DEL III PROSJEKTETS FØRSTE FASE: LESEKOMPETANSE PÅ TO SPRÅK
6 EN DESKRIPTIV-ANALYTISK TILNÆRMING
6.1 Et overordnet perspektiv
6.1.1 Generelle metodologiske vurderinger
Ao aumento da freqüência foram associadas outras questões, que Firmino Costa considerava essenciais. Dentre essas causas encontrava-se a disciplina, assunto de vários escritos seus. Essa questão foi uma de suas ocupações depois da instalação do Grupo Escolar:
Dei-me pressa, em seguida, de tratar da ordem que deve haver neste instituto, sem a qual ficaria frustrado, desde o principio, o objectivo do Grupo Escolar. Para esse efeito tenho posto em pratica os meios expostos nos artigos que publiquei sobre disciplina na escola. (VIDA ESCOLAR, p. 1, 15 jul. 1907)
O primeiro desses artigos foi publicado em 15 de junho de 1907, no boletim Vida
Escolar, iniciando-se com uma pergunta desafiadora para os educadores da época,
principalmente depois da Reforma de 1906, que propunha a extinção de punições físicas em salas de aulas, tão comuns nas escolas isoladas: “Como se ha de manter a disciplina na escola sem recorrer a castigos corporaes?” (VIDA ESCOLAR, p. 1, 15 jun. 1907)
Para Firmino Costa, cabia ao professor aplicar outros meios corretivos, não infundindo nos alunos o medo e nem o terror, mas fazendo-os tomar gosto pelas aulas, prendendo a atenção deles às explicações. Ele aconselhava os professores a serem claros nas explicações dadas, sem a preocupação de ensinar muito, mas com o zelo de fazê-lo bem, de maneira prática e intuitiva, estando sempre em “movimento pela sala, não restricta toda a lição a uma ou a dois meninos, antes extensiva a muitos da classe quer a leitura, quer a argüição.” (VIDA ESCOLAR, p. 1, 15 jun. 1907)
Para o diretor, o Grupo Escolar, ao contrário das escolas isoladas, ao agrupar os alunos nas salas de aula por faixa etária e nível de escolaridade, dispondo as matérias em horários organizados, muito auxiliou o trabalho do professor. Tendo adquirido esses avanços, os professores deveriam ser simpáticos, polidos e justos, adquirindo a confiança de seus alunos, pois “como a grosseria aliena sympathias, irritando ou atemorizando os meninos, assim a polidez torna-os de bom humor, alegres e pacientes”. (VIDA ESCOLAR, p. 1, 15 jun. 1907)
Corrigir os alunos de maneira justa e imparcial garantiria ao professor a confiança de seus “discípulos” e uma boa disciplina. As penas seriam aplicadas, pois o aluno aprendia maus hábitos na rua e em casa. Outras formas de socialização existiam fora da escola, e no parecer de Faria Filho, ao deparar com essa realidade, a escola ora fora hostil, não aceitando que o menino trouxesse para dentro de seus muros o que aprendia e vivia fora da escola, ora não soubera apropriar-se de alguns desses elementos socializantes submetendo-os à cultura escolar em construção. (FARIA FILHO, 2003, p. 7- 8)
Dizendo ter sido orientado pelas leituras feitas de Spencer,54 em seu livro Educação, no qual elaborou um systema de disciplina pelas reações naturaes, Firmino Costa apresentou várias normas, conforme a falta do aluno e a pena a ser aplicada:
1. O alumno sabe que não deve comer na aula e entanto elle está comendo pão. Que fazer? Prival-o do pão, guardal-o o professor para que elle o coma na hora própria, do recreio.
2. O menino derrava tinta no soalho: a conseqüência é elle lavar, durante o recreio ou depois da aula, o logar sujo. Durante a aula, não, porque elle perderá a lição.
3. Deixa o pequeno de ficar convenientemente assentado, não obstante ser a carteira própria para a sua edade. O castigo consistirá em pol-o de pé durante algum tempo.
4. O escolar conversa com o seu vizinho, sabendo que deve guardar silencio. Fique isolado, sozinho, impossibilitado de prosear.
5. Serve-se um do canivete para espetal-o no collega. Tome-se-lhe o canivete para lhe entregar depois da aula, e em caso de reincidência passe-lhe revista ao entrar na aula.
6. Si elle fere o companheiro com a caneta, ponha-o em separado ou com um mais forte, para evitar essa maldade.
7. Chegou aquelle á escola com a cara suja. Mande-o laval-a na mesma escola, que esse vexame não mais o deixará cair na falta.
