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CHAPTER 5: STRUCTURAL DISCRIMINATION: PERCEIVED GENDER ROLE AND BEYOND

5.2. Discrimination regarding participation, Payment, and Representation

5.2.1. Gendered Recruitment and Segregation of Labour

Como será visto com detalhes na seção 4.3, modelos de Vetores Auto Regressivos (VAR) visam analisar e apresentar as relações dinâmicas existentes entre as variáveis de um modelo. Esses modelos utilizam equações que descrevem a dinâmica de uma variável como uma função linear dos valores defasados de todas as variáveis do sistema, incluindo seus próprios valores defasados. Desde que foi introduzido por Chris Sims, esses modelos têm sido amplamente utilizados para análise empírica de diversos temas relacionados principalmente à macroeconomia. Não por acaso, alguns trabalhos relativamente recentes também têm optado pelo uso de modelos VAR para análise dos determinantes das exportações.

Aydın, Çıplak e Yücel (2004), por exemplo, estimaram as funções de oferta de exportações e demanda de importações para a Turquia do período 1987:1-2003:4. No caso das exportações, além dessas, o modelo contou com os preços das exportações turcas, a renda externa, o custo unitário do trabalho e variáveis dummies para as variações sazonais. Com essas mesmas variáveis, foram realizadas estimações pelo método de cointegração de Engle e Granger e análise de funções de resposta a impulso obtidas com a utilização de um modelo VAR estrutural irrestrito. Os resultados das estimações realizadas pelos dois métodos foram similares e indicaram a importância da renda externa, do custo unitário do trabalho e dos preços na explicação das exportações turcas.

Também com enfoque específico na Turquia, o estudo de Sekmen e Saribas (2007) analisou as relações entre a taxa de câmbio, as exportações e as importações daquele país durante o período 1998-2006. Os procedimentos econométricos utilizados pelos autores foram a verificação de cointegração entre as variáveis pelo método de Johansen, a causalidade pelo teste de Granger e as análises de funções de resposta a impulso e de decomposição da variância por meio de um modelo VAR. Os resultados do estudo sugeriram haver cointegração entre as exportações e as importações turcas e uma relação de causalidade bidirecional entre essas duas variáveis. As análises de resposta a impulso, por sua vez, indicaram a existência de um trade-off entre as exportações e as importações turcas no período investigado, dado que, quando as importações do país estavam em alta, as exportações tendiam a ser menores. Em relação à taxa de câmbio, o estudo parece dar suporte às investigações que sugerem que não existe nenhum efeito negativo da volatilidade da taxa de câmbio sobre o volume de comércio, uma vez que verificou que a taxa de câmbio não era um importante

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determinante da variação das exportações e importações do Turquia no período analisado.

Kostoska e Petreski (2009) utilizaram um modelo VAR para realizar a análise da decomposição da variância e o método de Johansen para verificar quais eram os determinantes da demanda de exportações e importações da Macedônia, com informações trimestrais do período 1998:1-2008:3. No caso das exportações, o modelo utilizado contou com as seguintes variáveis explicativas: custo unitário do trabalho, produção industrial dos parceiros comerciais da Macedônia e taxa de câmbio efetiva real. Os resultados encontrados sugerem que as exportações daquele país no período analisado eram altamente elásticas em relação ao nível de atividade econômica dos seus parceiros comerciais e aos preços dos produtos exportados, e moderadamente elásticas no tocante ao custo unitário do trabalho. A análise da decomposição da variância mostrou que a taxa de câmbio efetiva real e o custo unitário do trabalho explicavam mais fortemente as variações das exportações da Macedônia do que a produção industrial dos parceiros comerciais do país.

O foco de Sandu e Ghiba (2011) foi a investigação da influência da taxa de câmbio sobre o volume de exportações da Roménia. No bojo de um modelo VAR, o estudo abrangeu o período 2003:2-2011:1 e utilizou a função de resposta a impulso e a decomposição da variância para as análises. De acordo com a função de resposta a impulso, um choque na taxa de câmbio pareceu ter efeitos mais significativos sobre exportações somente depois de dois períodos. Por sua vez, o exame da decomposição da variância indicou uma fraca influência da taxa de câmbio sobre as exportações do país, sendo esta menor do que 10%. Para os autores, esse resultado pode ser explicado pela alta competividade que os produtos romenos possuem no mercado internacional.

