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CHAPTER 2 LITERATURE REVIEW

2.1 Global Studies

A Tabela 7 reúne os dados referentes à disponibilidade de fibras e colesterol observada nos domicílios das famílias residentes nas Regiões Norte e Sul de acordo com o rendimento mensal (familiar).

Tabela 7 – Disponibilidade diária de fibra e colesterol nos domicílios das Regiões Norte e Sul do Brasil, de acordo com recebimento mensal familiar (em salários mínimos), 2002/2003

Regiões Estratos de rendimento Fibras (g) Colesterol (mg)

Norte Até 2 10,0 64,9 Sul Até 2 6,6 88,2 Norte Mais de 2a 3 12,5 74,8 Sul Mais de 2 a 3 6,9 96,1 Norte Mais de 3 a 5 12,8 94,6 Sul Mais de 3 a 5 6,8 122,7 Norte Mais de 5 a 6 13,7 89,2 Sul Mais de 5 a 6 7,3 158,9 Norte Mais de 6 a 8 14,1 100,9 Sul Mais de 6 a 8 7,0 161,8 Norte Mais de 8 a 10 15,2 93,0 Sul Mais de 8 a 10 7,5 183,1 Norte Mais de 10 a 15 14,7 92,9 Sul Mais de 10 a 15 6,6 152,7 Norte Mais de 15 a 20 12,8 111,7 Sul Mais de 15 a 20 13,2 139,0 Norte Mais de 20 a 30 11,3 100,0 Sul Mais de 20 a 30 7,6 145,2 Norte Mais de 30 10,7 87,8 Sul Mais de 30 9,5 180,5

A análise relativa à disponibilidade de fibras (nos domicílios) revela dados preocupantes. Tendo por base a referência preconizada, por exemplo, para um adulto (31 g), o exame da Tabela 7 mostra que os valores médios obtidos se revelam muito aquém do valor estabelecido pelo Institute of Medicine (2002).

Nota-se que, tanto para a Região Norte (10,0g) quanto para a Região Sul (6,6g), foi entre as famílias mais pobres (até 2 s.m.) os menores valores observados no tocante à disponibilidade de fibras. Em contraste, na Região Norte, foi entre as famílias pertencentes ao estrato de rendimento de mais de 8 a 10 s.m. que a maior disponibilidade (15,2g) desse nutriente foi identificada. Na Região Sul, a maior quantidade média (13,2g) foi identificada entre as famílias com rendimentos mais elevados (mais de 15 a 20 s.m.).

Adicionalmente, é interessante destacar que a disponibilidade média de fibras se revelou, de uma forma geral, superior nos domicílios da Região Norte, excetuando-se aqueles cujas famílias a renda integrava o intervalo de mais de 15 a 20 s.m. Esse resultado revela a predominância dos carboidratos na dieta de praticamente a totalidade das famílias da Região Norte, quando comparada à Região Sul. É provável que esses resultados estejam relacionados a um tradicional consumo, pelas famílias da Região Norte, de cereais, raízes e tubérculos.

Ainda com base nos dados da Tabela 7, observa-se que a disponibilidade de fibras na Região Norte tende a aumentar de forma relativamente constante até o intervalo de mais de 8 a 10 s.m., ocorrendo um declínio a partir daí. Quando são considerados os dados obtidos para a Região Sul, não é identificado crescimento da disponibilidade de fibras, conforme aumentam os rendimentos.

Os resultados encontrados por Bleil (2004), mostraram uma relação positiva entre a disponibilidade de fibras e os rendimento mensal tanto para as famílias residentes na região metropolitana de Curitiba como de Porto Alegre.

Lima, Arrais e Pedrosa (2004), ao investigar a dieta habitual de crianças e adolescentes com sobrepeso e obesidade também registraram um baixo consumo de fibras em todos os grupos pesquisados. Os referidos autores verificaram ainda uma correlação negativa entre o índice de massa corporal e o consumo de fibra alimentar entre o grupo de indivíduos obesos do gênero feminino.