8. Este, que injuria o collega, deve humilhar-se perante o offendido, pedindo-lhe desculpa ou perdão. O orgulho produziu a injuria, a humilade saberá expungil-a.
9. Outro bate no collega á hora do recreio. Que perca o recreio, ficando preso, já que não sabe usar da liberdade. E si o recreio está a terminar, fique preso algum tempo, acabada a aula.
10. Este outro diz uma mentira. Excite-o a falar a verdade, confessando elle assim indirectamente a mentira. Para esse effeito declare que não o castigará si disser a verdade, e depois o exhorte a amar sempre esta virtude.
11. Algum ha que commete um furto. Faça-o restituir o objecto subtrahido; mostre-lhe quão vergonhoso é seu acto; peça-lhe declarar, sob palavra de honra, que nunca mais furtará, poupando a seus Paes esse desgosto profundo, evitando para si mesmo a desconfiança dos collegas, etc.
12. Em caso de palavras ou gestos immoraes, convide o faltoso aficar defronte da classe; diga-lhe si é capaz de reproduzir ahi o que fez: não o será, porque a vergonha o impede, porque a religião ensinada por sua mãe o reprova. Convide-o depois a confessar-se arrependido e a dar sua palavra de honra de que não dirá na escola palavras immoraes nem fará gestos obscenos. (VIDA ESCOLAR, p. 1, 15 jun. 1907)
Dominique Julia, analisando as normas e as finalidades que regem uma escola, escreve que “os textos normativos devem sempre nos reenviar às práticas”, (JULIA, 2001, p. 19) ajudando a entender o funcionamento e a finalidade de uma determinada escola. Tudo indica que essas normas/práticas, no Grupo Escolar de Lavras, foram produzidas nas circunstâncias do cotidiano escolar, mediante as quais diretor e professores, percebendo certa desordem, sancionaram práticas disciplinares de imposição de uma ordem.
Para cada situação de indisciplina acontecida dentro da sala de aula, o professor recorria à aplicação do que a norma prescrevia. Perceber a finalidade dessa escola e entender os comportamentos e atitudes acontecidos no espaço escolar compreendendo que tanto diretor
como os professores estavam envolvidos na construção de uma nova cultura escolar,55 que propunha a substituição dos instrumentos de correção – como a palmatória por exemplo – por ações de reflexão e conscientização.
Somente os casos de faltas mais graves não seriam tratados dessa maneira. Eram encaminhados ao diretor e, não sendo resolvidos, o assunto seria comunicado ao responsável pelo aluno; esgotados todos os recursos, a expulsão era aplicada: “Tratando-se de pratica de immoralidade, que se fez publica, despedir-se-á da escola o menino faltoso. É o caso da
ovelha má que põe o rebanho a perder”. (VIDA ESCOLAR, p. 2, 15 jun. 1907)
Conhecer como essas regras foram apropriadas, como os professores lidaram com elas e quais os resultados por eles adquiridos revelaria a história das práticas escolares e disciplinares, ajudando a compreender ainda mais a produção da cultura escolar do Grupo de Lavras. Sobre o relato específico de um comportamento indisciplinar nada foi encontrado; somente citações que demonstravam a falta de disciplina foram relatadas pelo diretor, como a do seu primeiro relatório de 29 de janeiro de 1908 sobre a escola de segundo ano do primeiro semestre, do sexo masculino, regida pela professora Alda de Moura Carvalho: “Talvez por não serem dos menores os seus alumnos, ella teve por vezes difficuldade em manter a disciplina entre elles, o que não impediu de alcançarem alguns certo proveito nos estudos”. (VIDA ESCOLAR, p. 1, 1º abr. 1908)
Para a escassez de dados indisciplinares específicos, foi levantada uma possível dedução, que pode ser a causa de não ter sido publicado ou escrito nenhum fato concernente à indisciplina. Na conclusão do artigo sobre disciplina, o diretor, a respeito dos alunos com faltas muito graves, fez a seguinte recomendação:
55
Cultura escolar sob o parecer de Dominique Julia que especifica o interesse pelas normas e pelas finalidades que regem a escola, como um dos ítens de construção de uma história institucional.
Mas, ainda em taes circumstancias, poupe-se aos expulsos a publicidade da pena pela imprensa. Somente a classe será avisada, em termos breves, sem commentarios. Ninguem deve levar da escola um estigma, que lhe possa impedir mais tarde a rehabilitação completa. (VIDA ESCOLAR, p. 2, 15 jun. 1907)
Talvez seja esse o motivo de não se ter encontrado nenhum caso grave de indisciplina de algum aluno ou eles realmente não tenham acontecido.