Em dois dos três ensaios que elaborou, Pinto (2011) estudou o desempenho das exportações de vários países selecionados. No primeiro deles, utilizou modelos de efeitos fixos, de efeitos aleatórios e modelos dinâmicos System GMM (método generalizado dos momentos) com dados em painel para realizar um exame dos impactos da taxa de câmbio real e da renda externa mundial sobre o desempenho das exportações de 90 países, compostos por economias emergentes da América Latina, Ásia, África e também por países desenvolvidos. Foram utilizados no trabalho dados anuais e um recorte temporal nas décadas de 1980-1989, 1990-1999 e 2000-2008. Além do total das exportações de cada país (variável dependente), foram inseridas as seguintes variáveis para cada país nos modelos: taxa de câmbio real ponderada, renda externa ponderada, taxa de investimento, investimento estrangeiro direto (IED), termos de troca e crédito ao setor privado. Nas estimações realizadas por meio dos modelos de efeitos fixos e efeitos aleatórios, os resultados do trabalho, de um modo geral, apontaram a relevância da taxa de câmbio e da renda externa na explicação das exportações, sendo que apenas no caso da taxa de câmbio não houve relevância

84 estatística para o modelo estático da década de 1990. As variáveis termos de troca, investimento estrangeiro direto e crédito também mostraram-se relevantes na análise realizada por meio desses modelos. Já no caso dos modelos dinâmicos, os resultados encontrados nas estimações da década de 1980 e 2000 sugeriram que as exportações do conjunto de países analisados eram explicadas pelas variáveis taxa de câmbio real ponderada, renda externa ponderada, investimento estrangeiro direto e crédito ao setor privado, sendo que na década de 1990 estas duas últimas variáveis ganharam maior relevância na explicação das exportações desses países em detrimento da variáveis taxa de câmbio real e da renda externa ponderadas. No segundo ensaio, Pinto (2011) utilizou um modelo de Vetores Autorregressivos (VAR) para analisar os determinantes das exportações da Argentina, Brasil, México, Chile, China e Índia, com dados anuais do período 1980-2008. As variáveis utilizadas foram exportações, taxa de câmbio real ponderada, renda externa ponderada, investimento, termos de troca e investimento estrangeiro direto. Dessas variáveis, os resultados do trabalho apontaram como sendo mais importantes na explicação das exportações desses países a taxa de investimento e a renda externa ponderada.

Chaudhry e Hyder (2012) utilizaram um modelo VAR estrutural para verificar os fatores macroeconômicos que afetaram as exportações de produtos têxteis paquistaneses no período 1973- 2006. Mais especificamente, os autores buscaram analisar como essas exportações reagiam a fatores como um choque na renda das economias dos principais parceiros comerciais do Paquistão, um aumento das exportações dos principais concorrentes do país na área de têxteis, uma depreciação da moeda paquistanesa em relação às de seus parceiros comerciais, uma depreciação das moedas dos principais concorrentes do Paquistão em relação às moedas dos parceiros comerciais desses países e um aumento da produção industrial paquistanesa. O trabalho sugeriu que as exportações de têxteis do Paquistão foram positivamente impactadas especialmente pelo consumo agregado de parceiros comerciais, pela taxa de câmbio real e pelo crescimento no setor industrial do país.

Iwaisako e Nakata (2015) analisaram o impacto de choques exógenos da taxa de câmbio efetiva real e da demanda externa sobre a taxa de crescimento das exportações japonesas agregadas com o uso de um modelo VAR estrutural, incorporando também as análises dos efeitos de choques exógenos adicionais na taxa de câmbio e na demanda externa ocorridos durante alguns episódios históricos de grandes flutuações dessas variáveis, como foi o caso do choque do petróleo e do colapso do comércio externo ocorrido após a falência do Lehman Brothers no final dos anos 2000. Em linha com o que pressupõe a teoria, os resultados da análise de resposta das exportações ao impulso na taxa de câmbio efetiva real sugeriram que um aumento da taxa de câmbio japonesa (neste caso, uma apreciação do iene) tendia a reduzir as exportações do país, enquanto que o

85 aumento da demanda agregada global impactava positivamente essas exportações. Por sua vez, a análise de decomposição da variância indicou que a demanda externa era o mais importante determinante das exportações japonesas, ficando à frente da taxa de câmbio. Os autores sugeriram também que a importância relativa dos choques cambiais na explicação das exportações agregadas japonesas foi mais pronunciada durante a apreciação do iene ocorrida depois do Acordo de Plaza, em meados da década de 1980, e também durante as flutuações do iene de meados da década de 1990. Por outro lado, durante o colapso do comércio externo ocasionado pela recessão global no final dos anos 2000, após a queda do Lehman Brothers, os choques de demanda agregada global eram muito mais importantes do que os movimentos da taxa de câmbio para explicar o declínio acentuado e a recuperação das exportações japonesas.