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Eksterne analyser og råd

Boks 2.5 Globalisering i aksjemarkedet

2.3.3 Eksterne analyser og råd

Correia (2015), através das respostas aos questionários por inquérito que aplicou, concluiu que, na opinião dos inquiridos, o jornalismo desportivo em Portugal não é imparcial. No universo de pessoas que responderam ao inquérito feito para esta dissertação, a opinião dos inquiridos não mudou. Aconteceu exatamente o inverso disso, tendo a ideia saído ainda mais reforçada do que antes, como se poderá verificar em seguida.

As duas primeiras perguntas do inquérito foram, como mencionado anteriormente, sobre o género e a faixa etária dos inquiridos. Aqui se encontram os resultados dessa pergunta:

PERGUNTA Nº1

Figura 3.5 – Gráfico representativo das respostas à pergunta nº1 do questionário.

Masculino 88% Feminino 12%

Género?

Masculino

Feminino

31 PERGUNTA Nº2

Figura 3.6 – Gráfico representativo das respostas à pergunta nº2 do questionário.

Dentro dos 155 inquiridos, 88% eram do sexo masculino, apresentando-se em maioria, com apenas 12% dos inquiridos a serem do sexo feminino. No que diz respeito à faixa etária, a maioria dos inquiridos (54%) tem idades compreendidas entre os 18 e os 25 anos, seguidos depois pelos inquiridos com idades entre os 26 e os 35 anos (24%). Por fim, na faixa etária dos 10 aos 17 anos e na faixa etária + de 35 anos, podemos encontrar 12 e 21 inquiridos, respetivamente. Relativamente a percentagens, no caso da faixa etária 10-17 anos temos 8% e 14% para a faixa etária + de 35 anos.

10 - 17 anos, 8% 18 - 25 anos, 54% 26 - 35 anos , 24% Mais de 35 anos, 14%

Faixa etária?

32

PERGUNTA Nª3

Figura 3.7 – Gráfico representativo das respostas à pergunta nº3 do questionário.

.

A primeira pergunta surge da necessidade de perceber quais os meios que os inquiridos utilizam para ter acesso às notícias sobre o desporto em Portugal. Foram dadas três hipóteses na sua formulação, sendo elas:

- "Leio a versão completa em papel" - "Leio as notícias na plataforma online" - "Nenhuma das duas".

Para o caso de os inquiridos utilizarem outros meios que não estes, apesar de esta pergunta estar formulada de maneira a fazer uma ligação direta com os jornais, foi deixada uma opção em branco que poderia ser preenchida, caso o inquirido achasse necessário.

Tal como se pode observar na figura 3.7, a resposta com mais incidência, com 61% dos inquiridos a escolhê-la, foi a opção "Leio as notícias na plataforma online". Com 21% das respostas estão os inquiridos que não leem as notícias nem em papel, nem na plataforma online. Em terceiro lugar estão os inquiridos que leem a versão completa em papel, representando 12%. Com apenas 2% ficaram as pessoas que dizem ler o jornal em papel e ver as notícias na plataforma online. Afastando-se da temática dos jornais, 4% das pessoas disseram que veem as notícias desportivas na televisão e não nos jornais.

Versão completa em papel 12% Notícias na plataforma online 61% Nenhuma das duas 21% Ambas 2% Notícias na tv 4%

Costuma ler os jornais desportivos portugueses em papel ou

apenas lê as notícias na versão digital?

Versão completa em papel Notícias na plataforma online

Nenhuma das duas Ambas

33

PERGUNTA Nº4

Figura 3.8 – Gráfico representativo das respostas à pergunta nº4 do questionário.

.

Em resposta à pergunta que aborda o tema geral desta dissertação de uma forma menos focada nos jornais, a esmagadora maioria dos inquiridos (83%) respondeu que "não", o jornalismo desportivo em Portugal não é imparcial. 14% respondeu que acredita na imparcialidade do mesmo. Os restantes 3% ficaram então divididos entre quem não sabia se era ou não imparcial, quem acha que é mais ou menos imparcial e quem nunca olhou criticamente para o jornalismo desportivo de maneira a obter resposta para esta pergunta. Estes estão representados na figura 3.8 como “Outros”.