Para as pessoas que visitavam o Grupo Escolar de Lavras, a mudança vinda com a Reforma João Pinheiro era visível, e muitos depoimentos foram deixados no livro de visitas, dentre eles o do benfeitor Gustavo Penna:
Que extraordinaria e consoladora differença entre o passado e o presente; entre a antiga escola do professor Theophilo, – em que aprendi a ler, nesta minha doce e adoravel terra natal, – e este instituto!...A escola moderna é a grande e nobre officina, onde se burila o caracter, desbastam-se as asperezas do temperamento, faceta-se o espirito, o qual, á semelhança das pedras raras, não brilha sem o trabalho da lapidação paciente. Por isso, a missão de ensinar, inseparavel da tarefa de educar, (e educar sem a brutal selvageria de outróra), requer um esforço abnegado e quasi exgottante. (VIDA ESCOLAR, p. 1, 15 out. 1907)
A tarefa de educar cabia especialmente ao professor, que passava mais horas com os alunos em sala de aula. Nessa perspectiva, o assunto disciplina foi retomado por Firmino Costa em seu primeiro relatório publicado no jornal Minas Gerais, em 29 de janeiro de 1908, em que ele expressou sua satisfação com o que havia conseguido no Grupo Escolar, principalmente por não ter sido usado nenhum meio violento. Aproveitando para fazer novas considerações, o diretor ressaltou a importância da ordem e da disciplina que deveira haver numa sala de aula, sob a dependência do professor, cabendo-lhe estudá-la e exercê-la como se fosse uma matéria a ser ensinada. E acrescentou:
Elle deve seguir nessa questão um systema complexo, que se adapte a toda a classe e a cada um dos alumnos. Para esse fim cumpre-lhe conhecer bem os discipulos e infundir-lhes desde o principio sympathia e confiança. A justiça e a firmesa na applicação das penas, a habilidade e o zelo na transmissão do ensino, a ordem e a polides na direcção dos trabalhos, são talves os meios mais efficases para dotar o professor de verdadeira força moral, sobre que repousa a boa ordem da escola. [...] traria alguma vantagem para a reforma do ensino a elaboração de um codigo disciplinar, aproveitando-se para esse fim as observações e experiencias aceitadas, que possa indicar o professorado de Minas. (SECRETARIA DO INTERIOR, SI 2850, 1908)
Na distribuição de poderes, o diretor reconhecia que certas funções e resultados não eram somente fruto de sua atuação, mas do respaldo teórico. Sua aplicação era responsabilidade daqueles que estavam diretamente envolvidos com os alunos e por mais tempo: os professores. O valor do trabalho docente, em prol da ordem no Grupo Escolar foi reconhecido pelo Diretor, que escreveu no seu segundo relatório, de 29 de dezembro de 1909, o seguinte depoimento:
Exmo. sr. Secretario do Interior – Ao começar este meu terceiro relatorio, posso dizer-vos que o grupo escolar de Lavras tem sempre seguido, desde sua installação, uma marcha progressiva.
Assim é que neste anno o programma de ensino foi aqui mais bem executado e conseguiu-se dos alumnos melhor disciplina. Para isso especialmente concorreu o corpo docente, que não poupou esforços para melhorar esta casa de educação. A elle, pois, minhas primeiras referencias, com os louvores que lhe dirijo pela assiduidade e zelo no exercicio de sua elevada profissão. (FOLHA DE LAVRAS, p. 1-2, 16, 23 e 30 de janeiro de 1909)
Entre docentes e discentes, o diretor chegou a testemunhar no relatório de 1914, que a afeição do professor garanta um bom procedimento por parte dos alunos, contribuindo também para a assiduidade:
A regencia deste curso no presente anno avantajou-se á dos annos anteriores. Vão os professores comprehendendo que ‘elles e os alumnos têm um mestre commum: a affeição’. Na corrente de sympathia, que o professor deve estabelecer entre si e os discipulos, é onde realmente repousa todo o trabalho da educação. Por isso é que se nota nas aulas deste estabelecimento a boa
disciplina, aqui melhor do que alli, conforme maior é a corrente de sympathia pelo professor. (COSTA, 1914, p. 15)
Nessa cooperação mútua, Firmino Costa considerava um bom professor “aquelle que, além de ser um cidadão útil”, soubesse “ter energia e methodo”. Do substantivo feminino energia tem-se o adjetivo “enérgico”, que subentende os sinônimos, firme e decidido. Mas, a seu ver, outras qualidades estavam relacionadas também a outra definição:
A verdadeira energia, diz Edmond Blanguernon, é feita de intelligencia e de amor, tanto quanto de vontade. Ella suppõe uma percepção clara as necessidades do menino, o cuidado de seu bem-estar, a vontade de fazer que elle o alcance e de obter que elle collabore, o mais possivel, em sua propria educação. O trabalho educativo, quem o faz na escola é a cooperação do alumno e do professor. (COSTA, 1916, p. 40)
Para conhecer o aluno dessa maneira, Firmino Costa referiu-se à importância de o professor ter conhecimentos de “psychologia infantil” considerando-a como uma ciência com elementos importantes para prevenir “muitos erros didacticos”. (COSTA, 1916, p. 40)Nas fiscalizações didáticas feitas pelos inspetores escolares referentes à disciplina, uma repetição de palavras foi observada, não acrescentando nada além disso:
[...]Ao que diz á ordem e á disciplina, [grifo meu] e, particularmente, aos trabalhos de transmissão do ensino, prossegue o referido Director, excepto alguns transvios, no abnegado empenho de imprimir na organisação interna do instituto esse cunho de unidade, que deve presceder no regimem de funccionamento das classes de um estabelecimento de ensino. (SECRETARIA DO INTERIOR, SI 3346, 1910)
Alguns desvios foram observados no relatório do inspetor Antônio Baptista dos Santos, mas ele não revelou quais. Nos dados colhidos dos relatórios dos inspetores de 1910 a 1918, tudo estava em ordem quanto à disciplina escolar.
Estaria tão bem organizado assim o Grupo Escolar de Lavras, que os casos de indisciplinas não aconteciam?
O relatório Firmino Costa de 1918, o último a ser publicado56, numa seqüência de onze que a Secretaria do Interior editou desde o ano de 1907, traz algumas categorias importantes para responder a essas perguntas. Observe como se processaram os pareceres em torno do seu conteúdo e publicação, tendo Firmino Costa convidado um representante para comprovar o que ele havia colocado no relatório e estava aplicando no Grupo Escolar de Lavras. Alguns comentários foram feitos na secretaria do Interior e registrados aleatoriamente numa folha, onde se encontrava um resumo do relatório:
Não se póde, nem se deve resumir um trabalho, como este do Sr. Firmino Costa, que merece ser lido na integra.V. Exca. prestará um optimo serviço á instrucção, si auctorizar a publicação do mesmo no orgam official do Estado. Juscelino de Aguiar (SECRETARIA DO INTERIOR, SI 3740, 1918)
Como sempre é excellente o relatorio do sr. F. Costa, e a sua leitura pelos profs. e directores de grupo será de grande utilidade. Pela sua publicação. R.F. (SECRETARIA DO INTERIOR, SI 3740, 1918)
Revelando a boa relação que tinha o diretor com a Secretaria do Interior e de como ele era visto e valorizado, no começo do mês de fevereiro o relatório já estava publicado e um ofício de agradecimento foi enviado por Firmino Costa:
CIDADE DE LAVRAS, MINAS Lavras, 11 de Fevereiro de 1918
Exmo. Sr. Dr. Vieira Marques, M.D. Secretario do InteriorVenho agradecer a V. Excia. a publicação, que se dignou mandar fazer em o ‘Minas Geraes’, de meu decimo primeiro relatorio.Saude e fraternidade
O director do Grupo,
Firmino Costa (SECRETARIA DO INTERIOR, SI 3740, 1918)
56 Encontrei mais dois relatórios posteriores ao de 1917 nas dependências do Grupo Escolar em Lavras: um de 1925, em papel oficial da secretaria do Interior, e um outro de 1926, onde se copiou a estrutura oficial para fazê-lo igual.
Nesse relatório, Firmino Costa via a disciplina e o bom comportamento como fruto não somente da imposição de normas e regras, mas também de uma ordem que deveria haver na “montagem da machina” escolar, sendo os alunos “peças que têm vida e por isso hão de ajustar-se por si mesmo”. Apresentando instruções ao corpo docente de como organizar uma sala de aula, transcreveu-os para o relatório, a fim de servir de modelo para os outros Grupos Escolares,
1. O professor designará para cada alumno o seu lugar na aula, do qual elle não poderá mudar durante o semestre.
2. Destinando-se cada carteira a duas creanças, será acertado consultal-as, antes da designação do lugar, si querem ficar juntas.
