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4.5 Gens that were differently expressed
Existem muitos casos policiais envolvendo a ayahuasca, alguns são mais evidentes e alguns obscuros, uns mais citados pela mídia, e que trouxeram de certa forma repercussão maior, enquanto outros mais locais e sem tanta repercussão. Apresentamos a seguir alguns casos que são mais conhecidos. Começamos pelo caso da senhora Maria Aparecida Pereira, uma aposentada de 52 anos que era frequentadora de um grupo daimista, e desapareceu durante uma caminhada em Camanducaia, município do sul de Minas Gerais. Anualmente esse grupo daimista caminhava numa espécie de peregrinação para o santuário de Aparecida no estado de São Paulo, e ao desaparecer numa dessas caminhadas foi procurada pela família durante uma semana, tendo sido encontrado seu corpo somente no dia 25 de julho de 2011, em uma zona rural do município de Sapucaí Mirim por funcionários de uma empresa que fica nas proximidades do local.
A Polícia Civil esteve investigando a ligação entre a morte dessa mulher e o consumo do chá ayahuasca. Segundo familiares ela peregrinava todo ano ao Santuário de Aparecida com um grupo daimista chamado de "Céu da mantiqueira" da zona rural de Camanducaia, essa caminhada era feita por dentro da Serra da Mantiqueira, tendo sido durante a caminhada ao santuário em 2011 que ela veio a desaparecer. A família diz que somente dias após desaparecer é que o grupo daimista comunicou a família do desaparecimento, e as buscas só começaram seis dias após o desaparecimento da aposentada. O caso ainda não teve um desfecho final e fica a dúvida sobre as causas da morte da romeira daimista de Camanducaia. Um dos integrantes do grupo daimista disse a família que não quis importunar a família porque era costume dela “se perder”. O portal de notícias O Globo destacou a seguinte matéria em referência ao ocorrido com Maria Aparecida Pereira:
De acordo com a Polícia Civil, o corpo não apresentava sinais de queimadura nem de violência. Aparentemente, a mulher teria morrido há uma semana, mas o corpo estava em bom estado de conservação. O local onde a mulher foi encontrada era muito frio. Ao lado dela estava um isqueiro e focos de incêndio, possivelmente feito pela mulher para se aquecer. O delegado responsável pelo caso aguarda o laudo da perícia para saber a causa da morte de Maria Aparecida. (O GLOBO, 2011).
Em matéria publicada em O Globo no dia 18/11/2009, o jornalista João Sorima Neto (2009) relata outro caso policial envolvendo o daime, fato que acorreu em Goiânia, quando o jovem universitário de 19 anos Fernando Henrique Queiroz Tavares, por volta das 04:30 horas da manhã de 15 de novembro de 2009, após consumir o chá do daime na chácara “Krishna”, sede do grupo “Encantamento dos Sonhos” onde se recuperava da dependência química de drogas, passou mal e caiu ao chão morto, segundo o atestado de óbito a causa da morte foi um ataque fulminante do coração com o rompimento da artéria aorta. Sendo que sua mãe já havia avisado aos lideres do grupo que o filho Fernando sofria da síndrome de Marfan29, uma enfermidade degenerativa do coração. Segundo conhecidos de Fernando ele deixou o vício, voltou à escola e até parou de sair à noite. Apesar do laudo oficial com a causa da morte ter saído somente cerca de dois meses após o ocorrido, a ligação da morte com o uso do daime é muito forte. Segundo Rejane Sena Barcelos, diretora do Instituto de Criminalística Leonardo
Rodrigues da Polícia Científica do Estado de Goiás, em sua declaração afrima “estamos realizando análises sofisticadas e fora de padrão. Precisamos de mais tempo”.
O delegado Maurício Massanobu Kai, que cuidou do caso disse que “se o chá facilitou ou potencializou a morte, o responsável pelo ritual Marcelo Henrique Ribeiro, líder do grupo daimista Encantamento dos Sonhos responderá por homicídio doloso ou culposo”. χ polícia informou que caso fosse comprovada a relação entre a morte do jovem e a ingestão do chá, então os coordenadores da instituição daimista seriam indiciados por charlatanismo, curandeirismo e homicídio doloso ou culposo. Na noite em que morreu, o jovem passou por três sessões de rituais de daime, sendo que ao tomar o terceiro cálice seu coração não suportou mais. A morte do jovem foi registrada no 14º Distrito Policial de Goiânia. O delegado do distrito Washington Conceição pediu a exumação do cadáver para esclarecimentos sobre a morte, porque o rapaz foi sepultado no mesmo dia de sua morte, também porque os familiares não disseram nada a polícia sobre ele ter bebido o daime.
