Tendo presente os documentos anteriores, a(s) equipa(s) da(s) BE(s) formalizaram um novo documento (Modelo de LI) na sequência da formação que foi ministrada aos professores pela(s) equipa(s) da(s) BE(s) em que foram comparados os cinco modelos de literacia já referidos no capítulo I e adaptados os guiões para cada ciclo de ensino (ver em anexo) e escolhido este modelo dos 8 passos/etapas que se enuncia:
1.ª Etapa - Penso sobre um tema/problema (Defino o tema/problema; ativo o conhecimento prévio; estabeleço objetivos/questões; escolho a forma de apresentação do meu trabalho; elaboro o plano de trabalho);
2.ª Etapa - Procuro fontes de informação (Identifico fontes de informação; defino palavras-chave; localizo a informação; acedo à informação);
3.ª Etapa - Seleciono os documentos/fontes (Consulto fontes; avalio as fontes; registo- as numa grelha);
4.ª Etapa - Seleciono a informação (Utilizo diferentes técnicas de leitura; faço exercícios de compreensão da leitura; escolho o método mais adequado para registar a informação);
5.ª Etapa - Analiso a informação (Trato a informação selecionada; revejo o plano de trabalho original);
6.ª Etapa - Faço o meu trabalho (Verifico se estou pronto a produzir o meu trabalho; elaboro o meu trabalho em função do produto que escolhi, utilizando o respetivo guião de apoio);
7.ª Etapa - Comunico o meu trabalho (Planifico a minha apresentação; consolido a memória; comunico o trabalho produzido e respondo às questões colocadas);
8.ª Etapa - Avalio o trabalho realizado (Respondo ao questionário de avaliação do meu trabalho).
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Como se verifica, este modelo parte dos conhecimentos que os alunos poderão ter sobre um tema/assunto, a partir de uma situação de brainstorming, para desenharem o seu plano de trabalho (com a utilização de um guião que permite organizar o plano). A partir desse momento, os discentes procuram e consultam as fontes de informação, aprendendo a identificar palavras-chave e registam-nas no guião. Em seguida, procedem à análise da informação, utilizando algumas técnicas de leitura, consoante o objetivo pretendido. Depois do registo da informação no formato pretendido, a informação é tratada e o plano de trabalho é revisto, antes do início da fase de escrita do trabalho (textualização). A 6.ª etapa é a que exige mais tempo ao grupo que se depara com problemas pelo facto de ter mais ou menos informação do que a necessária e de ter de a conjugar com o tipo de produto selecionado. É a fase das respostas às perguntas feitas na 1.ª etapa. Exige também muito acompanhamento das docentes, pois é preciso tomar decisões, reler, refazer, ensiná-los a citar e a escrever a bibliografia, a introdução e a acabar a capa do trabalho. Relativamente à fase da comunicação, esta exigiu a conclusão do trabalho escrito e a preparação da apresentação ao grupo-turma. Na grande maioria dos casos, houve a intervenção dos pais e encarregados de educação, para além dos docentes envolvidos, nomeadamente quando os produtos selecionados eram produtos audiovisuais, como powerpoints, por exemplo, ou até mesmo quando o grupo necessitava de ensaiar os papéis que coube a cada elemento.
Para cada uma das etapas, um dos elementos da equipa da(s) BE(s) criou as imagens (ilustrações) que acompanham cada passo do modelo, sendo que para a primeira etapa, a reflexão é a palavra-chave, como se pode observar pela dúvida que se instala sobre o(s) interveniente(s); para a segunda etapa foi selecionada a imagem de alguém que metaforicamente “pesca” as fontes da informação pretendida, numa tarefa exigente que exige o saber e o saber-fazer; para a terceira etapa surge a mesma imagem, mas ao contrário, pois continua-se a esmiuçar as fontes e os documentos e a informação que foi identificada; na quarta etapa a imagem mostra o sujeito com diversos tipos de documentos e segurando quer um caderno quer um computador para proceder ao registo da informação que selecionou. Começam, em seguida, as etapas mais difíceis para o discente – compreender e tratar o material selecionado e, por isso, a imagem apresenta-o um pouco “confuso, embrulhado”, repetindo-se a mesma imagem, mas virada ao contrário, para a etapa cinco (virado para a direita), sendo que este continua a tratar a informação que,
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entretanto, já compreendeu, mas que não pode copiar. Aliás, estas etapas são consideradas as mais complexas, no questionário realizado aos alunos, no final do 4.º ano, tal como a etapa seis, por isso a imagem de escrita do trabalho é igual à da etapa anterior, indo ao encontro das dificuldades apresentadas por estes. Já a comunicação exige preparação e uma certa postura, como a imagem da etapa sete pretende transmitir. Para concluir, os alunos avaliam o produto final, depois de o terem feito durante o processo de realização do trabalho (etapa oito): auto e heteroavaliação. Neste processo, é evidente as três etapas da leitura que as metas para o ensino do Português do Ensino Básico (ob.cit., p.71) realçam – a pré-leitura, a leitura e pós-leitura – tal como se pode verificar:
(i) Na pré-leitura, o professor deve privilegiar a mobilização de conhecimentos prévios dos alunos que se possam articular com o texto, antecipando o seu sentido;
(ii) A leitura consiste na configuração e na construção dos sentidos do texto. Deverão ser ensinadas de forma explícita e sistematizada técnicas de localização, de seleção e de recolha de informação, de acordo com o(s) objetivo(s): sublinhar, tirar notas, esquematizar, etc;
(iii) A pós-leitura engloba atividades que pretendem integrar e sistematizar conhecimentos.
