6 Pembrokeshire Welsh
6.1.1 The contribution
6.2.2.2 Gliding as phonetic readjustment
Para atendermos ao segundo objetivo, ou seja, descrever as funções que as famílias e os professores atribuem ao jogo de acordo com a idade e, ou, nível de ensino, pedimos aos professores que citassem um aspecto sobre a importância do jogo para uma criança de 0 a 3 anos de idade e para uma de 6 a 8 anos. A partir das respostas, montamos o Quadro 7, identificando a visão desses docentes sobre a importância do jogo para as crianças naquelas faixas etárias.
Conforme os dados apresentados no Quadro 7, para alguns professores da Educação Infantil a “construção de conceitos” para crianças de 3 a 6 anos de idade e “fixação de conceitos” para 6 a 8 anos é uma das funções do jogo. Também nesse sentido é apresentada a “resolução de operações e descoberta de cores e formas”. Isso mostra que o jogo é visto pelos professores da Educação Infantil como uma maneira de ensinar conteúdo. A expressão “apoio à memória” aparece atrelada ao conteúdo, para os dois grupos de idades diferenciadas, o que nos permite inferir que memória, nesse caso, refere-se à lembrança e retomada de conceitos já trabalhados. Nos trabalhos de Kamii (1991), Macedo (2000) e Brenelli (1996), encontramos o jogo de regras como um elemento para construção do pensamento reflexivo, em vista da autonomia intelectual, moral e social. A criação de estratégias para resolução dos desafios dos jogos são construídos a começar de esquemas anteriormente elaborados mentalmente, a partir dos quais se elaboram outros, para resolver os desafios do jogo. Portanto, a memória seguindo a teoria piagetiana não é apenas lembrança, mas uma reelaboração mental de esquemas anteriormente construídos.
Quadro 7 – Importância e função do jogo para crianças de 3 a 6 e de 6 a 8 anos de idade, na perspectiva dos professores da Educação Infantil, Ensino Fundamental e especialistas
Professor(a) 3 a 6 anos de idade 6 a 8 anos de idade
01
Brincadeiras, descoberta do faz- de-conta, construção de conceitos
Formação da personalidade Fixação de conceitos 02
Relações com os outros, descoberta de cores e formas, incentivo à memória
Resolução de contas, operações, somas, descoberta de palavras, apoio à memória, concentração
E D I N
F 03 Coletividade, construção deregras Competição, coletividade
04 Socialização Construção de regras
05 Brincar, vivenciar papéis Vivência de regra, exploração do
raciocínio
06 Prazer, brincar Respeito às regras e criação de novas
07 Socialização, agente socializador Formação de caráter 08 Relações, referência à vida
adulta; brincadeira de faz de conta; formação de identidade e de personalidade
Estímulo para o conteúdo formal 09 Socialização, relações espaciais,
superação de limites, brincadeira
Organização; espírito de liderança e capacidades; enfrentamento de desafios.
10 Brincadeira, aprendizado É jogo, disputa, tem aprendizado
11 Aprendizagem para atingir uma
meta Competição E N S F U N
12 Brincadeira, socialização Funções mais avançadas, regras, desafios
* Agrupamento por segmento: Educação Infantil, séries iniciais e especialistas. Indicador numérico
utilizado para preservar a identidade dos informantes.
Uma professora da Educação Infantil considera a coletividade e a presença da regra para dois grupos de crianças. A “construção de regras, a vivência e o respeito” são evidenciados também pelos professores do Ensino Fundamental, para os dois grupos etários. Para essas professoras, a função do jogo para 3 a 6 anos de idade está voltada para a socialização, enquanto a brincadeira o está para diversão. É unânime a idéia da presença da regra para as professoras do ensino fundamental para
regras, não há jogo, ou seja, mesmo para as crianças menores as regras estão presentes na mais simples brincadeira.
As considerações dos professores especialistas se aproximam em muito dos docentes do ensino fundamental em relação às funções do jogo. Em sua maioria, esses professores consideram que para a idade de 3 a 6 anos o jogo é um “agente socializador”, marcado pelas brincadeiras e pelas relações. Já para a idade de 6 a 8 anos a regra, o aprendizado, a formação de caráter e o apoio ao conteúdo estão presentes.
No Quadro 8, mostram-se as categorias advindas das respostas dos professores acerca da importância e função do jogo para crianças de 3 a 6 anos e criança de 6 a 8 anos de idade, juntamente com os porcentuais correspondentes às respostas.
Quadro 8 – Importância e função do jogo para professores da Educação Infantil, Ensino Fundamental e especialistas
Importância e função do jogo para crianças de 3 a
6 anos de idade
Nº de profes-
sores % *
Importância e função do jogo para crianças de 6 a
8 anos de idade Nº de profes- sores % * Socialização - Coletividade, relações de grupo, brincadeiras, vivência de papéis, prazer
12 100,0 Competição - Disputa, enfrentamento, liderança 4 33,3 Aprendizagem
- Descobre conceitos, cores, formas, aguça a memória, relações espaciais, meta a ser atingida, construção de regras
6 50,0 Aprendizagem- Formação de conceitos, estímulo para aprendizagem do conteúdo formal (operações e outros), concentração, memória 5 41,6 Regras e desafios
Construção de regras 1 8,3 Regras e desafiosRespeito às regras e construção de novas
5 41,6
Formação pessoal e social
- Referência à vida adulta, formação da personalidade e identidade, superação de limites
2 16,6
Formação pessoal e social
- Organização, formação de caráter, desenvolvimento de capacidades
3 25,0
*As porcentagens foram calculadas a partir do total de respostas e na ao partir do número de professores.
