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Os dados foram processados e armazenados no Programa Estatístico SPSS (Statistical Package for the Social Science), versão 15.0 e analisados à luz da estatística descritiva realizando a análise de distribuição das freqüências absolutas e relativas, e medidas de tendência central e dispersão.

4. RESULTADOS

Entre os 120 profissionais de saúde participantes do estudo, 22,5% eram do sexo masculino, e 77,5% do sexo feminino. A média de idade dos participantes foi de 40,7 anos, variando numa faixa etária de 22 a 78 anos. Na tabela 1 estão apresentados os dados sobre as características sóciodemográficas dos profissionais participantes do estudo. A enfermagem foi a categoria profissional mais prevalente (43,3%). Mais da metade dos profissionais (55,0%) tinha acima de dez anos no tempo de graduação. Um número significativo de profissionais (95,8%) não residia no município onde trabalhavam, e 70,0% deles tinham forma de contrato temporário. O estudo constatou ainda que 88,3% dos profissionais possuem algum tipo de capacitação em saúde pública, e em relação ao tempo de exercício laboral 37,5% possuem entre cinco e dez anos de atividades nos serviços.

Tabela 1 - Distribuição das características sóciodemográficas dos profissionais atuantes no Programa de Saúde da Família das microrregiões litorâneas do Estado da Paraíba, 2008 (n=120).   Variável n % Sexo Masculino 27 22,5 Feminino 93 77,5 Formação acadêmica Enfermeiro 52 43,3 Médico 29 24,2 Odontólogo 36 30,0 Outros 3 2,5 Tempo de graduado Menos de 1 ano 2 1,7 Entre 1 a 2 anos 5 4,2 Entre 2 a 5 anos 20 16,6 Entre 5 a 10 anos 21 17,5 Mais de 10 anos 66 55,0 Não respondeu 6 5,0

Nas tabelas 2, 3 e 4 são apresentadas, respectivamente, a distribuição das variáveis relacionadas às questões sobre as diretrizes essenciais da PNSI, os fatores determinantes relacionados frente à percepção da política de atenção à saúde do idoso e os aspectos referentes aos recursos humanos e estruturais na área de saúde do idoso.

De acordo com os dados apresentados na Tabela 2, a escolha dos profissionais relacionadas às principais diretrizes essenciais da PNSI evidenciou três delas, seguindo uma escala de prioridade onde; 87,5% optaram pela promoção do envelhecimento saudável; 81,7% por assistência às necessidades de saúde do idoso que contemple uma humanização de seu atendimento; e 57,7% foram favoráveis pela manutenção da capacidade funcional.

Tempo de trabalho nesse serviço n % Menos de 1 ano 22 18,3 Entre 1 a 2 anos 17 14,2 Entre 2 a 5 anos 44 36,6 Entre 5 a 10 anos 29 24,2 Mais de 10 anos 3 2,5 Não respondeu 5 4,2 Tempo de experiência em saúde pública Menos de 1 ano 5 4,2 Entre 1 a 2 anos 8 6,7 Entre 2 a 5 anos 28 23,3 Entre 5 a 10 anos 45 37,5 Mais de 10 anos 21 17,5 Não respondeu 13 10,8

Tabela 2 – Principais prioridades das diretrizes essenciais da PNSI de acordo com os profissionais atuantes no Programa de Saúde da Família das microrregiões litorâneas do Estado da Paraíba, 2008 (n=104)

Diretrizes n %

Promoção do envelhecimento saudável 91 87,5

Assistência às necessidades de saúde do idoso que contemple uma humanização de seu atendimento

85 81,7

Manutenção da capacidade funcional 60 57,7

A maioria dos participantes considerou os serviços como organizados no contexto das estratégias de saúde da família no atendimento básico de atenção á saúde do idoso (Tabela 3), no entanto, 64,4% desses concordaram totalmente que os serviços possuem profissionais com dúvidas e desconhecimento sobre as ações e estratégias de intervenção de saúde da população idosa. Foi constatado ainda, que a maioria dos profissionais de saúde considerou que os serviços costumam padronizar as ações considerando as manifestações locais dos problemas de saúde da população idosa, assim como, possui mecanismos de identificação de fatores de risco e planejamento de ações de promoção da saúde e de prevenção de doenças primárias.

Os profissionais consideraram ainda que os serviços promovem ações de intervenção nas doenças secundárias e ações de reabilitação, intervindo no processo que origina a dependência funcional do idoso, além de possuírem fluxo de referência e contra referência noatendimento ao idoso.