Só depois de sabermos a causa da morte vamos ouvir os depoimentos. O que sabemos é que o Santo Daime é uma droga que causa alucinações, vômito e diarreia nas pessoas que o tomam. Segundo relatórios médicos, o chá pode até levar a uma parada cardíaca. Queremos saber porque a mãe não falou nada sobre o chá. O que parece é que se tentou acobertar que o rapaz havia tomado a bebida. Tivemos a informação de que as pessoas que foram ao ritual só podiam se alimentar de folhas - contou o delegado. (SORIMA NETO, 2009).
Outro caso envolvendo o Santo Daime em São Paulo diz respeito também ao grupo criado por Glauco. O jornalista Paulo Lopes (2010) em matéria publicada em seu blog30 no dia 20/03/2010, intitulada “Meu filho se matou por causa do Santo Daime”, escreve que a doméstica Claudetina de Almeida de 42 anos, afirmou que seu filho de 20 anos, João Raimundo de Almeida Junior ficou estranho depois de começar a frequentar o grupo do Santo Daime de Glauco. Ela afirma que o filho dizia ser Jesus Cristo, que falava sozinho, ria sem motivo algum e gritava do nada. Até que se suicidou ao se jogar do viaduto Santa Ifigênia na região central da cidade de São Paulo. Claudetina diz que a culpa é da ayahuasca, bebida que seu filho teria abusado quando frequentou o Céu de Maria. Ela informa que seu filho sempre teria sido um menino normal até que começou a frequentar essa igreja. O filho de Claudetina de Almeida Raimundo de almeida Junior, assim como Cadu também era esquizofrênico. Claudetina disse em entrevista a revista Isto É, na edição do dia 19/03/2010, para as jornalistas Solange χzevedo e Verônica Mambrini (2010) em matéria intituladaμ “Um crime que serve de alerta”, que acreditava que seu filho estava possuído pelo demônio. Ela também disse que custou a entender que o problema de seu filho fosse de saúde.
Durante um dos surtos Raimundo tentou matar a família com uma enxada. Com medo e preocupação por causa do comportamento do filho, e após procurar a igreja “Céu de Maria” e ter falado com Glauco, juntamente com sua mulher ψia e a filha do casal foi informada para não se preocupar porque era normal e que aquilo iria passar. (AZEVEDO, S., & MAMBRINI, 2010).
Figura 26 - Claudetina disse que filho ficou estranho com o Daime.
FONTE: http://www.istoe.com.br/reportagens/58806_UM+CRIME+QUE+SERVE+DE+ALERTA
Quanto a questão de envolvimento dos daimistas com a autoridade policial no exterior, existem notícias que em 1999 começaram os primeiros problemas com a prisão do representante do daime nos Estados Unidos, e mais tarde de outros adeptos na Alemanha, tendo nesse mesmo tempo havido uma intervenção da polícia holandesa em uma cerimônia em Amsterdã; havendo algum tempo depois também a prisão de membros do grupo na França, além de dois brasileiros no aeroporto de Barajas em Madrid. No ano 2000 a corte de justiça da Holanda liberou o uso do chá e permitiu o funcionamento dos núcleos daimistas naquele país. Em 2002 houve na Espanha a liberação e finalmente em 2011 houve a
absolvição dos adeptos franceses e a liberação naquele país, ainda se espera a liberação do governo italiano sobre o daime.
Até o presente momento estivemos no primeiro capítulo dissertando sobre a ayahuasca no discurso taxonômico da botânica; depois no segundo capítulo expomos a ayahuasca no discurso histórico-antropológico; então no terceiro capítulo falamos sobre uma análise da ayahuasca no interdiscurso acadêmico; e finalmente agora no quarto capítulo fechamos a análise da ayahuasca no discurso midiático e dentro desse enfoque foi analisado: o sensacionalismo envolvendo a ayahuasca, as verdades e as inverdades do discurso midiático, os preconceitos provocados pelo discurso jornalistico e midiático, o discurso policial na mídia, que subdividimos em dois centros principais: o caso Glauco/Raoni e sua repercussão na mídia, e por fim diversas ocorrências policiais envolvendo a ayahuasca. Ainda dentro de nosso tema geral da dissertação denominadoμ “Discursos sobre o uso religioso do psicoativo χyahuasca” no quinto capítulo nosso objetivo será apresentar a ayahuasca no discurso jurídico e regulador do Estado, para tanto estaremos apresentando o discurso dos documentos e deliberações sobre a ayahuasca, analisando a ayahuasca separadamente no discurso jurídico e posteriormente no discurso regulador do Estado.