PERGUNTA Nº5

Figura 3.9 – Gráfico representativo das respostas à pergunta nº5 do questionário.

Sim 14% Não 83% Outros 3%

Considera que o jornalismo desportivo em Portugal é

imparcial?

Sim Não Outros

Sim 90% Não

10%

Acha que há algum jornal desportivo que favoreça algum dos

clubes em Portugal?

34 A quinta pergunta feita foi mais direta ao cerne da questão. A pergunta anterior tinha um escopo muito mais alargado, abrangendo todo o jornalismo desportivo. Aqui já se cinge a opinião aos jornais, o foco de estudo desta dissertação.

Como se pode constatar no diagrama acima, a escolha do "sim" foi avassaladora. 90% dos inquiridos disseram que há jornais desportivos que favorecem alguns clubes em Portugal. Apenas 10% disseram que não existe esse tipo de favorecimento.

PERGUNTA Nº6

Figura 3.10 – Lista representativa das respostas à pergunta nº6 do questionário.

No seguimento da pergunta anterior, pedia-se que se esclarecesse quais os jornais em causa. Tendo esta pergunta um caráter opcional para que as pessoas que responderam "não" na pergunta anterior pudessem seguir com o inquérito, dentro do total de 155 inquiridos, 117 responderam a esta questão. De todas as respostas recebidas a esta pergunta, podem- se retirar algumas ideias gerais, que se listam em seguida:

- Existe favorecimento geral dos jornais ao SL Benfica;

- Jornal A Bola, jornal Record e o jornal Correio da Manha (mesmo sem ser desportivo) favorecem o SL Benfica;

- Jornal O Jogo favorece o FC Porto; -Jornal Record favorece o Sporting CP;

35 - Jornais favorecem os popularmente chamados "três grandes" FC Porto, SL Benfica e Sporting CP.

A ideia de uma afiliação entre o jornal Record e o SL Benfica é algo novo. Até aqui, a única referência de afiliação a um clube por parte do Record era ao Sporting CP, como defendido por Neves (2016). Apesar de ter havido respostas nesse sentido, não foram em maior número que as respostas que defendiam a parcialidade dirigida ao SL Benfica.

PERGUNTA Nº7

Figura 3.11 – Lista representativa das respostas à pergunta nº7 do questionário.

Não tendo esta pergunta um caráter obrigatório, visto que os inquiridos podiam terminar o inquérito não respondendo à mesma, 53 pessoas responderam. Apesar da dispersão de comentários e opiniões, as ideias gerais a retirar das respostas foram:

- O jornalismo desportivo português só liga aos chamados "três grandes" (FCP, SLB e SCP), devendo dar mais atenção aos outros clubes;

- Os jornalistas não são imparciais na maneira como avaliam os diferentes clubes e os diferentes jogos;

- O tipo de jornalismo parcial que se pratica, aquele que promove as rivalidades entre clubes, tem destruído o futebol português.

36 3.4 ENTREVISTAS

Utilizando, como referido no capítulo anterior, a técnica de análise de conteúdos através da elaboração de grelhas de categorias22, foi constatado que as opiniões dos

entrevistados eram muito semelhantes entre si. Os resultados completos das entrevistas podem ser consultados nos anexos desta dissertação23

Na primeira subcategoria, a que diz respeito aos conceitos de parcialidade e imparcialidade, as respostas não variaram muito. Pelo menos em dois dos casos. Cada um dos entrevistados deu a sua opinião sobre o que são para si esses conceitos, sendo que a que mais se diferenciou das outras foi a do Entrevistado 1 (E1) que diz que “A imparcialidade não existe. É uma palavra que não tem razão de ser, porque em todas as circunstâncias, quando se toma uma decisão em que prevalece um e desfavorece o outro, deixa de haver imparcialidade”. Acrescenta, no entanto, que “A equidistância já é diferente. Lucidez, esclarecimento, rigor e verdade não têm a ver com a imparcialidade.”.