Tabela 3 – Distribuição da amostra dos fatores determinantes relacionados à percepção frente à realidade política de atenção à saúde do idoso segundo os profissionais atuantes no Programa de Saúde da Família das microrregiões litorâneas do Estado da Paraíba, 2008 (n=104) VARIÁVEL Concordo totalmente Neutro Discordo totalmente n % n % n %

O Serviço encontra-se organizado no contexto das estratégias de saúde da família no atendimento básico de atenção á saúde do idoso

81 77,9 6 5,8 17 16,3

O Serviço possui profissionais com dúvidas e desconhecimento sobre as ações e estratégias de intervenção de saúde da população idosa

67 64,4 10 9,6 27 26,0

O Serviço costuma padronizar as ações considerando as manifestações locais dos problemas de saúde da população idosa

67 64,4 20 19,3 17 16,3

O Serviço possui mecanismos para identificar os possíveis fatores de risco à saúde do idoso

78 75,0 10 9,6 16 15,4

O Serviço possui um planejamento de ações de promoção da saúde e de prevenção de doenças primárias

103 99,0 1 1,0 -- --

O Serviço promove ações de intervenção nas doenças secundárias e nas ações de reabilitação

75 72,1 14 13,5 15 14,4

O Serviço possui fluxo de referência e contra referência atendimento ao idoso

56 53,8 19 18,3 29 27,9

O Serviço implementa vínculo com os idosos, privilegiando e estimulando a participação e controle social

70 67,3 13 12,5 21 20,2 O Serviço apresenta necessidade de

equipes de reabilitação na rede básica para ajudar a mudar o perfil epidemiológico das deficiências e incapacidades dos idosos

Na Tabela 4 estão apresentados os aspectos referentes aos recursos humanos e recursos estruturais na área de saúde do idoso. Observou-se que a maioria dos profissionais limitou-se em concordar totalmente com as questões que demonstram condições satisfatórias de trabalho junto as UBS em que atuam.

Tabela 4 – Distribuição da amostra dos aspectos referentes aos recursos humanos e recursos estruturais na área de saúde do idoso segundo os profissionais atuantes no Programa de Saúde da Família das microrregiões litorâneas do Estado da Paraíba, 2008 (n=104) VARIÁVEL Concordo totalmente Neutro Discordo totalmente n % n % n % A UBS promove reuniões com

os demais colegas de equipe para discussão dos processos de melhoria das condições de trabalho

87 83,7 2 1,9 15 14,4

A UBS possui um planejamento de qualificação técnica dos profissionais para atenção integral a saúde do idoso

57 54,8 14 13,5 33 31,7

A equipe do PSF responde na prática a respeito da necessidade dos profissionais trabalharem com uma visão integral e humanizada da saúde do idoso

83 79,8 7 6,7 14 13,5

A equipe do PSF permite trocas de experiências e conhecimentos com o saber popular, através dos Agentes Comunitários de Saúde

91 87,5 2 1,9 11 10,6

A UBS possui as condições adequadas de infra-estrutura física, de equipamentos e de insumos para o atendimento ao idoso

58 55,8 14 13,5 32 30,8

A UBS possibilita o acesso adequado da população idosa aos serviços prestados

72 69,2 16 15,4 16 15,4

A UBS oferece condições de deslocamento para o atendimento a domicílio da população idosa

Na Tabela 5, são expostos alguns indicadores multidimensionais referentes aos problemas de saúde do idoso e capacidade funcional listados pelos profissionais atuantes no PSF das microrregiões litorâneas do Estado da Paraíba. Destacamos como indicadores prevalentes o diabetes com 100%, seguido da hipertensão 99,0%, ocupando as últimas colocações a incontinência urinária 51,9% e Parkinsonismo com 38,5%.

Tabela 5 - Distribuição da amostra da presença de indicadores multidimensionais sobre as condições de saúde e capacidade funcional dos idosos segundo os profissionais atuantes no Programa de Saúde da Família das microrregiões litorâneas do Estado da Paraíba, 2008 (n=104)

