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Grunnprinsipper for utøvelse av eierskap Utøvelse av eierrettigheter som del av

A avaliação da Qualidade de Vida na Perturbação Bipolar é bastante recente e continua a ser bastante complexa, sendo que os estudos sobre tal matéria são escassos. A avaliação deste constructo é útil uma vez que contribui para melhorar a recuperação funcional e sintomática do sujeito (Gazalle, 2008). Contudo, o interesse no tema está a aumentar. Murray e Michalak (2012) realizaram uma revisão de estudos onde verificaram que ao longo dos anos o interesse na temática da Qualidade de Vida, especificamente em pacientes com Perturbação Bipolar tem vindo a aumentar.

A avaliação da Qualidade de Vida na Perturbação Bipolar ganha ainda maior importância uma vez que esta perturbação é caracterizada por momentos de estabilização e de recaídas o que provoca prejuízos significativos na Qualidade de Vida dos pacientes, mesmo após a remissão sintomática, pois o número e a duração das crises determinam o tempo em que as pessoas estarão sintomáticas (Revicki et al., 2005; Figueira et al., 2010).

Um estudo de Arnold e colaboradores (2000) comparou 3 grupos, um grupo com 44 doentes bipolares, um grupo com 30 sujeitos com dor de costas crónica e um grupo de controlo com 2474 sujeitos saudáveis. Neste estudo concluíram que os pacientes bipolares apresentavam pior Qualidade de Vida comparativamente com a população em geral (exceto no domínio físico). No entanto, concluíram também que os pacientes bipolares estão menos comprometidos, física e socialmente, que os pacientes com dor de costas crónica (Arnold et al., 2000).

O estilo de vida, que muitas das vezes nesta doença tem de ser altamente monitorizado, afeta os níveis de stress do sujeito e pode contribuir para a redução dos fatores desencadeantes e dos sintomas da Perturbação Bipolar, afetando por sua vez a Qualidade de Vida (Canales & Cavalcanti, 2015). Melhorar as rotinas diárias, estabelecer relacionamentos interpessoais saudáveis, participar em atividades prazerosas e manter hábitos de vida saudáveis são algumas das estratégias para melhorar a Qualidade de Vida destes pacientes. Além disso, como se sabe na fase maníaca, os doentes bipolares tendem a iniciar vários projetos e trabalhar para objetivos pouco realistas, sendo também por isso indicado que se estabeleçam objetivos mais realistas, criando planos por etapas para os atingir, melhorando assim a sua autoestima e satisfação pessoal (Canales & Cavalcanti, 2015).

Neste sentido e falando no plano psicológico em particular, é normal que a Qualidade de Vida destes doentes seja afetada, uma vez que há inúmeras especificidades da doença que são dignas de menção e que são características desta doença, não se verificando noutras. Não apenas a duração dos episódios, o absentismo gerado consequentemente, os períodos de internamento, o estigma social mas sim outros aspetos psicológicos presentes e frequentes, menos evidentes, mas que podem ter um papel decisivo para o equilíbrio e bem-estar destes doentes (Figueira et al., 2010). A dificuldade na compreensão da doença, por parte do próprio mas também de familiares e amigos, advém muitas das vezes da imprevisibilidade gerada por esta doença, que provoca uma consequente instabilidade e insegurança, devido a oscilações ciclotímicas que podem ser de dias, meses ou anos, mas que persistem e afetam

invariavelmente a Qualidade de Vida destes doentes. Esta instabilidade pode gerar problemas na sua autoestima, na sua perceção das suas capacidades, levando em casos extremos a duvidar de si, da sua personalidade e a cometer tentativas de suicídio (Figueira et al., 2010).

Um outro aspeto que afeta a Qualidade de Vida dos pacientes bipolares é o ritmo biológico alterado, ou seja, é aconselhável que se identifiquem os fatores que afetam o ciclo sono-vigília e aprender estratégias para os contornar e melhorar (Canales & Cavalcanti, 2015). Durante o sono são produzidas substâncias importantes que atuam em diversos processos metabólicos, ou seja, a falta de sono permite que mais facilmente se assistam a alterações do humor, prejudicando a Qualidade de Vida do doente bipolar (Canales & Cavalcanti, 2015).