A segunda subcategoria, denominada “Pressões de superiores sobre colegas de profissão” dividiu opiniões. Por um lado, um dos entrevistados disse que enquanto jornalista não viu isso a acontecer, enquanto que os restantes referem que existem pressões dentro das redações, mesmo que não seja diretamente relacionado com a prática da parcialidade. E1 diz que as pessoas que não são imparciais e que praticam esse tipo de jornalismo são pessoas que são assumidamente apoiantes de um determinado clube. Diz também que quando essas pessoas são convidadas a trabalhar numa redação, o apoio assumido a uma determinada instituição já é tido em conta e já sabem que tipo de trabalho se espera delas; um trabalho de alguma forma parcial que estas, por sua vez, não se negam a fazer. O Entrevistado 2 (E2), por sua vez, refere outro tipo de pressões. Nomeadamente, aqueles que são praticados em televisão quando os apresentadores de programas desportivos ou mediadores dos debates têm de usar um auricular onde lhes é ditado exatamente o que fazer e dizer. Sobre isto, E2 diz “Se a pessoa é que está a dizer que perguntas fazer, porque é que não vai lá fazer o trabalho? Acho que podia ser por aí, aí via-se quem eram as pessoas que querem meter polémica nas coisas desnecessariamente.”.

Na terceira subcategoria, os entrevistados foram questionados sobre se alguma vez tinham sofrido pressões para serem parciais e a resposta foi unânime: não. Nenhum dos três entrevistados diz ter sentido pressões para serem parciais relativamente a um determinado clube. Dizem, no entanto, que em conversas casuais, muitas vezes, há certos tópicos que são abordados e que podem querer, indiretamente, fazer com que a pessoa mude a sua maneira de escrever ou trabalhar. E1, por exemplo, quando questionado sobre este assunto,

22 Presente em Bardin (2011). 23 Consultar Anexos 3, 4 e 5.

37 diz “Há sempre formas, há sempre subterfúgios na forma como as coisas são colocadas.”, ao passo que o E2 refere que “Em conversas informais dizem uma coisa ou outra, mas a nível de trabalho não.”. Nesta subcategoria, encontra-se também a questão sobre se existem constrangimentos ao facto de se ser imparcial, à qual a resposta foi novamente comum aos três entrevistados e foi novamente “não”. Mais acrescentaram que, no caso de alguma vez lhes ser pedido que fossem parciais, abandonariam o cargo naquele órgão pois isso estaria a ir contra os seus valores enquanto jornalista.

Foram apresentados os dados dos inquéritos realizados para esta dissertação a cada um dos entrevistados e pedido que tecessem um comentário aos mesmos. Todos os entrevistados concordaram com os resultados dos inquéritos, apenas referindo alguma estranheza ao facto de verem o jornal Record associado ao SL Benfica. O E3 referiu que existem trabalhos na área24 da imparcialidade que demonstram essa ligação Record-Sporting

e que essa ligação se devia à influência de Joaquim Agostinho, antigo diretor do jornal e reconhecido adepto do Sporting CP.

Para finalizar a entrevista foi pedido aos entrevistados que fizessem um comentário final ao estado do jornalismo desportivo em Portugal. A opinião geral é a de que o jornalismo desportivo passa um momento difícil. Um deles fala até em bullying exercido sobre os clubes com menos adeptos pois têm muito pouco espaço dedicado a si nos jornais, sendo quase todo o espaço preenchido por notícias referentes a FCP, SCP e SLB. O E3 acrescenta ainda que acredita que existem personalidades que são pagas pelos clubes para defenderem os seus interesses nos vários meios de comunicação. Já o E2 diz estar esperançoso numa mudança. Com o aparecimento de mais canais dos clubes e mais canais desportivos sérios, este acredita que a “propaganda” que hoje se faz no jornalismo possa vir a ser feita nos meios de comunicação dos próprios clubes. Desse modo, deixando o jornalismo fazer o seu trabalho isento e mais focado naquilo que, para ele, realmente importa: o jogo.