Os resultados obtidos por Gomes et al. (2003), por meio de implementação de estudo de “caso-controle” envolvendo 54 crianças com idade entre 2 e 12 anos com constipação crônica revelaram uma ingestão média de fibra alimentar abaixo dos valores mínimos recomendados. Verificou-se também que o consumo de fibras foi

estatisticamente menor (média = 6,9; DP = + 3,4) no grupo com constipação, comparado ao grupo controle (média = 8,6; DP = + 4,2), indicando que o baixo consumo de fibras pode ser considerado um fator de risco para o desenvolvimento de constipação crônica.

É sem dúvida, indiscutível, o relevante papel atribuído às fibras na prevenção e controle de inúmeras doenças que podem acometer o indivíduo. Dentre suas principais funções, podem ser destacados seus efeitos positivos na prevenção das doenças crônicas não transmissíveis como obesidade, diabetes melito não insulino dependente, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer (JOANNE, 2005). Por tudo isso, muitas pesquisas têm sido implementadas na tentativa de elucidar os possíveis mecanismos pelos quais as fibras dietéticas atuam favoravelmente na saúde em geral.

É o caso, por exemplo, de Bingham et al. (2003), que por meio de um estudo prospectivo, analisaram a associação entre a ingestão de fibras e a incidência de câncer colorretal em indivíduos com idade entre 25 e 70 anos. Os resultados mostraram que com a duplicação do consumo de fibra por meio da alimentação, havia a diminuição de 40% do risco de ocorrência de câncer colorretal.

No caso do colesterol, os resultados obtidos na presente dissertação indicaram que sua disponibilidade foi maior na totalidade dos domicílios das famílias da Região Sul, em contraste com a Região Norte. É possível que essa tendência ocorra em virtude do consumo elevado de carnes vermelhas, especialmente suínas, cuja composição nutricional é marcada pelo teor elevado desse nutriente, observado nessa região do País. Ainda com relação ao colesterol, verificou-se uma tendência de aumento da disponibilidade conforme crescem os rendimentos. Esse resultado pôde ser constatado de forma mais clara por meio de análises referentes à Região Sul. Observa-se que as famílias mais pobres (até 2 s.m.) tanto da Região Norte (64,9g) quanto da Região Sul (88,2g), apresentaram a menor disponibilidade média de colesterol. Em contrapartida, as maiores médias foram identificadas entre as famílias pertencentes ao estrato de mais de 15 a 20 s.m. (111,7g para a Região Norte) e as mais ricas (180,5g para a Região Sul). É interessante notar ainda que, embora a disponibilidade de colesterol tenda a aumentar com os rendimentos, o limite máximo de 300 mg/dia, preconizado

pela Organização Mundial de Saúde (WHO, 2003), não foi observado entre as famílias pesquisadas.

Os resultados encontrados na presente pesquisa, no tocante à disponibilidade de colesterol, se mostraram de maneira geral relativamente satisfatórios, especialmente se forem considerados os prejuízos ocasionados à saúde em decorrência do consumo excessivo desse nutriente. Entretanto, cumpre salientar que a análises elaboradas nesta pesquisa envolveram somente a disponibilidade (média) de alimentos no domicílio, e, portanto, os resultados devem ser observados cuidadosamente, tendo em vista a possibilidade de serem subestimados.

A hipercolesterolemia é apontada como um dos principais fatores de risco no desenvolvimento da aterosclerose e, conseqüentemente está relacionada com o aparecimento de síndromes isquêmicas do miocárdio. Essa doença é caracterizada por um aumento nos níveis plasmáticos de colesterol, podendo ser causada tanto por fatores genéticos quanto por fatores exógenos (DERIVI; MENDEZ, 2001).

Cardoso; Martins e Fornari (2002) também chamam a atenção para o efeito direto da hipercolesterolemia (> 200mg/dL de colesterol sanguíneo) sobre o risco de desenvolvimento de doença isquêmica do coração. Entretanto, os autores destacam a importância do monitoramento da ingestão diária de colesterol com o objetivo de controlar os efeitos deletérios que o mesmo exerce sobre a saúde.

4.7 Análise da participação dos grupos de alimentos no Valor Energético Total -