VARIÁVEL

Presente Ausente Não sabe

responder n % n % n % Desnutrição 56 53,8 29 27,9 19 18,3 Alcoolismo 65 62,5 21 20,2 18 17,3 Tabagismo 83 79,8 10 9,6 11 10,6 Diabetes 104 100,0 - - - - Hipertensão 103 99,0 1 1,0 - - Reumatismo 77 74,0 16 15,4 11 10,6 AVE 86 82,7 7 6,7 11 10,6 Parkinsonismo 40 38,5 36 34,6 28 26,9 Doenças pulmonares 67 64,4 19 18,3 18 17,3 Cardiopatias 89 85,6 7 6,7 8 7,7 Quedas 68 65,4 19 18,3 17 16,3 Incontinência urinária 54 51,9 22 21,2 28 26,9 Osteoporose 72 69,2 17 16,3 15 14,5

Uso contínuo de fármacos 86 82,7 6 5,8 12 11,5

Acamado 95 91,3 5 4,8 4 3,9

Na Tabela 6 apresenta-se o resultado dos dados dos coordenadores referente às características dos profissionais das equipes sob suas coordenações. Verifica-se que 81,3% estão pouco satisfeito com o desempenho das equipes na atenção básica a saúde do idoso. Quanto à quantidade e qualificação dos recursos humanos, bem como os recursos materiais e insumos para o atendimento à população idosa, os coordenadores demonstraram uma tendência em considerar também como poucos satisfatórios esses indicadores. No que se refere aos mecanismos de alimentação dos sistemas de informação sobre a saúde da pessoa idosa, não foi observado um posicionamento definido entre os coordenadores das equipes de saúde.

Tabela 6 - Distribuição na amostra das características das equipes, segundo os coordenadores atuantes no Programa de Saúde da Família das microrregiões litorâneas do Estado da Paraíba, 2008 (n=16)

VARIÁVEL Insatisfeito Pouco satisfeito Totalmente satisfeito

n % n % n %

Desempenho das equipes na atenção básica a saúde do idoso

1 6,3 13 81,2 2 12,5

Recursos humanos disponíveis para atender a população idosa nos diferentes territórios de abrangência

1 6,3 8 50,0 7 43,7

Qualificação dos profissionais para executarem as ações compatíveis com a atenção básica á saúde do idoso

2 12,5 8 50,0 6 37,6

Recursos materiais e insumos suficientes para atender a população idosa

2 12,5 11 68,8 3 18,7

Mecanismos que alimentam os sistemas de informação sobre a saúde da pessoa idosa

5. DISCUSSÃO

A pesquisa investigou as políticas públicas de atenção a saúde do idoso, praticadas numa região carente do País, onde as características do processo de envelhecimento são bastante diferenciadas9,10. A transição demográfica atual repercute na área da saúde, em relação à necessidade de (re) organizar os modelos assistenciais. Ao analisar os resultados apontados pelo censo estimativo do IBGE18, a Paraíba tem cerca de 408 mil pessoas com 60 anos ou mais de idade, constituindo um desafio aos gestores públicos a implementarem políticas de saúde com ações de promoção, prevenção secundária e terciária, para que mais pessoas alcancem as idades avançadas com o melhor estado de saúde possível. Se considerarmos a saúde de forma ampliada torna-se necessário alguma mudança no contexto atual em direção à produção de um ambiente social e cultural mais favorável para população idosa.

O delineamento de um estudo sobre a percepção e realidade da política de atenção à saúde do idoso em equipes de profissionais do PSF nos municípios litorâneos do Estado da Paraíba foi um desafio metodológico, uma vez que há diferenças nos aspectos subjetivos que envolvem a “percepção”, podendo ocasionar diferentes respostas em decorrência das interpretações dos indivíduos inseridos em diferentes contextos.

Entretanto, o presente trabalho obteve resultados consistentes, apesar de serem escassos os estudos com os mesmos objetivos e mesma abordagem metodológica, que permitissem uma análise comparativa dos resultados sobre esse fenômeno13,45. O tipo de estudo e o instrumento adotados nesse trabalho articulados com a consultoria feita à Gerência Executiva da Atenção Básica em Saúde da Secretaria Estadual tornou possível estabelecerem-se os critérios de melhor conhecer-se o objeto da pesquisa.

As variáveis do perfil sóciodemográfico dos participantes apontaram a categoria dos enfermeiros como a mais a prevalente. Esse dado é conhecido nacionalmente pela forte inserção desses profissionais no PSF. O tempo de formação nas três categorias profissionais evidenciou uma sólida experiência dos mesmos em suas áreas de atuação,

notando-se ainda um elevado percentual referido em todas as categorias de capacitação em saúde pública. Ainda no aspecto sócio-demográfico, constatou-se um fato preocupante, a respeito da maioria dos profissionais não residirem no município, o que a principio, levaria a questionar uma possível falta de vínculo desses com a realidade social e cultural do local de trabalho. Outrossim, a existência de contratos temporários poderia evidenciar essa preocupação.

