operários gaúchos e o Rio Grande do Sul acolhido militantes cariocas, e colocado em prática suas atividades culturais e teatrais, bem como suas militâncias políticas.

2.3 PROPOSIÇÕES DA CENA

O jornal A Luta publicou diversos textos relacionados à arte. Os três textos aqui trabalhados permitem perceber qual era a instrução que estava sendo passada para os amadores do Grupo Teatral Cultura Social. É possível fazer esta suposição pois o jornal A Luta era direcionado para os frequentadores da Liga Operária de Pelotas. Sendo assim, é natural que a visão do

teatro, e da arte como um todo, apontada pelo periódico, estivesse em consonância com a dos militantes do Grupo Teatral.

Julio Dantas publicou um texto intitulado Arte e Ciência, dividido em duas partes, nos dias 11 e 18 de março de 1916. Julio Dantas inicia sua coluna afirmando que o “teatro é a ficção expressiva dos sentimentos e paixões humanas”. Na sequência afirma que o gesto, o grito e a palavra são os três elementos da expressão teatral, no entanto, observa que a cena pode existir sem o grito e a palavra – elementos secundários da ficção teatral - mas o gesto é fundamental. Afirma: “a base de todo o teatro é a mímica. Deve pois ser a mímica a base de todo ensino. A mímica compreende a atitude, o gesto propriamente dito, na expressão, o gesto facial”. Para apreender a gesticulação facial seria necessário, segundo o autor, o estudo da estática e da dinâmica da fisionomia, sendo um aprendizado essencialmente plástico. Cada emoção tem a sua musculatura. Segundo ele, o teatro nunca conseguirá viver sem o gesto, no entanto, o mesmo não se aplica à palavra.

Outro texto publicado em A Luta, 14 de maio de 1916, foi o de M. Moriones, intitulado Da Arte. A coluna inicia afirmando que a arte deve abarcar o mundo moral e a subjetividade do indivíduo, refletindo as alterações da alma humana, sejam elas lentas ou precipitadas. Segundo ele, a arte verdadeira deveria “extrair de si mesmo suas fraquezas, suas debilidades, seus bons e maus gestos, suas paixões ou desejos, tendo por norma a sinceridade do indivíduo”. Em sua escrita, ele critica a falta de sinceridade da arte, sua vulgarização, tratando dos baixos desejos e das baixas paixões, ao invés de preocupar-se em trabalhar pensamentos nobres e elevados.

É possível que quando M. Moriones critica a utilização não engajada da arte, sua argumentação, talvez, tivesse o intuito de alertar os operários da necessidade de a arte ser utilizada para a luta operária, produzindo reflexão, e não apenas para o divertimento vazio, propagando ideais e comportamentos inadequados à necessidade dos trabalhadores.

Por fim, foi publicado em A Luta, dia 31 de julho de 1916, de autoria de Adolfo Lima, o texto A sua função social – A missão

do ator. Nesta coluna, o autor destaca o teatro como um complemento da escola, contribuindo para a educação geral e artística das crianças e prolongando a educação e a instrução dos adultos. Assim, o professor tem a incumbência de transmitir as descobertas das ciências, os saberes, enquanto que o ator comunica às massas populares as intuições dessas descobertas e invenções previstas pelos autores e pelos artistas dramáticos que as apresentam, patenteando a vida das sociedades, educando o povo, assim como o professor. A seguir, ele defende a superioridade do teatro:

A sua grande superioridade está em que é uma arte eminentemente social. O teatro efetiva-se diante de centenas de pessoas que comunicam entre si as ideias, os pensamentos, os sentimentos que vibram sob a mesma gestão debaixo das mesmas determinantes! (Lima, A Luta, 31 jul.1916).

Afirma o autor que o objetivo da arte dramática, assim como todas as artes, é interpretar a natureza, tendo como matéria própria o ser humano. Apontando os costumes injustos e imorais, destruindo-os e desenvolvendo novas ideias e o anseio por novas organizações sociais para um mundo mais justo e saudável. Critica a comercialização da arte, a pornografia e a falta de convicções que se exibem pelos palcos. Finaliza lamentando que os atores não possam desempenhar sua função educativa, visto que são obrigados pelos empresários a serem agentes involuntários do nosso estado perturbador da sociedade que mantém a ordem burguesa. A questão levantada por Adolfo Lima reflete a grande importância dada pelos participantes da Liga ao teatro social, visto que seu potencial foi igualado ao de um professor, profissão fundamental para a construção da nova sociedade, buscada pelos anarquistas.

CAPÍTULO III ESCRITAS LITERÁRIAS E DRAMATÚRGICAS DE