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GREECE & GENDER: A SYNTHESIS

In document Greece and Gender (sider 179-184)

Partimos do pressuposto de que em nenhum projeto, aquilo que foi proposto inicialmente acontece na sua integralidade. Paulo Freire sempre alertou que é a realidade quem indica o que é possível ser feito e sob que condições pode ser feito. Com base nos ensinamentos de Freire e levando em consideração que a UFU não pauta a discussão sobre educação do campo, nos cursos de Licenciatura, seria ingenuidade pensar que o projeto iria ser desenvolvido conforme havia sido planejado inicialmente.

Cabe destacar que criar as condições para aprovação de uma proposta de educação do campo na UFU, foi uma conquista importante que acenava com a possibilidade de pautar na universidade a necessidade dos cursos de formação de professores terem um olhar mais sensível às demandas das populações do campo. No entanto, entre criar condições para aprovação de uma proposta e garantir as condições para sua efetivação há um grande distância, pois um processo educativo voltado para a realidade do campo tem especificidades, que o diferencia significativamente de um projeto idealizado para ser desenvolvido na cidade.

Nos projetos do PIBID desenvolvidos nas escolas urbanas, tanto a universidade, quanto os coordenadores dos

projetos não se preocupavam com o deslocamento dos alunos até as escolas, pois a rede de transportes urbanos supria essa demanda. Por isso, ao aprovar o projeto PIBID educação do campo, não se levou em consideração que as escolas, nem sempre são atendidas pelos serviços de transportes urbanos. Por conta disso, a questão de transporte dos alunos para as escolas rurais se tornou o grande obstáculo a ser superado.

O edital do PIBID não previa recursos para deslocamento dos alunos para as escolas do campo, uma vez que o foco eram as escolas urbanas. Se a Universidade tivesse alguma curso ligado à educação do campo, ela poderia concorrer a um edital específico para a educação do campo, onde estariam contemplados os recursos necessários ao deslocamento dos alunos para as escolas rurais. Além disso, soma-se o fato da Universidade não assumir o deslocamento dos alunos para as áreas rurais, sob a alegação que não havia recursos empenhados para esse fim.

Através de muitos questionamentos a universidade garantiu o transporte até as escolas rurais por um mês, e a coordenação institucional do programa se responsabilizou por buscar estratégias para garantir a ida dos alunos às escolas. A solução encontrada foi o estabelecimento de uma parceria com a Prefeitura Municipal de Uberlândia, via secretaria municipal de educação, que se comprometeu a transportar os alunos nas vans que levavam os professores para as escolas. Vale ressaltar que até tudo ter sido acertado com a prefeitura, os alunos ficaram mais de um mês sem ir às escolas.

No primeiro ano do projeto, o transporte dos alunos foi garantido sem problemas, pois os alunos iam junto com os professores e participavam de todas as atividades da escola. A partir do segundo ano, houveram mudanças no planejamento do transporte e os alunos não puderam mais ir junto com os professores; as vans levavam primeiro os

professores e depois retornavam para buscar os alunos, com isso dois turnos eram perdidos. Apesar de todos os problemas envolvendo a questão do transporte é possível afirmar que conseguimos realizar uma experiência muito interessante e válida para o processo formativo dos licenciandos envolvidos no projeto.

Outro problema enfrentado pelo projeto foi a rotatividade entre os alunos ligados à escola verde/amarelo. Os alunos entraram no projeto muito animados, mas como não se sentiram acolhidos pela escola e também porque não se identificaram muito com aquela realidade, acabaram migrando para outros projetos, principalmente os de iniciação científica.

De modos geral os problemas apresentados aqui foram os que mais dificultaram o desenvolvimento do PIBID educação do campo na UFU. A solução dos mesmos passa, necessariamente, por uma política institucional comprometida com as populações do campo e por uma maior flexibilidade nas regras dos editais do PIBID, com vistas a oportunizar as universidades que ainda não tem cursos de licenciaturas específicos para a educação do campo, vivenciar experiências de formação de professores concretas com e nas escolas do campo.

Considerações Finais

O subprojeto de Educação Popular com ênfase em Educação do campo procurou pautar na UFU a necessidade de se inserir nos currículos dos cursos de licenciatura a discussão sobre uma educação comprometida com a realidade dos povos do campo (povos das florestas, índios, quilombolas, extrativistas, sem terras, comunidades ribeirinhas...). Sob nosso ponto de vista, abordar essa temática é de extrema relevância ao processo de formação

tanto profissional, quanto política dos alunos das licenciaturas.

Através do subprojeto em tela procurou-se conscientizar todos envolvidos no processo formativo, sobre a necessidade de se buscar formas alternativas e organizativas que pudessem auxiliar na construção de uma escola que fosse educadora das classes populares e camponesas. Para tanto, defendemos como proposta formativa um processo de problematização e reflexão da organização do trabalho pedagógico, de forma significativa e comprometida com uma educação libertadora, que de fato eduque, conscientize e liberte os educandos das amarras da alienação.

Vale ressaltar que trabalhamos com uma equipe interdisciplinar envolvendo alunos dos cursos de biologia, história, letras, pedagógica, química e geografia; e isso foi de extrema riqueza para que pudessem entender que não existe trabalho individualizado e que os conhecimentos são complementares. A falta de diálogo entre as diferentes áreas do conhecimento contribui para o processo de isolamento e alienação dos sujeitos. As contradições do grupo foi a mola propulsora que garantiu a dinamicidade dos trabalhos e não deixou que o mesmo ficasse acomodado.

Levando-se em consideração as condições em que o projeto foi desenvolvido é possível afirmar que ele contribui positivamente com o processo de formação inicial dos alunos bolsista e de formação continuada dos supervisores. No início do projeto a maioria dos alunos não tinha compreensão do que significava educação do campo e quais as questões que ela estavam diretamente relacionadas, tais como questão agrária e agroecologia. Com o processo formativo desencadeado pelo subprojeto esses alunos passaram a dominar a temática e puderam atuar como mediadores da discussão com seus colegas de turma e participar de eventos específicos que tinham como eixo de discussão a questão da educação do campo. A importância do PIBID para esses

alunos pode ser sintetizada no depoimento de uma ex- bolsista:

“O PIBID é um laboratório onde colocamos em prática o que aprendemos em sala de aula e completamos nossa formação a partir de vivencias que o nosso curso não nos fornece. Proporcionando-nos conhecer os vários sujeitos que compõem o cotidiano escolar, além de nos mostrar as dificuldades enfrentadas por professores, aluno e pais de alunos, a fim de se ter uma boa educação. O PIBID nos fez acreditar que transformações são possíveis dentro do ambiente escolar e para isso temos que nos organizar” (aluna Pibid, 2014).

Pelo exposto fica evidenciado que o PIBID é um projeto de extrema importância para a formação inicial de professores. Através deles é possível associar teoria e prática, garantindo o desenvolvimento de metodologias educativas contextualizadas e que tenham sentido e utilidade social para todos os sujeitos envolvidos no processo de ensino/aprendizagem. As sementes da transformação foram plantadas e geram bons frutos, agora é preciso buscar estratégias para garantir a sua sobrevivência num terreno que está se tornando tão hostil.

Referências

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O PROGRAMA NACIONAL DO LIVRO DIDÁTICO

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