Quanto às diretrizes essenciais que norteiam a PNSI37, os profissionais priorizaram pela promoção do envelhecimento saudável, pela assistência às necessidades de saúde do idoso que contemple uma humanização de seu atendimento e pela manutenção da capacidade funcional, não considerando, entretanto, a importância da implementação do programa de atenção integral e integrado à saúde do idoso para um efetivo envelhecimento ativo. Ainda com relação ao nível de conhecimento sobre a PNSI a maioria dos coordenadores afirmou ter pouco conhecimento da primordial finalidade dessa política que é recuperar, manter e promover a autonomia e a independência dos indivíduos idosos, direcionando medidas coletivas e individuais de saúde para esse fim em consonância com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde1,3,5.

Sobre os fatores relacionados com a percepção da política de saúde do idoso nos municípios, evidenciou-se, na visão dos profissionais investigados, um significativo favorecimento aos serviços, excetuando-se apenas uma questão em que concordaram com a assertiva dos serviços possuírem profissionais com dúvidas e desconhecimento sobre as ações e estratégias de intervenção de saúde da população idosa.

Prosseguido com os questionamentos do contexto, duas respostas confirmadas pelos profissionais divergiram das informações obtidas na SES/PB41, a primeira diz respeito à inexistência de unidades de referência e contra-referência estaduais com equipes multidisciplinares e interdisciplinares; e a segunda referia-se à falta de um protocolo sistematizado para avaliação e intervenção no atendimento básico de saúde da pessoa idosa, revelando assim uma percepção diferente da realidade por parte dos profissionais quando concordaram nas respostas com a existência de unidades de referência e contra-

referência estadual e com a sistematização da utilização de um protocolo de avaliação e intervenção no atendimento a população idosa. Nesse sentido a SES/PB informa que encontra-se em andamento a implantação de um centro de referência estadual, como também, uma proposta da unificação de um protocolo de atendimento para avaliação e intervenção com a pessoa idosa, para todos os municípios.

No que se refere aos recursos humanos e materiais, a maioria dos profissionais demonstrou um elevado índice de satisfação com as condições de trabalho junto as UBS em que atuam. O estudo constatou através de observação in loco nas unidades de saúde investigadas, condições inadequadas nas instalações físicas, falta de equipamentos e insumos, e difícil acesso para o atendimento a população idosa. Ante essa realidade a SES/PB refere que busca solucionar os problemas, articulando-se com as gestões municipais através de atividades tais como: seminários, troca de experiências exitosas entre os municípios, treinamentos, oficinas integradas, com a finalidade de sensibilizar os gestores para formação de conselhos municipais do idoso e de sugerir os encaminhamentos da demanda para o centro de referência do município de João Pessoa.

Apesar da UBS ser o local de operacionalização da estratégia de saúde, a consolidação dessas ações precisa, entretanto, ser sustentada por um processo que permita a real substituição da rede básica de serviços tradicionais no âmbito dos municípios e pela capacidade de produção de resultados positivos nos indicadores de saúde e de qualidade de vida da população assistida46. Os achados sobre os indicadores das condições de saúde e capacidade funcional dos idosos do estudo mensuraram a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e Diabetes Mellitus (DM) com elevada prevalência, seguida das cardiopatias, do acidente vascular encefálico, do reumatismo e da osteoporose. Esses dados são corroborados com estudos epidemiológicos em idosos realizados no Brasil28.

Informações repassadas pela SES/PB enfatizaram o seu papel articulador junto às gestões municipais objetivando a construção de uma atenção integral a saúde do idoso, ampliando o quantitativo e qualitativo de profissionais na área do envelhecimento, capacitando-os em identificar, prevenir e minimizar os agravos acarretados pela cronicidade

das doenças, que repercutem na redução ou perda da capacidade funcional. Nos achados da abordagem com os coordenadores evidenciou-se concordância apenas com a questão que trata dos mecanismos que alimentam os fluxos dos sistemas de informação. Com relação às demais questões evidenciaram-se pouca satisfação com o desempenho e operacionalização das ações voltadas para a saúde do idoso que são desenvolvidas pelos profissionais das equipes na estratégia saúde da família dos municípios sob suas coordenações. Tratando-se dos mecanismos que alimentam os sistemas de informação, a SES/PB destacou a adesão ao Programa Reforço à Reorganização do SUS (REFORSUS), que a partir daí integrou-se a Rede Nacional de Informação em Saúde - RNIS adquirindo equipamentos e capacitando recursos humanos para implementação de uma Rede Estadual de Informação em Saúde – REIS-/PB49. Ressaltando-se ainda que, encontra-se em andamento a implantação de duas ferramentas de informação, viabilizadas pelo Ministério da Saúde, correspondendo respectivamente: ao gerenciador de informações locais (GIL) e a avaliação para melhoria da qualidade (AMQ) da Estratégia Saúde da Família.