O suporte social é outro fator apontado como auxiliar na manutenção de uma boa Qualidade de Vida, pois a Perturbação Bipolar acarreta graves prejuízos na área do social e dos relacionamentos interpessoais. Desta forma, quanto mais estáveis forem os grupos e os relacionamentos que o paciente mantém, melhor para si, para o seu ritmo social, diminuindo as fontes de stress, tendo uma rede apoio para o auxiliar em todas as fases da doença (Canales & Cavalcanti, 2015).

Sierra, Livianos e Rojo (2005) verificaram que os pacientes bipolares apresentam valores estatisticamente mais baixos de Qualidade de Vida comparativamente a um grupo de controlo com população normal. Estes autores concluíram também que valores elevados de suporte social, especialmente da família, se correlacionavam com melhor Qualidade de Vida. Além disto, quando a Perturbação Bipolar surgia antes dos 20 anos de idade, os pacientes apresentavam menor Qualidade de Vida (Sierra et al., 2005).

De referir também a prática de exercício físico, pois esta contribui e influencia quase todos os fatores até aqui mencionados, nomeadamente, estudos comprovam que a prática de exercício físico leva a uma diminuição do stress e ansiedade em doentes bipolares, produz benefícios na qualidade do sono e na estabilização do humor, contribuindo para manter uma rotina mais estável, para um melhor controlo do peso e da imagem corporal (Canales & Cavalcanti, 2015).

Num estudo de Sylvia e colaboradores (2014) foram avaliados 283 pacientes sintomáticos com perturbação bipolar (tipo I e tipo II) e concluíram que a Qualidade de Vida estava associada com baixos rendimentos, sintomas depressivos em grande número ou severidade e ligada também a mais condições psiquiátricas comórbidas. Além disto verificaram também que pior Qualidade de Vida e pior funcionamento em geral estava relacionado com a carga associada à Perturbação Bipolar e a stressores psicológicos (Sylvia et al., 2014).

Cruz, Lai, Goodrich e Kilbourne (2013) realizaram um estudo com 384 doentes bipolares, residentes em comunidade, para avaliar se existem diferenças entre os géneros e a Qualidade de Vida. Concluíram que as mulheres apresentam valores de Qualidade de Vida mais baixos que os homens, nomeadamente no domínio físico mas não nos restantes domínios (o que se relaciona com mais relatos sobre a dor e maior número de sintomas depressivos).

Estes autores acreditavam assim que a dor pode ser um fator que exerce influência na Qualidade de Vida (Cruz et al., 2013).

Além destes resultados, os autores identificaram ainda que a baixa Qualidade de Vida em pacientes bipolares pode afetar o tratamento, nomeadamente a adesão e eficácia, como pode igualmente interferir na possibilidade do doente procurar ou não ajuda médica (Cruz et al., 2013).

Em 2005, Michalak, Yatham & Lam, numa revisão extensa da literatura, identificaram que os défices na Qualidade de Vida podiam ser resultado da progressão e duração da doença, do aumento da severidade provocado pela doença e ainda devido aos efeitos de tratamentos prolongados. No mesmo sentido, um estudo realizado com 63 pacientes com Perturbação Bipolar do tipo I, institucionalizados tinha como objetivo avaliar a relação entre variáveis clínicas e a Qualidade de Vida após o primeiro episódio maníaco. Estes concluíram que a duração da doença, a gravidade dos sintomas depressivos e o número de episódios depressivos prévios leva a valores mais baixos de Qualidade de Vida (Michalak et al., 2013).

