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3.13 GodsNytte

Dotado de recursos culturais, paisagísticos e naturais únicos, muitos ainda pouco explorados, a região das BSE tem vindo a afirmar-se a nível nacional e internacional no turismo de natureza, cultural, gastronómico e paisagístico. Este território, com as especificidades da sua geologia, a paisagem esculpida com glaciares, as características próprias do clima, a biodiversidade da fauna e flora, a diversidade de recursos hídricos, um vasto património cultural, apresenta uma vasta oferta de recursos e atrações turísticas, que lhe conferem aptidões para o fenómeno turístico (Roque et al., 2012). Paralelamente, realça-se a presença significativa de dois patrimónios da humanidade – O vale do Côa e o do Douro Vinhateiro, bem como a sua proximidade a Espanha e a centros urbanos com grande valor e atratividade como Salamanca, Cidade Rodrigo.

O turismo paisagístico e de natureza justificam-se pela existência do Parque Natural da Serra da Estrela, com cerca de 90 374 há de área. A neve e a montanha - marcas da região - são as maiores atrações. A Serra da Estrela é o único destino com neve em Portugal, local onde se pode desfrutar da prática de desportos de inverno e da beleza natural das suas paisagens. As rotas ambientais (Rota dos Glaciáres, Rota dos 4 Rios, Rota das 25 Lagoas, Rota das Áreas Naturais) são grandes apostas desta região para atrair a ela turistas nacionais e estrangeiros (Oliveira e Manso, 2010b).

O turismo cultural é outro importante produto turístico deste território, pois a história e as tradições da região, associada aos descobrimentos e à defesa do território contra invasões estrangeiras, bem como a presença da comunidade judaica pelo menos desde o século XV, potenciam o seu desenvolvimento (Pereira et al., 2012). A forte presença da comunidade judaica nalguns concelhos da região é um fator de atratividade ímpar que as Entidades Regionais de Turismo e a comunidade judaica de Belmonte potenciaram ao desenvolverem a Rede de Judiarias de Portugal, um produto turístico diferenciador e com forte potencial de crescimento na região. Ainda a nível cultural, as doze aldeias históricas localizadas na região, e que fazem parte do projeto “Aldeias Históricas de Portugal”, constituem fatores distintivos e desempenham um papel relevante no desenvolvimento e valorização cultural da região, a que acrescem as cinco rotas culturais (Rota das Aldeias Históricas; Rota da Lã; Rota dos Castelos; Rota das Antigas Judiarias), importantes fatores de atratividade da região.

O turismo de “saúde e bem-estar”, associado a um vasto conjunto de recursos termais - as Termas de Almeida localizadas no concelho de Almeida, as Termas de Longroiva localizadas

na Meda, as Termas do Cró, localizadas em Sabugal, e as Termas de Unhais da Serra, localizadas em Unhais, as termas de Manteigas e outras que carecem urgentemente de recuperação como as termas conhecidas como Águas Radium localizadas nas proximidades da aldeia de Sortelha, no Sabugal - têm-se também afirmado neste território.

Apesar de o PENT não considerar a gastronomia um produto estratégico nesta região, ela possui uma vasta oferta de produtos regionais (presuntos e enchidos artesanais, cerejas do Fundão, queijo de ovelha da Serra da Estrela, compotas artesanais, a amêndoa amarga, entre outros) que se apresentam como recursos endógenos turísticos, com um elevado potencial de atratividade para este destino turístico, e que os vários concelhos vão promovendo anualmente através da organização de feiras gastronómicas, como forma interessante de divulgação e de dinamização da região.

Relativamente à oferta de alojamento, segundo os últimos dados do INE, os concelhos em análise apresentam uma oferta de alojamento diversificada. O concelho da Covilhã apresenta o maior número de estabelecimentos hoteleiros, seguido da Guarda e do Fundão (Tabela 5.8).

Tabela 5.8 – Número e tipo de estabelecimentos hoteleiros na região das Beiras e Serra da Estrela (2013)

Sub-regiões e concelhos

Total (Número)

Tipo de estabelecimento hoteleiro

Hotéis Pensões Estalagens Pousadas Motéis Hotéis- apartamentos

Beira Interior Norte 21 11 8 1 1

Cova da Beira 15 12 1 1 1 Serra da Estrela 7 5 1 1 Almeida 3 2 1 Belmonte 2 1 1 Celorico da Beira 3 2 1 Covilhã 9 7 1 1

Fig. Castelo Rodrigo 2 1 1

Fornos de Algodres 2 2 Fundão 4 4 Gouveia 3 2 1 Guarda 6 3 3 Manteigas 4 2 1 1 Meda 1 1 Pinhel 1 1 Sabugal 0 Seia 2 1 1 Trancoso 1 1 Fonte: INE (2015).

Tal como noutras zonas do interior do país, no território em estudo têm-se verificado uma crescente procura das áreas rurais, associada à evolução e às mudanças consideráveis no turismo, seja pelo lado da procura, seja pelo lado da oferta. Como resposta a estas solicitações do mercado turístico, nos últimos anos, verificou-se uma expansão na oferta de alojamento direcionada para o produto turismo no espaço rural, nomeadamente nas tipologias

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O número de dormidas tem apresentado uma tendência crescente tendo, em 2013, o número total de hóspedes em estabelecimentos hoteleiros atingido os 272721, cerca de 15% na SE, 28% na BIN e 57% na CB. Depois do português e potenciado pela proximidade da fronteira espanhola, o mercado espanhol é o segundo mais representativo neste território (INE, 2014).

O território em estudo apresenta uma grande riqueza de recursos, distribuídos de forma diversa, que podem ser catalisadores do desenvolvimento turístico integrado. Porém, este território, à semelhança de todo o interior do país, tem problemas de carácter estrutural, que advêm da sua posição periférica em termos geográficos, de alguma debilidade ou fraqueza ao nível das acessibilidades, de incapacidade de as cidades crescerem e polarizarem o desenvolvimento das áreas circundantes, de carência de iniciativas empresariais e, entre outras, de alguma falta de mão-de-obra qualificada, que “se tornou incipiente à custa do êxodo rural e da migração” (Salgado e Leitão, 2009: 11).

Apesar de algumas vozes acusarem de degradação, de destruição de lugares e de recursos naturais (Salgado e Leitão, 2009), a região tem um “potencial paisagístico, ambiental e cultural, com características singulares no espaço nacional, que promove a sua apropriação como destino turístico de excelência, o qual vem evidenciando o alargamento da oferta de produtos, face à diversidade de recursos e às diferentes motivações que suportam a sua procura ao longo do ano” (Roque et al., 2012: 228).

A importância do turismo como elemento dinamizador das estruturas socioeconómicas dos países, regiões e locais é hoje um facto plenamente assumido. Porém, a procura turística exige novos produtos em destinos com imagem de destino sustentável. Segundo Salgado e Leitão (2009: 16) “é com a diversidade e a heterogeneidade de produtos e ofertas turísticas que se conseguirá a satisfação dos turistas, ao mesmo tempo que de uma forma direta e indireta se desenvolvem os outros sectores”. Assim, se conseguirá um desenvolvimento económico e social integrado e harmonioso, onde o turismo pode ser o garante da sustentabilidade, assente numa lógica coletiva. Apesar dos desafios da atualidade, o território em estudo possui um enorme potencial para se transformar num destino turístico relevante a nível mundial (Oliveira e Manso, 2010b; Salgado e Leitão, 2009).

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