2.10 Forces affecting on a particle in a shear flow
2.10.1 Governing equations for a rigid particle in a flowing liquid. Drag force
Os sujeitos participantes de nossa pesquisa foram escolhidos mediante os seguintes critérios:
a) Ter formação em nível superior (Pedagogia);
b) Ter, no mínimo, 03 anos de experiência em alfabetização; c) Aderir à proposta de pesquisa-ação;
d) Ter uma relação de formação com a pesquisadora.
Mediante esses critérios, foram escolhidos 7 professores que lecionam nos anos iniciais do Ensino Fundamental e uma supervisora pedagógica que atua junto a esses professores nesse nível de ensino. A escolha da supervisora para fazer parte da investigação deve-se ao fato dela atender aos critérios acima citados e ser considerada pelos professores como uma articuladora/orientadora na organização do trabalho pedagógico com a alfabetização. Dos 8 sujeitos, 7 são do sexo feminino e 1 do sexo masculino.
No início da pesquisa, em junho de 2007, houve entusiasmo por parte da direção da escola em participar do processo. Porém, sentimos, no decorrer da investigação, que o seu envolvimento era mais com questões administrativas do que
pedagógicas. Nesse sentido, diante da resistência traduzida nas constantes ausências às sessões de estudo, resolvemos enviar para elas o material de leitura usado nos encontros e não insistimos que participassem, sendo coerentes com o critério de adesão plena ao trabalho.
Em relação ao primeiro critério de escolha dos professores, optamos por investigar professores formados em Pedagogia, por ser esse curso relacionado à área específica da temática do trabalho e por ter disciplinas voltadas para a alfabetização e o letramento.
O tempo de experiência na alfabetização (mínimo de três anos) também foi considerado, dada a natureza investigativa e reflexiva nosso objeto de estudo. De acordo com Tardif (2002), os saberes da experiência são aqueles saberes que são advindos da intervenção pedagógica do professor na escola, em suas turmas, na organização do trabalho pedagógico, em sua própria história ao longo de sua vida. Segundo o autor, estes saberes não provêm das instituições de formação e não se encontram sistematizados em doutrinas ou teorias. O professor diante desse saber é ao mesmo tempo produtor e sujeito.
No contexto da nossa investigação, os professores são levados a registrar suas experiências no trabalho, interrogar suas práticas, sistematizar seus conhecimentos e saberes de forma a refletir e compreender suas necessidades de formação em práticas de alfabetização na perspectiva do letramento. Aprender com a experiência pressupõe uma postura de pesquisa e reflexão e uma disposição para dialogar com múltiplas possibilidades de perguntas e respostas para os fenômenos educativos.
Canário (2006) destaca que a lógica dos modelos de formação que privilegiam o acúmulo de conhecimentos, em detrimento da produção de saberes que articulem informações e orientem a reflexão a partir de pesquisa, precisa ser superada. A alternativa a ser construída é inspirada num movimento recursivo entre formação teórica e aprendizagem experiencial, entre idéias e experiências, teoria e prática.
Os critérios vinculados à adesão à pesquisa e experiência de formação com a pesquisadora se entrelaçam à medida que já tínhamos vivido com esse grupo de professores uma experiência formativa anterior à realização desse estudo. Dos 8 sujeitos participantes, 6 foram nossos alunos no PROBÁSICA, mais especificamente, na disciplina Processo de alfabetização e 2 alunos de uma
professora que coordena a nossa base de pesquisa na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, cuja referência foi dada na introdução desse trabalho.
O nosso trabalho como professora e coordenadora do curso de Pedagogia no PROBÁSICA – período de 2000 a 2004 – no município de Ceará-Mirim, nos possibilitou um envolvimento com o projeto político-pedagógico do curso e o contato intenso e sistemático com professores e alunos nesse movimento de reflexão e ressignificação do exercício do magistério no Ensino Fundamental. Foi um espaço de crescimento profissional e acadêmico que permitiu a construção de um conhecimento mais apurado sobre o pensar e o fazer desses professores que atuam na escola pública desse município em relação à alfabetização.