A Perturbação Bipolar é uma doença crónica que prejudica a Qualidade de Vida em diversas áreas da vida, mesmo quando os sintomas do humor não estão presentes, sendo caracterizada por valores altos de impulsividade e baixo controlo de impulsos. Victor, Johnson e Gotlib (2011) realizaram um estudo com 76 doentes bipolares tipo I, uma vez que o comportamento impulsivo durante a fase maníaca pode acarretar consequências negativas a longo prazo para os doentes bipolares e ter efeitos negativos na sua Qualidade de Vida. Concluíram assim que pacientes com perturbações do controlo dos impulsos, ou com impulsividade elevada, relatavam níveis mais baixos de Qualidade de Vida, particularmente quando a impulsividade estava presente durante os sintomas positivos. Estes autores confirmaram ainda que a presença de perturbações comórbidas à Perturbação Bipolar estava relacionada com baixa Qualidade de Vida (Victor et al., 2011).

Também numa revisão da literatura acerca dos potenciais causadores de impacto na Qualidade de Vida e da sua magnitude na mesma, em pacientes bipolares, se verificou que a presença de comorbilidades diminui altamente os níveis de Qualidade de Vida e que as intervenções farmacológicas e não farmacológicas têm efeitos positivos na Qualidade de Vida (Ishak et al., 2012). Fatores clínicos, como a presença de sintomas de ansiedade, persistentes ou sob a forma de ataques de pânico, pioram significativamente a Qualidade de Vida de doentes bipolares, principalmente no domínio psicológico (Albert et al., 2008).

Em 2004, Chand, Mattoo e Sharan realizaram um estudo onde compararam 50 doentes bipolares em remissão, com 20 pacientes esquizofrénicos estáveis e com 20 sujeitos saudáveis. Concluíram que, quando comparados os grupos dos doentes bipolares e dos doentes esquizofrénicos, os pacientes com Perturbação Bipolar apresentavam melhor Qualidade de Vida nos domínios físico, psicológico e bem-estar geral da WHOQOL-Bref. Verificaram ainda que os pacientes bipolares obtiveram valores semelhantes em todos os domínios da escala quando comparados aos indivíduos saudáveis.

Após isto, analisaram a Qualidade de Vida dos pacientes bipolares em relação a algumas variáveis sociodemográficas sendo que verificaram que a Qualidade de Vida é mais alta em pacientes mais jovens e com menos severidade de aborrecimentos diários. Assim concluíram que a severidade das dificuldades diárias e a duração do tratamento contribuem para a variância na Qualidade de Vida de doentes bipolares (Chand et al., 2004).

Num estudo de Figueira e colaboradores (2010), para avaliar a Qualidade de Vida de doentes bipolares, utilizou-se a escala WHOQOL-Bref e construíram-se 2 grupos, um com 163 doentes bipolares estabilizados, e um grupo de controlo com 163 pessoas que nunca tinham sido diagnosticadas com uma perturbação psiquiátrica. Os autores concluíram que os doentes bipolares apresentaram níveis inferiores e estatisticamente significativos em todos os domínios da Qualidade de Vida e também na faceta geral em relação ao grupo de controlo. Ainda assim, os domínios que apresentaram os valores mais baixos foram o domínio psicológico e das relações sociais. Estes autores correlacionaram ainda a Qualidade de Vida com a sintomatologia psicopatológica, com recurso ao Inventário Breve de Sintomas, tendo constado que quando mais elevados são os sintomas mais baixa é a Qualidade de Vida destes doentes, mesmo quando a sintomatologia presente é ligeira ou moderada (Figueira et al., 2010).

A partir da revisão bibliográfica efetuada, parece clara a necessidade de avaliar a Qualidade de Vida em doentes mentais crónicos. Em doentes institucionalizados, a literatura continua a indicar que a Qualidade de Vida é, geralmente, mais baixa do que e quando comparados com doentes residentes na comunidade. Contudo, a avaliação da Qualidade de Vida em doentes mentais crónicos institucionalizados continua a ser importante, pois permite averiguar o que se pode melhorar/alterar nas instituições de forma a contribuir para o aumento da Qualidade de Vida destes doentes. Além disso, estas avaliações (nas instituições e na comunidade) podem igualmente ser úteis e ter validade para melhorar e até desenvolver novos planos de reabilitação e estratégias de intervenção que vão ao encontro dos seus desejos e expectativas, ou seja, daquilo que estes avaliam e identificam como sendo os indicadores de uma melhor Qualidade de Vida.