4. Metode og teori
4.1 Valg av nærlesning og analyse som metode
4.1.5 Gérard Genette og narratologien
Sérvulo Esmeraldo constituiu suas relações enquanto artista principalmente na Europa, tendo aparecido pouco no circuito brasileiro. Frederico Morais diz que “essa ausência tão prolongada do Brasil dificultou bastante sua correta inserção na vertente construtiva de nossa arte, da qual é, inquestionavelmente, um dos melhores representantes” (2011, p. 91). Fernando Cocchiarale (1997) o situa ao lado dos escultores abstratos independentes do país cujas obras podem ser remetidas ao Construtivismo, tais como Abraham Palatnik, Ascânio MMM (1941), Emanoel Araújo (1940), Felícia Leirner (1904-1996), Mary Vieira (1927- 2001) e Rubem Valentim (1922-1991).
Interessante pensar que boa parte da atenção para a obra de Sérvulo Esmeraldo nos últimos anos foi despertada por uma série produzida ainda nos anos 60, na França. Esses objetos que ficaram em seu ateliê na França, a partir de 2007 foram vendidos por galerias, como a Sicardi, dos Estados Unidos, e a Raquel Arnaud, do Brasil. O restante está nas mãos de colecionadores pelo mundo.
Em 2004, os Excitáveis ressurgem na exposição Pour un Art Concret, que reuniu as obras de arte abstrata e geométrica doadas pelos colecionadores Sybil Albers e Gottfried Honegger, durante a inauguração do Espace de L’Art Concret, em Mouans-Sartoux, na França. Em 2005, o artista André Parente, que morava em Paris25 conhece essa série por meio do contato com Sabrina Esmeraldo, filha do artista. Na ocasião, produz o vídeo Os Excitáveis, junto à artista Katia Maciel, onde manipula esses objetos. É através do contato dele com o curador Jean-Luc Soret que Esmeraldo participa do Festival @rt outsiders 2005: Brésil
anomalie digital-arts # 5, na Maison Européenne de La Photographie, em Paris.
24 Entrevista em julho de 2013 com o artista.
Em 2007, Esmeraldo produz dois Excitáveis para a mostra O(s) cinético(s), no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, e realiza sua primeira individual nos Estados Unidos, também com a série, na Sicardy Gallery, em Houston, Texas. Em 2010, o artista volta à Maison Européenne de La Photographie para a individual Les Excitables.
A Pinacoteca do Estado de São Paulo faz, então, em 2011, uma grande retrospectiva da obra do artista, com curadoria de Ricardo Resende, e publica o livro Sérvulo
Esmeraldo, organizado pela historiadora e crítica Aracy Amaral, com textos de Ricardo Resende, Frederico Morais, Julio Le Parc, Matthieu Poirier, Fernando Cocchiarale, Ana Maria Belluzzo, entre outros.
Nessa exposição, foram apresentados 117 trabalhos, entre esculturas, pinturas, gravuras, desenhos e objetos de diversas fases dos 60 anos de sua trajetória, desde as primeiras gravuras entre as décadas de 1950 e 1960, passando pelos Excitáveis produzidos entre os anos 1960 e 1970, até suas esculturas geométricas a partir dos anos 1980. Parte das obras expostas veio do núcleo do artista no Museu de Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, outras do acervo da própria Pinacoteca e o restante de colecionadores. Amaral, em seu texto, refere-se a Sérvulo Esmeraldo como “(...) O mais importante artista do Ceará, inscrito já na historiografia da arte experimental brasileira do século XX, [que] merecia, há muito, esta publicação”. (2011, p. 19).
Em 2012, a individual Simples como o triângulo trouxe 70 trabalhos, entre esculturas, pinturas, relevos e objetos para Galeria Raquel Arnaud, em São Paulo. Além dos célebres Excitáveis, a exposição apresentou também seus Sólidos Geométricos e os Teoremas. Na ocasião, o artista lançou fac-símile do seu livro-objeto Trilogia, feito em parceria com o poeta Péricles Eugênio da Silva Ramos, reeditado pela Cosac Naify, com tiragem limitada a 35 exemplares.
Em 2013, Pinturas, Desenhos, Gravuras, Esculturas, Objetos e Excitáveis, com curadoria de Max Perlingeiro, fica em cartaz na Pinakotheke Cultural, no Rio de Janeiro, com 70 obras, dentre as quais 14 Excitáveis. Nessa exposição, que ocupou não somente o espaço interno da galeria, mas também o jardim com algumas esculturas, o público era recepcionado por duas obras cinéticas em funcionamento: O Escriba e uma caixa com bolinhas de gude, ambas acionadas por motor. Vale destacar o vídeo assinado por Katia Maciel e André Parente e as animações com fotografias do artista e com o texto de Método para construir um
Excitável, escrito por Esmeraldo em 1976 (A1.5.1). Além da sala com os Excitáveis, uma vitrine com livros de artista, maquetes e múltiplos.
No mesmo ano, Esmeraldo é um dos 111 artistas da exposição 30 x Bienal, edição comemorativa dos 30 anos da Bienal Internacional de São Paulo, no Parque Ibirapuera. Ainda integra, na capital paulistana, a exposição Cinéticos e Construtivos, com curadoria de Ligia Canongia, na Carbono Galeria, onde aparece ao lado de nomes como Alfredo Volpi (1896- 1988), Abraham Palatnik, Carlos Cruz-Diez (1923), Jesús-Rafael Soto, Josef Albers (1888- 1976), Julio Le Parc e outros. Neste mesmo ano, é coroado com a participação na exposição
Dynamo – Um século de Luz e Movimento na Arte (1913-2013), no Grand Palais, em Paris, a maior mostra de arte cinética já realizada, ocupando quatro mil metros quadrados do museu.
Em Fortaleza, uma grande mostra do artista, com curadoria de Dodora Guimarães, ocupou os jardins, o pátio interno e a galeria do Palácio da Abolição também em 2013. A exposição intitulada Luz, contou com 60 obras, entre esculturas, relevos, desenhos e objetos, produzidas dos anos 1980 para cá, muitas inéditas, feitas especialmente para a exposição. A proposta foi usar a iluminação natural da galeria transparente do palácio e do próprio espaço exterior para estabelecer um diálogo com as obras. O artista, em texto assinado para a mostra, confere todo poder à luz em seu trabalho: “Ela tem uma importância fundamental na escultura. Daí, talvez, minha escolha ocupacional”. Ao final, conclui: “Trabalho com materiais diversos, mas, minha matéria-prima de verdade é a luz”. (2013, p. 6).
O momento de grande enfoque através de exposições e obra de referência sobre o artista cearense ainda se soma à transferência, no ano de 2013, do arquivo de Sérvulo Esmeraldo para o Brasil. O material que se encontrava há cerca de 40 anos na França, desde que ele se mudou para o Brasil, chegou ao Instituto de Arte Contemporânea, em São Paulo, ajudando na proposição de novas discussões e leituras sobre sua obra. A exposição O arquivo
vivo de Sérvulo, resultante de uma seleção desse material pelo curador Ricardo Resende, esteve em cartaz no IAC em 2014, com cerca de 150 objetos, entre estudos, gravuras, desenhos, relevos, matrizes, maquetes e outros.