3. Aos myopes e aos que não ouvirem bem serão reservadas as carteiras mais proximas do quadro negro.
4. É indispensavel que repouse, sobre o assoalho toda a planta dos pés das creanças, dando-se-lhes para esse fim carteiras apropriadas a seu tamanho. 5. Ensine-se aos alumnos a posição correcta, que devem manter na aula. 6. As entradas e sahidas de cada classe, bem como as formaturas na area do recreio, serão feitas na devida ordem.
7. Regularizar-se-á a sahida dos alumnos para beber agua ou para retirar- se da sala, de modo que ella não coincida com as horas de aula.
8. Sempre que lhe pareça oppoturno, recommende o professor a seus alumnos o dever de assistir ao hasteamento da bandeira, com que começa o dia lectivo.
9. Explique-se aos discentes que, quando algum delles desejar fazer na aula um pedido ou uma communicação, fique de pé, esperando para ser attendido.
10. Recommende se lhes que, durante as licções, si quizerem corrigir erros commetidos pelo alumno chamado, levantem o braço direito com a mão aberta.
11. Os alumnos devem aprender a zelar dos moveis e utensilios escolares, assim como do predio do grupo, inclusive os jardins, as arvores, etc.
12. O asseio do alumno é de grande valor educativo, cumprindo ao professor combater por todos os meios convenientes a falta do mesmo. 13. Cada menino terá seu copo ou caneca para beber agua, não podendo emprestal-o a outrem.
14. Previna se á classe que é prohibido cuspir no assoalho.
15. A assistencia aos alumnos pobres, merece attenção do professor, que terá todo o cuidado na organização da lista para o fornecimento de merenda, de roupa e de material didactico.
16. Nas providencias que tenham de tomar em relação aos alumnos, procurem os professores conciliar sempre a manutenção da sua auctoridade com o respeito devido e liberdade das creanças, contra aqueles que não usará nunca de castigos physicos.
17. Quando o professor não puder dominar-se na applicação das penas regulamentares, deverá manter o alumno á presença do director.
18. Considere o professor como o ponto capital do seu trabalho o methodo de ensino, que se baseará na experiencia e na observação, attendendo a que ‘o menino gosta mais de fazer do que de ver, e gosta mais de ver do que de ouvir’. (MINAS GERAES, 8 fev. 1918, p. 2)
Essa organização, no parecer do diretor, deveria abranger a instalação da classe e os lugares dos alunos, a forma de entrar e sair das salas, geralmente enfileirados, a precisão nos compromissos, a limpeza pessoal, a preservação do prédio e do material escolar, regras de civilidade, determinações higiênicas, etc.
Para Vago, uma nova cultura escolar foi se afirmando no controle das crianças e “seus movimentos nos espaços e tempos escolares.” (VAGO, 2002, p. 125) Se o regimento interno dos Grupos Escolares de 1907 e o regulamento de ensino expedido em 1911 impunham normas e procedimentos para os casos de indisciplina, Firmino Costa, ao apresentar em seu relatório de 1917 todas essas dezoito instruções comportamentais, expôs também a necessidade de se criar uma matéria específica com o nome de “Aulas de organização”, que ocuparia no calendário escolar os primeiros dias de aula:
Aulas de organizaçãoPara melhor explicar em que consistem estas aulas, apresento a seguinte sobre collocação da classe como servindo de modelo: Professor. Vou dar a voces uma aula de collocação na classe: vou marcar para cada alumno o seu logar aqui na sala. Você, José, tem em casa seu logarzinho certo na mesa de jantar?
Alumno. Sim, senhor.
Professor. Não sómente você, mais o seu papae, a sua mamãe e os outros de casa devem ter na mesa um logar determinado. Não é verdade?
Almuno. É verdade.
Professor. Cada um de vocês possue com certeza a sua cama propria para dormir. Vamos ver, o Joãosinho tem sua cama?
Alumno. Tenho, sim senhor.
Professor. – Ora, si não fosse assim, seria um constante brigar. Hoje o José quereria ficar perto do papae na hora do almoço; amanha, preferiria assentar- se junto da mamae, mas, como sua irmazinha já occupava este lugar surgiria a desordem na mesa. Comprehenderam vocês como é importante Ter cada um o seu logar?
Professor. – Pois aqui na aula é a mesma cousa: o alumno não poderá sentar se cada dia na carteira que achar melhor, mas cada um terá o seu logar proprio. Não acha que fica bom assim, Gabriel?
Alumno – Fica muito bom.
Professor. – Então, porque cada carteira dá para dois meninos, eu quero escolher os que desejam ficar juntos. Mas aqui na frente, perto do quando- negro, collocarei os que enxergarem pouco e aquelles que não ouvi em bom.