Na perspectiva do grupo de professores entrevistados, a função primeira do jogo para crianças de 3 a 6 anos de idade é o de socialização (100%), seguido da aprendizagem (50%). Dessa forma, o jogo exerce um papel de socializador, de interação, de brincadeira. Para as crianças de 6 a 8 anos, foram destacadas duas funções: A aprendizagem e a regra, com 41,6% das respostas. Isso indica que, para os professores, o jogo tem como função primeira a de ser mais livre, lúdica, para as crianças menores, e a função de ensinar, de ser mais estruturado para as crianças maiores. A regra tem pouca representatividade para as crianças de 3 a 6 anos e muita representatividade para as de 6 a 8 anos de idade.
Os registros nos levam a inferir que o jogo é entendido pelos professores como funções diferenciadas conforme a idade, ou seja, é o jogo como brincadeira, o brincar pelo brincar para as crianças de 3 a 6 anos de idade e o jogo sério, com regras, relacionado à aprendizagem de algum conteúdo para as crianças de 6 a 8 anos. Nesse sentido, vem a pergunta: Não poderia o jogo ter a mesma função de lúdico, de prazer, de socialização, com regras predeterminadas, ou com construção de novas regras, tanto para crianças de 3 a 6 anos como para as de 6 a 8 anos de idade? Será a escola quem demarca essa função, que institucionaliza o que é apenas lúdico e o que é lúdico para aprender?
A esse respeito encontramos as contribuições de autores como Brougére (1998) quando afirmou que o jogo na escola é sempre considerado como jogo educativo, ou seja, direcionado ao ensino de conteúdo, ficando relegadas a segundo plano as atividades livres e o brincar pelo brincar. Na mesma direção, Redin (1998) acrescentou que os jogos utilizados na escola com fins determinados distanciam-se da inserção do lúdico como construção da cidadania, perdendo-se, assim, o compromisso do jogo que é sempre com o processo do “brincar pelo brincar”. Importa ressaltar que o jogo pode indiretamente ensinar determinados conteúdos sem, contudo, perder o seu caráter lúdico, de prazer e entretenimento. Os objetivos dos adultos e das crianças são diferentes no tocante ao jogo e, nesse sentido, a escola como instituição organizada por adultos tende a inserir o jogo sob sua ótica e não na
momento, no entanto não temos elementos para discuti-la neste estudo, mas acreditamos ser possível adentrarmos nessa temática em outra pesquisa.
Para aprofundar a reflexão acerca da função dos jogos, foi perguntado aos entrevistados se os jogos podem ter funções diferenciadas para as turmas de Educação Infantil e Ensino Fundamental. Explicamos que a função da qual nos referíamos estava ligada ao uso do jogo pela escola, nas salas de aula ou fora dela. Como as respostas foram bastante recorrentes, foi possível agrupá-las conforme apresentado no Quadro 9.
Quadro 9 – Opinião dos professores de Educação Infantil, Ensino Fundamental e especialistas quanto à função dos jogos
Agrupamento das respostas à questão:
Os jogos nas turmas e Educação Infantil exercem funções diferenciadas do que nas turmas do ensino fundamental?
Nº de profes
sores % *
Sim, na Educação Infantil é mais brincadeiras e Séries Inicias é
mais desafio 7 58,3
Não, em ambos os casos é jogo e brincadeira, é lúdico e desafio 5 41,6
*As porcentagens foram calculadas a partir do total de respostas e na ao partir do número de professores.
É interessante notar que para 58% dos professores há diferenciação clara quanto às funções do jogo para os diferentes segmentos etários, o que indica também a diferenciação por idade. Uma das justificativas que nos chamou atenção foi a utilização da palavra “pedagogizando”62, como pode ser observado no extrato de uma professora do ensino fundamental. Embora não tenhamos o significado restrito do termo, entendemos que se refere ao uso pedagógico do jogo, ou seja, o jogo utilizado para ensinar algo, ou seja:
Não tem essa separação. Os alunos maiores elaboram mais, tem mais regras. Quando estamos pedagogizando o jogo, para nós, professores ele pode ter funções diferenciadas, dependendo do meu objetivo, mas para os alunos não, tudo é jogo ( PROF EF).
Podemos refletir, a partir desse posicionamento, a diferença e os objetivos do jogo ou da ação de jogar para a criança e para o professor. Para a criança, quando ela joga, não importa se é pelo lúdico ou pelo conteúdo, e sim que é jogo, portanto ela atua como jogador, e joga com todo o seu potencial e envolvimento, libertando suas emoções de prazer ou desprazer. Essa professora parece ter clara essa distinção, de pensar que enquanto jogo não há separação, e o mesmo acontece com as crianças. No entanto, para a escola o jogo parece estar sempre ligado ao objetivo, ao pedagógico, à função de ensinante. O próximo extrato confirma o que dissemos:
Como cada jogo tem uma regra diferente, vai depender da objetivo e da idade Vai depender da complexidade e da idade, mas o objetivo é o mesmo: ensinar alguma coisa (PROF ESP).
Esses objetivos sofrem variações conforme a idade dos alunos, conteúdo trabalhado, organização do planejamento. A regra também fica condicionada ao objetivo do professor, distanciando, assim, do que propôs Kamii (1991), quanto ao uso dos jogos de regra como estímulo ao desenvolvimento cognitivo, social e moral. Nesse caso, a regra é o desafio, pois é isso que estimula o pensamento, o raciocínio. Também Kishimoto (2003) alertou para o uso do brinquedo apenas como material pedagógico. Para essa autora, quando isso acontece, a utilização do material que deveria criar momentos lúdicos, de pura exploração, torna-se busca de resultados, em relação à aprendizagem de conceitos e noções. “Nesse caso, o objeto conhecido como brinquedo não realiza sua função lúdica, deixa de ser brinquedo para tornar-se material pedagógico” (KISHIMOTO, 2003, p. 14).