Em cada semestre letivo do curso realizávamos discussões sistemáticas com os professores ministrantes das disciplinas, acompanhávamos os avanços e recuos dos alunos e fazíamos seminários de avaliação no seu término. Nesses seminários, os alunos apresentavam suas produções acadêmicas e refletiam sobre as suas necessidades construídas pela dinâmica de reelaboração da sua ação pedagógica a partir das teorias apreendidas.
Desse modo, já tínhamos construído com esses sujeitos uma relação acadêmica e afetiva de cumplicidade, confiança e respeito mútuo. Assim, como já existia essa abertura para o diálogo, na busca pela ampliação de sua formação, esses professores já haviam nos procurado solicitando a realização de uma pesquisa que os levassem a aprofundar estudos sobre o conceito de alfabetização e letramento e seus desdobramentos nas práticas pedagógicas.
Na tabela a seguir, descrevemos os sujeitos participantes de forma coletiva de acordo com o perfil produzido a partir dos dados construídos no questionário. São informados os dados relativos à faixa etária, sexo, formação, tempo de docência, tempo de docência na alfabetização, vínculo funcional, turma em que leciona, atividades de formação relevantes nos últimos 5 (cinco) anos:
CARACTERÍSTICAS DOS SUJEITOS S U JE IT O S
Sexo etária Faixa Formação Tempo de docência
Tempo de docência na alfabetização
Vínculo
funcional Turma em que leciona
Atividades de formação mais relevantes nos últimos 5 anos F em in in o M as cu lin o 31 -4 0 an os M ai s de 40 a no s M ag is té rio P ed ag og ia E sp ec ia liz aç ão M en os d e 10 a no s 10 -1 5 an os M ai s de 1 5 an os M en os d e 10 a no s 10 -1 5 an os M ai s de 1 5 an os E fe tiv o N ão e fe tiv o 1º a no 2º a no 3º a no 4º a no 5º a no P R O F A P ró -le tr am en to P C N ’s e m a çã o Paulo X X X X X X X Ana Zélia X X X X X X X X X X Ivone X X X X X X X X X X Fátima X X X X X X X X X Consuelo X X X X X X X X X X Regina X X X X X X X X X X Vanda X X X X X X X X X X X X Adele X X X X X X X X X X X
Faremos uma breve descrição das características individuais dos sujeitos participantes. A partir de agora, todos serão identificados pelos pseudônimos de
Adele, Regina, Ivone, Fátima, Consuelo, Ana Zélia, Vanda e Paulo, nomes estes que
foram escolhidos por eles mesmos em uma homenagem que fizeram aos seus professores alfabetizadores, corroborando assim, com o princípio ético do sigilo com relação às informações fornecidas para a investigação e evitando, da mesma forma, serem denominados de Professores 1, 2 ou A, B.
A Professora Adele tem entre 31-40 anos de idade, concluiu a licenciatura em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN/PROBÁSICA e fez Especialização em Gestão Escolar na Universidade Potiguar; participou de cursos de formação continuada como o PROFA, Pró-Letramento e PCNs em Ação. Em 2007, completou 21 anos de carreira como professora, há 8 anos atua na escola lócus da pesquisa, 4 como professora e 4 como supervisora pedagógica, função que exerce atualmente.
A professora Regina encontra-se na faixa etária entre 31-40 anos, terminou a licenciatura em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN/PROBÁSICA. Seu tempo de serviço como professora nos anos Iniciais do Ensino Fundamental é de 10 anos e há três leciona na escola lócus da pesquisa, no 1º ano. Participou dos cursos de formação continuada como o PROFA, Pró- Letramento e PCNs em Ação.
A professora Ivone tem idade entre 41-50 anos, cursou a licenciatura em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN/PROBÁSICA, tem 27 anos de experiência na alfabetização e atua há 10 anos na escola pesquisada. No momento atual, assume uma turma do 4º ano e participou dos cursos de formação continuada como o PROFA, Pró-Letramento e PCNs em Ação.
