5. CASE STUDY
5.1 C OUNTRY SPECIFIC RESULTS
5.1.4 Spain: Unsustainable credit-led growth
Sem sombra de dúvidas, a linguagem hipertextual é uma marca no ciberespaço. Os primeiros passos para a invenção do hipertexto foram dados pela primeira vez em 1945, por Vannevar Bush, em seu artigo intitulado “As We May Think”. Bush propôs a criação de um dispositivo nomeado memex para mecanizar a classificação e a seleção por associação aos princípios da indexação clássica. No entanto, era necessária a invenção de um dispositivo capaz de abranger os mais variados tipos de documentos, contendo sons, imagens e textos. O memex de Bush daria a possibilidade de criar “interconexões” independentemente da hierarquização existente entre uma informação ou outra, funcionando como uma espécie de links, embora essa designação tenha ficado fora de cogitação.
O Memex, portanto, permitiria o acesso rápido e não-linear a diversas unidades individuais de informação multimídia relacionadas por meio de ligações. Para Shneiderman e Kearsley, essa idéia de Bush trata do elemento mais importante do hipertexto: os links entre documentos (DIAS, 1999, p. 269).
No limiar dos primeiros anos da década de 1960, o desenvolvimento dos sistemas teleinformáticos estava se instalando, quando Theodore Nelson designou o termo hipertexto para nomear a escrita e a leitura não-linear em sistemas de informática. A idealização de Nelson era implantar uma rede acessível em tempo real capaz de conectar a maior quantidade de escritos literários e científicos do mundo. Dessa maneira, várias pessoas poderiam manter relações interpessoais, utilizando a linguagem hipertextual mediante o uso do Xanadu.
Os avanços da ciência e da tecnologia contribuíram para a evolução dos projetos Memex e Xanadu, originando o que hoje temos e conhecemos como hipertexto. As características principais do hipertexto sofreram poucas transformações ao longo do tempo e, por definição, ele continua sendo uma rede textual não-linear, aberta, interconectada a outros textos em áudio, vídeo, imagem ou mesmo textos escritos.
Lévy (1993, p. 33) apresenta duas definições para o hipertexto. Na perspectiva técnica, o hipertexto é “um conjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficos ou parte de gráficos, sequências sonoras, documentos complexos que podem ser eles mesmos hipertextos”. Na perspectiva funcional “o hipertexto é um tipo de programa para a organização de conhecimentos ou dados, a aquisição de informações e a comunicação” (LÉVY, 1993, p. 33).
Oliveira, Vidotti e Cabral (2005) partem da concepção de que o ciberespaço engendra e articula um hipertexto soberano, construído por um número superior de interconexões generalizadas, mantendo um ciclo de auto-organização e retroalimentação constante. Para os
autores, o hipertexto é um conjunto vivo de significações que está linkado com os componentes do ciberespaço: os hiperdocumentos, os indivíduos e ambos simultaneamente. Tomamos as palavras de Rezende (2000, p. 2) para clarear ainda mais esse entendimento:
Hipertexto pode ser visto como uma forma, um modo ou um estilo de armazenar, representar, apresentar e recuperar informações. Não existe propriamente numa estrutura ou organização, porque, se estende numa configuração de rede, que pode ser redesenhada a cada usuário que dela se utiliza. Sua dinâmica é ditada pela função associativa, que fornece links entre os diversos nós da rede, permitindo a navegação do usuário por trilhas que ele escolher. Outro ponto a ser destacado é a mediação, a interface representada pela tecnologia computacional, que vai dar suporte para que essas funções possam ocorrer de maneira interativa e em tempo real.
Além dessas especificidades mencionadas, a interatividade é considerada por Dias (1999), Santaella (2004), Passarelli (2008) e Rezende (2000) como uma das marcas da linguagem hipertextual no ciberespaço. As autoras consideram a interatividade como o fator determinante que possibilita que o usuário/leitor tenha a liberdade de traçar e escolher quais são os percursos que ele deve trilhar na sua leitura imersiva.
No entendimento de Passarelli (2008), o hipertexto é um avanço bastante significativo na autonomia do leitor porque rompe com a narrativa linear consagrada em vários anos de escrita. Na verdade, desde os primórdios, a escrita também dispunha (e ainda dispõe) de mecanismos hipertextuais que quebram a linearidade do texto escrito pelo autor, como as notas de rodapé, sumários e imagens. O diferencial entre os hipertextos digitais e analógicos incide na identificação em que cada qual se inicia. Nos (hiper) textos analógicos, a identificação de início, meio e fim é mais notável, enquanto no hipertexto digital, a delimitação em início, meio e fim é mais complexa de ser identificada.
Ao se materializar no espaço digital, o hipertexto apresenta algumas modificações em relação aos hipertextos impressos, especialmente nos aspectos de linearidade, unicidade, permanência e autoria (FREIRE, 2003). A linearidade é quebrada ao passo em que leitor/usuário seleciona aleatoriamente quais são os caminhos a serem percorridos no trajeto da sua leitura. A unicidade parte do pressuposto de que o hipertexto, especialmente o digital, pode possuir inúmeros textos, inclusive, de autores distintos. A permanência está ligada à ideia de que, no hipertexto digital, nada é permanente, porque as informações linkadas podem ser alteradas a qualquer hora e sem aviso prévio. A autoria se relaciona com a noção de agregação de informação e conhecimento aos hipertextos digitais.
Indubitavelmente, o hipertexto é passível de modificações mediante as evoluções que acontecem no transcorrer das atividades humanas. Lévy (1993) estabelece seis princípios abstratos capazes de identificar o hipertexto frente às possíveis mudanças:
a) Princípio da metamorfose: a rede hipertextual está em permanente construção e renegociação;
b) Princípio da heterogeneidade: os nós e as conexões de um hipertexto são, essencialmente, heterogêneos por abrangerem indivíduos, grupos, artefatos, forças naturais, associando as partes em várias possibilidades;
c) Princípio da multiplicidade de encaixe das escalas: a organização do hipertexto se dá de forma “fractal”, ou seja, o nó ou a conexão pode ser constituído por uma ou mais redes;
d) Princípio da exterioridade: o crescimento ou a modificação da rede hipertextual depende da agregação de elementos novos e externos a ela;
e) Princípio da topologia: o funcionamento da rede hipertextual se dá por proximidade, vizinhança. A rede hipertextual não está presente no espaço, ela é o próprio espaço; e f) Princípio da mobilidade dos centros: o hipertexto não possui um centro fixo. Aliás, a
rede hipertextual possui muitos centros móveis que transitam de um lado para outro. Todas essas considerações exibidas em torno da rede hipertextual conferem ao ciberespaço e à sociedade contemporânea características como instantaneidade, transitoriedade, interoperabilidade e interatividade (PASSARELLI, 2008).