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G RADVIS EKSPONERING OG ELEVENES MESTRING

2. TEORI

2.4 G RADVIS EKSPONERING OG ELEVENES MESTRING

o Redescobrimento do Brasil 1 1 7 povo, mas para seus representantes", que jamais se lembraram de "chamar as classes operárias a participar da sorte" do país e que jamais pediram "os esforços dos trabalhadores, procurando interessá-los nos problemas vitais da nossa emancipação econômica".I4

A revolução - iniciada em

1930

e completada em

1937

-nao assu­ nUa uma dimensão 4'cestauradora" no sentido de um "retorno" a um certo período datado, a partir do qual valores tivessem sido comprometidos ou desvirtuados. A "restauração". a busca da tradiçã'o não significava, no dis­ curso de

1937,

uma reforma de procedimentos políticos ou um retorno a um momento do passado,

A

"restauração" era aí perfeitamente compatí­ vel com um novo começo ; com o ato da verdadeira fundação de um novo Estado.l'

O

colorido conservador vislumbrado por Azevedo Amaral e reafirmado por inúmeros articulistas de

Cultura Po/itica

tinha raízes his­ tórico-culturais. Tratava-se de retornar "ativamente", de atualizar, identi­ ficando e construindo o verdadeiro espírito da nacionalidade. Este espirito encontrava-se no inconsciente coletivo do povo, e por isso a revoluçãO era um projeto dinâmico de dimensões culturais e espirituais.

Por conseguinte, Urestaurar" a sociedade brasileira era retirá-la do estado da natureza, isto é, organizá-Ia pela via do poder político. Tal açlo impUcaria um "retorno" â própria natureza - .às riquezas potenciais e ina­ tivas do país - e um "retorno" à própria cultura nacional - ao caráter do homem brasileiro. A tradição a ser encontrada e revivida seria a junç[o da natureza e da cultura por intervenção da política. que acionaria o ele­ mento integrador e produtivo do trabalho nacional. A terra era rjca� o homem era bom, mas nada disso tinha significado quando abandonado e inexplorado. A "restauração" seria um verdadeiro ato de construção da terra e do homem, pela exploração da primeira e pela fonnação do segun­ do. Ambos os processos seriam coordenados por novas elites políticas, que · de fato se comw1icariam com as massas e interfeririam no curso da histó­ ria, mobilizando o esforço transfonnador do trabalho humano.

A revoluçlo é um "moviment

o

restaurador da dignidade nacional". Seu sentido pleno não se encontra no reino dos fatos fl!ateri3.is. mas em uma dimensão subjetiva e transcendental: a de reencontrar o espírito da nação em suas mais profundas tradições culturais e cristls. A revoluçao, mais que um fato político. é um fato espiritual: ela retoma aos valores humanos e cristãos do povo brasileiro. Neste sentido, o domínio secular da política é duplamente legitimado, já que recorre à realidade presente no inconsciente nacional (tradiçlo) e à própria sanç[o�religiosa.16

O

novo Estado almeja mover-se em sincronia com o povo brasileiro e, para tanto, deve orientar-se pelos princípios do verdadeiro humanismo cristao. A pro­ posta "restauradora" da revolução brasileira, significando um retorno ao homem em sua dimensao total, assume uma feição espiritual de "reedu­ cação" do povo, o que não se pode realizar fora do cristianismo.17 Desta

1 1 8 Estado Novo: Ideologia e Poder

fonna,

se • poI ltlca do novo Estado nasce do povo e

p;ulI

o povo, a aUlori·

dade legitima de seu projeto de fundação

nlo .xclul a

$lIIlÇlro divllu. A eXpress!lo, constlllltemente repetida, <imetlz. o _urso elabomdo pelo dJscurso ofieu": o Estado está em confonnid.de com aS tradições Grg· 1:LI do povo brasilella e por

ISSO

ele é legitimo, revolucioolirla c lambém

democrático.

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o de 1930. embor. sendo apenas um p

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o momento deste processo revoludonírlo - o momento d. li

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e de retomar o ritmo evolutivo de nossa hinórla, "que

se

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segUIa alé o Império, ID\U que a República liberal interrompeu". li O gráfico d. história do pnís é e

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1930, vivíamos na

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e

rrl. o que se agravaro com a República Inundada

de

lIberallsmo.'o Foi

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romper com este pllSS3do que se fez . revoluçlo, que marcou Ulllll fllSC

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a em nOSSQ processo político.

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obra foi pertur· bada pelos descaminhos do lIbe�lsmo colvjslltUcJon:LI dos anOS 32/34, s6 havendo ullla real

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me em 1 937.

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[O entro em 5ua segunda fase, e

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pa de verdadeira constltulç«o de uma

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o

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os

de 1 937 interpretam

o

periodo que vaJ até o golpe de no

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do

novo

Estado.

