3.2 Forskningsprosessen
3.2.4 Gjennomføring av intervju
A migração de retorno é o fenômeno em que um migrante, após realizar uma ou mais etapas em seu processo migratório, volta a estabelecer residência em seu local de origem. O processo de retorno já é tradicionalmente analisado nos estudos sobre migrações, onde foi observado que cada fluxo migratório gera outro contrafluxo (RAVENSTEIN, 1885; LEE, 1966). Os motivos desse retorno estariam ligados a um conjunto amplo de fatores como: o sucesso ou insucesso dos objetivos impostos ao migrar, dificuldades em se ajustar no local de destino, a importância da família deixada no local de origem (GMELCH, 1980), e as redes sociais estabelecidas (FAZITO, 2010).
Através dos grandes fluxos migratórios em direção aos centros urbano-industriais, onde a população migrante poderia obter trabalho de baixa qualificação com rendimentos superiores ao seu local de origem, eles seguiram um padrão de migração, e ao retornar, muitos estabeleciam residência nas grandes cidades e alguns retornavam para a sua ocupação agrícola em seu local de origem (GMELCH, 1980). O retorno para o Nordeste, nos diversos fenômenos que influenciam os migrantes a voltarem ao seu local de origem, é referente ao período da alta emigração de nordestinos nas décadas de 60 a 90, e que estes migrantes agora estão retornando em direção às suas UF’s de origem.
33 1. Retornados que migraram temporariamente, com seu tempo de retorno determinado
pelos seus objetivos designados no período de sua emigração;
2. Retornados que pretendiam migrar permanentemente, mas foram forçados a retornar
devido a fatores externos;
3. Retornados que pretendiam migrar permanentemente, mas escolheram retornar por
não conseguirem se adaptar ao seu local de destino.
É importante destacar também que um dos motivos causadores do retorno migratório são as condições econômicas desfavoráveis (GMELCH, 1980) que estimulam esse processo. E no caso brasileiro, evidenciamos os novos processos de urbanização no Sudeste aliado a novas oportunidades no local de origem desta população migrante, os quais são os elementos norteadores para a compreensão da diminuição dos fluxos migratórios internos em escala nacional.
Nesta perspectiva, queremos destacar que o retorno migratório possui um conjunto de estratégias e participação de redes familiares, que servem para justificar o retorno, tanto no processo de apoio social nos locais de destino, no retorno (FAZITO, 2010) e a implantação em larga escala de políticas de transferência de renda em todo o território nacional que alteram a relação que essa população mais pobre tem com o trabalho. Com esta leitura, destaca-se que o sistema de migração possui uma associação e definição de diferentes redes migratórias (FAZITO, 2010). Assim, os retornados também participam de processos migratórios que se relacionam com as redes de familiares e amigos em seu local de origem, podendo ser considerado também como um “fim” do ciclo migratório. Há um conjunto de redes sociais no local de origem que apoiam e viabilizam que o retorno migratório se concretize.
Entre as tipologias destacadas acima, este retorno ocorreria dentro dessa relação entre o sucesso ou insucesso na trajetória migratória e o retorno à sua rede de familiares causada por algum fator externo ou incapacidade de adaptação no local de destino.
No Brasil o retorno de nordestinos que emigraram em direção às outras regiões do Brasil e posteriormente retornaram para as suas UF’s de origem, foi uma mudança nos fluxos migratórios nacionais que já apresentava significativa importância na década de 80 (RIBEIRO, CARVALHO, WONG, 2006), e que concomitante a diminuição do fluxo de migrantes nordestinos em direção ao Sudeste (OJIMA, 2012), são as principais características do novo papel migratório do Nordeste nas trocas internas nacionais.
34 As informações de data fixa para os retornados por UF na Tabela 4, que se apresentam como o retorno para a sua UF de origem, apresentam no período de 1995/2000, 1.144.211 migrantes de retorno, e em 2005/2010 temos 999.659 migrantes retornados no Brasil. Deste total, destacam-se os migrantes de retorno para o Nordeste que representam 471.059 e 352.729 para os intervalos de 1995/2000 e 2005/2010 respectivamente. Somente a região Nordeste representa 41% e 35% respectivamente para os dois períodos em sua participação nos totais de migrantes retornados brasileiros por UF, no entanto, essas proporções necessitam ser melhora analisadas para compreendermos o retorno migratório
Tabela 4: Migrantes de retorno e participação relativa sobre o total de imigrantes segundo as Unidades da Federação – 1995/2000 e 2005/2010 Brasil
Fonte: Censos Demográficos 2000 e 2010
A tendência na diminuição dos fluxos de migração também pode ser observada na Tabela 4, onde os totais de retornados passam de 1.144.211 em 1995/2000 para 999.659 em
35 2005/2010. Contudo, a sua participação relativa nos fluxos de migração totais passam de 22% para 21,5%. Com isto evidenciamos que apesar da diminuição no total de migrantes internos no Brasil, a migração de retorno não acompanhou esta diminuição, mantendo a sua representatividade nos fluxos migratórios nos dois últimos Censos Demográficos.
Ainda na Tabela 4 cabe destacar a alta representatividade das UF’s nordestinas na
participação da migração de retorno. Todas as UF’s nordestinas possuem uma participação relativa na migração de retorno superior à média brasileira, variando entre 25,5% no Sergipe a 40,8% na Paraíba em 2005/2010. Mesmo se considerarmos a diminuição do retorno nos dois intervalos analisados, este tipo de migração ainda é um elemento essencial a ser considerado nos fluxos migratórios que envolvem o Nordeste. Essa alta participação relativa também pode
ser encontrada em outras UF’s brasileiras que também experimentaram historicamente saldos
negativos de migração, como é o caso de Minas Gerais, Paraná e o Rio Grande do Sul. Ou seja, este é um processo nacional que possui uma maior representatividade no Nordeste brasileiro.
Na Tabela 3 pode-se observar que as únicas UF’s nordestinas que apresentam saldos migratórios positivos em 2005/2010 são o Rio Grande do Norte com 13.711 imigrantes e o Sergipe com 7.785 imigrantes. No entanto, na Tabela 4 observa-se que essas mesmas UF’s possuem uma menor participação relativa de retornados de 30,2% e 25,5% respectivamente. Ou seja, apesar da alta proporção de migrantes retornados no Nordeste, eles não compõem a única explicação para o arrefecimento nas taxas negativas de migração, ocorrendo também uma maior imigração de não naturais para as UF’s nordestinas, que será explorada com maior profundidade adiante.
A migração de retorno é um conceito chave para compreendermos os fluxos migratórios nacionais, com ênfase especial nos fluxos que envolvem a região Nordeste. Contudo, as informações de data fixa dos estoques dos migrantes nordestinos retornados não captam a influência estrutural da migração de retorno, fazendo necessário o uso de outras técnicas para mensurarmos os efeitos indiretos desta modalidade de migração a fim de compreendermos sua real importância para as trocas populacionais atuais.