Baseando-se nos resultados obtidos percebe-se que as ações da atenção integral a saúde do idoso nos municípios investigados encontram-se aquém do previsto na PNSI, verificando-se um aspecto vulnerável na organização do trabalho em equipe, no que se refere à articulação entre os níveis de atenção primário e secundário especializado geriátrico e gerontológico, como ferramenta importante para instrumentalizar os profissionais na atenção a essa população idosa13. Dessa forma, cabe aos gestores estadual e municipais a responsabilidade de capacitar os recursos humanos através de cursos de educação continuada, formando profissionais de saúde na perspectiva da compreensão do fenômeno envelhecimento, face as projeções para 2025 em relação ao envelhecimento humano no Brasil33.

6. CONCLUSÃO

Os modelos de serviço de saúde atuais são inadequados para responder às necessidades de populações que estão envelhecendo rapidamente. As metas para se alcançar uma velhice saudável, e minimizar a morbidade, são promover a saúde e o bem- estar durante toda a vida do indivíduo, os avanços na ciência da saúde e tecnologia tornaram possível uma vida com mais qualidade na velhice. Para isso, estratégias de prevenção, focadas em abordagens de efetiva gestão pública, tornam-se importantes para resolver os desafios do envelhecimento e aumentar a expectativa da qualidade de vida da população idosa no Estado da Paraíba.

O Programa Saúde da Família considerado como estratégia estruturante dos sistemas municipais de saúde, tem demonstrado potencialidade para provocar um importante movimento de reordenamento do modelo de atenção básica a saúde integral do idoso nos municípios pesquisados no estudo.

Dos resultados encontrados podem ser estabelecidas as seguintes conclusões: 9 Constatou-se o fato da maioria dos profissionais não residirem no próprio

município, caracterizando-se uma falta de vínculo desses com a realidade sócio cultural do local de trabalho;

9 Evidenciou-se uma significativa tendência de “favorecimento” aos serviços por parte da grande maioria dos profissionais investigados com relação à realidade da política de saúde do idoso praticada nos municípios;

9 Na investigação surgiram duas respostas emitidas pelos profissionais que divergiram das informações obtidas através da consultoria realizada a SES/PB, a primeira, diz respeito à inexistência de unidades de referência e contra-referência estaduais, e a segunda, à falta de um protocolo sistematizado para avaliação e intervenção no atendimento à saúde da população idosa;

9 O estudo constatou in loco na maioria das unidades de saúde investigadas, condições inadequadas de estruturas físicas, falta de equipamentos e insumos, além de difícil acesso para o atendimento ao idoso.

A compreensão dos diferentes aspectos relacionados à garantia de um envelhecimento ativo, assegurando ao idoso uma vida funcional e independente, nos remete a reconhecer através dos resultados obtidos nesse estudo, a necessidade de reivindicar uma efetiva inclusão na atenção primária à saúde dos demais profissionais de saúde e de áreas afins e correlatas (Fisioterapeuta; Acupunturistas; Assistente Social; Educador Físico; Farmacêutico; Terapeuta Ocupacional; Fonoaudiólogo; Ginecologista; Homeopata; Nutricionista; Pediatra; Psicólogo e Psiquiatra), através do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), que se trata de uma potente estratégia para ampliar a abrangência e diversidade das ações das Equipes SF, lançado desde 2007 e criado pela Portaria GM no 154, de 24 de Janeiro de 2008, possuindo como eixos estruturantes a gestão compartilhada, a responsabilização e apoio à coordenação do cuidado que se pretende, pela saúde da família.

Considerando os resultados de um modo geral, os achados desse estudo poderão permitir a continuidade de outras novas investigações, a fim de se possibilitar uma atenção contínua e eficaz para a saúde e o bem-estar da população idosa em diferentes níveis de intervenção dos serviços de saúde, adequados às distintas fases da enfermidade e ao grau de incapacidades, na perspectiva de mudanças nos modelos de atenção inadequados, para