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o do 1 934, s(mbolo maior dOI desvios

revolucionários, � carlc

t

e

riza

da como o resultado do malogro dos arontecl· mentos d. 30,

e

nfo como um. d. suas possíveis culminânciu.

A

revolu. ç�o paulista de 1 932 6 e o caos poIltu:o Ideotificado em 1 935

� diagnosticado como um prOduto direto da inconslstí!ncla o Irroalidad. da legWaçJo Uberlll Desta forma, 510 banidos

da

Re

v

olu

çl!

O d. 1930 quais· quer ideais reromladores de uma ordem liberai, que ficam caractenzados

como

de

s

camin

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o

s

r.lloludonários. Da! a Unha di

ret

a, embOlO interrom·

plda, entre 1930 e 1937. Dar wnbém a lJnpos<íbilJdade

de

uma leitunI

rl!!lauradol1l da revolução, voltada pal1l o

ret

omo a uma determinada

onlem política anterior. Mesmo o Império, e" por sua cstabilldade

e pelo exemplo de um poder polftlco centralizado, n

§

o chega . con

s

ti

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uir um

ponto

de retomo. Ele é um símbolo de

nosso passado

político . i1u.'. trar que temos tradições IUst6ricas centraliSlas. M s nifo cOMUtui um mo­ delo a ser revivido.

Assim, entre o momento do corte revolucionário realizado pela Revoluç[o de

1930,

que marcara a libertação do antigo regime, e o mo· mento inicjal de real construção da nova ordem, houvera um interregno liberal. Este hialo, se de um lado assinalava que o "novo início" nlo era uma conseqüência automática do fim. mostrando que a fundaçao do

o Redescobrimento do Brasil

1 1 9

"no�,," Estado

unha raius na vlolfncia e n a destruIção

d

o "velho", por oulrO

permitia

que se tvjdwcia.ue a

presença

do 8rõllldc cstodlsto que ttd

Getúlio VttrgI!3.

ISlo

porque, just.ln�nte nes ••• "brechllll do tempo

lus­

t6rico", presente., lias "lendas de fundação",'· é que

.In�rgirinlll

COm mal,

for�. os

verdadeiros dirigentes poIlU<os, Ne.!te caso, os articulistas d.

Cultura Politica são enfáticos em assinalar o papel diretor de Vargas, res­ ponsável tanto pelo sucesso da revolução, quanto principalmente pela condução do processo a bom termo_ Em Vargas encontra-se a verdadeira explicação para o desfecho da longa crise política na qual o pais vivia há tantos anos. A etapa definitiva da revolução brasileira, a partir da qual qualquer retrocesso tomava-se insustentável, estava datada de 1937, e seu grande articulador e verdadeiro criador era o próprio Presidente. Vargas sintetizava "o dinamismo propulsor e o sentido r�novador e criador da crise". Desta forma, todo o processo revolucionário é concebido como um reflexo de sua personalidade: "Tornada possível pela vontade do Presiden· te Getúlio Vargas, a revolução brasileira nas suas sucessivas etapas constru· tivas aparece como expressão do dinamismo pessoal de seu chefe."ll 2 . 2. Questão social e Estado Naciona l

A releitura da história do Brasil vem consagrar o ato de fundaçãO do Esta· do, expresso no golpe de 1937. Todo o nosso passado é repensado para que dele possam emergir a crítica ao JiberaJismo da Primeira República e nossas "reaís" tradições políticas centralislas (do Império e alé da Colónia) e também nossa dimensao cultural, enlendida como "natural/popular". A partir daí, o Estado Novo se autodefine como uma obra renovadora de reajustamento do país às suas fontes históricas, étnicas, políticas e cul­ turais. E esta proposta verdadeiramente revolucionária, que traduz a cons­ trução de um modo nacional de ser e viver, está encarnada em uma pessoa que é o chefe do governo: "(. . .) no Brasil liberal, jamais a nação se expres·

sou em uma individualidade que, colhendo exemplos e inspiração na tra­ dição e na realidade, fosse capaz de criar uma doutrina própria pela qual se pudesse chegar a determinado fim.""

O

diagnóstico efetivado ressalta a importância do momento que se vivia para o processo de constituiçao do Estado no Brasil. Até 1937 tínha­ mos território e população, mas não tínhamos governo, e essa lacuna - traduzida na omissão do Estado liberal e na inconsistência de suas elites - comprometia integralmente todo o con

j

unto. A que serviam riquezas na­ turais inexploradas e um povo desacreditado e abandonado? Sem governo. a terra e o homem nao se conciliavam e a política, desligada da cultura, pairava na espaço sem finalidade. A revoluçao fundadora do Estado Nacio­ nal, estabelecendo um governo, recriava os demais elementos constitutivos do Estado, através da intervenção de um quarto elemento fundamental: a

120 Estado Novo: Ideologia e Poder

finalidade do Estado. O original do novo Estado Nacional era a sua propos·