3 Theoretical framework
5 Summary of articles
6.1 Gravity and order of discourse
2.2.1. Questões da Pesquisa
Tal como foi visto na revisão da literatura, o consumo de lazer relaciona-se a um conjunto de fatores e características a saber:
a) Idade e fase do ciclo de vida familiar
b) renda, habitus (inserção e trajetória social) e estilo de vida
c) gênero
d) estado de fato
e) economicamente ativo ou não
A pergunta, que aqui se coloca é:
“Como estes fatores se relacionam com as práticas de lazer e seus significados?”
Originalmente, essa pesquisa continha três questões:
1) Quais as atividades (ou não atividades) que os indivíduos, residentes em São Paulo capital, pertencentes ao grupo de ex-alunos de Administração de uma escola de elite e que se encontram na fase do ciclo de vida familiar “Ninho Vazio”, vivenciam como práticas de lazer?
3) Os momentos chaves de transições por eles vividos, e especificamente a mudança para a fase do Ninho Vazio, - têm interferido ou não nas suas práticas e significados de lazer, na sua percepção? (e se sim, como?)
Neste sentido, foram elaboradas as seguintes hipóteses de trabalho:
1. Dentro da fase do ciclo de vida familiar “Ninho Vazio”, as práticas de lazer e seus significados variam em função de o indivíduo morar ou não em sua própria casa, de morar sozinho ou ter um(a) companheiro(a) ou cônjuge. Esta hipótese foi estruturado tomando por base a pesquisa de Fast e Frederik de 1989 onde analisam o comportamento das variáveis trabalho e lazer nos diferentes estágios do ciclo de vida familiar.
2. O gênero interfere no tipo de lazer e nos significados atribuídos ao mesmo. Imagina-se, por exemplo, que as mulheres tenham mais práticas de lazer domésticas que os homens. Para estruturar esta segunda hipótese, baseou-se nas afirmações feitas por Zuzanek e Smale em sua pesquisa datada de 1992, onde comparam 5 grupos em diferentes fases do ciclo familiar e verificam que são as circunstâncias situacionais associadas com gênero, status laboral, estado civil e idade dos filhos, que mais influenciam no uso do tempo e nas atividades diárias.
3. O indivíduo que gasta mais tempo em atividades de lazer ativo (atividades físicas) apresenta melhor estado de saúde e tem uma inserção social maior do que aquele que gasta menos tempo em tais atividades, ou seja, imagina-se que o lazer ativo, a saúde e a inserção social variam no mesmo sentido. A construção desta hipótese foi apoiada na pesquisa de Pichot datada de 2002, onde analisa as contribuições das atividades desportivas em relação à identidade coletiva e individual dos idosos.
4. Supõe-se que as práticas de lazer externas, particularmente as de tipo esportivo, mantidas por indivíduos pertencentes ao segmento em estudo tenham sido adquiridas na adolescência ou no início da vida adulta e não que sejam práticas adquiridas recentemente. Esta hipótese foi sustentada pela teoria do habitus de Bordieu.
5. Supõe-se que nesse segmento os hobbies adquiram importância maior no presente do que no passado em relação a outras formas de lazer. Esta quinta suposição teve como base os resultados da pesquisa de Isso-Ahola, Jackson e Dunn de 1994, onde afirmam que a atividade que mais se altera durante os ciclos de vida familiar são os hobbies.
6. Indivíduos, que ainda desenvolvem atividades laborais, têm menos tempo livre, portanto, menos tempo para o lazer e, conseqüentemente, vivenciam menos atividades e práticas de lazer. Para esta hipótese utilizou-se o senso comum.
2.2.2. Estratégia da Pesquisa
Para responder às questões apontadas acima, foi desenvolvida uma pesquisa de campo, de caráter exploratório, que teve como objeto ex-alunos do Curso de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo.
Por um processo de amostragem foram selecionados 19 ex-alunos de graduação, que se formaram entre 1958 e 1977. A escolha das datas foi proposital, com o intuito de cobrir uma faixa etária entre 55 e 75 anos; faixa etária que, acredita-se cubra o período de transição entre as fases do ciclo de vida familiar chamadas de Ninho Cheio e Ninho Vazio e incida sobre indivíduos com independência funcional e psíquica.
