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3. Metode

3.4 Gjennomføring av datainnsamling og analyse

Para a plena compreensão do trabalho como categoria central na formação e compreensão do ser social (humano), passa-se, necessariamente, pela discussão e entendimento do próprio termo categoria, presente no pensamento ocidental desde Aristóteles, o primeiro a usar o termo no sentido técnico. Não é o objetivo aqui traçar o percurso histórico do termo na filosofia.

Na concepção materialista do homem, o uso do termo se afasta de qualquer consideração a priori e trata as categorias como formalização de

formas da existência, formas do existir, determinações da existência, sempre a

partir do concreto:

Todo lo existente debe poseer siempre o carácter objetivo, debe ser siempre la parte más motora y móvil de un complejo concreto. Esto tiene dos consecuencias fundamentales. Primero el entero ser es un proceso histórico; segundo las categorías no son declaraciones sobre algo existente o en devenir, ni principios de formación (ideales) de la materia, mas formas motoras e móviles de la da propia materia: formas del ser, determinaciones de la existencia. (LUKÁCS, 2004, p. 36-37)

Nessa perspectiva, as categorias possuem um caráter histórico ― serão constituídas a partir de condições históricas que assim as permitam, já que, como formas que o pensamento apreende as formas de ser elas estão sujeitas às leis históricas de formação e transformação do próprio pensamento, uma categoria, de um modo de ser específico, só é "pensável levando em conta

simultaneamente a propriedade de outros modos de ser, as suas conexões e diferenças..." (LUKÁCS, 2010, p. 325) Lukács, discutindo acerca da concepção marxiana de categoria, afirma:

Avançando, assim, para o problema das categorias, no sentido próprio, temos de constatar, mesmo preliminarmente, que Marx as explicou de modo amplo, sobretudo para o ser social. Mas para ele, sempre foi evidente que uma ontologia do ser social só era, de um lado, pensável, levando em conta simultaneamente a propriedade dos outros modos do ser, as suas conexões e diferenças, e, de outro, a conexão e a contraposição entre a constituição ontológica das categorias devem ser observadas e concretizadas em sua verdadeira objetividade, em seu ser independente da consciência, e nas formas de pensamento com que a consciência procura apreendê-los, se quisermos realmente apreender intelectualmente os dois complexos. (Idem, ibidem)

As categorias não são nem podem ser derivadas do abstrato ou do a

priori. As categorias permitem ler e entender o real e seus objetos, não

meramente dentro do logicidade do pensamento, mas de acordo com "as necessidades sócio-históricas que a cada vez orientam seus respectivos modos de manifestação, formas etc. com o objetivo de obter uma base real para a práxis humana". (Idem, ibidem) Percebe-se, pois, que, muito embora possam ser consideradas categorias de pensamento, estão elas pautadas e sustentadas na concretude do real. Não são categorias a priori ou concebidas exclusivamente pelo pensamento, independentemente do real, mas são formas

de ser que o pensamento apreende em sua interação com o real. As categorias

não decorrem nem constituem princípios abstratos, já que

Os princípios classificatórios abstratos que se tornaram tão importantes na teoria do conhecimento e na lógica, por exemplo, ponto de partida e conclusões concretas e abstratas, simples e complicadas, etc., podem ter aí um papel apenas à medida que neles

se revelem as determinações ontológicas reais (históricas) da própria coisa e não permaneçam meras determinações de pensamento para introduzir os fenômenos em um sistema de pensamento fixado previamente. (LUKÁCS, 2010, p. 326)

Pelas considerações de Lukács não se pode perder a concretude que fundamenta a formulação de uma categoria, sempre decorrente do real e do concreto que é a síntese de muitas determinações. As categorias irão, pois, permitir a apreensão e compreensão das múltiplas determinações que constituem o concreto, pois o mundo que nos é dado (seja natureza ou sociedade) é concebido, por Marx, "como síntese real de processos, e não como imediaticidade". Entende-se, pois, que as categorias constituem-se a

partir de e funcionam como mediadores entre a concretude e complexidade do

real e a organização e processamento da razão (do pensamento). Ainda que sejam categorias do pensamento, referem ao ser, como modos de ser, e "todo ser, à medida que é ser, é objetivo" (LUKÁCS, 2010, p. 326)

As categorias apenas aparentemente fragmentam a unicidade e complexidade do real e de sua historicidade, pois na concepção materialista todo ser deve ser tomado como processo ou movimento (histórico) e

(...) a caracterização das categorias como formas de ser, determinações de existência da objetividade como marca inseparável de todo ser, pertence às determinações fundamentais resultantes da historicidade geral como característica ontológica de todo ser. (idem, p. 331)

Sintetizando, MÉSZÁROS (2011, p. 33) conclui que o caráter histórico das categorias teve que ser fortemente enfatizado:

Assim, Marx insistiu que elas são produzidas pelo desenvolvimento histórico objetivo como formas de ser [Daseinsformen], tornando-se manifestas nas interrelações práticas do mundo social antes de

poderem ser conceitualizadas pelos filósofos e economistas políticos de uma forma geral. Portanto, a categoria geral de trabalho, por exemplo, aparece na teoria somente depois do deslocamento ou da marginalização de suas formas particulares ― por exemplo, o trabalho agrícola como conceito-chave no sistema fisiocrático ― na realidade em si.

O trabalho, atividade humana essencial, está presente em todos os momentos e formas da história humana, vindo assim a se constituir como categoria essencial para a compreensão do ser social e de sua história, ainda que tenha se desdobrado em formas historicamente específicas de ser, e, em cada uma dessas formas, estarão manifestos os caracterizadores gerais que permitirão a formação da categoria genérica trabalho, caracterizadores concretamente constituídos, já que:

(...) as categorias da filosofia não poderiam ser produzidas pela

autoatividade da Ideia, mas, enquanto formas de ser, tinham de

refletir de forma adequada alguma relação essencial. Tampouco poderiam ser isentas de determinações históricas, mas, ao contrário, como formas de um ser social irreprimivelmente mutável, elas se qualificaram como conceitualizações verdadeiras daquele ser somente por colocar em relevo a dinâmica histórica inerente de todo o processo em questão. Portanto, a filosofia poderia somente alcançar sua realização ao deixar a realidade falar sua própria verdade, em vez de comprimir esta última em um leito de Procusto de categorias preconcebidas, em nome de alguma verdade eterna abstrata. (idem, p. 34)