O enfoque na avaliação do processo ensino e de aprendizagem, sendo formativa e formadora, incide sobretudo na autovaliação, contudo não dispensa momentos de heteroavaliação, ao longo do processo (como se pode comprovar com a leitura dos diários, em anexo). Os alunos são incentivados a refletirem sobre as suas práticas, a comunicarem as dificuldades sentidas e se os objetivos de cada sessão foram atingidos, no final de cada sessão. Estes momentos são importantes, em virtude do aluno aprender progressivamente a evitar alguns erros e a melhorar as suas competências/capacidades e as suas atitudes (no trabalho em grupo, este caso específico), com a ajuda quer do docente quer dos colegas que podem intervir (na interação com os pares).
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Figura 8: Modelo de LI com imagens (desenho da Profª Fernanda Azevedo). Fonte: BE(s) do AVEA.
Num relatório apresentado pela RBE (2013, ob.cit., p.27) sobre a aplicação do referencial de aprendizagens que destacou para a LI, durante o ano letivo de 2012/13, em 24 escolas, esta reconhece que os conhecimentos/capacidades (mais uma vez), para o 1.º Ciclo, vão ao encontro das etapas que acabámos de nomear, porque o discente, neste nível de ensino, já:
1) Enuncia os conhecimentos que já tem sobre o tema e coloca questões;
2) Identifica, em contexto de grupo, os termos de pesquisa que melhor se adequam ao tema a tratar;
3) Identifica as ferramentas de pesquisa e fontes de informação (impressas ou digitais) fornecidas pelo professor;
4) Realiza pesquisas simples, previamente programadas, avaliando as fontes, de acordo com a sua relevância e autoria;
5) Seleciona a informação que melhor responde às questões colocadas sobre o tema;
6) Identifica ideias principais, realizando inferências e explorando o sentido global da informação selecionada;
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8) Ordena e regista a informação, estruturando-a de acordo com uma sequência lógica;
9) Identifica normas associadas aos direitos de autor e reconhece a necessidade de as cumprir;
10) Reconhece que deve utilizar as suas próprias palavras. Transcreve, parafraseia, resume pequenos textos e elabora bibliografias simplificadas;
11) Reflete conjuntamente sobre o melhor formato para a apresentação do que produziu − escrita, visual ou multimédia − usando ferramentas digitais ou outras previamente selecionadas;
12) Partilha as aprendizagens realizadas num ambiente tradicional ou em espaços on-line preparados pelo professor;
13) Verifica conjuntamente o cumprimento das tarefas e os resultados alcançados, refletindo sobre o que deve mudar;
14) Recorre à biblioteca escolar para pesquisar e tratar a informação.”
Acrescenta-se a estas capacidades, as atitudes e valores que são os seguintes, segundo os mesmos autores (RBE, ob.cit., 2013): o discente aprende a manifestar espírito crítico, a agir de forma metódica e rigorosa, a mostrar resiliência na procura de informação, a respeitar os direitos de autor e conexos, a demonstrar iniciativa e criatividade na resolução de problemas e a aceitar a crítica, para além de ter em consideração as regras de utilização da biblioteca.
Podemos verificar que quer as capacidades quer as atitudes e valores referidos por este documento da RBE se inserem no Modelo de LI já explanado e nas competências de informação que os alunos do Agrupamento deveriam atingir no final do 1.º Ciclo, desde que a sua aplicação fosse feita de forma rigorosa, durante os quatro anos. Tal como afirma Savater (ob.cit., p.39):
A verdadeira educação não consiste apenas em ensinar a pensar, mas também em aprender a pensar sobre o que se pensa, e este momento reflexivo – que assinala com a máxima nitidez o nosso salto evolutivo por comparação com outras espécies – exige que constatemos a nossa pertença a uma comunidade de criaturas pensantes.
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