A professora Fátima, com idade entre 31-40 anos, é graduada em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN/PROBÁSICA, fez Especialização em Educação Infantil pela Universidade Potiguar e, atualmente, cursa Especialização em Psicopedagogia, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, UFRN. Seu tempo de experiência nos anos iniciais do Ensino Fundamental é de 9 anos e esse é o mesmo tempo em que atua como professora do 3º ano. Os cursos de formação mais importantes que ela fez nos últimos 5 anos foram o Pró-Letramento e os PCNs em Ação.
A professora Consuelo encontra-se na faixa etária entre 41-50 anos, concluiu Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN/PROBÁSICA, atua como professora dos anos Iniciais há 29 anos e está há 10 anos lecionando na escola pesquisada no 2º ano do Ensino Fundamental. Participou de cursos de formação continuada como o PROFA, Pró-Letramento e PCNs em Ação.
A professora Ana Zélia, com idade entre 41-50 anos é formada em Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN/PROBÁSICA. Há 18 anos é professora do município de Ceará-Mirim e há 15 atua nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Leciona há 5 anos na escola pesquisada, no 1º ano do Ensino Fundamental.
A professora Vanda tem mais de 40 anos; concluiu o Curso de Pedagogia no Instituto Kennedy – Natal/RN e fez Especialização em Educação e Linguagens na Educação de Jovens e Adultos pela UFRN. Possui 24 anos de experiência como professora, há 19 anos leciona na escola investigada e há 13 atua nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Atualmente, leciona na turma do 5º ano e participou de cursos como o PROFA e os PCNs em Ação.
O professor Paulo encontra-se na faixa etária entre 31-40 anos e é formado em Pedagogia pela Universidade do Vale do Acaraú – UVA. Não participou dos cursos de formação continuada oferecidos pelo MEC, tem 5 anos de experiência como professor dos anos iniciais do Ensino Fundamental e há 1 ano atua na escola pesquisada, lecionando no 3º ano do Ensino Fundamental.
É importante acrescentar que dois professores do grupo estão cursando pós- graduação (Especialização em Educação Infantil e Psicopedagogia na Universidade Potiguar – UNP/RN).
A faixa salarial desses professores é de 2 a 3 salários mínimos, que pode ser considerada baixa, visto que se desdobram em dois ou três turnos de trabalho para aumentarem sua renda mensal e garantirem a sua sobrevivência.
Em conversas informais realizadas durante nossas observações na escola, alguns professores me informaram que a sua sobrecarga de trabalho é muito grande: além de planejarem e executarem as aulas, estudarem, avaliarem, participarem de reuniões pedagógicas, ainda assumem as obrigações com suas casas e suas famílias.
Ao discutir a grande responsabilidade de trabalho do professor brasileiro e da luta que este deve empreender pela conquista de seus direitos, Freire (1996, p. 66) afirma que:
[...] A luta dos professores em defesa de seus direitos e de sua dignidade deve ser entendida como um momento importante de sua prática docente, enquanto prática ética. Não é algo que vem de fora da atividade docente, mas algo que dela faz parte.
Embora tenham que enfrentar inúmeras dificuldades de natureza econômica e na própria organização do trabalho na escola, os professores manifestam interesse e entusiasmo no trato com as questões pedagógicas.
Analisando este perfil, verificamos que estamos diante de um grupo comprometido com a educação pública e com uma experiência longa de atuação nos anos iniciais do Ensino Fundamental, e, apesar da diferença de idade entre alguns professores, eles são muito próximos e suas idéias são convergentes em relação à necessidade que a escola tem em desenvolver processos coletivos de estudo, tendo em vista a melhoria de sua prática com a alfabetização de crianças. Todos os professores moram em Ceará-Mirim e alguns se formaram na mesma Universidade e no mesmo ano, tais como Ana Zélia, Adele, Consuelo, Ivone, Fátima e Regina, que se graduaram em Pedagogia/PROBÁSICA/UFRN.