Como amostra, tivemos acesso a uma listagem inicial de dez alunos, selecionados aleatoriamente, de cada turma que integrou o universo-objeto da pesquisa. A partir deste banco de dados, procurou-se contatar no mínimo 1 aluno por turma e agendar a entrevista. Apesar de a listagem ter sido compilada de forma aleatória, o agendamento das entrevistas se deu por conveniência, pois uma vez negada a participação ou insucesso do contato, passava-se ao próximo da lista. Apesar de inúmeros esforços e insistência, algumas turmas ficaram sem representação. É o caso das turmas de 1959, 1965, 1966 e 1967.
As informações sobre o lazer desse grupo foram obtidas através do uso da técnica de entrevistas em profundidade, baseadas em roteiro. A entrevista qualitativa é um método poderoso, com sensibilidade única para capturar as experiências e os significados vivenciados no dia-a-dia. (KVALE,1996). Frankfort-Nachmias e Nachmias (1994) afirmam que a entrevista em profundidade possibilita ao entrevistador liberdade para investigar várias áreas de interesse e levantar questões específicas durante o decorrer da entrevista. Segundo Weiss (1994), uma das vantagens das entrevistas em profundidade é que elas são discursivas, permitindo a cada entrevistado demonstrar sua linha de argumentação de modo que o entrevistador possa inferir as associações que faz em seus pensamentos oferecendo, inclusive, oportunidades para extensivas sondagens de opiniões, atitudes e valores dos participantes.
Conforme esta técnica, o número de entrevistas foi definido no campo, na medida em que as informações começaram a se repetir. A seleção dos indivíduos informantes foi cuidadosa no sentido de se evitar que pertencessem todos a um mesmo grupo de convivência ou que se concentrassem em determinados anos de formatura.
Além da pesquisa de campo, o estudo serviu-se da bibliografia pertinente ao tema e, como pano de fundo para análise, foram utilizados a pesquisa desenvolvida pelo Ministère de la Culture et de la Francophonie - França, sob a orientação de Paul Paillat, intitulada: Les Pratiques Culturelles des Personnes Agées, datada de 1991;
bem como os resultados preliminares da enquête em andamento (em 2005) do Centro de Estudo da Metrópole (junto ao CEBRAP).
As práticas e indicadores relacionados diretamente ao lazer, como o tempo, a atividade e o seu significado foram analisados à luz de questões chaves, já mencionadas no capítulo anterior e nas hipóteses de trabalho, relacionadas à qualidade de vida do indivíduo.
2.2.3 Seleção da Fase Ninho Vazio do Ciclo de vida familiar
Optou-se em trabalhar com a fase do ciclo de vida familiar denominada Ninho Vazio, pelos seguintes motivos:
a) Deficiência de literatura: apesar da existência de alguns estudos internacionais relacionando os temas lazer e Ninho Vazio, no Brasil esse assunto ainda é pouco explorado.
b) Fenômeno comercial: trata-se de um segmento demográfico, que em princípio dispõe de recursos materiais para o consumo de entretenimento, porém ainda tem sido pouco aproveitado comercialmente no Brasil.
2.2.4 Instrumento de Coleta de Dados
As entrevistas representam neste estudo o único instrumento de coleta de dados.
Através de dezenove entrevistas realizadas, entre agosto e novembro de 2005, foram contatadas 17 pessoas do gênero masculino e duas do feminino (conforme se vê no quadro 3). A discrepância entre o número de homens e o de mulheres deve-se ao fato
da quase inexistência de mulheres cursando administração de empresas nas décadas de 60 e 70.
As entrevistas foram conduzidas, principalmente, no ambiente de trabalho dos entrevistados; em alguns casos, no Centro de Estudos do Lazer e Turismo – CELT, que fica na sede da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e, com menos freqüência, na residência dos participantes (preferência das duas mulheres).
Quadro 3 – Perfil dos Entrevistados
Nota: * entrevistas não gravadas
Com o intuito de evitar a perda de informações e detalhes, as entrevistas foram gravadas e transcritas, com exceção de três entrevistados, que solicitaram que as mesmas não fossem gravadas. Neste caso, tomou-se o cuidado de fazer o máximo de anotações possíveis durante as interações entrevistado, entrevistador e imediatamente após o término das entrevistas proceder a suas transcrições. Ainda, para garantir uma melhor fidedignidade das informações, uma vez redigidas, as
ENTREVISTADO GÊNERO IDADE TURMA ESTADO
CIVIL
ESTATUS